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Alexandre corta o nó górdio em pintura do século XIX

O nó górdio é uma lenda que envolve o rei da Frígia (Ásia Menor) e Alexandre, o Grande. É comumente usada como metáfora de um problema insolúvel (desatando um nó impossível) resolvido facilmente por ardil astuto ou por "pensar fora da caixa".

Conta-se que o rei da Frígia (Ásia Menor) morreu sem deixar herdeiro e que, ao ser consultado, o Oráculo anunciou que o sucessor chegaria à cidade num carro de bois. A profecia foi cumprida por um camponês, de nome Górdio, que foi coroado. Para não esquecer de seu passado humilde ele colocou a carroça, com a qual ganhou a coroa, no templo de Zeus. E a amarrou com um enorme nó a uma coluna. O nó era, na prática, impossível de desatar e por isso ficou famoso.

Górdio reinou por muito tempo e quando morreu, seu filho Midas assumiu o trono. Midas expandiu o império mas não deixou herdeiros. O Oráculo foi ouvido novamente e declarou que quem desatasse o nó de Górdio dominaria todo o mundo.

Quinhentos anos se passaram sem ninguém conseguir realizar esse feito, até que em 334 a.C. Alexandre, o Grande, ouviu essa lenda ao passar pela Frígia. Intrigado com a questão, foi até o templo de Zeus observar o feito de Górdio. Após muito analisar, desembainhou sua espada e cortou o nó. Lenda ou não o fato é que Alexandre se tornou senhor de toda a Ásia Menor poucos anos depois.

É daí também que deriva a expressão "cortar o nó górdio", que significa resolver um problema complexo de maneira simples e eficaz.

"Fazei-o discorrer sobre política e o nó górdio do caso ele deslinda,

tão facilmente como o faz com a jarreteira"

(Shakespeare, Henrique V, Ato 1 Cena 1. 45–47)[1]


"3 OS DESEQUILÍBRIOS ACUMULAM-SE E NIXON CORTA O NÓ GÓRDIO DE BRETTON WOODS" (ALMEIDA, 2014, p. 478, grifo nosso).[2]

A expressão NÓ GÓRDIO tem sua origem em textos antigos de natureza religiosa e mitológica, particularmente para indicar situações ou estados mentais em que o filósofo ou aprendiz encontra-se incapaz de desatar o nó, ou seja, não pode por si só avançar no conhecimento. Nessa condição, o estudante deve confiar plenamente, mediante a fé, na autoridade de uma divindade que desatará para ele esse nó e iluminará sua inteligência.

Referências

  1. Henrique V
  2. Almeida, Paulo Roberto de (jul.–dez. 2014). «O Brasil e o FMI desde Bretton Woods: 70 anos de história» (PDF). São Paulo: Fundação Getulio Vargas, Escola de Direito de São Paulo. Revista Direito GV. 10 (2): 469-496. ISSN 2317-6172. doi:10.1590/1808-2432201420. Consultado em 6 de junho de 2019