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Maria Sofia da Baviera

Maria Sofia
Duquesa na Baviera
Rainha Consorte das Duas Sicílias
Reinado 22 de maio de 1859
a 20 de março de 1861
Predecessora Maria Teresa da Áustria
Sucessora Monarquia abolida
 
Marido Francisco II das Duas Sicílias
Descendência Daisy de Lawayss (ilegítima)
Viola de Lawayss (ilegítima)
Cristina de Bourbon-Duas Sicílias
Casa Wittelsbach (nascimento)
Bourbon-Duas Sicílias (casamento)
Nome completo
Maria Sofia Amália
Nascimento 4 de outubro de 1841
  Castelo de Possenhofen, Possenhofen, Baviera
Morte 19 de janeiro de 1925 (83 anos)
  Munique, República de Weimar
Enterro Basílica de Santa Clara, Nápoles, Itália
Pai Maximiliano José, Duque na Baviera
Mãe Luísa Guilhermina da Baviera
Religião Catolicismo

Maria Sofia Amália da Baviera (Castelo de Possenhofen, 4 de outubro de 1841Munique, 19 de janeiro de 1925) foi a esposa do rei Francisco II e última rainha consorte do Reino das Duas Sicílias de 1859 até a deposição do marido em 1861.

BiografiaEditar

FamíliaEditar

Maria Sofia era a sexta filha de Maximiliano, duque na Baviera e da princesa Luísa Guilhermina da Baviera. Seus avós paternos foram o duque Pio Augusto da Baviera e a princesa Amélia Luísa de Arenberg; enquanto seus avós maternos foram o rei Maximiliano I José da Baviera e sua segunda esposa, a princesa Carolina de Baden.

Rainha das Duas SicíliasEditar

 
Maria Sofia c. 1860, por Franz Xaver Winterhalter.

Em 22 de novembro de 1858, aos dezessete anos de idade, ficou noiva do jovem herdeiro do trono das Duas Sicílias, o príncipe Francisco, Duque de Calábria, a quem Maria Sofia só conhecia pela imagem numa miniatura.

Casou-se por procuração em 8 de janeiro de 1859, seguindo poucos dias depois para Trieste, onde as fragatas napolitanas Tancredi e Fulminante já aguardavam por ela. Maria Sofia desembarcou em Bari em 1 de fevereiro de 1859, onde finalmente conheceu seu marido e seu sogro, o rei Fernando II das Duas Sicílias, que havia adoecido durante a viagem para recebê-la. Voltaram a Nápoles pelo mar, em 7 de março, tendo o rei embarcado já em estado grave.

Fernando II morreu em 22 de maio de 1859 e Maria Sofia tornou-se rainha aos dezoito anos de idade, como consorte do novo rei, Francisco II das Duas Sicílias.

Tornou-se muito popular durante o cerco a Gaeta, onde a corte se refugiou em 6 de setembro de 1860, numa última tentativa de resistência às tropas do Reino da Sardenha. Tentou de todas as formas encorajar os soldados bourbônicos, distribuindo medalhas com fitas coloridas confeccionadas por ela e chegando a vestir-se com uma farda calabresa para demonstrar ao povo que era um deles. A rainha também passou a visitar diariamente os feridos de guerra nos hospitais.

ExílioEditar

Com a queda de Gaeta e do Reino das Duas Sicílias, Maria Sofia seguiu com o marido para o exílio em Roma, onde passaram a residir no Palácio do Quirinal, a convite do papa Pio IX. Francisco estabeleceu um governo no exílio e, durante alguns anos, foi reconhecido oficialmente por outros países europeus como o legítimo soberano do Reino das Duas Sicílias. [carece de fontes?]

Sua riqueza e seus privilégios eram, de certa forma, ofuscados por sua tragédia pessoal. Seu casamento não foi consumado durante vários anos, devido ao fato de Francisco II sofrer de fimose. A timidez e o fanatismo religioso do marido também impediram o desenvolvimento de qualquer intimidade física entre eles.

Durante o exílio romano, a rainha apaixonou-se por Armand de Lawayss, oficial da Guarda Suíça, de quem ficou grávida. Viajou para a casa dos pais, em Possenhofen, onde uma reunião de família decidiu que ela deveria dar à luz em segredo, para evitar escândalos. Ela deu à luz a gêmeas chamadas Daisy e Viola, nasceram em 24 de novembro de 1862 no Convento de Santa Úrsula, em Augsburgo, e foram imediatamente entregue à família de Lawayss. Maria Sofia prometeu à família jamais tentar ver as filhas, algo que a entristeceu profundamente. Especula-se que a depressão que a acometeu na velhice tinha suas raízes nesse evento.

 
Maria com seu marido, Francisco II

Um ano depois, a conselho de sua família, Maria Sofia decidiu confessar ao marido seu caso extra conjugal. Posteriormente, o relacionamento entre os dois melhorou e Francisco submeteu-se a uma cirurgia, para que pudesse finalmente consumar seu casamento. Maria Sofia engravidou pela segunda vez, dando à luz a princesa Maria Cristina Pia de Bourbon-Duas Sicílias em 24 de dezembro de 1869, dia do aniversário de sua irmã, a imperatriz Isabel da Áustria ("Sissi"), que tornou-se madrinha da herdeira real. Infelizmente, Maria Cristina viveu apenas três meses faleceu em 28 de março de 1870. Maria Sofia e Francisco não tiveram outros filhos.

ViuvezEditar

Com a queda de Roma e dos Estados Pontifícios, em 20 de setembro de 1870, o casal real mudou-se para a Baviera, onde Francisco II morreu, em 1894. Maria Sofia permaneceu durante muito tempo em Munique, tranferindo-se mais tarde para Paris, onde presidia uma informal côrte bourbônica no exílio.

A rainha-viúva não perdeu as esperanças de reconquistar o reino perdido e chegou ao ponto de manter contato com anarquistas e insurrectos (Errico Malatesta nomeou-a Rainha dos Anarquistas). Sua intenção era utilizá-los em atentados contra membros da Casa de Sabóia, a fim de desestabilizar o recém-nascido Reino de Itália. Acredita-se que tenha influenciado os anarquistas Giovanni Passannante e Gaetano Bresci contra o rei Humberto I.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Maria Sofia apoiou ativamente o Império Alemão e o Império Austro-Húngaro contra o Reino de Itália. Rumores afirmavam que ela estaria envolvida em atos de sabotagem e espionagem contra a Itália, na esperança de que uma derrota italiana viesse a desintegrar o país, possibilitando a restauração do Reino das Duas Sicílias. No entanto, ela costumava visitar os campos de prisioneiros italianos para levar-lhes livros e a pouca comida que conseguia comprar na faminta Alemanha. Os soldados não conseguiam entender quem seria aquela anciã que falava seu idioma com um estranho sotaque teuto-napolitano e que lhes pedia notícias, sobretudo dos países do sul.

Durante sua vida, Maria Sofia foi admirada até mesmo por seus inimigos políticos. Gabriele d'Annunzio a apelidou de "Severa piccola aquila bavarese" e Marcel Proust a chamou de "A rainha-soldado sobre as muralhas de Gaeta".

MorteEditar

Maria Sofia morreu em Munique, em 19 de janeiro de 1925, aos 83 anos de idade. Em 1984, seus restos mortais, os de seu marido e os de sua filha foram trasladados para a Cripta Real da Basílica de Santa Clara, em Nápoles.

AncestraisEditar

BibliografiaEditar

  • M. Elia, La regina ribelle, Palermo 1863
  • Raffaele de Cesare, La fine di un regno, Napoli 1869
  • R. de Cesare, Roma e lo stato del Papa, Roma 1907
  • C. Tschudi, Regina Maria Sofia di Napoli, un’eroina dimenticata, Città di Castello 1914.
  • Pietro Calà Ulloa, Un re in esilio, Bari 1928
  • A. Tosti, Maria Sofia ultima regina di Napoli, Milano, 1947
  • G. Paladino, Maria Sofia di Wittelsbach, regina delle Due Sicilie, in «Istituto dell’Enciclopedia italiana», vol. XXIII, Roma 1951
  • Francesco II di Borbone, Da Gaeta ad Arco, diario di Francesco II di Borbone. 1°gennaio 1862 - 24 dicembre 1894, a cura di A. Gentile, Napoli, 1988
  • A. Mangone, Maria Sofia. L’eroina di Gaeta, l’ultima regina di Napoli, Napoli 1992
  • Arrigo Petacco, La regina del Sud. Amori e guerre segrete di Maria Sofia di Borbone, Milano, 1992
  • Pier Giusto Jaeger, Francesco II di Borbone l'ultimo Re di Napoli, Milano, 1982
  • Diego Mormorio, La Regina nuda, Saggiatore, Nuovi saggi, 2006

Ligações externasEditar

 
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Maria Sofia da Baviera
Casa de Wittelsbach
4 de outubro de 1841 – 19 de janeiro de 1925
Precedida por
Maria Teresa da Áustria
 
Rainha Consorte das Duas Sicílias
22 de maio de 1859 – 20 de março de 1861
Título abolido
Anexação ao Reino da Itália