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Moreira Campos
Nome nativo José Maria Moreira Campos
Nascimento 6 de janeiro de 1914
Senador Pompeu
Morte 6 de maio de 1994 (80 anos)
Fortaleza
Cidadania Brasil
Filho(s) Natércia Campos
Alma mater Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará
Ocupação escritor
Prêmios Medalha da Abolição, Academia Cearense de Letras
Empregador Universidade Federal do Ceará

José Maria Moreira Campos (Senador Pompeu, 6 de janeiro de 1914Fortaleza 6 de maio de 1994) foi um contista brasileiro considerado um dos mais importantes do gênero no país, com obras traduzidas para o alemão, francês, hebraico, italiano e inglês.[1][2][3]

Índice

BiografiaEditar

Filho do português Francisco Gonçalves Campos e Adélia Moreira Campos. Ingressou na Faculdade de Direito do Ceará, bacharelando-se em 1946. Licenciou-se em Letras Neolatinas em 1967, na antiga Faculdade Católica de Filosofia do Ceará.

Na área do magistério iniciou-se como professor de Português, Literatura e Geografia em colégios. Exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará, no Curso de Letras, como titular de Literatura Portuguesa. Integrante do Grupo Clã. Pertenceu à Academia Cearense de Letras.[4][5]

Em 1924 a família, após andanças pelo interior do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, por ser o pai construtor de estradas, fixa-se em Lavras da Mangabeira. Em 1930 passando por sérias dificuldades, mudam-se para Fortaleza. Em 30 de outubro, falece em Quixadá o pai do escritor, aos 47 anos. Em abril de 1932, falece Adélia Moreira Campos, mãe do escritor, aos 47 anos.

Em 14 de dezembro de 1937, casa-se com Maria José Alcides Campos. Deste casamento, nascem três filhos: Natércia, Marisa e Cid. Em 1943 dá-se a fundação do Grupo Clã. Em 1946 é bacharelado em Direito pela Universidade Federal do Ceará.

Em 1965 torna-se catedrático de Literatura Portuguesa do curso de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará.

Nos anos de 1970-1971 é chefe do Departamento de Letras Vernáculas, membro do Conselho Departamental da mesma unidade. Decano do Centro de Humanidades da UFC, nos anos de 1973-1979 é escolhido Pró-reitor de Graduação da UFC.

ObrasEditar

  • 1949 Vidas Marginais, contos; distinguido com o Prêmio Artur de Azevedo, do Instituto Nacional do Livro
  • 1957 Portas Fechadas, contos,[6]
  • 1963 As Vozes do Morto, contos;
  • 1969 O Puxador de Terço, contos;
  • 1971 Contos Escolhidos, contos,[7]
  • 1976 Momentos, contos,[8]
  • 1978 Os 12 Parafusos, contos,[9]
  • 1981 10 Contos Escolhidos, contos;[10]
  • 1985 A Grande mosca no copo de leite, contos,[11]
  • 1987 Dizem que os cães vêem coisas, contos,[12]

HomenagensEditar

  • No ano de 1993, no dia cinco de novembro, é agraciado com a Medalha da Abolição, a maior comenda concedida pelo governo do Estado do Ceará e recebe a placa de Honra ao Mérito da prefeitura Municipal de Fortaleza.[13][14]
  • Uma escola em Fortaleza foi nomeada em homenagem ao professor,[15]
  • Em agosto, é instituída a Comenda “Moreira Campos” em Senador Pompeu, sua terra natal a ser entregue anualmente a três pessoas de destaque no município.
  • Os Encontros Literários do Departamento de Letras da UFC passam a se denominar “Moreira Campos”.
  • É descerrada uma placa com o seu nome na sala dos professores do curso de Letras.
  • É inaugurada a Sala Literária “Moreira Campos” no Palácio da Cultura.
  • Em dois de dezembro de 1992, recebe o título de professor emérito da Universidade Federal do Ceará.
  • Ingressa na Academia Cearense da Língua Portuguesa no ano de 1977,
  • No ano de 1962 ingressa na Academia Cearense de Letras.
  • Em 1958 recebe o Prêmio Artur de Azevedo, do Instituto Nacional do livro.
  • Recebeu em 1977 a Comenda Senador Fernandes Távora da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.

Escola LiteráriaEditar

Na década de 60, surge o modernismo, que utilizava em suas composições o chamado grid system (sistema de grades), no qual tudo era estruturado respeitando-se as várias linhas de construção. Entre as décadas de 60 e 70, surge uma nova corrente de artistas gráficos para contestar e se opor à concepção do modernismo. O novo movimento ganhou o nome de pós-modernismo, cujo foco era a desestabilização da ordem em favor da anarquia, do caos, da emoção. A mistura de elementos de todos os tipos e épocas era permitida e incentivada. A geometrização das formas e as grids de composição eram, para esses artistas, um símbolo de repressão e banalização visual.

Desta forma, os aspectos formais desse estilo de fazer literatura são baseados em questões como intertextualidade, ironia, ênfase no cotidiano, retomada de texto do passado, acentuação e fragmentação do texto e da polifonia de vozes, hedonismo, presença do humor, pastiche, intertextualidade, exercício da metalinguagem, fragmentarismo textual, na narrativa há uma autoconsciência e autorreflexão, radicalização de posições antirracionalistas e antiburguesas, dentre outras. O pós-modernismo, como expressão literária, vive sobre o signo da multiplicidade, “é um monte de estilos, convivendo sem briga num mesmo saco, não há mais hierarquia “.

  • Características do autor no Pós-Modernismo:

- Estrutura linear para suas narrativas; - Tensão estabelecida entre criação e destruição (Eros e Thanatos: são opostos,na verdade extremos. vida e a morte,respectivamente.) Eros= ligado às pulsões de vida, impulsiona ao contato, ao embate com o outro e com a realidade. Thanatos= é o princípio profundo do desejo de não separação, de retorno à situação uterina ou fetal, quer o repouso, a aniquilação das tensões. Essa tensão é abrandada através de alguns recursos como: a ironia, o humor, a ambigüidade e através do tratamento especial com que o autor trata a morte de seus personagens. - Tendência para o uso de elementos descritivos em paralelo aos narrativos; - Quase ausência de diálogos;

Moreira Campos é um escritor que explora de preferência o psicológico de suas personagens. A dor e a precariedade humana são as grandes rotica r de sua obra, apresentando muita ironia contida nelas. Desacredita na bondade e no rotica do homem, chegando ao rotica r. Abate em muitos momentos o próprio leitor em face da desgraça física das pessoas, da baixeza moral, ou do absurdo da vida que retrata, outras vezes enternece e enche de pena com o destino sofrido e as impossibilidades das personagens.


Características da ObraEditar

A obra em prosa de Moreira Campos compõe se de 138 contos distribuídos por seis livros, afora as reedições por coletâneas. Esse patrimônio literário foi elaborado do final dos anos quarenta até nossos dias, perfazendo rotic décadas de boa rotica re, onde se sobressaem uma forte carga rotica, um velado apelo social e um estilo bem particular. Apesar de já ter sido um pouco abordado deste tema no tópico anterior, o autor, através desse particular estilo, transita com mestria entre momentos impressionistas, neo-realistas e neonaturalistas, sempre conservando uma estrutura linear para suas narrativas, com princípio, meio e fim bem delineados. Além disso, ao longo de sua obra, há uma constante tensão estabelecida entre criação e destruição (Eros e Tanatos). Essa tensão é abrandada através de alguns recursos como: a ironia, o humor, a ambigüidade e através do tratamento especial com que o autor trata a morte de seus personagens. A morte é convivida e dilui seu impacto destruidor dada a convivência dos circunstantes com o moribundo. O que marca, no entanto, seu estilo é o conjunto das características de sua obra, que são bem particulares.

Características da NarrativaEditar

As principais características da narrativa de Moreira Campos são: uma tendência para o uso de elementos descritivos em paralelo aos narrativos; os vazios deixados para serem preenchidos pelo leitor; a eliminação de comentários e interpretações paralelas; a quase ausência de diálogos; a atuação do tempo como elemento corrosivo sobre os personagens; o uso das repetições como forma de superação das dificuldades de relacionamento entre as diferentes classes de pessoas; a ironia; a luta pela concisão. Essa luta pela concisão leva a uma redução lingüística que faz com que dos contos iniciais com mais de dez páginas ele chegue a duas páginas, nos mais recentes textos. Essa redução do tamanho dos contos não corresponde a uma redução sintagmática. A frase, em Moreira Campos, não sofreu alterações no decorrer do tempo.

Importância do autor para outras artesEditar

Moreira Campos é um escritor que explora de preferência o psicológico de suas personagens. A experiência das relações humanas é a grande força sobre que assenta a ficção do contista cearense, cujas histórias se valorizam pelos recursos estilísticos que usa para salientar essencialidades. Desacredita na bondade e no heroísmo do homem, chegando ao pessimismo. Abate em muitos momentos o próprio leitor em face da desgraça física das pessoas, da baixeza moral, ou do absurdo da vida que retrata, outras vezes enternece e enche de pena com o destino sofrido e as impossibilidades das personagens. O estilo de Moreira Campos atrai com perspicácia o leitor pela sugestão e o apuro dos detalhes segundo Braga Monteiro e Herman Lima que dizem ser as principais virtudes do escritor. A crueza do neo-naturalismo de Moreira Campos equilibra-se mediante os intuitos estéticos. O contista denuncia e sugere, buscando juntamente com os recursos da arte a verdade profunda do homem. È dessa forma que devemos vislumbrar o ponto de vista do autor, por exemplo, com relação ao sensualismo em seus contos, não se tem a intenção de despertar o prazer erótico do leitor e sim transmitir os sofrimentos e conflitos sensuais das personagens. Outro ponto importante, quanto à problemática social, Campos não toma partido, opta por encarar as injustiças como um dos fatores que infelicitam a vida do homem sobre a terra, ao qual, antes de pertencer como cidadão a uma sociedade, é um ser sujeito injunções sociais. Vê-se, a propósito disso, a legitimidade artística da insinuação, que afasta a primazia de qualquer compromisso social, de que Vicente, personagem do conto ´ Soldados da Borracha´ em Vidas Marginais era tão herói quanto os ´heróis anônimos da guerra´, elogiados por certo orador, enquanto o próprio Vicente, em ruminações penetradas pelo contista, pensa estar muito abaixo dos heróis, que deviam ser como gigantes, e procura lembrar-se de um remédio que lhe ensinaram para impaludismo. Na obra de Moreira Campos estão presentes traços de ambas as correntes estéticas, que se mesclam harmoniosamente e fazem dele um escritor referência na literatura fantástica. O autor não só influenciou sua filha, Natércia Campos, também escritora de contos fantásticos, como também vários professores e integrantes de grupos literários cearenses contemporâneos, que tomam Moreira Campos como exemplo.

“Moreira Campos faz, no Ceará, a ligação entre o conto de história, ainda vigente nos primeiros anos do Modernismo, e o conto de flagrante, sugestivo, que as novas gerações, a partir de 1956, desenvolveriam em muitos aspectos criativos”. Assis Brasil (Escritor)

“Lê-lo, para mim, é reviver, em certos aspectos, transpostos para o ambiente de seu Ceará, os velhos mestres do naturalismo. Como eles, o autor também desconfia das grandes palavras e dos grandes gestos.” Temístocles Linhares (Escritor)

Referências

  1. Lima, Batista de (1993). Moreira Campos: a escritura da ordem e da desordem. [S.l.]: Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará 
  2. Monteiro, José Lemos (1980). O discurso literário de Moreira Campos. [S.l.]: Edições UFC 
  3. Carvalho, Sérgio Waldeck de (1981). Folheto de trabalho sobre 10 contos escolhidos de Moreira Campos. [S.l.]: Horizonte Editoria 
  4. Campos, Moreira (2014). Moreira Campos centenário: vinte e um contos selecionados. [S.l.: s.n.] 
  5. Marques, Rodrigo (23 de julho de 2018). Literatura cearense : outra história. [S.l.]: Editora Dummar. ISBN 9788567333427 
  6. Campos, Moreira (1957). Portas fechadas: côntos. [S.l.]: Edições O Cruzeiro 
  7. Campos, Moreira (1978). Contos escolhidos. [S.l.]: Edições Antares 
  8. Campos, Moreira (1976). Momentos: poesia. [S.l.: s.n.] 
  9. Campos, Moreira (1978). Os doze parafusos. [S.l.]: Editora Cultrix 
  10. Campos, Moreira (1978). Contos. [S.l.]: Imprensa Universitária 
  11. Campos, Moreira (1985). A grande mosca no copo de leite: contos. [S.l.]: Editora Nova Fronteira em convênio com o Instituto Nacional do Livro, Fundação Nacional Pró-Memória 
  12. Campos, Moreira (1993). Dizem que os cães vêem coisas. [S.l.]: Maltese. ISBN 9788571804500 
  13. Campos, Moreira (2014). Moreira Campos centenário: vinte e um contos selecionados. [S.l.: s.n.] 
  14. Campos, Moreira; Montenegro, João Alfredo de Sousa; Rocha, Demócrito (1989). Demócrito Rocha: o poeta e o jornalista. [S.l.]: Fundação Demócrito Rocha 
  15. escolas. «Escola - EMEIF Escola Municipal Professor Jose Maria Moreira Campos - Fortaleza - CE». Escol.as. Consultado em 4 de setembro de 2018