Michael Löwy

Michael Löwy (São Paulo, 6 de maio de 1938[1]) é um pensador marxista brasileiro radicado na França, onde trabalha como diretor de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique. É um relevante estudioso do marxismo, com pesquisas sobre as obras de Karl Marx, Leon Trótski, Rosa Luxemburgo, Georg Lukács, Lucien Goldmann e Walter Benjamin.

Nascimento 6 de maio de 1938 (82 anos)[1]
São Paulo, São Paulo  Brasil
Residência  França
Nacionalidade brasileiro
Ocupação sociólogo marxista

BiografiaEditar

Filho de imigrantes judeus de Viena (Áustria), Michael Löwy nasceu em São Paulo, cidade em que passou sua infância e adolescência. Em 1960, formou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, tendo sido colega de Roberto Schwarz e Gabriel Bolaffi. No ano seguinte, partiu para a França, onde estudou sob a orientação de Lucien Goldmann,[1] concluindo o Doutorado em 1964, com uma tese sobre a Revolução comunista na obra do jovem Karl Marx.

Após alguns anos vivendo em Israel, Löwy retornou à França em 1968,[1] passando a trabalhar na Université de Paris VIII como assistente de Nicos Poulantzas. Em 1976, obteve o doctorat d’État com uma tese sobre a evolução política do jovem Lukács.

Em 1978, tornou-se professor de Sociologia no Centre National de la Recherche Scientifique (Paris) e depois diretor de pesquisas da mesma instituição.[2]

Nos anos 1950-1960, fez parte da Liga Socialista Independente, organização que contava com Hermínio Sacchetta entre seus dirigentes. Em 1968, associou-se à Quarta Internacional, tornando-se membro da Primeira seção, a Ligue Communiste. Em sua militância revolucionária, Löwy esteve constantemente atento às lutas sociais e organizações políticas de esquerda, das Ligas Camponesas ao MST, sem mencionar o PT e o PSOL.[3]

A partir de 2013, passou a coordenar a coleção "Marxismo e literatura" da Editora Boitempo em conjunto com Leandro Konder.[4] No final de 2014, com a morte de Leandro, assumiu a coordenação integral da coleção.

ObrasEditar

Em português (as datas que antecedem os títulos referem-se às publicações originais em francês).

  • 1970 – A Teoria da Revolução no Jovem Marx. Petrópolis: Vozes, 2002. (Col. Zero à Esquerda)
  • 1970 – O Pensamento de Che Guevara. São Paulo: Expressão Popular, 1999.
  • 1975 – Método Dialético e Teoria Política. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.
  • 1976 – Para uma Sociologia dos Intelectuais Revolucionários: a evolução política de Lukács, 1909-1929. São Paulo: LECH, 1979. (Republicado sob o título A Evolução Política de Lukács. São Paulo: Cortez, 1999.)
  • 1980 – (organizador). O Marxismo na América Latina: Uma antologia de 1909 aos dias atuais. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1999.
  • Ideologias e Ciência Social: elementos para uma análise marxista. São Paulo: Cortez, 1985.
  • 1985 – As Aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen: marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento. São Paulo: Busca Vida, 1987.
  • 1988 – Redenção e Utopia: o judaísmo libertário na Europa Central. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
  • Romantismo e Messianismo: ensaios sobre Lukács e Benjamin. São Paulo: Perspectiva / Edusp, 1990.
  • Marxismo e Teologia da Libertação. São Paulo: Cortez, 1991.
  • 1992 – Revolta e Melancolia: o Romantismo na contramão da modernidade. Petrópolis: Vozes, 1995. São Paulo: Boitempo, 2015 (Em co-autoria com Robert Sayre.)
  • Romantismo e Política. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993. (Em co-autoria com Robert Sayre.)
  • 1996 – A Guerra dos Deuses: religião e política na América Latina. Petrópolis: Vozes, 2000.
  • 1997 – Nacionalismo e Internacionalismos: da época de Marx até nossos dias. São Paulo: Xamã, 2000.
  • 2000 – Marxismo, Modernidade e Utopia. São Paulo: Xamã, 2000. (Em colaboração com Daniel Bensaid.)
  • 2000 – A Estrela da Manhã: Surrealismo e Marxismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
  • 2004 – Franz Kafka, sonhador insubmisso. Rio de Janeiro: Azougue, 2005.
  • 2005 – Walter Benjamin: Aviso de Incêndio. Uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. São Paulo: Boitempo, 2005.
  • 2009 – Lucien Goldmann, ou a dialética da totalidade. São Paulo: Boitempo, 2005. (em colaboração com Sami Naïr)
  • 2009 – Revoluções. São Paulo: Boitempo Editorial, 2009. (Organizador.)
  • 2012 – A teoria da revolução no jovem Marx. São Paulo: Boitempo Editorial, 2012. (Re-edição)
  • 2013 – O capitalismo como religião, de Walter Benjamin. São Paulo: Boitempo Editorial, 2013. (Organizador.)
  • 2013 – A jaula de aço: Max Weber e o marxismo weberiano. São Paulo: Boitempo, 2014. (Título original: La Cage d′acier: Max Weber et le marxisme wébérien.)[5]
  • 2015 – Afinidades revolucionárias: nossas estrelas vermelhas e negras. Por uma solidariedade entre marxistas e libertários. São Paulo, Unesp, 2016 (em colaboração com Olivier Besancelot).
Sobre Michael Löwy
  • Ivana Jinkings & João Alexandre Peschanski (orgs.). As Utopias de Michael Löwy: reflexões sobre um marxista insubordinado. São Paulo: Boitempo, 2007.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d As utopias de Michael Löwy: reflexões sobre um marxista insubordinado. Boitempo Editorial; 2007. ISBN 978-85-7559-272-4. p. 10.
  2. Michael Löwy. The Theory of Revolution in the Young Marx. BRILL; January 2003. ISBN 978-90-04-12901-6. p. 210.
  3. Michael Löwy; Michel Prigent. L'Amérique latine en lutte hier & aujourd'hui. Presses Universitaires de France; 2007. ISBN 978-2-13-056246-7. p. 5.
  4. Maria Fernanda Rodrigues (13 de março de 2013). «Coleção dividida». O Estado de S. Paulo. Consultado em 29 de abril de 2015 
  5. O MARXISMO WEBERIANO NO BRASIL

Ligações externasEditar