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Maria Teresa Carlota de França

Maria Teresa Carlota
Madame Real
Retrato por Antoine-Jean Gros, 1816
Rainha Consorte da França e Navarra
Reinado 2 de agosto de 1830 – (20 minutos)
Predecessora Maria Antonieta da Áustria
Sucessora Maria Amélia das Duas Sicílias
 
Marido Luís Antônio, Duque de Angoulême
Casa Bourbon
Nascimento 19 de dezembro de 1778
  Palácio de Versalhes, Versalhes, França
Morte 19 de outubro de 1851 (72 anos)
  Frohsdorf, Áustria
Enterro Monastério de Kostanjevica, Nova Gorica, Eslovênia
Pai Luís XVI de França
Mãe Maria Antonieta da Áustria
Religião Catolicismo
Assinatura Assinatura de Maria Teresa Carlota

Maria Teresa Carlota (em francês: Marie Thérèse Charlotte; Versalhes, 19 de dezembro de 1778Frohsdorf, 19 de outubro de 1851) foi a primogénita do rei Luís XVI de França e de Maria Antonieta da Áustria, recebendo no nascimento o tratamento de Madame Real "(Madame Royale)". Após passar sua primeira infância na corte, Maria Teresa foi detida juntamente com seus pais e irmão durante a Revolução Francesa, sendo a única criança real a sobreviver.

Casada com seu primo, o duque de Angoulême, Maria Teresa tornou-se delfina da França em 1824 com a ascensão de seu sogro ao trono (com o título de Carlos X). Tecnicamente, ela foi a rainha consorte da França durante vinte minutos em 1830, no período entre a assinatura da abdicação do sogro e a de seu marido.

Início de vidaEditar

 
Maria Teresa Carlota em 1786, por Adolf Ulrik Wertmüller.

Maria Teresa Carlota nasceu a 19 de dezembro de 1778 no Palácio de Versalhes. Era a filha primogénita do rei Luís XVI de França e de Maria Antonieta da Áustria. Ao nascer, toda a corte esperava pelo nascimento dum varão, haja vista que o casal real ainda não possuía filhos. A princesa recebeu o nome de sua avó materna, a imperatriz Maria Teresa da Áustria, e como de costume na família real, o título de Madame Real "(Madame Royale)". A educação de Maria Teresa foi posta sob a responsabilidade da princesa de Guémenée, substituída mais tarde pela amiga mais próxima da rainha, a duquesa de Polignac.

Em sua tenra infância não era apegada com a mãe, pelo fato de seu pai a mimar e dar-lhe tudo o que queria. Maria Antonieta estava determinada que a filha não deveria crescer para ser arrogante como as tias solteiras do marido. Em contraste com a imagem dela como uma rainha materialista que ignorava a situação dos pobres, Maria Antonieta tentou ensinar sua filha sobre os sofrimentos dos outros. No Natal de 1784, Maria Antonieta levou alguns dos melhores brinquedos de Maria Teresa e deu às crianças pobres para as festas de Ano Novo.

RevoluçãoEditar

 
Maria Teresa com seu irmão, o delfim Luís
Élisabeth Vigée-Lebrun, 1784

Enquanto Maria Teresa crescia, a Revolução Francesa acontecia fora do palácio. O descontentamento social misturara-se a um enorme déficit de orçamento, arruinando a economia francesa e fortalecendo um sentimento antiabsolutista. Em 1789, a França se encontrava à beira da falência por vários motivos, pelo envolvimento na revolta das treze colônias americanas, pela seca e a consequente fome, entre outros. Os antimonarquistas colaboravam com o sentimento de revolta ao denigrir a imagem de Maria Antonieta, atribuindo-lhe boatos de luxúria e vaidade.

Em 14 de julho de 1789, a velha prisão real da Bastilha é tomada pela multidão. A situação em Versalhes se tornava crítica ao ponto de alguns membros da família real começarem a se exilar nos países vizinhos. O primeiro-ministro, o barão de Bretevil, fugiu para a Prússia. O tio mais novo de Maria Teresa, o conde d'Artois, foi enviado ao exterior por ordens de seu pai, enquanto sua governanta fugia para a Suíça. A nova governanta real foi a marquesa de Tourzel, cuja filha Pauline se tornou a melhor amiga da Madame Real. Em outubro, o Palácio de Versalhes foi invadido e a família real forçada a transferir-se para Paris. Foram colocados no Palácio das Tulherias, então em estado precário, onde seria mais fácil vigiar Luís XVI.

Enquanto a situação política se deteriorava, o rei e a rainha se conscientizaram que suas vidas estavam em perigo. Com a ajuda de alguns aristocratas, o rei, a rainha, o delfim, a Madame Real e alguns criados empreenderam fuga ao vizinho Sacro Império Romano Germânico. No caminho, todavia, a guarda revolucionária capturou e trouxe a família real de volta ao Tulherias.

 
Maria Teresa Carlota em 1795, por Heinrich Füger.
 
Sanson brandiu a cabeça de Maria Antonieta para a multidão em 1793. (Museu da Revolução Francesa).

Em 1792, o Palácio das Tulherias foi invadido pela multidão e a guarda suíça massacrada pelo povo, o rei e sua família conseguiram fugir pelos jardins do edifício e se refugiaram na assembleia nacional. A monarquia foi abolida e a família real foi detida na Prisão do Templo. O rei foi guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. Em outubro do mesmo ano Maria Antonieta foi levada à Prisão Da Conciergerie e acusada de traição, de incesto com seu filho, entre outros crimes. Apesar da falta de provas para tais acusações, a rainha foi declarada culpada e condenada à guilhotina. Foi executada por Sanson em 16 de outubro. Em maio de 1794, a tia de Maria Teresa, Madame Isabel, também foi executada.

Durante todo o período de reclusão no templo, Maria Teresa nunca soube o que realmente havia acontecido com sua família. Tudo o que sabia era que seu pai estava morto e sentiu-se completamente isolada e infeliz. Foram encontradas em sua cela na prisão as seguintes inscrições: "Maria Teresa é a criatura a mais infeliz no mundo. Não pode obter nenhuma notícia de sua mãe, embora lhe tenha pedido mil vezes. (…) Viva, minha boa mãe! quem eu amo tanto, mas de quem eu posso não ouvir som algum. Oh, meu pai! olhe para mim daí do céu, a vida é tão cruel. Oh, meu Deus! perdoe aqueles que fizeram minha família morrer."

Há boatos de que Robespierre havia visitado Maria Teresa na prisão. Foi permitida a saída da princesa da França após o reinado do terror. Partiu para Viena, onde foi recebida na corte de seu primo Francisco II, Sacro-imperador Romano-Germânico.

CasamentoEditar

Logo Maria Teresa deixou Viena para viajar para a Lituânia, onde seu tio, o Conde da Provença, estava sob a proteção do Czar Paulo I da Rússia. Seu tio queria que Maria Teresa casasse com seu sobrinho Luís Antônio, Duque de Angoulême, herdeiro do trono. Maria Teresa aceitou imediatamente, feliz por voltar a ser parte de uma família. Luís Antônio era o filho mais velho do conde d'Artois, futuro Carlos X de França. Não parecia em nada com seu pai atraente, famoso por sua sensualidade, Luís era tímido, gago, e era impotente. No entanto, o casamento foi realizado em 1799 e apesar das deficiências de seu marido, Maria Teresa o amava muito. Devido ao fato de ser impotente Maria Teresa e Luís não tiveram filhos.

RestauraçãoEditar

 
Maria Teresa

Retornando à França em 1814, durante a restauração dos Bourbons, a "Órfã do Templo" (como Maria Teresa era chamada), defendeu zelosamente a monarquia e os direitos da dinastia, e, era respeitada até por oponentes dos antigos Bourbons. Napoleão Bonaparte declarou uma vez que Maria Teresa era "o único homem de sua família". Quando seu tio ascendeu ao trono como Carlos X, Maria Teresa recebeu o título de delfina de França.

A Revolução de Julho de 1830 implicou a renúncia de Carlos X, que também exigiu a renúncia de seu filho mais velho, o duque de Angoulême. Este último a assinou com relutância, após vinte minutos, durante os quais ele foi teoricamente Luís XIX.

Após a Revolução de 1830, a família real foi forçada a deixar a França e procurar exílio em vários países, até 1833, quando Carlos decidiu-se mudar para Praga como um convidado do imperador austríaco. Em 1836, o tio de Maria Teresa, morreu de cólera. Até então eles haviam se mudado de Praga, para perto de Gorica, Eslovênia. O marido de Maria Teresa morreu em 1844. Ele foi enterrado ao lado de seu pai na cripta da família Bourbon em Nova Gorica.

Faleceu em 19 de outubro de 1851. Encontra-se sepultada na Igreja de Santa Maria da Anunciação, na Cripta da Família Bourbon em Nova Gorica na Eslovénia.[1]

Títulos, estilos e honrasEditar

Títulos e estilosEditar

  • 19 de dezembro de 1778 – 10 de junho de 1799: "Sua Alteza Real Madame Real"
  • 10 de junho de 1799 – 16 de setembro de 1824: "Sua Alteza Real, a Duquesa de Angoulême"
  • 16 de setembro de 1824 – 2 de agosto de 1830: "Sua Alteza Real, a Delfina da França, Duquesa de Angoulême"
  • 2 de agosto 1830: "Sua Majestade, a Rainha da França e Navarra"
  • 2 de agosto 1830 – 19 de outubro de 1851: "Sua Alteza Real, a Condessa de Marnes"

HonrasEditar

AncestraisEditar

Referências

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Maria Teresa Carlota de França
Maria Teresa Carlota de França
Casa de Bourbon
Ramo da Casa de Capeto
19 de dezembro de 1778 – 19 de outubro de 1851
Precedida por
Maria Antonieta da Áustria
 
Rainha Consorte da França e Navarra
2 de agosto de 1830 – (20 minutos)
Sucedida por
Maria Amélia das Duas Sicílias
 
Delfina da França
16 de setembro de 1824 – 2 de agosto de 1830
Título abolido
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