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Marcha Solene Brasileira para Orquestra e Banda Militar com Canhão

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A Marcha Solene Brasileira para Orquestra e Banda Militar com Canhão é uma peça composta pelo norte-americano Louis Moreau Gottschalk, na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1869.

Índice

HistóriaEditar

Gottschalk desembarcou no Brasil em 10 de maio de 1869, em meio a uma turnê pela América do Sul, onde pretendia passar uma temporada de apresentações. A excursão foi motivada por uma desilusão amorosa em sua terra natal.

Apresentando-se nos principais teatros da corte, logo ele se tornaria próximo da Família Imperial Brasileira, sendo recebido pelo imperador Pedro II em palácio por diversas ocasiões. Seu primeiro concerto, em 3 de junho, no Teatro Lírico Fluminense, foi acompanhado por grande platéia e seria definido por um jornal como "cheio como um ovo".

Em carta a um amigo de Boston, o próprio Gottschalk testemunharia: Minhas apresentações aqui são um verdadeiro furor. As entradas estão esgotadas com oito dias de antecedência. (…) O Grande Oriente da Maçonaria me ofereceu uma recepção solene. O entusiasmo com que tenho sido recebido aqui é indescritível. No último concerto, fui coroado em cena pelos artistas do Rio’’.

Idéias para a composiçãoEditar

No mês de outubro, após convalescer de um ataque de febre amarela, Gottschalk exibiu-se num concerto para dezesseis pianos, tocados por 31 pianistas e duas orquestras sinfônicas, regidos pelo próprio. No repertório, o "Coro dos Soldados" da ópera "Fausto", de Gounod e a "Marcha" da ópera "Tannhauser", de Wagner. O sucesso da aventura musical estimulou Gottschalk a pedir a Dom Pedro II jurisdição total sobre as bandas do Exército, da Marinha Imperial e da Guarda Nacional da Corte, a fim de ensaiar novos concertos gigantescos.

O clima jubiloso vigente na corte desde a vitória sobre a maior parte das tropas paraguaias do ditador Solano López e a entrada na reta final do conflito naquele ano de 1869, contagiaram Gottschalk, que compôs a Grande Fantasia Triunfal Sobre o Hino Nacional Brasileiro para Piano e Orquestra, dedicada à Princesa Isabel, esposa do marechal Conde d'Eu, comandante das tropas brasileiras no campo paraguaio.

Com isso, Gottschalk preparou uma peça exclusiva, para ser executada em praça pública, e com temas nacionalistas brasileiros. A "Marcha Solene", que na época recebeu também o título de "Humaitá", em alusão à famosa batalha, foi apresentada no dia 24 de novembro de 1869, com orquestra, banda militar e peças de artilharia, trazidas especialmente de uma fortificação militar carioca. Dedicada ao Imperador, a composição foi vivamente aplaudida e foi bisada várias vezes na ocasião. Baseada também no tema do Hino Nacional Brasileiro, a peça possuía um caráter heróico e vivaz, bastante apropriada para a ocasião e para festividades patrióticas.

Destino trágicoEditar

A "Marcha Solene Brasileira para Orquestra e Banda Militar com Canhão" seria a última composição de Louis Moreau Gottschalk. No mesmo mês de novembro, durante uma apresentação, o compositor começou a sentir as fortes dores de uma apendicite. Gottschalk morreu em seu quarto de hotel no bairro do Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro, na noite de 18 de dezembro, após longa agonia provocada pela infecção.

Suposto plágioEditar

Com o tempo, a composição seria esquecida, até mesmo no Brasil. Mas em 1880, o compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky lançou a sua Abertura 1812, cuja estrutura é bastante assemelhada à da peça de Gottschalk, inclusive com a utilização de canhões e banda militar, além da utilização de "diminuetos" dos hinos nacionais da Rússia e da França. Tchaikovsky, que só visitaria os Estados Unidos em 1891 e que jamais esteve no Brasil, possivelmente teve contato com a composição de Gottschalk na Rússia, na forma de partitura, mas esta possibilidade é apenas uma conjectura. Entretanto, os diversos pontos em comum entre as duas composições têm levado cada vez mais estudiosos a concluir que houve alguma "inspiração" de Tchaikovsky na obra de Gottschalk, um compositor que já estava começando a ser obscurecido nos poucos anos subseqüentes à sua morte. Mesmo assim essa posição é controversa, já que o uso de canhões e diminuetos também se fez presente na anterior "A Vitória de Wellington", de Beethoven, podendo ser encarada apenas como um apelo marcial e nacionalista comum não só as três composições, mas a muitas outras do período Romântico.

Debate nacionalistaEditar

A "Marcha Solene" teria algumas gravações, sempre no Brasil, ao longo do século XX, sendo muito raramente executada em público. No ano de 1973, uma consulta de origem desconhecida à Comissão Nacional de Moral e Civismo ameaçou a peça de proibição por algum tempo, já que pela lei brasileira são proibidas execuções do Hino Nacional que fujam da determinada por lei. O debate, de fundo nacionalista, e estimulado pelo momento político em que se vivia (o Regime Militar), se desenrolaria por alguns anos, até que um parecer do musicólogo Alfredo Melo determinaria a diferença entre arranjo e variação, condenando a proibição como um "crime de lesa-cultura".

Finalmente liberada, a "Marcha Solene" foi executada junto ao Monumento do Ipiranga, marco do local da proclamação de independência do Brasil, em 7 de setembro de 1981, sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky à frente das orquestras Sinfônica Brasileira e do Teatro Municipal de São Paulo, para um público de 800 mil pessoas.