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Marly Sarney

32.ª Primeira-dama da República Federativa do Brasil
Marly Sarney
GCC
32.ª Primeira-dama do Brasil
Período 15 de março de 1985
até 15 de março de 1990
Presidente José Sarney
Antecessor Dulce Figueiredo
Sucessor Rosane Collor
19.ª Segunda-dama do Brasil
Período 15 de março de 1985
até 21 de abril de 1985
Vice-presidente José Sarney
Antecessor Vivi Chaves
Sucessor Anna Maria Maciel
Primeira-dama do Maranhão
Período 31 de janeiro de 1966
até 14 de maio de 1970
Governador José Sarney
Antecessor Aldenora de Barros Belo
Sucessor Enide Dino
Dados pessoais
Nome completo Marly Pádua Macieira Sarney
Nascimento 4 de dezembro de 1932 (86 anos)
São Luís, Maranhão
Nacionalidade Brasileira
Cônjuge José Sarney (1952–presente)
Filhos Roseana Sarney (n. 1953)
Fernando Sarney (n. 1955)
Sarney Filho (n. 1957)

Marly Pádua Macieira Sarney GCC (São Luís, 4 de dezembro de 1932) é a esposa do 31.º Presidente do Brasil José Sarney. Ela foi a primeira-dama do país durante o mandato de seu marido, entre 1985 e 1990. Paralelamente também foi a segunda-dama do Brasil da posse do Sarney em 15 de março de 1985 até a morte de Tancredo Neves em 21 de abril do mesmo ano. Anteriormente ela serviu como a primeira-dama do Maranhão de 31 de janeiro de 1966 até 14 de maio de 1970. Entre seus filhos estão Sarney Filho, ex-ministro do Meio Ambiente e Roseana Sarney, 57.ª e 60.ª Governadora do Maranhão.

Marly conheceu seu futuro marido, José Sarney, em 1946, e eles se casaram seis anos depois. O casal teve três filhos. O envolvimento político de Sarney começou durante o casamento deles.[1]

Vida pessoalEditar

FamíliaEditar

Marly Sarney é a única filha de Vera Pádua Macieira (1906-2003)[2] e de Carlos Macieira, um famoso médico da capital maranhense, que dá nome a um hospital homônimo[3]. Ela tem dois irmãos: o economista e político Roberto Macieira (1943-2010), ex-prefeito de São Luís, e o psiquiatra Claudio Macieira.

CasamentoEditar

Marly e seu marido se conheceram em 1946, quando ela tinha catorze anos de idade[4]. Sarney tendo sido seu primeiro e único namorado, após o namoro e noivado, casaram-se em 12 de julho de 1952.[1] Eles tiveram três filhos: a política e socióloga Roseana Sarney (n. 1953), o empresário Fernando Sarney (n. 1955) e o político e advogado Sarney Filho (n. 1957).[5]

Marly era a moça mais bonita do Maranhão, de família abastada, e eu, aquele pobretão, jornalista e poeta. Eu estava totalmente apaixonado. Fazia versos e por ela tinha o carinho que foi da vida inteira. Filha única, acostumei-me logo a suas vontades.
— José Sarney

Com a exceção do segundo filho, os demais enveredaram para a carreira política, tendo ocupado importantes cargos nas esferas legislativa e executiva. Em razão disso, a família é referida muitas vezes pela imprensa como "Clã Sarney"[6].

Marly e José Sarney tinham, em janeiro de 2019, nove netos e três bisnetos.

O casal reside na Ilha de Curupu, em Raposa, que foi deixada como herança pelo pai de Marly.[7]

Primeira-dama do MaranhãoEditar

Marly tornou-se a primeira-dama do Maranhão aos trinta e três anos de idade quando seu marido foi eleito como governador em 1965 e serviu como primeira-dama do estado de 31 de janeiro de 1966 a 14 de maio de 1970.[8]

Primeira-dama do BrasilEditar

 
Marly Sarney ao lado do marido no dia da posse.

Com a redemocratização do país, Marly inaugurou o rol das primeiras-damas pós-ditadura militar, de maneira que Dulce Figueiredo foi a última esposa de presidente militar. A posição poderia ter sido ocupada por Risoleta Neves, mas seu marido, o presidente eleito Tancredo Neves, acabou por falecer antes de tomar posse, abrindo caminho para que seu vice, José Sarney, assumisse o país.

Embora tenha sido tímida e discreta em seu papel,[9] e jamais opinado sobre os assuntos do governo[10], atuou como presidente do Conselho Administrativo da Legião Brasileira de Assistência (LBA) até o ano de 1988.[11]

Em 18 de agosto de 1986, Marly assumiu em sessão solene a presidência do Conselho Nacional da CNEC (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade), tendo sucedido a Aderbal Jurema no cargo[12], que falecera naquele ano.

Em 13 de dezembro de 1986, ela participou, como madrinha, do lançamento da corveta Inhaúma (V-30), da Marinha do Brasil.[13]

Em 17 de julho de 1987, após participar da reinauguração do banco de leite do Hospital de Base de Porto Velho, em Rondônia, Dona Marly visitou em passeio com a comitiva da Legião Brasileira de Assistência as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, na fronteira com a Bolívia. Na ocasião, após uma aula de história sobre o local, foi discutida a reestruturação da antiga fortaleza, e Marly opinou então que as ruínas deveriam ser "deixadas como estavam"[14].

Viagens oficiaisEditar

Marly e José Sarney fizeram viagem oficial a Cabo Verde em 10 de maio de 1986, onde foram recebidos pelo Presidente Aristides Pereira e pela primeira-dama Carlina Pereira.[15]

Em 10 de julho de 1986, Marly e o presidente Sarney realizaram uma visita oficial ao Papa João Paulo II, no Vaticano.[16][17]

Em viagem oficial aos Estados Unidos em setembro de 1986, Marly e seu marido foram recebidos pelo Presidente Ronald Reagan e pela primeira-dama Nancy Reagan com honras de Chefe de Estado, salva de tiros de canhão e desfile militar.[18]

Marly acompanhou seu marido ao Japão para comparecer aos funerais do Imperador Hirohito. Desembarcaram em Tóquio no dia 22 de fevereiro de 1989, onde tiveram seu primeiro encontro com o imperador Akihito e a imperatriz Michiko, no Palácio Akasaka.[19]

Vida pós-presidênciaEditar

Com o final do mandato de José Sarney, a posição de primeira-dama passou para Rosane Collor, cujo marido, Fernando Collor, foi o primeiro presidente eleito por voto direto após o regime militar.

Em julho de 2005, o senador Antônio Leite (PMDB-MA), disse que o Brasil "conhece pouco" as virtudes de Marly Sarney:

Longe dos holofotes e das badalações, no silêncio e no recolhimento de sua personalidade, Dona Marly tem a dimensão do sublime, consciente da importância de sua presença, sem palavra, manifestação de desagrado ou exuberância diante do poder.
— Antônio Leite

Além disso, o senador comparou a figura da ex-primeira-dama à necessidade da imitação de Jesus Cristo, ao citar a frase "no silêncio e na quietude cresce a alma devota", de um livro da mística católica. O senador Antônio Carlos Magalhães, que estava presente na ocasião, concordou com o colega, afirmando que Marly serve de exemplo para as primeiras-damas estaduais e demais primeiras-damas.[20]

Atualmente, Marly é vice-presidente do Conselho Nacional Consultativo da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC)[21][22], e ao lado de seu segundo filho, o ex-ministro do Meio Ambiente, é uma defensora do meio-ambiente.[23]

HomenagemEditar

A Maternidade Marly Sarney foi fundada no ano de 1974, pelo governador Pedro Neiva de Santana.[24]

Rebatismo da Maternidade Marly SarneyEditar

Um importante hospital materno em São Luís tinha, oficialmente, o nome de Marly Sarney até o ano de 2017, quando o Ministério Público do Maranhão intimou o governo estadual a mudá-lo com base na Lei 6.454/1977.

A antiga Maternidade Marly Sarney acabou então rebatizada como Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão pelo governador Flávio Dino, que é adversário político de Roseana Sarney. O hospital e vários outros prédios e vias públicas no Maranhão haviam recebido nomes de pessoas vivas da família Sarney, o que suscitou denúncias por improbidade administrativa. Posteriormente, José Sarney criticou a ação como "mesquinharia" e chamou o governador Dino de "maior tirano da humanidade".[25]

SaúdeEditar

Marly Sarney sofre de diabetes e hipertensão. No dia 24 de julho de 2009, ela sofreu um acidente ao escorregar em um tapete, em sua residência em São Luís, fraturando seu ombro esquerdo em quatro pontos. Foi transferida para o Hospital Sírio-Libanês dois dias depois, para uma cirurgia de reconstituição de ossos, da qual seguiu-se recuperando bem.[26]

Em março de 2012, Marly Sarney foi submetida a um tratamento para coluna, no Hospital Neurológico de Goiânia.[27]

Em março de 2018, ela realizou um tratamento médico em Nova York, nos Estados Unidos, tendo sido acompanhada por seu marido e um funcionário encaminhado pelo Palácio do Planalto.[28]

HonraEditar

Insígma País Honra Data
  Portugal Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, concedida pelo Presidente Mário Alberto Nobre Lopes Soares 14 de julho de 1986.[29]

Ver tambémEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Marly Sarney

Referências

  1. a b Censo Guía de Archivos de España e Iberoamérica
  2. Bom dia Mirante - Morre aos 97 anos Dona Vera Macieira, mãe de Dona Marly Sarney
  3. Hospital Dr. Carlos Macieira - Página da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalres
  4. Página de José Sarney - Casamento
  5. "A Trajetória Comunicacional de José Sarney"[ligação inativa]
  6. IstoÉ Independente - O clã Sarney respira. Ainda. 31/08/2018
  7. A ilha da discórdia na terra dos Sarney
  8. «Posse». José Sarney. 8 de agosto de 2011. Consultado em 9 de junho de 2019 
  9. "De Maria I à Marisa Letícia"
  10. «"Primeiras-damas", pelo jornal Opção». Consultado em 30 de junho de 2008. Arquivado do original em 1 de setembro de 2009 
  11. http://www.fgv.br/cpdoc/historal/arq/Entrevista661.pdf
  12. Biblioteca da Presidência da República - Posse da Sr.a Marly Sarney na Presidência do Conselho Nacional da CNEC. Brasília, DF, 18 de agosto de 1986
  13. «Cv Inhaúma - V 30». Consultado em 10 de janeiro de 2009. Arquivado do original em 15 de junho de 2009 
  14. Gente de opinião - Esse aí sou eu! Por José Carlos Sá
  15. https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/442386/PS%20Sarney%20Discurso%201986%20-%200099.pdf?sequence=1
  16. Uol Notícias - Política e Religião.
  17. https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/231615/PS%20jul_out%201986%20-%200103.pdf?sequence=1
  18. «Estados Unidos». José Sarney. 31 de agosto de 2011. Consultado em 10 de julho de 2019 
  19. Jornal de Brasil - Sarney e Bush irão discutir relações comerciais sábado. 23 de fevereiro de 1989.
  20. «Antônio Leite homenageia a ex-primeira-dama Marly Sarney». Consultado em 10 de janeiro de 2009. Arquivado do original em 1 de setembro de 2009 
  21. «Campanha Nacional de Escolas da Comunidade». Consultado em 10 de janeiro de 2009. Arquivado do original em 11 de abril de 2009 
  22. "Educação Comunitária" (página 131), por Ronalda Barreto Silva.
  23. ISTOÉ Gente
  24. http://www.cpqam.fiocruz.br/bibpdf/2008costa-mm.pdf
  25. Revista Época. "A MÁGOA DE SARNEY". 30 de agosto de 2018
  26. Dona Marly Sarney recupera-se bem de cirurgia (O Globo)
  27. Marly Sarney é internada em Goiânia para fazer tratamento da coluna
  28. https://epoca.globo.com/politica/expresso/noticia/2018/03/sarney-passara-aniversario-em-nova-york.html Revista Época - Sarney passará aniversário em Nova York]
  29. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Marly Sarney". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 24 de março de 2016 


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