Maria do Carmo Carmona

Maria do Carmo Ferreira da Silva Carmona GCCGCB (Chaves, 21 de outubro de 1878Lisboa, 13 de março de 1956) foi a esposa do 11.º Presidente da República Portuguesa Óscar Carmona, e por inerência Primeira-dama de Portugal de 29 de novembro de 1926 a 18 de abril de 1951.

Maria do Carmo Carmona
11.ª Primeira-dama de Portugal
Período 29 de novembro de 1926
até 18 de abril de 1951
Antecessor(a) Henriqueta Gomes da Costa
Sucessor(a) Berta Craveiro Lopes
Dados pessoais
Nome completo Maria do Carmo Ferreira da Silva
Nascimento 21 de outubro de 1878
Chaves, Portugal
Morte 13 de março de 1956 (77 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade portuguesa
Prêmio(s) Grã-Cruz da Ordem de Benemerência

Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo

Cônjuge Óscar Carmona

BiografiaEditar

Maria do Carmo nasceu na freguesia de Santa Maria Maior, em Chaves, a 21 de outubro de 1878, oriunda de famílias humildes. Era filha de Germano da Silva, taberneiro natural de Ervões e de Engrácia de Jesus Ferreira, natural de Serapicos, ambas freguesias do concelho de Valpaços.[1][2]

Quando o então Alferes de Cavalaria António Óscar Fragoso Carmona prestou serviço militar no Regimento de Cavalaria n.º 6, aquartelado em Chaves, conheceram-se e apaixonaram-se. Já em união de facto há varios anos, contraíram matrimónio a 3 de janeiro de 1914, em Lisboa, tendo já três filhos: Cesaltina Amélia da Silva Carmona (14 de março de 1898), António Adérito Fragoso Carmona (15 de novembro de 1900) e Maria Inês da Silva Carmona (20 de março de 1903). Foi avó da pintora Menez, uma dos seus quatro netos.[1][3][4][5][6]

A 3 de março de 1928, Maria do Carmo teve a iniciativa de patrocinar a "Festa da Violeta", destinada a trocar flores por donativos dos maiores industriais do país e assim recolher fundos para patrocinar a rede de orfanatos, que desde o final da I Guerra Mundial recebiam cada vez mais crianças. A mulher do Presidente Óscar Carmona, dava com isso início a uma série de projetos que haveriam, pela primeira vez, de tornar visível a figura da Primeira-dama portuguesa. Acompanhou o marido em muitas deslocações oficiais, inclusive nas viagens às colónias, em 1938 e 1939. Entregou o "bodo aos pobres", distribuiu brinquedos pelas crianças mais desfavorecidas e, em São Tomé, inaugurou uma maternidade com o seu nome.[3][4][7]

Foi benemérita de Trás-os-Montes, sua Província natal. Sempre procurou colocar a sua influência que resultava do facto de ser mulher do mais alto Magistrado da Nação para ajudar a Terra e as Gentes. Foi, por exemplo, o Marechal Carmona que, por Decreto n.º 16621, de 12 de março de 1928, elevou a Vila de Chaves à categoria de Chaves. A Câmara Municipal de Chaves reconheceu esse facto e ainda outros, como por exemplo a Creche ou Lactário, construído em 1936, o Jardim Maria Rita que desde logo teve o nome de Maria do Carmo Fragoso Carmona e um bairro habitacional com o nome do General Carmona.[1][3][4][7]

Maria do Carmo era o rosto da caridade e da humanidade. Profundamente religiosa, disse uma vez numa entrevista à revista Modas e Bordados «não encontrar maior prazer na vida do que na prática da caridade.» E, de facto, foi pelos seus esforços na proteção das crianças que o país a conheceu. Apadrinhando orfanatos, fundando casas de acolhimento, apoiando colónias de férias. Foi presidente honorária da Semana das Mães (organizada pela primeira vez em 1938 pela Obra das Mães para a Educação Nacional) e presidente de honra da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa.[1][3][4][7]

Tinha por Salazar uma antipatia particular – que, ao que consta, era recíproca –, pelo que durante o encontro semanal de Carmona com o Presidente do Conselho, Maria do Carmo fazia questão de não aparecer para cumprimentar Salazar.[1]

Recebeu a medalha Pro Ecclesia et Pontifice, a 5 de junho de 1929 foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência e a 28 de maio de 1937 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Já em 1951, quando enviuvou, o Governo Português comprometeu-se a dar uma pensão vitalícia no valor de dez mil escudos e um carro do Estado à sua disposição.[1][3][7][8]

Faleceu aos 77 anos de idade, no número 71 da Estrada da Torre, freguesia do Lumiar, em Lisboa, vitimada por uma trombose cerebral, a 13 de março de 1956. Os seus restos mortais foram sepultados em jazigo de família no Cemitério da Ajuda.[9][10]

O seu nome faz parte da toponímia de: Cascais (Praceta e Rua Dona Maria do Carmo Fragoso Carmona), Chaves (Beco, Canto, Ruela e Rua Dona Maria do Carmo Carmona) e Valpaços (Avenida Dona Maria do Carmo Carmona).[3]

Referências

  1. a b c d e f Esteves, João; Castro, Zília Osório de (dezembro de 2013). «Feminae: Dicionário Contemporâneo». Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. p. 596-597 
  2. «Livro de registo de baptismos da Paróquia de Santa Maria Maior - Chaves (1878)». digitarq.advrl.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Vila Real. p. 108 verso-109, assento 274 
  3. a b c d e f «Familiares na Toponímia Nacional». Ruas com história. WordPress. 5 de setembro de 2019 
  4. a b c d Salvado, Leonel (27 de março de 2010). «Clube de História de Valpaços: D.ª Maria do Carmo Carmona». Clube de História de Valpaços 
  5. «MPR - Óscar Carmona». www.museu.presidencia.pt. Museu da Presidência da República 
  6. «Livro de registo de casamentos da 4.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (01-01-1914 a 20-12-1914)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 39-40, assento 6 
  7. a b c d Rodrigues, Ricardo (25 de fevereiro de 2018). «A primeira primeira-dama a sério, em Portugal, foi esta mulher». Notícias Magazine 
  8. http://www.ordens.presidencia.pt/
  9. Revista Notícias Magazine n.º 1344 (25 de Fevereiro de 2017), pág. 16.
  10. «Livro de registo de óbitos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (01-03-1956 a 20-05-1956)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 258, assento 475 

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