Nacionalismo e mito

O nacionalismo tem a sua gênese na Revolução Francesa assim como a divisão esquerda-direita no espectro político.[1][2] O nacionalismo também reivindica sua origem em um passado glorioso de nações fora de Grécia e Roma[3] e se alicerça em mitos religiosos e no próprio mito político do nacionalismo que acaba desmoralizado pelo entreguismo. O mito do nacionalismo segundo psicólogos atenua a ansiedade de se viver em metrópoles em meio a um crescente individualismo.[4]

ExemplosEditar

O marxismo do século XIX identifica o nacionalismo como um subproduto do capitalismo após a queda do Antigo Regime o que ocasionou a padronização dos mercados, sendo contra o nacionalismo burguês.[5][6][7] Figuras como José Martí eram nacionalistas e socialistas.[8] Houve muitos movimentos de libertação nacional derivados desse processo.[9] Segundo Pauwels, A Primeira Guerra Mundial foi causada pela intenção das elites de desviar o foco das críticas efetuadas pelo movimento socialista e para isso usaram o nacionalismo como substituto.[10] O Stálin apoiava a ideia de nações revolucionárias e reacionárias fadadas a uma hostilidade mútua de libertação nacional.[11] Segundo Noam Chomsky e Said, o nacionalismo norte-americano era anticomunista.[12] O Said Qutb declarou que vê o nacionalismo arabista e o socialismo como anti-islâmicos, e que sua ideologia é baseada em donos de pequenas empresas que acreditam em um tipo de capitalismo islâmico e vê o nacionalismo árabe secular, os radicais xiitas, Israel, os socialistas e os comunistas como inimigos[13][14] e que necessita de apoio de quaisquer potências para derrubar o nasserismo, incluso os Estados Unidos.[15][16][17] O Mao Tsé-Tung declarou que "existe um falso discurso nacionalista a favor do Ocidente e do fascismo nipônico no país".[18][19] O Chaim Weizmann defendia o nacionalismo judeu como um desvio de foco do socialismo internacionalista da classe média judaico-européia.[20][21][22][23] O nacionalismo e o socialismo árabes[24] ajudaram a derrotar o terrorismo religioso na região[25] além de "impedirem uma maior penetração das petroleiras na região".[26][27] Segundo Sutton, a Skull and Bones financiou o o discurso nacionalista nazista na Alemanha.[28] O W.E.B Dubois descrevia o movimento negro como um "nacionalismo negro eminentemente socialista".[29][30] O nacionalismo e socialismo birmaneses fortaleceram o Estado independente da região até 2008.[31] O Josef Stalin dividiu o mundo entre nações colonizadas revolucionárias e nações conservadoras além de condenar o nacionalismo fragmentador que é guiado contra o socialismo.[32][11] O nacionalismo nazista rejeita tanto o comunismo ocidental marxista quanto o socialismo oriental leninista.[33] O Hitler afirmava que o nazismo recristianizaria a Europa livrando o continente da influência de agnósticos, liberais, judeus dentre outros, sendo um retorno aos valores ocidentais.[34]

O Alfred Rosenberg afirmou que "qualquer pacto com os soviéticos seria ruim para o nazismo".[35] Segundo Kermit Roosevelt, se precisava de apoio para derrotar os nacionalistas "comunistas" sírios ligados a família Assad.[36] Segundo Eric Zuesse, o nazismo era "uma tríade de socialismo, racismo e imperialismo, sendo que o termo socialismo é usado na acepção de combate a democracia e ao liberalismo mediante a criação de uma elite eleita para administrar a nação"[37] O Che Guevara defendi que "as revoluções latino-americanas não podem ser exportáveis por conta de suas vicissitudes nacionais".[38] O socialismo de Xi Jinping, é descrito como comunista e contra a corrupção.[39] O presidente polonês a partir de 2015 é descrito como "nacionalista e socialista, favorecendo a classe baixa polonesa em detrimento do capital internacional".[40] Segundo Joseph Stiglitz, o Donald Trump está levando o país quase para um socialismo plenos, na prático um socialismo para os ricos em que era se revela nacionalista e populista.[41][42] Para o Financial Times a Theresa May está guiando o brexit para um caminho fora do nacionalismo e do socialismo.[43] Para o Murray Bookchin, "o PKK é um misto de nacionalismo curdo, socialismo e anarquismo".[44][45][46] Outros movimentos similares como no Kosovo são descritos neste nível também.[47] Segundo Barbour, "a transição de um socialismo quase democrático para um nacionalismo fascistizante foi apoiada pelo catolicismo na Croácia."[48] Segundo Levent Basturk, o Mohammed El Baradei recebeu treinamento de uma empresa terceirizada do governo ianque para derrotar a Irmandade Muçulmana com um discurso de esquerda.[49] Segundo o Benigno Aquino III, o comunismo chinês é nazista em 2015.[50] Segundo Kim Richards, o socialismo mexicano cresceu com o governo Trump.[51] O Alfred Emanuel Smith afirmava que "apesar das diferenças, precisamos de uma frente de esquerda contra o fascismo".[52][53] O Caleb descreve que "tanto no ocidente como no oriente o imperialismo está acuado tanto pelos nacionalistas de direita como pelos socialistas de esquerda, havendo uma tentativa do primeiro de desviar o foco como um apelo a xenofobia anti-russa e anti-chinesa como uma tentativa de angariar apoio dos nacionalistas".[54] Segundo Takis Fotopoulos, "no século XXI, as políticas com discurso ultranacionalista e fascistizante tendem na prática a estarem submetida ao 'imperialismo'."[55][56] O Hamas balança entre um fundamentalismo religioso e um nacionalismo republicano[57] e quanto ao Taliban, ele se equilibra entre o nacionalismo Pashtunwali e a competição por recrutamento que ele faz com o Daesh.[58]

Segundo ele, "o nacionalismo chinês deve fazer aliança com outras potências contra seus inimigos e especialmente o comunismo".[59][60] A maioria dos acadêmicos identificam o nazismo como uma política de direita.[61][62][63] O nazismo também defende o direito de dominar "subraças"[64] e além disso o nazismo coloca a "raça" nacional acima da luta de classes[65][66] o Hitler apontava também 3 vícios do judaísmo: democracia, pacifismo e internacionalismo.[67][68] Os líderes nazistas Joseph Goebbels e Hitler diferenciavam ao máximo nazismo de marxismo.[69][70] Anticomunistas do mundo todo deram suporte para o nazismo durante o período no poder.[71] O Hitler também denunciava o materialismo histórico e dialético com Mamon e como opostos ao socialismo que ele defendia.[72] Segundo Jair Bolsonaro, os partidos tais qual o Patriotas e o PSL devem defender privatizações moderadas.[73][74] Os movimentos nacionalistas europeus também tem uma certa afinidade com a Rússia.[75] Os governos da Índia e Japão também apresentam na Idade Contemporânea um nacionalismo de extrema direita.[76][77][78] O Plaid Cymru (O Partido do país de Gales), que defendem a separação do Reino Unido, proclamam-se partidos nacionalistas liberais[79] além do UKIP[80] tem um discurso liberal em sua campanha apesar de apoiar pautas bélicas e protecionistas. O Dalai Lama também tem se notabilizado por usar elementos pan-védicos, sejam eles hindus ou budistas no seu nacionalismo.[81]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Cap 2 de Nações e Nacionalismos de Eric Hobsbawm
  2. Maass, Alan; Zinn, Howard (2010). The Case for Socialism (Revised ed.). Haymarket Books. p. 164. ISBN 978-1608460731.
  3. Memorandum, Beijing to Foreign Office “A Final Report on China,” October 1951, in “Extension of Power of the Chinese Communists,” FO371/92206; telegram, Beijing to Foreign Office, 19 January 1951, ibid., FO371/92192; telegrams, Beijing to Foreign Office 3 and 6 March 1951, ibid., FO371/92194; as well as telegram, Foreign Office to Embassies, 11 May 1951, “China: Political Situation,” DO133/27; and Telegram, Beijing to Foreign Office, 7 April 1952, ibid, DO133/28, all at TNA. Also, see Strauss, “Morality, Coercion, and State Building by Campaign in the Early PRC,” 46–48.
  4. Brown, David (2000), «Contemporary nationalism», Contemporary nationalism: civic, ethnocultural, and multicultural politics, ISBN 0-203-38025-8, London ; New York: Routledge, p. 24, OCLC 43286590 
  5. Nimni 1991, 16.
  6. Nimni 1991, 18.
  7. Nimni 1991, 14.
  8. Many Happy Returns Fidel
  9. Aleppo: the frenzied media response and the stakes for Syria
  10. The Great Class War 1914-1918 ;Jacques R. Pauwels
  11. a b van Ree 2002, 49.
  12. Noam Chomsky and Edward S. Herman, The Washington Connection and Third World Fascism (South End Press, 1979); Gabriel Kolko, Confronting the Third World: United States Foreign Policy 1945-1980 (Pantheon Books, 1988); and Audrey R. Kahin and George McTurnan Kahin, Subversion as Foreign Policy: The Secret Eisenhower and Dulles Debacle in Indonesia (The New Press, 1995).; Jonathan Kwitny, Endless Enemies: The Making of an Unfriendly World (1984), p.57
  13. Executive Orders & Airport Protests: Trump Clashes With The CIA
  14. Oil, Qatar, China & The Global Conflict
  15. The destructive legacy of Arab liberals
  16. Tariq Ali, “The Uprising in Syria”, www.counterpunch.com, September 12, 2012
  17. Executive Orders & Airport Protests: Trump Clashes With The CIA
  18. Louise Young, Japan’s Total Empire: Manchuria and the Culture of Wartime Imperialism (Berkeley: University of California Press, 1998); Yoshihisa Tak Matsusaka, The Making of Japanese Manchuria, 1904-1932 (Cambridge: Harvard University Asia Center, 2001).
  19. In the mid-1940s, the Viet Minh, under Ho Chi Minh, looked to the West for help in its independence movement and got it.
  20. O nazismo era de esquerda? Trechos de Minha Luta, o livro de Hitler, comprovam que não...
  21. From Left to Right: Israel’s Repositioning in the World
  22. From Left to Right: Israel’s Repositioning in the World
  23. From Left to Right: Israel’s Repositioning in the World
  24. Clearing the fog of war around Syria
  25. A Tale of Two Nakbas
  26. Let us drive away the US and NATO occupiers with our unity!
  27. Sticking point in Syria truce: Washington’s support for Al Qaeda
  28. Sutton, Antony C. America's Secret Establishment: An Introduction to the Order of Skull & Bones. Walterville, OR: Trine Day, 2003. ISBN:0-9720207-0-5.
  29. “The Name Negro: It’s Origins and Evil Use”, published in 1960. (p. 92)
  30. The Black Bolsheviks
  31. "The Burmese Way to Socialism
  32. Per Anders Rudling. "Memories of 'Holodomor' and National Socialism in Ukrainian Political Culture," in Yves Bizeul (ed.), Rekonstruktion des Nationalmythos?: Frankreich, Deutschland und die Ukraine im Vergleich (Göttingen: Vandenhoek & Ruprecht Verlag, 2013)
  33. Dmytro Dontsov, Khrestom i mechom (With the cross and sword, 1956) Derzhavnist 2 and 3, Natsionalistand Golos natsii.
  34. Werner Ustorf, ‘Survival of the Fittest’: German Protestant Missions, Nazism and Neocolonialism, 1933-1945? Journal of Religion in Africa 28 (1998), 94.
  35. Why did Nazis fail to create a Ukrainian state in 1939?
  36. The Revolutionary Distemper in Syria That Wasn’t
  37. The Ideology Of The New Ukraine
  38. La TV cubana rescató del olvido una entrevista al Che de 1964
  39. Oil, Qatar, China & The Global Conflict
  40. NEW LEFT IN POLAND? – OUR INTERVIEW WITH RAZEM, THE POLITICAL PARTY INSPIRED BY THE SPANISH PODEMOS
  41. America's socialism for the rich
  42. Race, Gender, and Class Politics in the US Primaries
  43. Phillip Stevens, “Britain is starting to imitate Greece”, Financial Times, 30/6/2016
  44. Turks, Saudis & Kurds: What’s Going on?
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  48. S. Barbour, C. Carmichael (eds.), Language and Nationalism in Europe, Oxford−New York: Oxford University Press, 2000, 221−239
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  73. Em tom nacionalista, Bolsonaro chega a novo partido e defende privatizações com limites
  74. "em que acreditamos"
  75. Europeans favoring right-wing populist parties are more positive on Putin
  76. Dalai Lama: ‘Far right’ Nationalist & Tibetan supremacist
  77. Dalai Lama says ‘Europe belongs to the Europeans’ and suggests refugees return to native countries
  78. Sakamoto Rumi (2011),‘Koreans, Go Home!’ Internet Nationalism in Contemporary Japan as a Digitally Mediated Subculture,The Asia-Pacific Journal Vol 9, Issue 10 No 2, March 7.
  79. EU vote: Where the cabinet and other MPs stand
  80. Is there room in this party for a pro-Brexit liberal?
  81. BUDDHISM RE‐EVALUATED BY PROMINENT 20TH CENTURY HINDUS