Melgaço (Portugal)

município e vila de Portugal

Melgaço é uma vila raiana portuguesa no distrito de Viana do Castelo, região do Norte e sub-região do Alto Minho.[1]

Melgaço
Município de Portugal
Câmara Municipal de Melgaço.jpg

Brasão de Melgaço Bandeira de Melgaço

Localização de Melgaço

Gentílico Melgacense
Área 238,25 km²
População 9 213 hab. (2011)
Densidade populacional 38,7  hab./km²
N.º de freguesias 13
Presidente da
câmara municipal
Manoel Batista (PS)
Fundação do município
(ou foral)
1181
Região (NUTS II) Norte
Sub-região (NUTS III) Alto Minho
Distrito Viana do Castelo
Província Minho
Orago Santa Maria da Porta
Feriado municipal Quinta-feira de Ascensão
Código postal 4960
Sítio oficial http://www.valedominho.net/Melgaço

É sede do município de Melgaço[1] com 238,25 km² de área[2] e 9 213 habitantes (census de 2011[3]), subdividido em 13 freguesias.[1] O município é limitado a norte e leste pelas províncias de Pontevedra e Ourense da comunidade autónoma da Galiza, Espanha, a sudoeste pelo município de Arcos de Valdevez, e a oeste por Monção. É o município mais setentrional do país.

O ponto mais elevado do município situa-se no Giestoso, sendo a 4ª montanha mais elevada do distrito de Viana do Castelo, com 1335 metros de altitude, na freguesia de Castro Laboreiro.

Em Melgaço existe toda uma tradição de lendas de bruxas, mouras encantadas e princesas suevas, heroínas minhotas, como a lenda de Inês Negra, ou ainda contos e fábulas de criaturas fantásticas, como arganões e outros seres com poderes mágicos, semelhantes às esculturas de monstros e dragões, encontrados em Monte de Prado, na encosta ribeirinha, pelo professor Paulo de Souza Pinto, cujas características são em tudo semelhantes às proas dos barcos viquingues, que incursaram várias vezes pela área, assim como pela restante costa marítima e ribeirinha do norte de Portugal e da Espanha. Esta cultura popular foi sendo transmitida oralmente ao longo de gerações, estando atualmente em declínio.

A zona montanhosa, nomeadamente de Castro Laboreiro, é possuidora também de um carácter único humano e cultural, de origem celta, com hábitos e costumes próprios, onde se destaca a cultura local de transumância, única no país pelas suas brandas e inverneiras, o linguajar e os hábitos de vestir locais como o traje castrejo. Existe ainda nesta freguesia, uma raça autóctone de cão, de tipo amastinado, óptimo guarda e guia de gado bovino, denominado de cão de Castro Laboreiro ou "boca negra", sendo uma das raças mais antigas da Península Ibérica.

São também notáveis as inúmeras pontes romanas por todo o município, celtas (no lugar de Portos), monumentos e alinhamentos megalíticos, fortificações medievais, como o Castelo de Melgaço e o Castelo de Castro Laboreiro, assim como vários solares, igrejas românicas, o parque termal do Peso, museus e trilhos pedestres, para além da fauna e flora natural do município, salvaguardada pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, em Lamas de Mouro.

HistóriaEditar

Pré-História e Idade dos MetaisEditar

 
Ruínas Megalíticas de Cousso

Com a existência de pinturas rupestres, no Fieiral, uma das maiores necrópoles pré-históricas da Península Ibérica, no planalto de Castro Laboreiro,[4] e vários monumentos megalíticos, nomeadamente em Parada do Monte, Cousso e Gave, os primeiros povoamentos humanos na localidade de Melgaço remontam essencialmente ao período neolítico e em outras zonas do município à Idade do Cobre e à Idade do Bronze, onde ainda persistem vestígios de mais de oitenta edificações ancestrais, como mamoas, dólmens, antas e alinhamentos megalíticos.[5]

Durante a Idade do Ferro, a localidade era composta por diversos povoamentos gróvios e galaicos de origem celta, preservando-se até aos dias de hoje vários exemplares da cultura castreja para além dos traços linguísticos, folclore, música, costumes e tradições celtas, como a prática da transumância, das brandas e das inverneiras na localidade.[6] Actualmente em paradeiro desconhecido, o "Ídolo de Paderne", uma pequena escultura zoomorfa, oferecida ao arqueólogo e etnógrafo José Leite de Vasconcelos durante as suas expedições pela região melgacense, foi apenas um dos muitos artefactos de cultura pré-histórica que foi encontrado nas ruínas das antigas cividades do município.[7]

Domínio RomanoEditar

 
Peças de cerâmica expostas na Torre de Menagem do Castelo de Melgaço

Com a expansão do Império Romano e a conquista da Península Ibérica, após várias batalhas travadas e com o cessar da resistência pelas tribos nativas, durante o reinado de Augusto entre 26 e 19 a.C., a região de Melgaço, então denominada Melgaci,[8] ficou sob o domínio dos romanos, integrando a região da Galécia e a província de Hispania Citerior Tarraconensis. Confundindo-se a história com as lendas locais, apesar de ainda controverso, segundo José Leite de Vasconcelos ou o historiador José Hermano Saraiva, entre outros, existiam documentos que davam conta de que à época, na região, existia um clã, que se fixou no planalto onde se situa o centro histórico da Vila, liderado por um celta romanizado de nome Melgacus ou ainda Melgaecus[9], originando assim a razão toponímica do actual município minhoto.[10] Desse período, preservou-se a via romana entre Valença e Melgaço, inúmeras pontes, como a Ponte da Cavada Velha, Peso, Dorna e Lamas de Mouro, sepulturas,[11] fortificações militares, que originaram as fundações do Castelo de Melgaço e do Castelo de Castro Laboreiro, a cultura da vinha e a produção de vinho, a extracção de minérios e, mais recentemente descobertos por um colectivo científico que investiga a presença militar romana no Noroeste da Península Ibérica, vestígios de um dos maiores acampamentos militares romanos de carácter temporário, com mais de 20 hectares e com capacidade para albergar um contingente com mais de 10 mil soldados, na Lomba do Mouro, em Castro Laboreiro.[12]

Invasões BárbarasEditar

Após a queda do Império Romano do Ocidente, com as invasões bárbaras, os suevos migraram para a região minhota, estabelecendo um dos primeiros reinos a separar-se do Império Romano, o Reino Suevo, sendo posteriormente, em 585, o território anexado pelos visigodos na sexta província do Reino Visigótico. Apesar de muitos dos vestígios deste período terem sido destruídos, quer pelo tempo quer por outros conflitos posteriores, a construção das primeiras igrejas cristãs na região, nomeadamente da extinta ermida dedicada aos mártires São Facundo e São Primitivo,[13] e a tradição dos fornos comunitários de Pontes, em Castro Laboreiro, remontam a esse período.

Ocupação Muçulmana e Incursões VikingsEditar

Com a invasão muçulmana na Península Ibérica, a partir de 711, o território ficou sob ocupação moura, voltando a estar sob o domínio cristão no início do século IX, após várias batalhas travadas durante a Reconquista Cristã, liderada por Pelágio do Reino das Astúrias. Uma das batalhas mais conhecidas da região realizou-se no ano de 812, no lugar de Vale de Mouro, junto ao Rio Ornese, em Lamas de Mouro, onde D. Bernardo del Carpio lutou contra as forças de Ali-Aton, rei de Córdova, que caiu derrotado.[14] Apesar da presença mourisca nas terras minhotas ter sido curta, esta cultura também deixou a sua influência, perdurando na toponímia de algumas localidades melgacenses (ex. Lamas de Mouro, Vale de Mouro, Coto da Moura, Casa dos Mouros, Lomba do Mouro, Rio Mouro, etc.) e no folclore regional com as lendas de tesouros amaldiçoados e mouras encantadas. Os únicos exemplares de arquitectura islâmica que sobreviveram desse domínio, no concelho, foram uma ponte mourisca, conhecida como a Ponte da Pedrinha, sob o Rio Laboreiro, e alguns vestígios de uma fortificada atalaia, onde actualmente se situa o Castelo de Melgaço.[15]

Ainda durante o século IX e X, a população raiana não viveu tempos de paz, sendo também vítima de ataques, saques e raptos realizados por várias embarcações vikings que incursaram por várias ocasiões pelo Rio Minho, deixando como prova disso vários exemplares de esculturas de dragões e outras figuras de mitologia nórdica nos locais onde atracavam e construíam os seus portos ou acampamentos provisórios, nomeadamente nas margens do Rio Minho, em Monte Prado.[16]

Condado PortucalenseEditar

Com a presúria de Vímara Peres, em 868, sucedeu-se um intenso trabalho de repovoação entre o Minho e Douro, auxiliado por cavaleiros cristãos de diversas nacionalidades, que receberam títulos e o encargo de senhores de várias terras em troca de as protegerem caso os muçulmanos voltassem a atacar, como o conde Hermenegildo Guterres (também referido como Mendo), avô de São Rosendo, que erigiu sob um castro antigo o Castelo de Castro Laboreiro, ou o cavaleiro Soeiro Aires, que ficou com o domínio de Alvaredo e Valadares. Sob um novo regime feudal, Melgaço tornou-se então parte integrante do Condado Portucalense, sendo um dos principais pontos de acesso do Reino da Galiza para o condado e um importante marco na rota de mercadorias e mantimentos para a linha da frente das forças militares cristãs.[17] Posteriormente, entre 1144 e 1145, os mouros ocuparam o Castelo de Castro Laboreiro, sendo reconquistado um ano depois pelas tropas lideradas por D. Afonso Henriques.

Reino de PortugalEditar

 
Detalhes na Igreja de São João Baptista em Lamas de Mouro

Durante a a guerra da independência que gerou o Reino de Portugal, Melgaço e Castro Laboreiro tomaram partido de D. Afonso Henriques contra o Reino de Leão, tomando o Castelo de Castro Laboreiro com a ajuda dos populares e das freiras beneditas de Paderne, a quem lhes foi concedido couto próprio. Pouco depois, o Castelo de Melgaço começou a ser construído em 1170, por ordem da coroa portuguesa e com o apoio dos mosteiros de Longos Vales e de Fiães. Recebendo o seu primeiro foral em 1183, o qual garantia aos seus habitantes privilégios semelhantes aos que gozava o feudo galego de Ribadavia, a localidade tornou-se então no ponto mais setentrional do país, passando a integrar a linha fronteiriça dos domínios de Portugal.[18] Progredindo desde então, durante a primeira dinastia portuguesa a alcaidaria de Melgaço e de Laboreiro recaiu na família Gomes de Abreu, sendo ainda atribuído o cargo do primeiro juiz ordinário da localidade a Iohannes Bezerrus no reinado de D. Afonso Henriques.[19] Com a forte influência das ordens religiosas na região, nomeadamente da Ordem de Cister, São Bento e de Santo Agostinho, nesse mesmo ínterim, fundaram-se inúmeras igrejas, conventos, mosteiros e ermidas de estilo românico, que ainda resistem até aos dias de hoje.

No século XIII, a localidade minhota fez novamente frente à invasão das forças do Reino de Leão no contexto da disputa entre D. Afonso II e suas irmãs, recebendo uma carta de confirmação do seu estatuto em 1211, como agradecimento.[20] Após a batalha, estando a povoação a progredir e a crescer fora das primeiras linhas defensivas, durante o reinado de D. Sancho II e com, novamente, o apoio financeiro do Mosteiro de Fiães, iniciou-se a construção da cerca da vila, como meio de defesa contra futuras incursões das forças leoneses. Em 1258, por ordem de D. Afonso III foi atribuído um novo foral à vila, que previa a escolha do alcaide-mor por nomeação régia, contudo devido aos protestos da povoação, este foi revogado e promulgou-se outro, semelhante ao que fora atribuído por D. Afonso Henriques, com algumas pequenas diferenças relativas aos valores dos impostos reais.[21]

Durante o século XIV, vários eventos marcaram a história da vila minhota: a partir de 1361 o trânsito entre Portugal e a Galiza era realizado obrigatoriamente e mediante o pagamento de uma portagem por Melgaço, sendo ainda erigida uma leprosaria[22] e gafaria perto do posto de vigia da fronteira, para conter o risco de contaminação de doenças, revelando a sua importância à época;[23] durante o reinado de D. Fernando I foi construído um fosso em redor das primeiras muralhas da vila, apenas descoberto no século XXI, durante as escavações arqueológicas realizadas na Praça da República; e no contexto da crise de 1383-1385, a povoação melgacense seguiu a tendência do norte de Portugal, optando por apoiar D. Beatriz de Portugal e João I de Castela na sucessão da coroa portuguesa. Este último evento, originou no início de 1387, um intenso cerco à vila, governada pelo alcaide de Melgaço e senhor de Fornelos Álvaro Pais Sotto-Maior, pelas tropas portuguesas sob o comando de D. João de Avis, vindo a cessar quase dois meses depois com a vitória dos apoiantes do futuro rei D. João I. Fruto desse episódio, surgiu a lenda da heroína minhota Inês Negra.[24] Após o conflito, a alcaidaria da vila foi entregue a João Rodrigues de Sá, "o das Galés, passando posteriormente para o cavaleiro galego Diogo Gonçalves de Castro, permanecendo na família Castro, familiares de D. Inês de Castro, durante várias gerações.

No século XV, após uma carta redigida pelos procuradores de Melgaço ao rei D. Afonso V, foi atribuída uma isenção de portagem para os moradores e feirantes de Melgaço e Castro Laboreiro, entendendo que a comunidade minhota vivia não só do comércio com a Galiza, mas como terra raiana, também possuía um carácter único de proximidade, nomeadamente familiar, com o outro lado da fronteira, assim estimulando a economia local.[25] Através de vários documentos e cartas de privilégios outorgadas pelo rei, constata-se que as mercadorias mais transaccionadas na fronteira, à época, eram bens alimentares (pão, vinho, carnes, pescado, sal e gado) e minérios (ouro, prata, moeda, ferro e aço).[26] Em 1492, durante os últimos anos do reinado de D. João II, Melgaço era um dos cinco lugares de passagem obrigatória facultada para o ingresso dos judeus sefarditas em fuga ou expulsos pela Inquisição Espanhola, mediante algumas condições, tais como o pagamento de um imposto, ficando algumas famílias de origem judaica aí a residir, nomeadamente em aldeias isoladas na zona montanhosa de Castro Laboreiro, onde deixaram descendência, se converteram ao cristianismo ou foram expulsos com a implementação da Inquisição Portuguesa em 1536.[27]

 
Solar do Alvarinho (antiga cadeia e tribunal)

Revelando o alto estatuto e riqueza dos senhores da região, durante o reinado de D. Manuel I, foram construídos imponentes solares minhotos, como os da Quinta da Calçada ou da Quinta do Reguengo, na região vinícola e agrícola de Melgaço, onde se produzia desde a época romana vinho verde e milho, e através da iniciativa benemérita da rainha D. Leonor, foi criada a Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, sendo ainda providenciado um hospital para a povoação.[28] Durante o mesmo período foram também realizadas, por ordem régia, novas ampliações nas barbacãs, retratadas por Duarte de Armas na sua obra "Livro das Fortalezas".[29]

No século XVII, no contexto dos vinte e oito anos da Guerra da Restauração, várias operações militares decorreram no concelho, sobretudo ao longo da fronteira do Rio Trancoso, no Castelo de Castro Laboreiro, deixando a fortaleza bastante danificada, e na chamada raia seca, onde ocorreram vários saques, roubos de gado e confrontos, sobretudo na forma de escaramuças, entre populares melgacenses e das povoações vizinhas galegas que se vingavam durante a noite ao incendiar as aldeias ora de um lado da fronteira, ora do outro.[30] Ainda durante o mesmo período, em 1641, 1657 e 1666, o Castelo de Melgaço sofreu vários ataques, resistindo sempre às investidas espanholas, graças às constantes inovações e intervenções arquitectónicas e militares realizadas ao longo dos séculos na fortificação medieval.

No início do século XVIII, com o fenómeno da corrida ou febre do ouro no Brasil, ocorreu um enorme surto migratório, sobretudo para Minas Gerais e Mato Grosso, sendo a maior parte da imigração realizada por portugueses originários do Minho, muitos provenientes de Melgaço.[31] Aqueles que conseguiram fazer fortuna e regressar décadas mais tarde construíram as primeiras e imponentes casas de estilo colonial brasileiro no concelho, denominadas na região como "casas do emigrante brasileiro", existindo exemplares bem conservados e restaurados em São Gregório, na freguesia de Cristóval. Ainda à época, considerada como uma das principais defesas da fronteira do Alto Minho, por ocasião da Guerra Fantástica, a participação de Portugal na Guerra dos Sete Anos ocorrida entre 1756 e 1763, e mais tarde com o crescente receio de um ataque gerado pelos eventos da Revolução Francesa, o concelho minhoto tornou-se num crucial quartel militar, sendo edificadas várias construções, tais como um reduto de defesa perto do rio Minho, registado nos escritos do engenheiro Custódio José Villas-Boas.[32]

A 9 de junho de 1808, durante a primeira invasão francesa e após a fuga do príncipe regente e da corte portuguesa para o Brasil, a insurreição das tropas no Porto e em Braga e sob a nova ameaça de uma segunda invasão debaixo do comando do Marechal Soult pela região do Minho, liderados por António Maria Mosqueira de Lira, nobre galego que se opunha ao domínio de José Bonaparte em Espanha, Caetano José de Abreu Soares, nobre português e cavaleiro da Ordem de Santiago, Filipe António de Freitas Machado, corregedor e juiz de fora de Melgaço, e António de Castro Sousa Meneses Sarmento, nobre português descendente dos primeiros alcaides da família Castro, os melgacenses reuniram-se no campo da feira, onde acederam ao pedido de D. João VI, aclamando a independência de Portugal e o direito régio da coroa portuguesa contra as forças napoleónicas que tentavam ocupar o país.[33] A 12 de junho, o clima de festa terminou abruptamente com a notícia de que as tropas inimigas encontravam-se próximas de Caniça, povoação fronteiriça com Melgaço, obrigando toda a povoação a deslocar-se para a praça de armas, onde se ergueu a bandeira vermelha. Confrontados com uma outra notícia que dava conta de que era um falso alarme, alguns populares recusaram-se a baixar as armas, sendo mais tarde interpelados por Matias de Sousa e Castro, tenente do regimento de Valença, que partiu para a vila após ser alertado de que havia uma bandeira hasteada em sinal de guerra, ordenando que esta fosse retirada por poder provocar os franceses, levando-os a destruir tudo à sua passagem. Por ordem do juiz de fora, a bandeira permaneceu hasteada, gerando-se um motim contra o tenente de Valença que fugiu no seu cavalo.[34] Fruto desses eventos, Filipe António de Freitas Machado recebeu uma carta de Pierre François Marie Lagarde, intendente geral da polícia francês, que o condenou por não apoiar a causa de Napoleão Bonaparte e a ocupação de Junot.[35]

Quase trinta anos depois, durante as Guerras Liberais ou Guerra Civil Portuguesa, entre 1832 e 1834, tal como quase toda a nobreza do Norte de Portugal, também em Melgaço se tomou partido da pretensão à coroa por D. Miguel I contra o seu irmão D. Pedro IV. Como tal, durante a guerra e mesmo após, várias guerrilhas contra o liberalismo foram geradas, espalhando o terror na região, sendo os ataques mais icónicos liderados pelos pistoleiros e salteadores miguelistas e carlistas melgacenses Tomás das Quingostas[36] e Domingos Bailão.[37] Durante o mesmo período, ainda no século XIX, foram descobertas propriedades terapêuticas das águas das nascentes do Peso, sendo consideradas milagrosas e curativas para o tratamento de várias doenças, começando a sua extracção em 1884.[38] Até então, o concelho de Melgaço era apenas abrangido pela antigas freguesias de Santa Maria da Porta (Vila), Roussas, São Paio, Remoães, Paços, Chaviães e Cristóval, sendo Paderne e Fiães coutos com jurisdição própria, pertencentes aos mosteiros que aí existiam. Com a extinção das ordens religiosas e a reestruturação dos concelhos durante o reinado de D. Pedro IV, as freguesias de Paderne e Fiães passaram a pertencer ao concelho melgacense, tal como Castro Laboreiro, que deixou de ser concelho próprio, ou Alvaredo, Penso, Gave, Lamas de Mouro e Parada do Monte, que pertenciam ao extinto concelho de Valadares.[39]

República PortuguesaEditar

Com o virar do século e a criação do Parque Termal do Peso, Melgaço começou a atrair vários utentes de várias localidades do Norte de Portugal, da Galiza, e até de Lisboa, desenvolvendo simultaneamente a economia local com a criação de imponentes unidades hoteleiras e do primeiro animatógrafo na região. Pouco depois, com a queda da Monarquia Portuguesa e a Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910, durante a Primeira República Portuguesa vários edifícios de Melgaço foram elevados a Monumentos Nacionais, como a Capela de Nossa Senhora da Orada ou o Castelo de Melgaço, valorizando o património do município.

Com a participação do Corpo Expedicionário Português e do Corpo de Artilharia Pesada Independente na Primeira Guerra Mundial, 73 homens naturais de Melgaço partiram para Brest e posteriormente para Flandres, com idades compreendidas entre os 21 e os 27 anos de idade, sendo integrados em várias baterias de metralhadoras e regimentos de infantaria, como a conhecida Brigada do Minho. Dos jovens melgacenses enviados para a guerra, dez pereceram devido a doença ou em combate, nomeadamente na batalha de La Lys, sendo sepultados no Cemitério Militar Português de Richebourg, e nove foram capturados e levados para campos de prisioneiros na Alemanha, onde permaneceram até ao fim da guerra.[40]

 
Muralhas de Melgaço

Durante as várias crises políticas que geraram o fim da Primeira República, a Primeira Guerra Mundial, a pandemia da gripe espanhola e os surtos de tuberculose, Portugal entrou numa profunda crise económica, agravada por uma elevada inflação e a consequente desvalorização da moeda nacional. Como resposta à falta de dinheiro, gerada também pela escassez de bronze para o cunho das moedas, em Melgaço foram criadas, por vários estabelecimentos privados, várias cédulas fiduciárias que ilustravam a região, servindo de propaganda turística para a localidade para além de moeda de troca e compra de bens, tentando auxiliar e estimular a economia local.[41] Durante o mesmo período, fruto das extremas dificuldades em que as famílias da região viviam, para além de ter sido registada uma elevada mortalidade no município devido à pneumónica,[42] uma nova vaga de emigração surgiu no município, levando muitos melgacenses a partir para países que se tentavam erguer no período pós-guerra e precisavam da mão de obra, como França, ou países de proximidade linguística, como o Brasil, fixando-se maioritariamente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

 
Antigo posto da Guarda Fiscal em São Gregório

Durante o Estado Novo e o eclodir da Guerra Civil Espanhola, a localidade, que ainda vivia tempos difíceis, testemunhou a origem de um dos marcos mais intrínsecos do município: o contrabando de bens alimentares e materiais com a Galiza.[43] Este fenómeno, que surgiu inicialmente como forma de subsistência e resistiu até aos anos 70, tornou-se na salvação e perdição de muitos melgacenses, implicando quase todas as famílias da região e até elementos da Guarda Fiscal, cuja sede se fixava no centro histórico da vila e possuía as delegações aduaneiras de Paranhão (Penso), São Martinho (Alvaredo), São Marcos (Alvaredo), Mourentão (Prado), Porto Vivo (Chaviães), Porto Paços (Paços), Cevide (Cristóval), Pousa Foles (Fiães), Porto Carreiro (Fiães), Alcobaça (Fiães), Castro Laboreiro, Portelinha (Castro Laboreiro), Ameijoeira (Castro Laboreiro) e São Gregório (Cristóval), onde ainda existe a antiga estação fronteiriça e as casas de fronteira.[44] As trocas de bens ocorriam na fronteira, apelidada de raia solidária, e eram maioritariamente realizadas de noite, recorrendo a pequenas embarcações, conhecidas como batelas, quando era necessário atravessar o rio Minho, ou ainda ao uso de coletes e bolsos forrados com as mercadorias escondidas, ao atravessar as montanhas, caso fossem interpelados pelos guardas fronteiriços, podendo vir a ser perseguidos a tiro ou cumprir pena de prisão. Os principais bens transaccionados eram café, açúcar, chocolate, sabão, tabaco, ouro, ferro, volfrâmio, marisco e até polvo da Galiza, importado sobretudo durante a quadra natalícia, mantendo assim a tradição local.[45]

 
Antiga sede da Guarda Fiscal na Vila, actual Museu do Cinema de Melgaço

Ainda durante os anos 30, fruto da próxima relação que existia entre Melgaço e as povoações vizinhas, nos lugares mais isolados, alguns populares acolheram refugiados e soldados galegos, que fugiam do conflito e das tropas do General Franco, conseguindo alguns escapar temporariamente, auxiliados pelas redes clandestinas criadas pelos militantes do Partido Comunista Português, enquanto outros foram apanhados pela Guarda Fiscal e a PVDE para serem entregues às forças franquistas e grupos de falangistas e posteriormente encarcerados ou até mesmo fuzilados.[46][47] Em contrapartida, os carabineiros e a Guarda Civil espanhola tinham instruções para entregar às autoridades portuguesas os militantes de esquerda e sindicalistas portugueses que se encontravam foragidos ou radicados na Galiza.

 
Centro histórico da Vila

Com o despoletar da Segunda Guerra Mundial, a exploração de volfrâmio tornou-se numa das principais fontes de rendimento no município, ocorrendo com especial ênfase no lugar de Seara, em Castro Laboreiro, levando tanto homens como mulheres naturais de Melgaço e não só a procurar o precioso minério que era vendido essencialmente através do contrabando.[48] Em 1955, as minas foram registadas pela Companhia Mineira de Castro Laboreiro, contudo, deixando de ter procura após a guerra, esta cessou a sua exploração pouco depois.[49]

Durante a década de 60, o município foi ainda o local de férias de Verão do pintor Jaime Murteira, que registou nas suas obras a paisagem natural, as comemorações religiosas, as tradições e a vida quotidiana da localidade.[50]

Com o eclodir da Guerra Colonial Portuguesa e a procura de melhores condições de vida, originou-se a segunda grande vaga de emigração registada durante o século XX no município minhoto, sendo esta a mais intensa. Ora por meios legais, ora de forma clandestina, denominada "a salto", fazendo uso das rotas criadas para o contrabando e pagando a "passadores" que os levavam pela fronteira,[51] os melgacenses que emigraram encontraram como principais países de acolhimento a França, Suíça, Luxemburgo, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América e até a Austrália.[52] Apesar da vaga ter persistido até 1980, sofrendo um abrandamento nas últimas décadas, o fenómeno migratório marcou assim de forma intrínseca a identidade local, tendo afectado todas as famílias da região.

 
Trilho Interpretativo de Lamas de Mouro

Século XXIEditar

Com a entrada no século XXI, o município começou a criar oportunidades de negócio relacionadas com o turismo rural, desportivo, de lazer e de natureza, fazendo uso da sua vasta paisagem e património cultural, recuperando ao mesmo tempo antigas tradições, como a produção de uma das indústrias ex-libris da região, o vinho alvarinho, e apostando em novas iniciativa, como no desenvolvimento de empreendimentos e infraestruturas para competições desportivas, sobressaindo a prática de desportos radicais, ou ainda na requalificação de vários monumentos e dos trilhos pedestres, de bicicleta e outros, tais como o Trilho Interpretativo de Lamas de Mouro, Trilho do Curro da Velha, Trilho do Megalitismo de Castro Laboreiro e muitos outros percursos e passadiços junto ao Rio Minho.

Com o objectivo de preservar a história do município foram ainda criados os Núcleos Museológicos da Torre de Menagem e de Castro Laboreiro, a Casa da Cultura, o Espaço Interpretativo das Ruínas Arqueológicas da Praça da República e o Espaço Memória e Fronteira, que para além de museu também funciona como Gabinete de Apoio ao Emigrante.

Os eventos mais emblemáticos são a Festa do Alvarinho e do Fumeiro, realizada em abril, a Festa do Espumante de Melgaço, em novembro e dezembro, e mais recente, o Festival Internacional de Documentário de Melgaço, originalmente chamado Filmes do Homem, decorrido em agosto durante a mais conhecida festa do município, a Festa da Cultura, dando-se ênfase às questões sociais, individuais e culturais relacionadas com identidade, memória e fronteira, organizado pela Câmara Municipal e a Associação AO NORTE, tendo ainda o apoio de várias universidades ou centros de estudos sobre migrações nacionais e internacionais para além do Museu do Cinema de Melgaço - Jean Loup Passek, inaugurado em 2005 no centro histórico da vila.

FreguesiasEditar

 
Freguesias do município de Melgaço.
 Ver artigo principal: Freguesias de Melgaço

O município de Melgaço está dividido em 13 freguesias:[1]


PopulaçãoEditar

Número de habitantes [53]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
14 625 15 829 15 428 15 558 16 312 15 421 15 759 17 689 17 798 18 211 15 805 13 246 11 018 9 996 9 213

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário [54]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 4 398 5 015 4 516 5 201 5 628 5 203 5 064 4 380 3 255 1 741 1 028 821
15-24 Anos 2 468 2 515 2 585 2 619 2 762 3 093 2 981 2 080 2 097 1 452 1 113 766
25-64 Anos 6 790 7 319 6 743 6 962 7 524 7 638 8 561 7 220 5 664 5 284 4 818 4 250
= ou > 65 Anos 1 187 1 286 1 156 1 185 1 406 1 542 1 605 2 125 2 230 2 541 3 037 3 376
> Id. desconh 113 45 77 26 68

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Cultura Regional e FolcloreEditar

 
Estátua de bronze da heroína Inês Negra, realizada por José Rodrigues, na década de 1990, localizada em Melgaço.

Localizada na fronteira entre Portugal e Espanha, a localidade de Melgaço sempre beneficiou das relações culturais com as regiões vizinhas, nomeadamente com a Galiza. Por si, esta dinâmica estreita originou uma indústria redobrada nas excentricidades próprias dos meios rurais, transformando Melgaço no epicentro português dos mitos brejeiros e numa verdadeira babilónia de vernacular castiço. Em algumas localidades, o linguajar de origem arcaica galaico-portuguesa, caracterizado pelas vogais mais acentuadas, a substituição do ditongo "ão" por "om" ou "an", ou ainda o acrescentar do "t" antes do "ch", entre outras particularidades, ainda persiste, sobretudo nas zonas montanhosas, onde não falta o folclore local, histórias de contrabando ou de emigração, quando se partia a salto para França em busca de uma vida melhor, e os cantares de pastoreio ancestrais.

Entre as lendas e histórias do folclore regional associadas a Melgaço, encontramos as seguintes:

E sobre criaturas fantásticas:

Desporto e LazerEditar

 
Trilho de Castro Laboreiro

Tornando-se nas últimas décadas num conhecido destino turístico de natureza, com características geográficas e geológicas que lhe concedem uma posição de destaque e renome no Norte de Portugal, após a criação da Escola Superior de Desporto e Lazer, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, e do moderno e bem equipado Centro de Estágios na localidade, Melgaço tem apostado fortemente na promoção do seu município através de novas infraestruturas e actividades desportivas e de lazer.

 
Complexo de Piscinas Descobertas em Monte Prado

Usufruindo da sua paisagem e riqueza histórica e cultural, denominando-se ainda como "o destino de natureza mais radical do país"[55], a prática de desportos de rio e montanha ocorre durante todo o ano, sendo em matéria de desportos radicais, o rafting o mais emblemático. Para além dos desportos aquáticos mais comuns como a canoagem ou o canyoning, outra forte aposta têm sido os percursos que atravessam as diferentes paisagens da região, tendo já sido palco de competições nacionais e regionais de TT, BTT[56], drift, ciclocrosse[57], trail ou ainda de pedestrianismo[58]. Desde os mais recentes trilhos marginais do rio Minho, às rotas na montanha, com um forte cariz para alertar a necessidade de preservação da vida animal, como a do lobo ibérico e de outras espécies autóctones em vias de extinção, inseridas no Parque Nacional da Peneda-Gerês, ou ainda no icónico planalto de Castro Laboreiro, onde se superam os 1.300 metros de altitude e é possível atravessar uma das maiores necrópoles megalíticas da Península Ibérica, em Melgaço não faltam opções para os entusiastas do ar livre ou da adrenalina.

 
Rafting rio Minho, entre Arbo (Galiza) e Melgaço

Na área do lazer, com uma tradição centenária, existe o Parque Termal do Peso, conhecido pelas suas águas medicinais e tratamentos terapêuticos, para além de outros focados numa vertente de bem-estar, estética, beleza e relaxamento, assim como o moderno Centro Hípico de Monte Prado, a Piscina Municipal de Melgaço, onde funciona a Escola de Natação com diferentes modalidades e exercícios de manutenção ou recuperação física, ou ainda o Clube de Saúde no Centro de Estágios de Melgaço - Complexo Desportivo e de Lazer Comendador Rui Solheiro, que dispõe de ginásio, spa, sauna e banhos, para além de outros complementos como piscina ao ar livre, parque infantil, campos de ténis, minigolfe, circuitos de manutenção, pavilhão gimnodesportivo ou ainda alguns pavilhões polidesportivos para a prática de várias modalidades, como o futsal, voleibol ou o basquetebol.

Na história desportiva local, e apesar de ter caído em desuso nos últimos anos, era costume a prática da modalidade tradicional do jogo do pau, sendo o primeiro presidente da federação portuguesa desta arte marcial europeia, Pedro M. R. Ferreira, natural da freguesia de Alvaredo, no município de Melgaço. Actualmente, na povoação, com mais de sessenta anos de vida, existe o clube multidesportivo Sport Clube Melgacense, que apesar da sua principal modalidade ser o futebol, tem vindo a desenvolver também a prática competitiva de outras modalidades como o futsal, basquetebol e, mais recentemente, a patinagem sobre rodas, apostando fortemente na formação das camadas mais jovens. De modo a inspirar outras práticas desportivas no distrito de Viana do Castelo e nas sua população, foram também realizados vários protocolos com a Federação de Andebol de Portugal para lançar a modalidade no município, tal como ocorreu em Afife, Caminha e Viana do Castelo.[59]

EconomiaEditar

Na economia de Melgaço destaca-se a produção do fumeiro e, essencialmente, a produção vinícola, com destaque para o vinho espumante e o vinho alvarinho de Melgaço.

Existem cerca de 30 produtores de vinhos no município que lançam no mercado uma média anual de 150 mil garrafas de espumantes. O espumante de Melgaço é um vinho de cordão fino, mousse cremosa, acidez no ponto e uma grande harmonização gastronómica, sendo que a maioria dos espumantes é elaborada a partir da casta alvarinho, mas também com algumas versões de vinho rosé e tinto.[60] Devido ao seu microclima único, a casta branca da espécie da Vitis vinifera, é um dos ex libris do município e como principais eventos para promover a indústria local e os seus produtos, anualmente são realizadas a Festa do Alvarinho e do Fumeiro, organizada desde 1994, e a Festa do Espumante de Melgaço.

Para além dos vinhos, desde 1884, é realizada a extracção e comercialização da água mineral de Melgaço, no lugar das Termas do Peso, sendo a sua produção inicialmente realizada pela Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas, S.A, a partir de 1920, e actualmente pelo grupo UNICER. A Água de Melgaço é porventura a última água mineral gasocarbónica em Portugal que é engarrafada tal como é captada, sendo bastante rica em ferro.[61]

EducaçãoEditar

Ensino Público

Ensino Profissional

  • EPRAMI: Escola Profissional do Alto Minho Interior - Tipo de Ensino: Ensino Profissional (Formação de nível II, III e IV)

Ensino Especial

  • Centro de Reabilitação de Prado - Tipo de Ensino: Centro de Apoio e Educação da APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental

Outros

GastronomiaEditar

De origens ancestrais e fortemente influenciada pelo ciclo das culturas, pesca e caça ou criação das raças autóctones da região minhota e raiana, da gastronomia típica de Melgaço destacam-se os enchidos de produção artesanal e qualidade reconhecida a nível nacional, o presunto de porco bísaro, a carne de vaca cachena, o cabrito do monte assado no forno, a cabidela, a truta à minhota e o arroz de lampreia, sendo esta última uma das iguarias mais apreciadas e emblemáticas da região minhota. Também a destacar, existe uma antiga tradição de doçaria, sendo o bucho doce, a rosca mulata, e as broas de mel de Melgaço as sobremesas mais apreciadas, para além das compotas e do mel de urze, entre outras variedades, produzido na região, que fazem uso do micro-clima local e da fruta e flora sazonal.

Fazendo ainda jus à tradição, em Castro Laboreiro, feito com farinha de centeio, trigo ou milho, o "pão preto" ou broa castreja é ainda habitualmente produzida à moda antiga, num dos muitos fornos e moinhos comunitários que revestem a localidade, sendo o primeiro pão a sair, a "tenda", para repartir com a família e amigos como manda a tradição local.

PolíticaEditar

Administração municipalEditar

O município de Melgaço é administrado por uma câmara municipal, composta por um presidente, um vice-presidente e cinco vereadores. Existe ainda uma assembleia municipal, que é o órgão deliberativo do município, constituída por 21 deputados eleitos.

O cargo de Presidente da Câmara Municipal é actualmente ocupado por Manoel Batista, e o de Vice-Presidente por Maria José Codesso, ambos militantes do Partido Socialista (PS), eleitos nas eleições autárquicas de 2017, tendo sido também eleitos três vereadores pelo PS e dois pela coligação autárquica PPD/PSD-CDS-PP.

Eleições autárquicasEditar

Data % V % V % V % V % V
PS PSD CDS AD PSD-CDS
1976 36,31 2 33,66 2 20,89 1
1979 44,64 2 AD AD 47,69 3
1982 55,39 4 12,81 1 23,81 2
1985 69,21 5 24,70 2
1989 65,64 5 22,37 2 6,62 -
1993 65,65 5 27,52 2
1997 73,04 6 19,96 1 1,98 -
2001 71,29 6 PSD-CDS PSD-CDS 21,42 1
2005 64,64 5 28,27 2
2009 71,09 6 23,67 1
2013 63,07 5 28,25 2
2017 59,98 5 PSD-CDS PSD-CDS 32,39 2

Eleições legislativasEditar

Data %
PSD PS CDS PCP UDP AD APU/

CDU

FRS PRD PSN B.E. PAN PàF L CH IL
1976 32,82 32,21 18,67 2,86 0,74
1979 AD 34,27 AD APU 0,81 51,38 3,26
1980 FRS 0,56 56,00 4,00 30,67
1983 33,15 42,44 13,47 0,39 4,12
1985 31,37 34,97 15,20 0,96 3,31 7,09
1987 50,70 30,69 7,47 CDU 0,52 1,87 1,91
1991 55,95 31,92 5,34 1,16 1,02 0,71
1995 40,43 48,89 5,48 0,19 1,31
1999 32,87 53,77 6,83 1,53 0,52 0,90
2002 44,43 44,47 5,78 0,83 1,10
2005 30,69 54,40 7,11 1,20 2,45
2009 31,33 47,62 7,33 1,82 5,11
2011 46,04 35,86 7,44 1,89 2,64 0,42
2015 PàF 37,08 PàF 2,42 5,59 0,62 43,47 0,31
2019 31,69 46,57 3,80 1,43 5,82 1,57 0,37 0,51 0,31

GeminaçõesEditar

Património e Principais Pontos de InteresseEditar

IgrejasEditar

MuseusEditar

 
Torre de Menagem do Castelo de Melgaço

FortificaçõesEditar

Pontes Celtas, Romanas e MedievaisEditar

OutrosEditar

Melgacenses IlustresEditar

Referências

  1. a b c d Diário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I.
  2. Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 Arquivado em 9 de dezembro de 2013, no Wayback Machine. (ficheiro Excel zipado).
  3. INE (2012) – "Censos 2011 (Dados Definitivos)", "Quadros de apuramento por freguesia" (tabelas anexas ao documento: separador "Q101_NORTE")..
  4. Portugalia. [S.l.]: Pola Grey. 2002 
  5. Revista de ciências históricas. [S.l.]: Universidade Portucalense, Departamento de Publicaçoes. 1988 
  6. Caminiana. [S.l.: s.n.] 1988 
  7. Monteagudo, Guadalupe López (1989). Esculturas zoomorfas celtas de la Península Ibérica (em espanhol). [S.l.]: Editorial CSIC - CSIC Press 
  8. Lisboa, Academia das Ciências de (1967). Portugaliae monumenta historica (em latim). [S.l.]: Kraus Repr. 
  9. Redentor, Armando (20 de julho de 2017). A Cultura Epigráfica no Conventus Bracaraugustanus (Pars Occidentalis): Percursos pela sociedade brácara da época romana - Volume II. [S.l.]: Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press 
  10. Saraiva, José H. (1987). Itinerário português: o tempo e a alma. [S.l.]: Gradiva 
  11. Alarcão, Jorge de (1974). Portugal romano. [S.l.]: Editorial Verbo 
  12. Nuno, Carlos; Martinho, João (2019). «Castro Laboreiro: Investigadores descobrem acampamento militar romano de grandes dimensões». Voz de Melgaço 
  13. Revista da Faculdade de Letras: História. [S.l.]: Faculdade de Letras do Porto. 1998 
  14. Vieira, José Augusto (1886). O Minho pittoresco. [S.l.]: Livraria de Antonio Maria Pereira 
  15. Guia de Portugal. [S.l.: s.n.] 1924 
  16. Dionísio, Sant'Anna (1978). Velho Minho. [S.l.]: Lello & Irmão 
  17. Portugalia. [S.l.]: Pola Grey. 2003 
  18. Herculano, Alexandre (1862). Historia de Portugal. [S.l.]: Viuva Bertrand e Filhos 
  19. «Pactum inter monasterium et concilium de Melgatio | Codolpor». CODOLPOR | Corpus Documentale Latinum Portucalense. Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa. 1183 
  20. Peres, Damião; Cerdeira, Eleutério (1928). História de Portugal: Ed. monumental comemorativa do 8.0 centenário da fundação da nacionalidade, profusamente ilustrada e colaborada pelos mais eminentes historiadores e artistas portugueses. Direcção literária de Damião Peres ... direcção artística de Eleutério Cerdeira. [S.l.]: Portucalense Editora 
  21. Portugalia. [S.l.]: Pola Grey. 2005 
  22. Alves, Lourenço (1985). Caminha e seu concelho: monografia. [S.l.]: Edição da Câmara Muncicipal de Caminha 
  23. Revista da Faculdade de Letras: História. [S.l.]: Faculdade de Letras do Porto. 1998 
  24. de), Pedro da Costa de Sousa de Macedo Villa Franca (conde (1884). D. João I e a alliança ingleza: investigações historico-sociaes. [S.l.]: Livraria Ferreira 
  25. Marques, José (1978). Relações económicas do norte de Portugal com o reino de Castela, no sécolo XV. [S.l.: s.n.] 
  26. Revista da Faculdade de Letras: História (em espanhol). [S.l.]: Faculdade de Letras do Porto. 1998 
  27. Carneiro, Maria Luiza Tucci (2005). Preconceito racial em Portugal e Brasil Colônia: os cristãos-novos e o mito da pureza de sangue. [S.l.]: Perspectiva 
  28. «Solar do século XVI em Melgaço classificado como Monumento de Interesse Municipal». Mundo Português. 19 de novembro de 2020 
  29. Correia, Luís Miguel Maldonado de Vasconcelos (1 de abril de 2011). Castelos em Portugal: retrato do seu perfil arquitectónico [1509-1949], 2ª Edição. [S.l.]: Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press 
  30. Guia de Portugal. [S.l.: s.n.] 1924 
  31. A idade de ouro do Brasil: dores de crescimento de uma sociedade colonial. [S.l.]: Companhia Editôra Nacional. 1969 
  32. Historia de Portugal ... [S.l.]: J.A. de Mattos. 1876 
  33. Chartrand, René (20 de março de 2013). Vimeiro 1808: Wellesley’s first victory in the Peninsular (em inglês). [S.l.]: Bloomsbury Publishing 
  34. Elexaveitia, J. Gomez de Artéche y Mora de (1868). Guerra de la independencia ... 1808-'14 (em espanhol). [S.l.: s.n.] 
  35. Barreto, Mascarenhas (1979). História da polícia em Portugal: polícia e sociedade. [S.l.]: Braga Editora 
  36. Ferreira, Maria de Fátima Sá e Melo (2002). Rebeldes e insubmissos: resistências populares ao liberalismo, 1834-1844. [S.l.]: Edições Afrontamento 
  37. «Ofício do major L. de S. da Gama para Francisco Xavier Ferreira sobre a actuação de guerrilhas no concelho de Melgaço, chefiadas por D. Domingos Bailão.». arqhist.exercito.pt. Consultado em 30 de dezembro de 2020 
  38. Wateau, Fabienne (21 de janeiro de 2019). Conflitos e água de rega: Ensaio sobre a organização social no Vale de Melgaço. [S.l.]: Etnográfica Press 
  39. Religiosa, Universidade Católica Portuguesa Centro de Estudos de História (2004). Mutaçoes religiosas na época contemporânea: figuras e pensamento. [S.l.]: CEHR-UCP 
  40. Freiria, Fernando (1918). Os portugueses na Flandres. [S.l.]: Tip. da Cooperativa Militar 
  41. História de Portugal. [S.l.]: Publicações Alfa. 1983 
  42. Céu e Silva, João (2018). «A epidemia que veio de Espanha e matou mais de 60 mil portugueses». Diário de Notícias 
  43. «Contrabando e emigração ilegal em Melgaço nos anos 20 do século passado». Minho Digital. 2017 
  44. «Secção da Guarda Fiscal de Melgaço». Arquivo Municipal da Câmara de Melgaço 
  45. Fonseca (coord), Dulce Freire, Eduarda Rovisco, Inês (1 de julho de 2009). Contrabando na Fronteira Luso-Espanhola: Práticas, memórias e patrimónios. [S.l.]: Edições Nelson de Matos 
  46. «Melgaço acolheu refugiados de guerra nos anos trinta e Espanha não se esqueceu». O Minho. 12 de dezembro de 2019 
  47. Seixas, Xosé Manoel Núñez; Vila, Pilar Cagiao (2006). O exilio galego de 1936: política, sociedade, itinerarios (em galego). [S.l.]: Ediciós do Castro 
  48. Vaquinhas, Irene. Revista de História da Sociedade e da Cultura n.º 18. [S.l.]: Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press 
  49. «Melgaço: Economia local beneficiou com a exploração de um minério no passado - Sabe qual?». Rádio Vale do Minho. 2 de maio de 2019 
  50. Brotéria: Série mensal. [S.l.]: Brotéria. 1956 
  51. Pereira, Ana Cristina; Miranda, Adriano; Correia Pinto, Mariana (2014). «Passadoras de homens e outras aventureiras». Público 
  52. Gonçalves, Albertino (1996). Imagens e clivagens: os residentes face aos emigrantes. [S.l.]: Edições Afrontamento 
  53. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  54. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  55. P3/Lusa. «Melgaço quer ser o destino de natureza "mais radical de Portugal"». PÚBLICO. Consultado em 9 de abril de 2019 
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  57. Minho, Rádio Vale do (21 de janeiro de 2019). «Melgaço com cada vez mais 'pedalada' como destino desportivo de excelência». Rádio Vale do Minho. Consultado em 9 de abril de 2019 
  58. SAPO. «Descobrir a natureza, o desporto e a gastronomia de Melgaço». SAPO Viagens. Consultado em 9 de abril de 2019 
  59. Redação (16 de fevereiro de 2019). «Andebol chega a Melgaço». O Minho. Consultado em 9 de abril de 2019 
  60. Gazeta Rural n.º 258 (31 de outubro de 2015). pág. 16.
  61. Público. «A água Melgaço é pura, selvagem e heroicamente ferruginosa». Life&Style 
  62. «Vasco da Gama da Graça Almeida: Prisões». Memorial aos Presos e Pereseguidos Políticos 
  63. «Memorial aos antigos presos políticos - Inaugurado a 25 de abril de 2019». Museu Nacional Resistência e Liberdade 

Ligações externasEditar

 
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