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Neoidealismo [1] ou neo-hegelianismo [2]refere-se a uma vertente (ou vertentes) do pensamento inspirada pelos trabalhos do filósofo idealista alemão Georg Georg Wilhelm Friedrich Hegel e na qual se incluem as doutrinas de um grupo de filósofos influentes na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos entre 1870 e 1920, além dos pensadores italianos Benedetto Croce e Giovanni Gentile.

O neoidealismo inglêsEditar

Em 1865, o filósofo escocês James Hutchinson Stirling (1820-1909), ao publicar a obra O segredo de Hegel (The Secret of Hegel: Being the Hegelian System in Origin Principle, Form and Matter[3]), teve o mérito de haver introduzido e difundido na Inglaterra o pensamento hegeliano, apresentado então como uma evolução da filosofia transcendental de Kant. O neo-hegelianismo, em contraposição ao positivismo imperante, pretendia satisfazer a necessidade de uma ética baseada em valores ideais e religiosos, contrapondo-a à moral utilitarista.

Nessa direção, desenvolvia-se a filosofia da religião de Thomas Hill Green e Edward Caird , mediante a aplicação do sistema dialético hegeliano aos princípios religiosos.

Entre os neo-hegelianos ingleses destaca-se Francis Herbert Bradley, que, em sua obra Aparência e realidade (1893), afirmava o aspecto contraditório da experiência sensível e a necessidade de ir além da contingência, atingindo o absoluto hegeliano como síntese de finito e infinito. Efetivamente, o absoluto apresentado por Bradley aparece num registro quase neoplatônico já que o aspecto finito da realidade desaparecia diante da prevalência do infinito.

A concepção de Bradley despertou acesas polêmicas em que se reivindicava, com Bernard Bosanquet, a função essencial da contradição na dialética hegeliana e, com John Ellis McTaggart, os aspectos espirituais do pensamento hegeliano.

A crise do neoidealismo inglês ocorre com James Black Baillie, que, em Studies in Human Nature (Estudos sobre a natureza humana), diante do drama da Primeira Guerra Mundial, repudia o otimismo idealista do historicismo hegeliano e retoma a tradição empirista da filosofia inglesa. [4]

O neoidealismo estadunidenseEditar

Em 1890, com alguns estudos críticos de William Torrey Harris sobre a Ciência da Lógica, de Hegel, o interesse pelo pensamento hegeliano, considerado sobretudo em seus aspectos religiosos, difundiu-se também nos Estados Unidos.

O maior intérprete dessa corrente religiosa neo-hegeliana foi Josiah Royce, que defendeu uma fusão entre a tradição do subjetivismo de Berkeley e a problemática das filosofias do espírito pós-kantianas

O neoidealismo italianoEditar

O interesse pela doutrina hegeliana na Itália difundiu-se no século XIX, sobretudo através das obras de Augusto Vera e Bertrando Spaventa, que pode ser considerado como o precursor, na Itália, da interpretação do pensamento hegeliano que associa as ideias de Kant e Fichte a temas idealistas. Destacam-se também os estudos de Francesco De Sanctis sobre a estética hegeliana e, posteriormente, os trabalhos de Benedetto Croce e Giovanni Gentile.

Giovanni Gentile e Benedetto CroceEditar

Em 1913 Giovanni Gentile, publica La riforma della dialettica hegeliana ('A reforma da dialética hegeliana'). Em sua obra, Gentile vê na lógica hegeliana a categoria do devir como coincidente com o ato puro do pensamento, ao qual se transmite toda a realidade da natureza, da história e do espírito.

A essa visão subjetivista de Gentile, contrapõe-se, a partir de 1913, Benedetto Croce (primo de Bertrando Spaventa), que, no seu Saggio sullo Hegel ('Ensaio sobre Hegel'), interpreta o pensamento hegeliano como historicismo imanentista.

Depois de ter marcado fortemente a cultura filosófica italiana por mais de quarenta anos, o neo-hegelianismo entra em crise no segundo pós-guerra, sendo substituído pelo existencialismo, pelo neopositivismo, pela fenomenologia e pelo marxismo.

Referências

BibliografiaEditar