Mardicas

Os Mardicas (Mardijkers em neerlandês) constituíam uma comunidade em Batávia (atual Jacarta), formada por descendentes de escravos libertos. Eram predominantemente cristãos, de ascendência indiana, e falavam uma língua crioula de origem portuguesa. Os holandeses também costumavam referir-se a eles como "inlandse Christenen" (cristãos da terra).

Um mardica com sua esposa, detalhe, Churchill 1704.

OrigemEditar

Os ancestrais dos Mardicas foram escravos dos portugueses na Índia, e foram levados para a Indonésia pelos holandeses, sobretudo depois que conquistaram Malaca a Portugal, em 1641. O termo Mardica provém do sânscrito Maharddhika que significa "homem forte e poderoso". A forma neerlandesa mardijker passou a ser utilizada em todo o arquipélago malaio para designar os escravos libertos. Os mardicas inicialmente permaneceram em sua maioria fiéis à sua fé católica, mas muitos acabarem sendo convertidos à igreja reformada holandesa. Eram legalmente reconhecidos pela Companhia Holandesa das Índias Orientais (Vereenigde Oostindische Compagnie) como um grupo étnico separado. Durante os séculos XVIII e XIX os mardicas foram gradativamente substituindo seu linguajar crioulo-português pelo crioulo malaio (Omong Betawi). O antigo crioulo sobrevive apenas na letra de antigas canções, do gênero Carunchom (Keroncong) Moresco ou Carunchom Tugu. A palavra "Merdeka" (liberdade, em bahasa indonésio) , grito de guerra do movimento de independência da Indonésia, provém de Mardica.