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Mulher

pessoa do sexo feminino
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Uma mulher (do latim muliere[1]) é um ser humano adulto do sexo feminino. Na infância, normalmente é denominada em português como "menina"; na adolescência e juventude, como "moça" ou "rapariga" (sendo pejorativo o uso deste último no Brasil); na fase adulta, simplesmente como "mulher" ou "senhora"; na velhice, além dos dois termos anteriores, pode ser chamada "anciã". As mulheres correspondem atualmente a aproximadamente 49,5% da população humana mundial,[carece de fontes?] sendo que o termo "mulher" é usado para indicar tanto distinções biológicas quanto socioculturais.

Índice

Idade e Terminologia

 
Mulher adulta em um jardim.

A palavra "mulher" pode ser usada genericamente significando todo o ser humano fêmea ou, especificamente, significar um humano fêmea adulto, por oposição a "menina". A palavra "menina" significa originalmente uma criança do sexo feminino, embora atualmente seja comum a utilização coloquial do termo para se referir a mulheres quando novas ou solteiras, podendo também ser utilizado de forma afetuosa, ou para não implicar que a mulher já chegou a idade madura.

 
"Jovem mulher com flores corda-de-viola no cabelo", de Jules Joseph Lefebvre

Biologicamente, uma criança do sexo feminino se torna mulher ao fim da fase infantil, sendo marcada a mudança pela ocorrência da menarca. Entretanto, as diferentes sociedades humanas costumam ter critérios sociais próprios para indicar esta passagem. Como as passagens da infância para a adolescência e da adolescência para a idade adulta são praticadas baseando-se tanto em critérios biológicos quanto socioculturais, podem variar bastante entre diferentes culturas.

 
Detalhe de "Mulher do Xale Verde", de Cyprien Eugene Boulet

Muitas culturas apresentam ritos de passagem para simbolizar a chegada da maturidade, como a confirmação em algumas ramificações do cristianismo, o B'nai Mitzvá no judaísmo ou até mesmo o costume de se realizar uma celebração especial para um determinado aniversário, geralmente entre 12 e 21 anos, como o baile de debutante, geralmente realizado no aniversário de 15 anos. É interessante observar que debutante deriva do francês debutante, que pode ser traduzido como "a jovem que se estreia na vida social".

Na maioria das culturas, como a virgindade feminina está atrelada à sua própria honra e à da família da qual faz parte, a referência a uma mulher solteira como "mulher" pode, em algumas culturas, implicar a suposição da não-virgindade, o que seria um insulto à moça e a sua família.

Símbolo

 
Símbolo do sexo feminino

O símbolo de Vénus, também referido para o sexo feminino, remete à deusa Vénus, deusa do amor e da beleza na mitologia romana, equivalente à Afrodite na mitologia grega. É uma representação simbólica do espelho na mão da deusa Vénus ou um símbolo abstrato para esta deusa: um círculo com uma pequena cruz equilateral embaixo (Unicode: ). O símbolo de Vénus também representa a feminilidade, e na antiga alquimia representava o Cobre.

Fisiologia

 
Representação do sistema reprodutor feminino

Em termos fisiológicos, os órgãos sexuais femininos fazem parte de seu sistema reprodutivo, enquanto que os caracteres sexuais secundários estão possivelmente ligados a fatores de sobrevivência da mulher e de sua prole, tais como a nutrição da criança antes e depois do parto, a uma maior adaptabilidade a circunstâncias naturais hostis, tais como invernos rigorosos e escassez de alimentos, e a um menor risco de mortalidade durante o parto; por conseguinte, os caracteres secundários também influenciam a atração instintiva exercida sobre os homens, embora isto possa variar, em certo grau, conforme a cultura e as vestimentas de cada povo.

Os órgãos reprodutivos femininos são os ovários, o útero, a vagina e a vulva, enquanto geralmente se consideram como caracteres secundários os quadris e os seios, sendo possível, em relação a estes, haver variações conforme a cultura de cada povo, às vezes incluindo outras partes do corpo, ou não considerando algum desses elementos.

Os ovários femininos, além de regularem a produção de hormônios, produzem o gameta feminino, o óvulo, que quando fertilizado pelo gameta masculino, o espermatozoide, dá origem a um indivíduo geneticamente novo, isto é, ocorre a concepção de um novo ser humano. O útero é um órgão composto por uma série de tecidos que promovem a proteção e a nutrição do feto. É revestido por uma camada de músculos lisos que realizam as contrações durante o parto para promover a saída da bebê através do canal vaginal. A vagina é um órgão que serve tanto às funções de cópula quanto de parto. Frequentemente a palavra "vagina" é usada de forma coloquial e incorreta para se referir à vulva (isto é, a genitália externa) das fêmeas, que inclui também os lábios, o clitóris e a uretra.

Os seios supostamente evoluíram entre os primeiros mamíferos, a partir das glândulas de suor, para a produção do leite, uma secreção nutritiva que é a característica mais específica de todos os mamíferos. Em mulheres maduras, o seio é geralmente mais proeminente quando comparado a maioria dos outros mamíferos, mesmo no período em que não está amamentando, porém esta proeminência não é necessária para a produção de leite. O quadril apresenta um aumento de tamanho entre a infância e a maturidade sexual para permitir o acúmulo de reservas de energia em forma de gordura, para posterior utilização, quando servirão ao desenvolvimento do feto e à amamentação.

 
Cariótipo típico de uma mulher com 22 pares de cromossomos autossômicos e o par de X

Um desequilíbrio de níveis hormonais e alguns produtos químicos, como o uso de drogas, podem alterar as características sexuais primárias ou secundárias do feto. A maioria das mulheres têm o cariótipo 46, XX, mas aproximadamente uma em cada mil mulheres será 47, XXX, e uma em 2500 mulheres será 45, X, porém tal variação não constitui problema para a portadora, pois em uma mulher normal XX, apenas um X está em funcionamento. Isto contrasta com o cariótipo masculino típico de 46, XY; assim, os cromossomos X e Y são conhecidos como cromossomo feminino e cromossomo masculino, respectivamente. Ao contrário do cromossomo Y, o X pode vir tanto da mãe como do pai. Sendo assim, os estudos de genética que focalizam a linhagem feminina usam o DNA mitocondrial, que tipicamente provém da mãe.

A maioria de mulheres, ao terem a menarca, já podem então ficar grávidas e dar à luz uma criança. Isto requer a fertilização interna de um dos seus óvulos com o esperma masculino, ou através de inseminação artificial ou da implantação cirúrgica de um embrião pré-existente. As mulheres geralmente alcançam a menopausa entre o final dos quarenta anos e início dos cinquenta. Neste ponto, seus ovários cessam de produzir o estrogênio, e ela já não mais estará apta a engravidar.

Saúde

Em geral, as mulheres sofrem das mesmas doenças que os homens. Existem determinadas doenças que afetam com mais frequência as mulheres, tais como o lupus (bem como existem doenças que afetam mais os homens). Também há algumas doenças sexo-relacionadas que são encontradas mais frequentemente ou exclusivamente nas mulheres, como, por exemplo, o câncer de mama, o qual, em 80% dos casos, é em mulheres contra os 20% de ocorrência nos homens, e o câncer cervical ou o câncer de ovário, exclusivos em mulheres. Mulheres e homens podem apresentar sintomas diferentes para a mesma doença e podem também responder diferentemente a um mesmo tratamento médico.

Perspectiva Bíblica

Eva

Segundo a Bíblia, a mulher foi criada "à imagem e semelhança de Deus" tal qual o homem, o que significa que ambos eram semelhantes a Deus e entre si, no tocante aos atributos divinos transmissíveis (ou comunicáveis), tais como a vida, a dimensão espiritual ou imaterial, a imortalidade, a consciência, a liberdade, o uso da razão, a noção de justiça e de responsabilidade, o senso ético e moral, a bondade, a integridade, a fidelidade, a honra, a autoridade sobre o restante da criação, a criatividade, a linguagem, a convivência comunitária com seus semelhantes (tal como na Trindade) e a capacidade de compreendê-los, a capacidade de gerar vida, de cuidar e de ensinar, entre outros.

A origem da mulher, de acordo com a Bíblia, foi extraordinária e sobrenatural: a primeira mulher, Eva, foi criada pelo próprio Deus, a partir de uma costela do primeiro homem, Adão, significando, com isso, que ela é a companheira, ou seja, está a seu lado, tal qual as costelas. O Livro da Gênesis, capítulo II, versículo 18, diz o seguinte: "Disse o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só. Farei para ele uma auxiliadora que lhe seja idônea". O termo "idônea" pode ser traduzido também como "correspondente", "semelhante", "complementar", 'equivalente", "à sua altura" e "companheira".

Muitos interpretam que o osso da costela alude à igualdade entre homem e mulher, dado que não foi utilizado um osso inferior (um osso do pé, por exemplo), nem um osso superior (do crânio, por exemplo), mas sim um osso do lado. Outra interpretação, em sintonia com a primeira, lembra que a mulher é protetora da vida e do que há de mais precioso no ser humano, dado que os ossos da costela protegem o coração, órgão central no organismo que é quase sinônimo de "alma" na linguagem bíblica, sendo utilizado nesse sentido em muitas passagens, abrangendo emoções, sentimentos, pensamentos, consciência, vontade e todos os outros aspectos imateriais do ser humano.

O papel da mulher na Bíblia

O papel atribuído à mulher é referido na Bíblia como portadora, tal como o homem, da marca da divindade, de Deus; esposas têm papel sempre importante, seja como amadas parceiras ou como companheiras dos maridos (Gênesis, 2:20-24; Provérbios, 19:14; Eclesiastes, 9:9); do Monte Sinai, Deus ordenou às crianças que honrem tanto a mãe como o pai (Êxodo, 20:12).[2] Não há qualquer motivo para considerar Eva marginalizada ou relegada a qualquer status secundário a Adão; muito pelo contrário, a Escritura situa a mulher com honras especiais (Primeira Epístola de Pedro, 3:7); por fim, a Bíblia celebra e reconhece grandemente o valor de mulheres virtuosas (Provérbios, 12:4; 31:10; Primeira Epístola aos Coríntios, 11:7)[3], e estabelece a submissão integral da mulher a seu marido como o padrão ideal para a vida no lar, bem como o dever do marido de amar sua mulher mais que a si mesmo, de maneira sacrificial, e se for necessário, até com o custo de sua própria vida (Epístola aos Efésios, 5:25-31).

Análise cética, mitológica e religiosa comparada

Joseph Campbell acreditava que o relato da criação de Eva era uma metáfora criada pela tradição religiosa hebraica.[4] Campbell expõe que a metáfora da costela de Adão exemplifica o distanciamento dos hebreus da religião cultuada entre os povos antigos — a do culto à Mãe Terra, Mãe Cósmica ou Deusa Mãe. Este culto inseria-se dentro de um contexto social e religioso cujas raízes remontam aos registros pré-históricos do Paleolítico e do Neolítico.[5]

A arqueologia pré-histórica e a mitologia pagã registram esta origem do culto à Deusa-Mãe. Algumas remotas descobertas de religião humana remontam, inicialmente, ao culto aos mortos, e ao intenso culto da cor vermelha ou ocre associado ao sangue menstrual e ao poder de dar a vida. Na mitologia grega, por exemplo, a chamada "mãe de todos os deuses", a deusa Reia (ou Cibele, entre os romanos), exprime este culto na própria etimologia: reia significa "terra" ou "fluxo". Campbell argumenta que Adão (do hebraico אדם, relacionado tanto a adamá ou "solo vermelho", "barro vermelho", quanto a adom ou "vermelho", e dam, "sangue") teria sido criado a partir do barro vermelho ou argila. A identidade da religião com a Mãe Terra, a fertilidade, a origem da vida e da manutenção da mesma com a mulher, seria, segundo Campbell, retratada também na Bíblia: "(...) a santidade da terra, em si, porque ela é o corpo da Deusa. Ao criar, Jeová cria o homem a partir da terra [da Deusa], do barro, e sopra vida no corpo já formado. Ele próprio não está ali, presente, nessa forma. Mas a Deusa está ali dentro, assim como continua aqui fora. O corpo de cada um é feito do corpo dela. Nessas mitologias dá-se o reconhecimento dessa espécie de identidade universal".[6]

Todavia, uma análise mais atenciosa ao texto bíblico, em si mesmo, demonstra que não há nenhum elemento no próprio texto que dê fundamento à teoria de Campbell, haja vista que em nenhum momento é atribuído algum poder vital à terra; isto é, desde o primeiro capítulo de Gênesis, a terra é vista apenas como um fator físico (matéria), criado por Deus no início de tudo, e usado por ele como uma espécie de matéria-prima para a criação dos seres vivos. Em outras palavras, a vida não surge espontaneamente da terra, ela surge somente no momento em que o próprio Deus determina, pelo poder de sua palavra, que isto aconteça, e é dessa forma que foram criadas as plantas[7] e os animais[8].

Um caso especial se dá na criação do homem e da mulher: no caso do homem, foi o próprio Deus que, pessoalmente, «formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.» (Gênesis 2:7). No caso da mulher, novamente, o próprio Deus intervém de forma pessoal: primeiro, «fez cair um pesado sono sobre Adão, e este adormeceu; depois, tomou uma de suas costelas, fechou o lugar com carne...» (Gênesis 2:21) (o que faz lembrar uma cirurgia), e «transformou [aquela costela de Adão] em uma mulher» (Gênesis 2:22), a primeira mulher, Eva. Posteriormente, em razão da queda do homem, Deus lhe diz que, assim como ele foi formado a partir da terra, assim voltará a ser em razão da morte, «porque tu és pó, e ao pó tornarás.» (Gênesis 3:19). Ou seja, na visão bíblica, a terra não tem vida em si mesma, nem qualquer atributo místico, pois é Deus quem dá vida a todos os seres; se isto não acontecesse, eles ainda seriam apenas terra, isto é, matéria inorgânica, sem vida, "pó". Portanto, a hipótese levantada por Campbell, de uma Deusa-Mãe presente subliminarmente e implicitamente no relato de Gênesis, não passa de uma especulação imaginada pelo próprio Campbell, sem qualquer amparo no relato bíblico; é, aliás, contrária ao que diz o próprio texto e rechaçada pelos demais textos das Escrituras. De acordo com a Bíblia, nem o homem nem a mulher devem ter a arrogância de considerar seu próprio gênero como superior[9], haja vista que ambos foram criados pelo mesmo Deus, à semelhança dele, e devem a ele se submeter[9], para não caírem em seus próprios erros[10].

Referências

Bibliografia

Ver também