Neurodiversidade

Neurodiversidade é uma ideia que afirma que o desenvolvimento neurológico considerado atípico (neurodivergente) para os padrões atuais e convencionais de normalidade é um acontecimento biológico esperado. Assim a diversidade neurológica humana, em vez de estigmatizada, poderia ser vista como constitutiva da espécie e levada em conta na organização social. Segundo seus defensores, a pressuposição de uma suposta normalidade neurológica acaba colocando certos grupos divergentes - dentre os quais costuma-se destacar o grupo de autistas, mas não apenas esse, já que o termo inclui também outras condições neurológicas como o déficit de atenção, os transtornos de humor, a dislexia, a hiperatividade, entre outras - como minoria em termos de poder, representatividade e acesso social.

A autoria do termo é atribuída à socióloga Judy Singer no final da década de 1990,[1] por conta de sua tese de doutorado no assunto, a qual posteriormente foi transformada o livro "Neurodiversity: The Birth of an Idea".[2] Socialmente, a ideia de neurodiversidade ganhou ainda maior popularidade a partir do livro NeuroTribes: The Legacy of Autism and the Future of Neurodiversity, de Steve Silberman, lançado em 2015.[3]

A neurodiversidade considera o autismo, o TDAH, a dislexia e outras condições neurológicas como variações humanas naturais e não doenças ou distúrbios. O conceito de neurodiversidade rejeita a ideia de que as diferenças neurológicas precisam ser (ou podem ser) curadas, ao contrário, acredita-se que elas sejam autênticas formas de diversidade humana, identidade, auto-expressão e ser.[4]

A visão de neurodiversidade também tem sido questionada por alguns pesquisadores e autistas, os quais se perguntam se a abordagem apenas favorece autistas de dificuldades sociais menores, o que faria com que autistas geralmente classificados em situações mais complexas não fossem contemplados por essa visão. Nesse sentido, o temor é de que a condição, ao ser observada como apenas uma diferença, leve os chamados 'autistas clássicos' a terem acesso dificultado a tratamentos.[5][6] Outra crítica frequente é a falta de delimitação do que seja apenas uma diferença e o que seja prejudicial, o que inclui a associação de outros diagnósticos, como depressão e esquizofrenia, serem associados à ideia de "neurodiversidade".[7]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Craft, Samantha. «Meet Judy Singer - a NeuroDiversity Pioneer». Spectrum Suite. Consultado em 23 de março de 2019 
  2. www.amazon.com https://www.amazon.com/NeuroDiversity-Birth-Idea-Judy-Singer-ebook/dp/B01HY0QTEE/. Consultado em 23 de março de 2019  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. Corrêa, Pedro Henrique (2017). «O autismo visto como complexa e heterogênea condição». Physis: Revista de Saúde Coletiva. Consultado em 5 de outubro de 2019 
  4. «Folha Online - Equilíbrio - Movimento diz que autismo não é doença». 27 de julho de 2006. Consultado em 3 de fevereiro de 2009 
  5. «The Controversy Around Autism and Neurodiversity». Consultado em 30 de junho de 2019 
  6. White, Mark. «A different way of thinking». News. Consultado em 25 de abril de 2016 
  7. Ortega, Francisco (2008). «O sujeito cerebral e o movimento da neurodiversidade». Mana: Estudos de antropologia social. Consultado em 5 de outubro de 2019 

Ligações ExternasEditar

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