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Neiva Moreira
Neiva Moreira
Deputado estadual pelo Maranhão
Período 1951-1955
Deputado federal pelo Maranhão
Período 1955-1964
1997-2007
Dados pessoais
Nascimento 10 de outubro de 1917
Nova Iorque, MA
Morte 10 de maio de 2012 (94 anos)
São Luís, MA
Cônjuge Natália Moreira (1ª vez)
Beatriz Bissio (2ª vez)
Partido PSP (pré-1964)
PDT (1980-2012)
Profissão jornalista

José Guimarães Neiva Moreira (Nova Iorque, MA, 10 de outubro de 1917 - São Luís, MA, 10 de maio de 2012) foi um jornalista e político brasileiro que representou o Maranhão na Câmara dos Deputados.[1][2]

Dados biográficosEditar

Filho de Antônio de Neiva Moreira e Luzia Guimarães Moreira. Entre a infância e a adolescência viveu entre os estados do Maranhão e Piauí. Morador de Barão de Grajaú, migrou para Floriano onde iniciou sua carreira jornalística como um dos fundadores do periódico A Luz. Residiu em Timon antes de ser matriculado no Liceu Piauiense em Teresina, onde conheceu Carlos Castelo Branco, ao lado de quem fundou o jornal A Mocidade. Voltou ao Maranhão em 1940 e concluiu os estudos secundários em São Luís. Funcionário do periódico Pacotilha, mudou-se à cidade do Rio de Janeiro em 1942 quando o jornal em questão foi incorporado aos Diários Associados, razão pela qual trabalhou em órgãos de imprensa como Diário da Noite, O Jornal e O Cruzeiro (revista) antes de trabalhar como redator no Instituto Brasileiro do Café, fato que não inibiu sua colaboração com A Vanguarda e O Semanário, além de fundar O Panfleto. Em 1992 assumiu uma cadeira na Academia Maranhense de Letras,[2] dada a sua atividade como escritor.[3]

Carreira políticaEditar

Eleito deputado estadual via PSP em 1950, liderou a bancada oposicionista na Assembleia Legislativa do Maranhão.[nota 1] Fundador e proprietário do Jornal do Povo, elegeu-se deputado federal pela mesma legenda em 1954, 1958 e 1962.[4][nota 2] Sua atuação parlamentar o fez membro da Frente Parlamentar Nacionalista, mas seu mandato foi cassado em 9 de abril de 1964 pelo Ato Institucional Número Um[5] e teve os direitos políticos suspensos por dez anos.[1][nota 3]

Preso pelo Regime Militar de 1964, foi libertado e morou por alguns meses na Bolívia antes de exilar-se no Uruguai, Argentina e Peru, países onde manteve sua atividade jornalística e dos quais foi expulso por sucessivos golpes militares. Neste último foi assessor de imprensa do general Juan Velasco Alvarado, presidente do país durante sete anos a partir de 1968. Seguiu então para o México, onde relançou a revista Cadernos do Terceiro Mundo, originalmente editada em Buenos Aires, e criou o livro de referência Guia do Terceiro Mundo. Regressou ao Brasil em 16 de outubro de 1979 graças à Lei da Anistia sancionada pelo presidente João Figueiredo.[6][7] Com a extinção do bipartidarismo e subseqüente reformulação partidária, aliou-se a Leonel Brizola na luta pela posse do PTB, mas como o Tribunal Superior Eleitoral decidiu em prol do grupo liderado por Ivete Vargas,[8] ingressou no PDT em 1980 antes de retomar seu emprego no Instituto Brasileiro do Café.

Em 1982 foi derrotado ao candidatar-se a deputado federal pelo Maranhão, mas foi secretário de Comunicação Social e depois presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro do Rio de Janeiro durante o primeiro governo Leonel Brizola, eleito para o Palácio Guanabara naquele mesmo ano. Retornou ao seu estado natal em 1986, quando perdeu a eleição para senador.[4][nota 4] Sua proximidade com Leonel Brizola, porém, o fez vice-presidente nacional do PDT. Eleito suplente de deputado federal em 1990, foi convocado a exercer o mandato quando José Carlos de Saboia exerceu o cargo de secretário municipal de Governo na administração de Conceição Andrade como prefeita de São Luís. De novo suplente em 1994, foi efetivado após a eleição de Domingos Dutra para vice-prefeito da capital maranhense na chapa de Jackson Lago em 1996, sendo reeleito em 1998 e 2002.[1][4][nota 5]

Relações familiares e legadoEditar

Dentre os membros de sua família com atuação na política maranhense, podemos citar: José Neiva de Sousa, Pedro Neiva de Santana, Jaime Santana e Euvaldo Neiva. Casou-se com Natália Silva Moreira, tendo um filho, e depois com Beatriz Bissio, com quem teve quatro filhos.

Internado desde final de março de 2012 no UDI Hospital na capital maranhense, faleceu após complicações respiratórias na madrugada de 10 de maio e sepultado no Cemitério do Gavião.[9] Por ocasião de seu centenário, a Academia Maranhense de Letras lançou o livro Neiva Moreira o apóstolo da liberdade, organizado pelo acadêmico Natalino Salgado.[3]

Notas

  1. Neiva Moreira foi eleito deputado estadual sob as "Oposições Coligadas", compostas pela União Democrática Nacional (UDN), Partido Social Democrático (PSD), Partido Republicano (PR), Partido Liberal (PL), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e Partido Social Progressista (PSP).
  2. Por conta de um recurso impetrado à Justiça Eleitoral foram recontados os votos de 1954 e em virtude disso Cid Carvalho, Pedro Braga e Neiva Moreira ficaram com as vagas de Costa Rodrigues, Benedito Diniz e Afonso Matos.
  3. A cassação de Neiva Moreira levou à efetivação de Alexandre Costa como deputado federal.
  4. Neiva Moreira conseguiu 6.777 votos em 1982, mas não foi eleito por falta de quociente eleitoral. Em 1986 foi candidato a senador, mas ficou em sexto lugar com apenas 162.006 votos.
  5. Conforme a Câmara dos Deputados, o afastamento de José Carlos Saboia permitiu que Neiva Moreira exercesse o mandato entre 14 de setembro de 1993 a 30 de março de 1994. Em relação à sua efetivação na vaga de Domingos Dutra, a mesma aconteceu em 3 de janeiro de 1997.

Referências

  1. a b c «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Neiva Moreira». Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  2. a b «Morre, aos 94 anos, o ex-deputado federal Neiva Moreira (g1.globo.com/maranhão)». Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  3. a b «Academia Maranhense de Letras: centenário de Neiva Moreira». Consultado em 26 de fevereiro de 2019 
  4. a b c «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  5. «BRASIL. Presidência da República: Ato Institucional Número Um de 09/04/1964». Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  6. «BRASIL. Presidência da República: Lei n.º 6.683 de 28/08/1979». Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  7. Neiva Moreira retorna do exílio reclamando contra "democracia pela metade" (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 17/10/1979. Primeiro caderno, Política e Governo, pág. 07. Página visitada em 25 de fevereiro de 2019.
  8. «ALVIM, Mariana. De Getúlio Vargas a Cristiane Brasil, como o PTB passou do trabalhismo histórico aos ataques à Justiça do Trabalho (BBC News Brasil)». Consultado em 26 de fevereiro de 2019 
  9. «Morre Neiva Moreira (suacidade.com)». Consultado em 26 de fevereiro de 2019