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Melisenda de Trípoli
Nascimento 1143
Morte Século XII
Progenitores Mãe:Hodierna de Trípoli
Pai:Raimundo II de Trípoli
Irmão(s) Raimundo III de Trípoli

Melisenda de Trípoli foi a filha do conde Raimundo II de Trípoli com Hodierna de Trípoli, irmã do também conde Raimundo III de Trípoli, e pretendida como esposa pelo imperador bizantino Manuel I Comneno. Foi baptizada com o nome da sua tia, a rainha Melisenda de Jerusalém, irmã de Hodierna.

O matrimónio dos seus pais foi conflituoso, e Melisenda de Trípoli foi uma das principais vítimas desta situação quando foram levantadas suspeitas de que Raimundo II não era o seu pai. Durante uma disputa particularmente intensa em 1152, os condes de Trípoli solicitaram a mediação da rainha Melisenda de Jerusalém e do seu filho Balduíno III. Raimundo e Hodierna concordaram em reconciliar-se, mas pouco depois Raimundo foi morto pela Ordem dos Assassinos em frente aos portões de Trípoli, tornando-se no primeiro não-muçulmano a ser morto pelos Assassinos, provavelmente em retaliação ao estabelecimento da Ordem do Hospital no condado. O conde foi sucedido pelo seu filho Raimundo III, sob a regência de Hodierna até este atingir a maioridade.

Quando o imperador bizantino Manuel I Comneno pretendeu aliar-se por casamento aos estados cruzados em 1160, Raimundo III e o seu primo Balduíno III tentaram casar Melisenda de Trípoli com o imperador. Hodierna, Raimundo, Melisenda de Jerusalém e Balduíno angariaram um enorme dote para o matrimónio, «preparado a vasta despesa e com grande zelo», que «ultrapassou o luxo de reis», segundo o cronista Guilherme de Tiro. As dádivas deveriam ser enviadas em 12 galeras equipadas por Raimundo. No entanto, os embaixadores de Manuel procederam a investigações minuciosas sobre as noivas potenciais, provocando um ano de demora e frustrando os parentes de Melisenda.

As negociações acabariam por falhar. Guilherme de Tiro afirma desconhecer o motivo, escrevendo simplesmente que Manuel tinha estado também a negociar secretamente com o Principado de Antioquia e acabou por se casar com Maria, filha de Raimundo de Poitiers com Constança de Antioquia. Constança de Antioquia, a mãe de Maria e regente do principado, teria provavelmente pedido a ajuda de Manuel quando o seu marido Reinaldo de Châtillon foi aprisionado em Alepo por Noradine em 1160. Também é provável que os embaixadores de Manuel tenham ouvido os rumores da ilegitimidade de Melisenda. Por fim deve-se levar em conta o testemunho do historiador bizantino João Cinamo de que, apesar da sua beleza, Melisenda não era abastada.

Balduíno III de Jerusalém não desejava que o Império Bizantino alargasse o seu controlo directo a Antioquia, mas concordou com o casamento quando soube das negociações. Pelo contrário, Raimundo III de Trípoli, que tinha boas relações com a irmã, interpretou a escolha do imperador como um insulto aos dois e pagou a piratas para atacarem a ilha bizantina de Chipre. Depois de rejeitada por Manuel, não foi possível combinar outro casamento para Melisenda, que assim entrou para um convento, onde morreu ainda jovem.

O dramaturgo francês Edmond Rostand faria de Melisenda a personagem principal do seu drama em verso La Princesse Lointaine, interpretada por Sarah Bernhardt. Esta obra fala da história do amor à distância do trovador Jaufré Rudel pela senhora de Trípoli, que no entanto a maioria das versões interpreta ter sido o amor de Jaufré por Hodierna, a mãe de Melisenda.

BibliografiaEditar

  • A History of Deeds Done Beyond the Sea, Guilherme de Tiro, tradução para o inglês de E.A. Babcock e A.C. Krey, Columbia University Press, 1943
  • A History of the Crusades, Volume II: The Kingdom of Jerusalem and the Frankish East, 1100-1187, Steven Runciman, Cambridge University Press, 1952 online (em inglês)