Mineração no Brasil

A economia do Brasil sempre teve uma relação estreita com a extração mineral. Desde os tempos de colônia, o Brasil transformou a mineração - também responsável por parte da ocupação territorial - em um dos setores básicos da economia nacional. Atualmente, é responsável de três a cinco por cento do Produto Interno Bruto.[1]

Na obtenção de matérias-primas, é utilizada por indústrias metalúrgicas, siderúrgicas, fertilizantes, petroquímica e responsável pela interiorização da indústria inclusive em regiões de fronteiras. Em 2000, o setor mineral representou 8,5 % do PIB - 50,5 bilhões de dólares.[2] É um setor, portanto, de profunda importância, pois, além do que já representa para a economia nacional, o subsolo brasileiro representa um importante depósito mineral. Entre as substâncias encontradas, destacam-se o nióbio, minério de ferro (segundo maior produtor mundial), tantalita, manganês, entre outros.

Deixando de lado aspectos já mencionados, não se pode esquecer que a atividade mineradora é responsável pela criação de inúmeros empregos diretos e indiretos, representando no ano 2000, 500.000 empregos e um saldo na balança comercial de 7,7 bilhões de dólares.[2].

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da mineração do Brasil
 
Lavagem de diamantes em Serro Frio, MG, por Carlos Julião, c. 1770

Durante todo o século XVIII, expedições chamadas entradas e bandeiras vasculharam o interior do território em busca de metais valiosos (ouro, prata, cobre) e pedras preciosas (diamantes, esmeraldas). Afinal, já no início do século XVIII (entre 1709 e 1720) estas foram achadas no interior da Capitania de São Paulo (Planalto Central e Montanhas Alterosas), nas áreas que depois foram desmembradas como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

A descoberta de ouro, diamante e esmeraldas nessa região provocou um afluxo populacional vindo de Portugal e de outras áreas povoadas da colônia, como São Paulo de Piratininga, São Vicente e o litoral nordestino. Já de início, o choque na corrida pelas minas levou a um conflito entre paulistas e grupo composto de portugueses e imigrantes das demais partes do Brasil (Guerra dos Emboabas).

No total, estima-se que entre mil e três mil toneladas de ouro foram levadas para a metrópole.[3]

Outra importante atividade impulsionada pela mineração foi o comércio interno entre as diferentes vilas e cidades da colônia, proporcionada pelos tropeiros.

O país passou por sensíveis transformações em função da mineração. Um novo polo econômico cresceu no Sudeste, relações comerciais inter-regionais se desenvolveram, criando um mercado interno e fazendo surgir uma vida social essencialmente urbana. A camada média, composta por padres, burocratas, artesãos, militares, mascates e faisqueiros, ocupou espaço na sociedade.

As minas propiciaram uma diversificação relativa dos serviços e ofícios, tais como comerciantes, artesãos, advogados, médicos, mestre-escolas entre outros. No entanto foi intensamente escravagista, desenvolvendo a sociedade urbana às custas da exploração da mão de obra escrava. A mineração também provocou o aumento do controle do comércio de escravos para evitar o esvaziamento da força de trabalho das lavouras, já que os escravos eram os únicos que trabalhavam.

Também foi responsável pela tentativa de escravização dos indígenas, através das bandeiras, que com intuito de abastecer a região centro-sul promoveu a interiorização do Brasil.

Apesar de modificar a estrutura econômica, manteve a estrutura de trabalho vigente, beneficiando apenas os ricos e os homens livres que compunham a camada média. Outro fator negativo foi a falta de desenvolvimento de tecnologias que permitissem a exploração de minas em maior profundidade, o que estenderia o período de exploração (e consequentemente mais ouro para Portugal).

Assim, o eixo econômico e político se deslocou para o centro-sul da colônia e o Rio de Janeiro tornou-se sede administrativa, além de ser o porto por onde as frotas do rei de Portugal iam recolher os impostos. A cidade foi descrita pelo padre José de Anchieta como "a rainha das províncias e o empório das riquezas do mundo", e por séculos foi a capital do Brasil.

Linha do tempoEditar

ImpostosEditar

Entre 1735 e 1750, instituiu-se o sistema de impostos de capitação (per capita isto é, por cabeça, por pessoa) que previa a cobrança de 17 gramas de ouro por escravo.

O quinto que visa entregar à coroa 20% do ouro ou metais preciosos encontrados pelos mineradores. A Derrama que é a cobrança dos impostos atrasados.

A coroa manteve apenas o imposto de quinto e fixou uma cota de 100 arrobas (cerca de 1.500 quilos) (finta) anuais para toda a área mineradora.

Em 1717 e 1719 também, foi criado casas de fundição, onde as autoridades recolhiam o quinto e transformavam o ouro em barras, gravadas com o selo real.

Porém no final do século XVIII com o rápido esgotamento das minas, o montante de ouro entregue à coroa, ficou cada ano mais distante da meta exigida. A ameaça de aplicação da derrama tornou-se, então, motivo de constante preocupação e descontentamento para os mineradores. Isso gerou uma revolta pois poucos mineradores realizaram o sonho de enriquecer com a extração do ouro. A quantidade de impostos que a coroa cobrava era tanta que cada vez mais, ficou difícil chegar à meta de quinto, ou seja não conseguiam enriquecimento.

Por esses fatos foi gerada uma revolta em junho de 1720 aproximadamente 2 mil mineiros, comandados pelo tropeiro português Filipe dos Santos, tomaram Vila Rica e exigiram do governador da capitania que não concretizasse a criação das casa de fundição. O governo não aceitou, prendeu os revoltosos e enforcou e decapitou o líder Felipe dos Santos.

AtualidadeEditar

Minérios metálicosEditar

 
Mina de ferro em Itabira-MG
 
Extração de bauxita no Pará
 
Extração de nióbio em Araxá-MG
 
Mina de ouro datada de 1714, localizada em Ouro Preto-MG

No ano de 2016, os minérios metálicos totalizaram perto de 77% do valor total da produção mineral brasileira que foi comercializada. Oito elementos totalizaram 98,6% do valor: alumínio, cobre, estanho, ferro, manganês, nióbio, níquel e ouro. O maior destaque brasileiro é no ferro, que tem a maioria da participação, cuja produção é em sua grande parte realizada nos estados de Minas Gerais e Pará. [4] Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em 2011 existiam 8.870 empresas mineradoras no país, e, na Região Sudeste, este número alcançava 3.609, cerca de 40% do total. Na região Sudeste sobressaem o minério de ferro, ouro, manganês e bauxita, no Quadrilátero Ferrífero; nióbio e fosfato em Araxá; gemas, em Governador Valadares; e grafita, em Salto da Divisa, todos no estado de Minas Gerais; além de agregados, em São Paulo e Rio de Janeiro, e rochas ornamentais, no Espírito Santo. [5] O faturamento do setor de mineração no Brasil foi de R$ 153,4 bilhões em 2019. As exportações foram de US$ 32,5 bilhões. A produção de minério de ferro do país foi de 410 milhões de toneladas em 2019. O Brasil é o segundo maior exportador global de minério de ferro e tem a segunda posição no ranking de reservas: debaixo do solo brasileiro há pelo menos 29 bilhões de toneladas. As maiores reservas atualmente estão nos estados de Minas Gerais e do Pará.[6] Segundo dados de 2013, Minas Gerais é o maior estado minerador brasileiro. Com atividade de mineração em mais de 250 municípios, e mais de 300 minas em operação, o estado possui 40 das 100 maiores minas do Brasil. Além disso, dos 10 maiores municípios mineradores, sete estão em Minas, sendo Itabira o maior do país. É responsável, ainda, por, aproximadamente, 53% da produção brasileira de minerais metálicos e 29% do total de minerais, além de extrair mais de 160 milhões de toneladas/ano de minério de ferro. A Vale S.A. é a principal empresa atuante na produção do minério de ferro no estado. O estado é o maior empregador da atividade mineral (53.791 trabalhadores em 2011). São Paulo, o segundo maior empregador, tinha 19 mil empregados no setor neste ano.[7]

Em 2017, na Região Sudeste, os números foram os seguintes: Minas Gerais foi o maior produtor do país de ferro (277 milhões de toneladas a um valor de R$ 37,2 bilhões), ouro (29,3 toneladas a um valor de R$ 3,6 bilhões)[8], zinco (400 mil toneladas a um valor de R$ 351 milhões)[9] e nióbio (em forma de pirocloro) (131 mil toneladas a um valor de R$ 254 milhões)[10]. Além disso, Minas foi o 2º maior produtor de alumínio (bauxita) (1,47 milhão de toneladas a um valor de R$ 105 milhões), 3º de manganês (296 mil toneladas a um valor de R$ 32 milhões) e 5º de estanho (206 toneladas a um valor de R$ 4,7 milhões). Minas teve 47,19% do valor da produção mineral comercializada do Brasil, com R$ 41,7 bilhões[11]

No ano inteiro de 2017, em termos de produção comercializada em toda a Região Norte, no setor de minério de ferro, o Pará foi o 2º maior produtor nacional, com 169 milhões de toneladas (dos 450 milhões produzidos pelo país), a um valor de R$ 25,5 bilhões. O Amapá produziu 91,5 mil toneladas. No cobre, o Pará produziu quase 980 mil toneladas (das 1,28 milhões de toneladas do Brasil), a um valor de R$ 6,5 bilhões. No alumínio (bauxita), o Pará realizou quase toda a produção brasileira (34,5 de 36,7 milhões de toneladas) a um valor de R$ 3 bilhões. No manganês, o Pará realizou grande parte da produção brasileira (2,3 de 3,4 milhões de toneladas) a um valor de R$ 1 bilhão. No ouro, o Pará foi o 3º maior produtor brasileiro, com 20 toneladas a um valor de R$ 940 milhões. O Amapá produziu 4,2 toneladas a um valor de R$ 540 milhões. Rondônia produziu 1 tonelada a um valor de R$ 125 milhões. No níquel, Goiás e Pará são os 2 únicos produtores do país, sendo o Pará o 2º em produção, tendo obtido 90 mil toneladas a um valor de R$ 750 milhões. Já no estanho, o estado do Amazonas foi o maior produtor (14,8 mil toneladas, a um valor de R$ 347 milhões), Rondônia foi o 2º maior produtor (10,9 mil toneladas, a um valor de R$ 333 milhões) e o Pará o 3º maior produtor (4,4 mil toneladas, a um valor de R$ 114 milhões).Também houve produção de nióbio (em forma de columbita-tantalita) em Amazonas (8,8 mil toneladas a R$ 44 milhões) e Rondônia (3,5 mil toneladas a R$ 24 milhões), e zinco em forma bruta em Rondônia (26 mil toneladas a R$ 27 milhões). O Pará teve 42,93% do valor da produção mineral comercializada do Brasil, com quase R$ 38 bilhões, o Amapá teve 0,62% do valor, com R$ 551 milhões, Rondônia teve 0,62% do valor, com R$ 544 milhões, o Amazonas teve 0,45% do valor com R$ 396 milhões, e o Tocantins teve 0,003% do valor com R$ 2,4 milhões. [12]

Na Região Centro-Oeste, destaca-se Goiás, com 4,58% da participação mineral nacional (3º lugar no país). Em 2017, no níquel, Goiás e Pará são os 2 únicos produtores do país, sendo Goiás o 1º em produção, tendo obtido 154 mil toneladas a um valor de R$ 1,4 bilhão.[13] No cobre, foi o 2º maior produtor do país, com 242 mil toneladas, a um valor de R$ 1,4 bilhão. No ouro, foi o 4º maior produtor do país, com 10,2 toneladas, a um valor de R$ 823 milhões. No nióbio (em forma de pirocloro), foi o 2º maior produtor do país, com 27 mil toneladas, a um valor de R$ 312 milhões. No alumínio (bauxita), foi o 3º maior produtor do país, com 766 mil toneladas, a um valor de R$ 51 milhões.[14]

Ainda em 2017, no Centro-Oeste, Mato Grosso teve 1,15% da participação mineral nacional (5º lugar no país) e Mato Grosso do Sul teve 0,71% da participação mineral nacional (6º lugar no país). Mato Grosso teve produção de ouro (8,3 toneladas a um valor de R$ 1 bilhão) e estanho (536 toneladas a um valor de R$ 16 milhões). Mato Grosso do Sul teve produção de ferro (3,1 milhões de toneladas a um valor de R$ 324 milhões) e manganês (648 mil toneladas a um valor de R$ 299 milhões).[15]

Na Região Nordeste, destaca-se a Bahia, com 1,68% da participação mineral nacional (4º lugar no país). Em 2017, no ouro, produziu 6,2 toneladas, a um valor de R$ 730 milhões. No cobre, produziu 56 mil toneladas, a um valor de R$ 404 milhões. No cromo, produziu 520 mil toneladas, a um valor de R$ 254 milhões. No vanádio, produziu 358 mil toneladas, a um valor de R$ 91 milhões. [16]

Pedras PreciosasEditar

 
Mina de ametista em Ametista do Sul, no Rio Grande do Sul.
 
Água-Marinha de Minas Gerais
 
Esmeraldas brasileiras
 
Turmalina Paraíba, vinda do estado de mesmo nome.
 
Topázio imperial de Minas Gerais
 
Ágata brasileira

O Brasil é o maior produtor do mundo de ágata. O Rio Grande do Sul é o maior produtor, havendo extração local desde 1830. Também há extração em Minas Gerais e na Bahia. Na água-marinha, Minas Gerias produz as pedras mais valiosas do mundo. Esta gema também é produzida no Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e Paraíba. O maior produtor mundial de ametista é o Brasil, nos estados do Rio Grande do Sul principalmente, e de modo secundário, na Bahia.[17][18][19] [20] O maior produtor de ametista do Brasil é a cidade de Ametista do Sul, no Rio Grande do Sul. Esta pedra era muito rara e cara no mundo inteiro, até a descoberta de grandes depósitos no Brasil, fazendo com que seu valor caísse consideravelmente.[21][22]

O Brasil foi o maior produtor de diamante do mundo de 1730 a 1870. A mineração ocorreu primeiro na Serra da Canastra, região de Diamantina, e depois, em 1850, na Bahia, chegando a derrubar o preço da pedra mundialmente devido ao excesso de produção. Hoje, o Brasil produz perto de 1 milhão de quilates por ano, principalmente no Estado do Mato Grosso, mas também em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paraná e Roraima. Praticamente todos os estados do país possuem diamantes. [23][24]

Sobre a esmeralda, os maiores produtores do mundo são: Colômbia, Zâmbia, Zimbábue, Tanzânia, Madagascar e Brasil. Produz-se nos estados de Goiás, Bahia e Minas Gerais.[25][26] Já na granada, o Brasil não é um dos maiores produtores, mas há extração em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Ceará, Rondônia e Rio Grande do Norte. No Brasil também existe algum jaspe em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. Outra pedra rara de se encontrar no Brasil é a opala, mas há jazidas no Piauí, Bahia, Ceará e no Rio Grande do Sul. O rubi também é raro no Brasil, sendo achado na Bahia e em Santa Catarina. A safira também é escassa no Brasil, mas pode ser encontrada no Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Minas Gerais. Já no topázio, o Brasil tem a variedade mais valiosa do mundo, o topázio-imperial, só produzida em Ouro Preto-MG. Além disso, o país é o principal produtor mundial de topázio. Também está entre os maiores produtores mundiais de turmalina, nos estados de Minas Gerais, Ceará, Goiás e Bahia. O Brasil produz a variedade mais rara e cara de turmalina do mundo, a Turmalina Paraíba, que, além da Paraíba, só é achada em mais três lugares do mundo: no Brasil, no Rio Grande do Norte; e na África, na Nigéria e em Moçambique. Mas nenhum deles oferece uma pedra de maior qualidade do que São José da Batalha.[27][28] Já na turquesa, há apenas uma pequena produção na Bahia. [29][30]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Cópia arquivada». Consultado em 11 de outubro de 2008. Arquivado do original em 4 de abril de 2007 
  2. a b http://www.cgee.org.br/arquivos/estudo011_02.pdf
  3. a b Aventuras na História A idade do ouro e do contrabando. Acessado em 15/06/09.
  4. Anuário Mineral Brasileiro 2017
  5. O peso da mineração na Região Sudeste
  6. Ibram: produção de minério em 2019 caiu, mas faturamento cresceu
  7. O peso da mineração na Região Sudeste
  8. Brasil extrai cerca de 2 gramas de ouro por habitante em 5 anos
  9. Votorantim Metais adquire reservas de zinco da Masa
  10. Nióbio: G1 visita em MG complexo industrial do maior produtor do mundo
  11. Anuário Mineral Brasileiro 2018
  12. Anuário Mineral Brasileiro 2018
  13. Goiás lidera produção de níquel
  14. Anuário Mineral Brasileiro 2018
  15. Anuário Mineral Brasileiro 2018
  16. Anuário Mineral Brasileiro 2018
  17. Algumas Gemas Clássicas
  18. Rio Grande do Sul: o maior exportador de pedras preciosas do Brasil
  19. Os alemães e as pedras preciosas gaúchas
  20. Maior pedra de água-marinha é brasileira e ficará exposta nos EUA
  21. Cristal Colors: saiba mais sobre essa tendência
  22. http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/nossa-terra/2013/noticia/2013/07/pedras-de-ametista-sao-atrativos-para-turistas-em-cidade-no-norte-do-rs.html
  23. MINERAÇÃO DE METAIS E PEDRAS PRECIOSAS
  24. Mato Grosso produz 87,2% do diamante brasileiro e quer implantar escola de design de joias
  25. Rio e Bahia se unem para produzir joias e bijuterias com esmeraldas
  26. Região colombiana vive 'febre das esmeraldas'
  27. «Mina de turmalina na Paraíba está no centro de fraude internacional». G1. 7 de junho de 2015. Consultado em 18 de abril de 2016 
  28. Brasil é responsável por produzir um terço das gemas do mundo
  29. Algumas Gemas Clássicas
  30. Joias: um luxo além do valor financeiro

Ligações externasEditar

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