Marmelada

Marmelada
Marmeladas de laranja
Categoria Sobremesa
País Portugal
Receitas: Marmelada   Multimédia: Marmelada

A marmelada é um puré de marmelo cozido com açúcar em partes iguais com o objetivo de o conservar. É uma especialidade da doçaria regional portuguesa, sendo a mais famosa a de Odivelas[carece de fontes?] (próximo de Lisboa) fabricada no antigo mosteiro pelas monjas.

Pode ser branca ou vermelha. A cor da marmelada depende, unicamente, do tempo de cozedura. Quanto mais tempo ferver, mais escura fica a marmelada. No Brasil a marmelada é produzida nos municípios goianos de Cidade Ocidental, Luziânia e em quase todo o centro sul.

OrigensEditar

A origem poderá vir da Grécia Antiga, onde já se coziam marmelos em mel, segundo acolhe o livro de cozinha do romano Apício Importante será ressaltar que esta receita antiga, ainda em muito se afasta da concepção moderna de marmelada, porquanto ainda consistia em cozinhar o marmelo com caule e folhas, numa solução de mel e defrutum. Conservas de marmelo, de limão, de rosas, de maçãs, de ameixa e de pêra, figuram nos compêndios cerimoniais do Imperador Bizantino Constantino VII Porfirogénito.[1][2]

A técnica de cozer fruta em açúcar-de-cana trouxeram-na os descobridores espanhóis da América.[3]

Em 1524, Henrique VIII de Inglaterra foi presenteado com um boião de marmelada da parte de Mr Hull of Exeter [4]. A marmelada portuguesa já era afamada entre os comerciantes britânicos da época, sendo objecto de menção em correspondência entretida pelo Lord Lisle com William Grett, já a 12 de Maio de 1534, «Enviei a Vossa Senhoria esta caixa de marmelada, e outra ainda à boa-senhora, sua mulher» e de Richard Lee, 14 de Dezembro de 1536, «Ele agradece sentidamente a Vossa Senhoria pela sua marmelada».[5][6]

EtimologiaEditar

A palavra marmelada entrou pelo latim melimelum (um tipo de maçã) que tem a sua origem no grego melimelon (meli=mel e Μήλον=meélon=maçã).[7][8]

De acordo com o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado [9] a mais antiga abonação conhecida desta palavra na língua portuguesa encontra-se na «Comédia de Rubena» de Gil Vicente , escrita em 1521[10]:

«Temos tanta marmelada // Que a minha mãe m' há-de dar»

Marmelada Branca de OdivelasEditar

No mosteiro de Odivelas, desde há séculos as freiras Bernardas produziam a marmelada branca, distinguível das outras pela sua cor branca. Era servida aos convidados e visitantes em pequenos cubos. A receita foi passando de freira em freira, ameaçada pela extinção das ordens religiosas[11].

Atualmente o município organiza anualmente o Festival da Marmelada Branca. Encontra-se registada como marca coletiva.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Toussaint-Samat, Maguelonne (2009). A History of Food 2nd ed. Hoboken, New Jersey, United States: John Wiley & Sons. p. 507 
  2. Wilson, C. Anne (1986). The Book of Marmalade: its Antecedents, Its History, and Its Role in the World Today. Londres: Constable. p. 24 
  3. Wilson, C. Anne (1986). The Book of Marmalade: its Antecedents, Its History, and Its Role in the World Today. Londres: Constable. p. 32 
  4. Public Record Office, Letters and Papers, Foreign & Domestic, of the reign of Henry VIII, vol. VI (1870) p.339, noted by Wilson 1999, p. 31f, and by other writers
  5. C. Anne Wilson, The Book of Marmalade: its Antecedents, Its History, and Its Role in the World Today, revised ed., 1999, p.32 & others
  6. Francis Peck, Desiderata Curiosa, vol. 2 (London, 1779), p. 249.
  7. Klein’s Comprehensive Etymological Dictionary of the English Language
  8. Melimelon, Henry George Liddell, Robert Scott, A Greek–English Lexicon, on Perseus Digital Library
  9. Etymological Dictionary of the Portuguese Language
  10. Vicente, Gil (1965). Comédia de Rubena. Roma: Edizioni dell'Ateneo. p. 24. 167 páginas  Reedição moderna
  11. http://www.mosteirodeodivelas.org/marmelada-branca/
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