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A região da Núbia Hoje

Núbia é a região situada no vale do rio Nilo que atualmente é partilhada pelo Egito e pelo Sudão mas onde, na antiguidade, desenvolveu-se na mais antiga civilização da África, baseada na civilização anterior do Alto Egito, e tanto que Napata antes de ser a capital da Núbia independente da sua metrópole colonial egipcia, era uma mera colonia egípcia ao sul de Assuã, anexada durante o Médio Império.[1]

Aparentemente os núbios eram filhos de colonos sul-egípcios com escravas nilóticas, que deu origem ao Reino de Cuche, que existiu entre o III milênio a.C. e o século IV d.C. da nossa era. Este reino foi então dominado pelo Reino de Axum e aparentemente, os núbios formaram novos pequenos estados fora da região ocupada. Um deles, Macúria tornou-se preponderante na região, assinando um pacto com o Egito islâmico para conservar a sua religião cristã (copta), que conservou até ao século XIV, quando foi finalmente submetida aos árabes dominantes, mais precisamente dominada pelos Turcos Mamelucos por volta de 1315. Eles impuseram sua religião muçulmana e colocaram no poder um príncipe Núbio convertido ao Islã.

No entanto, a parte sul conservou-se independente, como o reino de Sennar, até ao século XIX, quando o Reino Unido ocupou a região. Com a independência dos atuais estados africanos, os núbios ficaram divididos entre o Egito e o Sudão. Nesta região, na grande curva do Nilo, na parte sudanesa, encontram-se as ruínas das cidades de Napata, perto do monte Gebel Barkal, e Meroé que foram inscritos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 2003, na lista do Património Mundial.

HistóriaEditar

Na época do Egito faraônico, a Núbia era uma região que separava esse país da África subsaariana. Atualmente, seu território se encontra dividido entre o Egito e o Sudão. Núbia é uma antiga região no nordeste da África, situada ao longo do rio Nilo, desde a primeira catarata até as proximidades de Khartum, no atual Sudão. Além do vale do Nilo, incluía as áreas desérticas a leste até o mar Vermelho e a oeste até o deserto da Líbia.

Habitada por povos nilóticos negros, a Núbia constituiu ao longo de milênios um ponto de encontro entre as civilizações egípcias - e, por conseguinte, o mundo mediterrâneo - e os povos negros da África. Cercada, porém, pelo deserto, num trecho mais estreito do vale, jamais apresentou produção agrícola e população comparáveis às do baixo Nilo. Por volta de 3100 a.C., a I dinastia egípcia se apoderou de parte da Núbia, que passou a abastecer o império de ouro, pedras preciosas e diorito. A partir de então, a história da Núbia permaneceu ligada à do Egito, algumas vezes sob o poder dos faraós, outras na forma de um ou vários reinos independentes.

Por volta de 2000 a.C., surgiu na região o reino de Cuche, cujos governantes adotaram a cultura egípcia. O rei Chabaca conquistou todo o Egito entre 713 e 712 a.C. e transferiu sua capital para Mênfis, onde fundou a XXV dinastia. A invasão assíria separou mais uma vez o Egito da Núbia, que conservou sua independência. Meroé tornou-se capital do reino de Cuche no início do século VI a.C. Durante nove séculos, a Núbia permaneceu isolada até que, no século IV da era cristã, após a destruição de Meroé, os nabateus se estabeleceram na região e, por volta do ano 540, se converteram ao cristianismo. Embora a partir do século VII o país tenha sido obrigado a pagar tributo aos novos governantes muçulmanos do Egito, permaneceu independente e fiel ao cristianismo até o século XIV, quando sucumbiu ante os exércitos mamelucos.

Durante seis séculos o Egito Muçulmano e a Núbia cristã viveram em uma espécie de harmonia, apesar dos ocasionais ataques de pequena escala e represálias, essa harmonia criada em um acordo silencioso era respeitada por causa do comércio que circulava entre os reinos, criando assim uma relação de boa vizinhança. Mas esse período de paz durou pouco pois em meados do século XIII, o Egito dos mamelucos com um tratado com Shakanda investiram em uma abordagem que reduziu o Reino da Núbia para condições de reino vassalo. "Os núbios que não se decidissem a abraçar o Islã, deveriam pagar um imposto anual per capita (a djizya). Os nômades árabes que se refugiassem na Núbia seriam extraditados."[2]

No norte da Núbia existem ruínas de monumentos antigos, alguns dos quais correram o perigo de desaparecer com a construção da represa de Assuã. Uma campanha internacional permitiu salvar os dois templos situados em Abu Simbel, transferidos para outro local nas proximidades.

Algumas pirâmides núbias antigas, reconstruídas no sítio arqueológico de Meroé, no Sudão
  Alguns monumentos da Núbia estão incluídos no sítio Monumentos Núbios de Abu Simbel a Philae, Património Mundial da UNESCO.  


Referências

  1. Emberling, Geoff (2011). Nubia: Ancient Kingdoms of Africa. New York: Institute for the study of the ancient world. 8 páginas. ISBN 978-0-615-48102-9 
  2. UNESCO.(2010) História Geral da África IV – África do século XII ao XVI, Capítulo 16 - página 451
Web

Ligações externasEditar