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Marco Valério Publícola

Marco Valério Publícola
Cônsul da República Romana
Consulado 355 a.C.
353 a.C.

Marco Valério Publícola (em latim: Marcus Valerius Poplicola) foi um político da gente Valéria da República Romana, eleito cônsul por duas vezes, em 355 e 353 a.C.[nota 1]. Foi também mestre da cavalaria (magister equitum) do ditador Caio Sulpício Pético,[4] em 358 a.C..

Mestre da cavalaria (358 a.C.)Editar

 Ver artigo principal: Guerra romano-tiburina

Durante o consulado de Caio Fábio e Caio Pláucio, chegaram rumores de que os gauleses estavam vindo invadir Roma, e já haviam chegado a Preneste; para enfrentar esta ameaça, Caio Sulpício foi nomeado ditador, Caio Pláucio foi chamado de volta a Roma e Marco Valério foi nomeado mestre da cavalaria[4].

A estratégia do ditador era de esperar, apesar dos romanos estarem dispostos a entrar logo em batalha, porque os gauleses se enfraqueciam a cada dia de inatividade, em uma posição desfavorável, sem suprimentos adequados e sem armarem uma defesa, já que a sua força eram os movimentos rápidos[4]. Os soldados, porém, estavam insatisfeitos com a inatividade, e escolheram um legionário, Sexto Túlio, que era o primeiro centurião pela sétima vez, para falar com Sulpício[5] após o discurso, Sulpício observou que os soldados estavam quase se lançando ao ataque, sendo contidos pelos centuriões e resolveu não mais postergar a batalha[6].

Quando ocorreu a batalha, os gauleses pressionaram o lado direito dos romanos, e Sulpício, que estava nesta ala, viu os romanos fraquejarem e os reprimiu, lembrando-lhes que eles antes haviam dito que iriam à guerra mesmo sem seu comandante, mas agora, mesmo com o comandante lutando entre eles, eles estavam se mostrando covardes[7]. Envergonhados, os romanos se lançaram ao ataque, e, com a ajuda da cavalaria, fizeram os gauleses debandarem[7]. O ditador então levou o ataque para a esquerda e chamou os que estavam na montanha; os gauleses fugiram em desordem para seu acampamento, mas foram recebidos por Marco Valério e a cavalaria, que os massacraram[7].

Sulpício celebrou um triunfo por esta vitória, o triunfo sobre gauleses mais valorizado desde a época de Camilo[7].

Primeiro consulado (355 a.C.)Editar

 Ver artigo principal: Guerra romano-tiburina

O primeiro consulado de Marco Valério ocorreu junto do terceiro consulado de Sulpício, sendo os dois patrícios[8]. Foi a segunda vez que o consulado foi tirado dos plebeus desde que a Lei Licínia fora aprovada, sete anos antes[9].

Empulum foi tomada dos tiburtinos neste ano e Lívio não soube dizer como foi a campanha, se os dois cônsules comandaram juntos as legiões, ou se Sulpício atacou os tarquínios enquanto Valério atacava os tiburtinos[9]

Os maiores problemas neste consulado foram domésticos, com os tribunos da plebe protestando porque dois patrícios haviam sido escolhido como cônsules; durante a eleição seguinte, a maior parte da plebe desertou, mas a eleição foi realizada, sendo eleitos Marco Fábio Ambusto (pela terceira vez) e ou Tito Quíncio ou Marco Popílio[nota 2].

Segundo consulado (353 a.C.)Editar

No final de 354 a.C., mesmo com a taxa de juros tendo sido reduzida para 8 1/3 por cento, os plebeus continuavam sem conseguir pagar suas dívidas, e, com outros problemas, não se preocupavam com a vida política; o consulado, portanto, de novo recaiu sobre dois patrícios, Caio Sulpício Pético (pela quarta vez) e Marco Valério Publícola (pela segunda)[10].

Chegaram rumores de duas guerras, uma contra os nativos de Cere (Cerveteri), que poderiam se aliar aos tarquínios, e outra, trazida pelos enviados do Lácio, contra os volscos[10]. O Senado se preparou para as duas, entregando o comando de um exército a cada cônsul: Sulpício recebeu o comando da guerra contra os etruscos, que parecia ser a mais séria, e Valério, da contra os volscos[10]. Quando Valério estava atuando contra os volscos, chegaram notícias do ataque de Cere contra os campos de sal dos romanos; Valério foi chamado de volta, indicou Tito, filho de Lúcio Mânlio, como ditador e este indicou Aulo Cornélio Cosso como seu mestre da cavalaria[10]. Vendo que o exército era suficiente, e autorizado pelo senado e o povo, Tito declarou guerra a Cere[10].

O povo de Cere, porém, ficou aterrorizado com a perspectiva de uma guerra contra os romanos, enviou uma embaixada que pediu perdão e suplicou por paz, e conseguiu uma trégua de cem anos[11].

Ao final do ano, os tribunos da plebe não queriam permitir novas eleições até que a Lei Licínia fosse aplicada, e o ditador estava disposto a abolir o consulado em preferência a fazê-lo ser uma propriedade conjunta de patrícios e plebeus[12]. As eleições só ocorreram após a renúncia do ditador e houve um período de governado por interrexes, após o qual, em conformidade com a Lei Licínia, foram eleitos o patrício Públio Valério Publícola e o plebeu Caio Márcio Rutilo[12].

Ver tambémEditar

NotasEditar

  1. De acordo com Diodoro Sículo, as datas dos consulados de Caio Sulpício e Marco Valério foram o ano da 107a olimpíada [1] e o terceiro ano da mesma olimpíada; [2] estas dadas correspondem, respectivamente, a 352 e 350 a.C.. Segundo historiadores modernos, Diodoro pode ter errado em cerca de três anos nas datas dos cônsules romanos, tomando-se com base a cronologia de Marco Terêncio Varrão.[3]
  2. Lívio dá como cônsules M. Fábio Ambusto e T. Quíncio, e comenta que alguns analistas trocavam T. Quíncio por M. Popílio[9].

Referências

  1. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro XVI, 37.1 [ael/fr][en]
  2. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro XVI, 46.1 [ael/fr][en]
  3. C. Bradford Welles, Introdução ao Livro XVI da Biblioteca Histórica, Cronologia de Diodoro [em linha]
  4. a b c Lívio, Ab Urbe condita VII 12. [em linha]
  5. Lívio, Ab Urbe condita VII 13.
  6. Lívio, Ab Urbe condita VII 14.
  7. a b c d Lívio, Ab Urbe condita VII 15.
  8. Lívio, Ab Urbe condita VII 17
  9. a b c Lívio, Ab Urbe condita VII 18
  10. a b c d e Lívio, Ab Urbe condita VII 19
  11. Lívio, Ab Urbe condita VII 20
  12. a b Lívio, Ab Urbe condita VII 21

BibliografiaEditar