Nasal labiodental

O nasal labiodental é um tipo de fone consonantal empregado em alguns idiomas. O símbolo deste som no alfabeto fonético internacional é ɱ, e seu símbolo X-SAMPA equivalente é F. O símbolo IPA é o m minúsculo com um gancho virado pro lado esquerdo sobressaindo do lado inferior direito da letra. Ocasionalmente é transcrito usando um <m> com um diacrítico dental: [m̪].[1]

Nasal labiodental
ɱ
IPA 115
Codificação
Entidade (decimal) &#625;
Unicode (hex) U+0271
X-SAMPA F
Kirshenbaum M
Som

A pronúncia é muito similar ao do nasal bilabial [m], mas ao invés dos lábios se tocarem, o lábio inferior toca os dentes superiores. A posição dos lábios e dentes é geralmente a mesma do que a das outras consoantes labiodentais, como o [f] e o [v], embora o fechamento destas são incompletas por serem fricativas.[1]

O nasal labiodental não foi confirmado se existe como um fonema separado em nenhuma língua. Foi observado no dialeto de Kukuya de Teke, onde é "acompanhado por uma forte protrusão de ambos os lábios". Todavia, existem algumas dúvidas se uma oclusão de verdade pode ser feita deste jeito.[1]

Contudo, é foneticamente comum em várias línguas, como uma típica alofonia de /m/ e /n/ antes das fricativas labiodentais [f] e [v].[1]

Um /ɱ/ fonêmico foi relatado apenas para a língua Kukuya, que o contrasta com /m, mpf, mbv/ e é "acompanhado por forte protrusão de ambos os lábios". É [ɱʷ] antes de /a/ e [ɱ] antes de /i/e/e/, talvez porque a labialização seja restringida pelas vogais anteriores espalhadas; não ocorre antes das vogais posteriores (arredondadas) /o/e/u/.[2][1]

Alguns estudiosos duvidam que o verdadeiro fechamento possa ser feito por um gesto labiodental por causa das lacunas entre os incisivos, que para muitos falantes permitiriam o fluxo de ar durante a oclusão.[3] Isso é particularmente pertinente considerando que uma das palavras Kukuya com essa consoante, /ɱáá/, significa uma 'lacuna entre os incisivos arqueados',[4] uma prática do povo local. O /ɱ/ pode, portanto, ser melhor caracterizado como um aproximante nasal labiodental do que como um oclusivo nasal.[1]

No entanto, [ɱ] é extremamente comum em todo o mundo foneticamente, pois é o alofone universal de /m/ e um alofone muito comum de /n/ antes das fricativas labiodentais [f] e [v]. Em Drubea, [ɱ] é relatado como um alofone de /v/ antes das vogais nasais.[5]

Uma proposta para retirar a letra ⟨ɱ⟩ foi feita no período que antecedeu a Convenção de Kiel de 1989, com o nasal labiodental a ser transcrito somente por ⟨m̪⟩, mas a proposta foi derrotada no comitê.[6][7]

CaracterísticasEditar

OcorrênciaEditar

Língua Palavra AFI Significado Notas
Árabe Hejazi قُرُنْفُل [gʊrʊɱfʊl] Dente de alho
Catalão mfora [ˈkaɱfuɾə] Cânfora
Tcheco tramvaj [ˈtraɱvaj] Elétrico
Dinamarquês symfoi [syɱfoˈniˀ] Sinfonia
Holandês[8][9] omvallen [ˈʔɔɱvɑlə(n)] Cair
Inglês symphony  ? [ˈsɪɱfəni] Sinfonia
Finlandês kamferi [ˈkɑɱfe̞ri] Cânfora
Alemão fünf [fʏɱf] Cinco
Grego[10] έμβρυο/émvryo [ˈe̞ɱvrio̞] Embrião Aprendido ou em pronúncia cuidadosa.
Hebraico סימפוניה [siɱˈfonja] Sinfonia
Húngaro hamvad [ˈhɒɱvɒd] Latente
Italiano[11] invece [iɱˈveːt͡ʃe] Ao invés de
Kukuya[12] [ɱíì] Olgos Fonêmico.
Macedônio трамвај [traɱˈvaj] Elétrico
Norueguês komfyr [kɔɱˈfyːɾ] Fogão
Romeno învăța [ɨɱvəˈt͡sä] Aprender
Russo амфора ['aɱfərə] Ânfora
Servo-Croata[13] трамвај / tramvaj [trǎɱʋäj] Elétrico Alofone de /m/ antes de /f/ e /ʋ/.[13]
Esloveno[14] simfonija [siɱfɔˈníːja] Sinfonia Alofone de /m/ e /n/ antes de /f/ e /ʋ/.[14]
Espanhol[15] influir [iɱfluˈiɾ] Ter influência
Sueco amfibie [aɱˈfiːbjɛ] Anfíbia
Frísio ocidental ûnwis [uːɱ'ʋɪs] Sem certeza Alofone de /n/ antes de sons labiodentais.

ReferênciasEditar

  1. a b c d e f g h i j k l Maddieson; Ladefoged, Ian; Peter (1996). The Sounds of World's Languages. [S.l.: s.n.] 
  2. Paulian. [S.l.: s.n.] 1975. p. 57 
  3. Ladefoged & Maddieson. [S.l.: s.n.] 1996. p. 18 
  4. Paulian. [S.l.: s.n.] 1975. p. 40 
  5. Hajek, John (2009). "Labiodental ɱ in Drubea". [S.l.]: Oceanic Linguistics. p. 48 
  6. Heselwood (2013). Phonetic transcription in theory and practice. [S.l.: s.n.] 
  7. JIPA. [S.l.: s.n.] p. 85 
  8. Kooij & Van Oostendorp (2003):9
  9. Verhoeven (2005):243
  10. Newton (1972):10
  11. Rogers & d'Arcangeli (2004):118
  12. Paulian (1975):41
  13. a b Landau et al. (1999):67
  14. a b Šuštaršič, Komar & Petek (1999):136
  15. Martínez-Celdrán, Fernández-Planas & Carrera-Sabaté (2003):258