Maria Velho da Costa

escritora portuguesa (1938-2020)
Maria Velho da Costa Gold Medal.svg
Maria Velho da Costa, retrato de Manuel Anastácio
Nome nativo Maria de Fátima de Bivar Velho da Costa
Nascimento 26 de junho de 1938
Lisboa
Morte 23 de maio de 2020 (81 anos)
Lisboa
Nacionalidade portuguesa
Cidadania Portugal
Alma mater Universidade de Lisboa
Ocupação Escritora
Principais trabalhos Maina Mendes, Novas Cartas Portuguesas, "Casas Pardas", "Lucialima", "Missa in Albis", Irene ou o Contrato Social, O Amante do Crato, O Livro do Meio, Myra
Prémios Prémio Cidade de Lisboa (1977)

Prémio D. Dinis (1983)
Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística (1989, 2009)
Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco (1994)
Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários (1994)
Prémio Vergílio Ferreira (1997)
Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLB (2000)
Grande Prémio de Teatro da APE/Ministério da Cultura (2000)
Gold Medal.svg Prémio Camões 2002
Prémio Máxima de Literatura (2009)
Prémio Literário Casino da Póvoa (2010)
Grande Prémio de Literatura dst (2010)
Grande Prémio Vida Literária APE/CGD (2013)

Empregador Ministério da Cultura, Universidade de Londres
Obras destacadas Missa in albis

Maria de Fátima de Bivar Velho da Costa GOIHGOL (Lisboa, 26 de junho de 1938 - Lisboa, 23 de maio de 2020) foi uma escritora portuguesa.

BiografiaEditar

Maria Velho da Costa nasceu a 26 de junho de 1938 em Lisboa, filha natural legitimada pelo subsequente casamento de seus pais, Afonso Jaime de Bivar Moreira de Brito Velho da Costa e sua segunda mulher Julieta Vaz Monteiro da Assunção. O pai, oficial de Infantaria, promovido a coronel em 1955, tornou-se membro do corpo de censores à imprensa na comissão de censura de Lisboa em 1958.

Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professora no ensino secundário e presidente da Associação Portuguesa de Escritores.[1] Tem o Curso de Grupo-Análise da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria. Foi membro da Direcção e Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, de 1973 a 1978. Foi leitora do Departamento de Português e Brasileiro do King's College - Universidade de Londres, entre 1980 e 1987.

Foi incumbida pelo Estado Português de funções de carácter cultural: foi Adjunta do Secretário de Estado da Cultura em 1979 e Adida Cultural em Cabo Verde de 1988 a 1990.[1] Adicionalmente, desempenhou funções na Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e trabalhou ainda no Instituto Camões.

Teve, desde 1975, colaboração regular em argumentos cinematográficos, nomeadamente em películas de João César Monteiro, Margarida Gil e Alberto Seixas Santos.

Consagrada, já em 1969, com o romance Maina Mendes, tornou-se mais conhecida depois da polémica em torno das Novas Cartas Portuguesas (1972), obra em que se manifesta uma aberta oposição aos valores femininos tradicionais. Esta publicação claramente antifascista e altamente provocatória para o regime, levou as suas três autoras a tribunal, tendo o 25 de Abril interrompido as sanções a que estavam sujeitas as denominadas Três Marias: Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno. [2][3]

Às teses de reivindicação feminina já enunciadas em Novas Cartas Portuguesas, acrescenta-se, na sua obra, um inconformismo quanto aos cânones narrativos. Inconformismo esse que se pode verificar também na sua obra de ensaio.

Foi casada com o sociólogo Adérito Sedas Nunes.

Morreu no dia 23 de maio de 2020 em Lisboa, aos 81 anos.[4]

Prémios e ReconhecimentoEditar

Foi premiada com:

Recebeu do Estado Português as condecorações:

Em 2020, a SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), criou em sua homenagem o Prémio de Literatura Maria Velho Costa, com o qual, premiou no mesmo ano, a autora Teresa Noronha pelo o seu livro Tornado.

Obras publicadasEditar

Entre as suas obras encontram-se: [5][6]

  • O Lugar Comum (1966)
  • Maina Mendes (1969)
  • Ensino Primário e Ideologia (1972)
  • Novas Cartas Portuguesas - com Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno (1972)
  • Desescrita (1973)
  • Cravo (1976)
  • Português; Trabalhador; Doente Mental (1977)
  • Casas Pardas (1977)
  • Da Rosa Fixa (1978)
  • Corpo Verde (1979)
  • Lucialima (1983)
  • O Mapa Cor de Rosa (1984)
  • Missa in Albis (1988)
  • Das Áfricas — com José Afonso Furtado (1991)
  • Dores — contos, com Teresa Dias Coelho (1994)
  • Irene ou o Contrato Social (2000)
  • O Livro do Meio - com Armando Silva Carvalho (2006)
  • Myra (2008, Assírio & Alvim)
  • O Amante do Crato (2012)

Referências

  1. a b Maria Velho da Costa. Infopédia. Porto Editora (2003-2013)
  2. «Três Marias: a censura de "Novas Cartas Portuguesas"». Esquerda. Consultado em 28 de dezembro de 2020 
  3. «NOVAS CARTAS PORTUGUESAS | 40 ANOS DEPOIS». novascartasnovas.com. Consultado em 28 de dezembro de 2020 
  4. Bruno, Cátia (23 de maio de 2020). «Morreu a escritora Maria Velho da Costa, uma das autoras das Novas Cartas Portuguesas». Observador. Consultado em 24 de maio de 2020 
  5. «Biblioteca Nacional de Portugal». catalogo.bnportugal.gov.pt. Consultado em 28 de dezembro de 2020 
  6. «Search results for "Maria Velho da Costa" (showing 1-20 of 27 books)». www.goodreads.com. Consultado em 28 de dezembro de 2020 

Ligações ExternasEditar

Precedido por
Eugénio de Andrade
Prêmio Camões
2002
Sucedido por
Rubem Fonseca