Niassa (província)
| Niassa | |
|---|---|
| Província de Moçambique | |
| Dados gerais | |
| Capital | Lichinga |
| Município(s) | Cuamba, Lichinga, Mandimba, Marrupa e Metangula. |
| Características geográficas | |
| Área | 129 056 km² |
| População | 1 865 976 hab. (2017) |
| Densidade | 14,5 hab./km² |
| Província de Niassa | |
| Dados adicionais | |
| Código postal | 33xx |
| Prefixo telefónico | +258 271 |
| Sítio | Portal do Governo da Província do Niassa |
| Projecto África • Portal de Moçambique | |
A província do Niassa é uma subdivisão de Moçambique, situada no extremo noroeste do país. Tem capital na cidade de Lichinga. É a maior província de Moçambique em termos de área — 129 056 km² — e, de acordo com os resultados preliminares do censo de 2017, uma das menos povoadas — 1 865 976 habitantes.
A província está dividida em 16 distritos e possui, desde 2013, 5 municípios: Cuamba, Lichinga, Mandimba, Marrupa e Metangula.
Em língua cinianja, "niassa" significa "lago".[1]
Índice
LocalizaçãoEditar
A província do Niassa está localizada na região norte de Moçambique, e tem fronteira, a norte com a Tanzânia, a sul com as províncias de Nampula e Zambézia, com a província de Cabo Delgado a este e a oeste com o Malawi, com o qual também divide o Lago Niassa, um dos Grandes Lagos Africanos.
DemografiaEditar
Os grupos étnicos mais representados nesta província são macua, ajaua e nianja, sendo que as respectivas línguas maternas são faladas por 43,6%, 37,2% e 10.0% da população.[2]
PopulaçãoEditar
De acordo com os resultados preliminares do Censo de 2017, a província tem 1 865 976 habitantes em uma área de 129 056km², e, portanto, uma densidade populacional de 14,5 habitantes por km², a menor entre as províncias do país. Quando ao género, 51,4% da população era do sexo feminino e 48,6% do sexo masculino.[3]
O valor de 2017 representa um aumento de 652 578 habitantes ou 53,8% em relação aos 1 213 398 residentes registados no censo de 2007.[4]
| População da província do Niassa[5][3] | ||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1980 | 1997 | 2007 | 2017 | |||||
| 507 816 | 756 287 | 1 213 398 | 1 865 976 | |||||
Lichinga, a capital da província, possuía uma população de 213 361, segundo o Censo de 2017.[3]
HistóriaEditar
O território da actual província foi administrado entre 1890 e 1929 (e juntamente com o território da actual província de Cabo Delgado) pela Companhia do Niassa.[6] A província foi formada a partir do distrito do Niassa[7] do período colonial
No período colonial foi construído um ramal de caminho de ferro até Vila Cabral, como se chamava nessa altura a capital do então distrito do Niassa e, já nos últimos anos, como forma de apoio à guerra colonial, uma estrada alcatroada com cerca de 40 km. O colonato que se tinha instalado na então Nova Madeira era formado por agricultores pobres, que pouco contribuíram para o desenvolvimento da região.[carece de fontes]
Depois da Independência Nacional, em 1975, foi feito algum esforço para "recolonizar" a província, especialmente com a denominada Operação Produção que levou milhares de pessoas para os campos da província, mas sem o sucesso desejado.[8] Na década de 1990, foi inclusivamente firmado um acordo entre os governos de Moçambique e da África do Sul que previa o financiamento para a instalação de farmeiros boers no Niassa, permitindo assim a reforma agrária naquele país. No entanto, a guerra dos 16 anos que muito afectou a província, impediu um real desenvolvimento.[9]
A seguir ao Acordo Geral de Paz, em 1992, houve algumas iniciativas importantes, nomeadamente a concessão da Reserva do Niassa a uma empresa privada, a instalação duma Faculdade de Agronomia da Universidade Católica de Moçambique em Cuamba, a maior cidade da província. Neste momento, a rede viária, apesar de rudimentar, já permite a ligação efectiva entre os vários distritos.
GovernadoresEditar
A província é dirigida por um governador provincial nomeado pelo Presidente da República.
- (1976-1983) Aurélio Benete Manave
- (1983-1984) Sérgio Vieira
- (1984-1987) Mariano Matsinha
- (1987-1995) Júlio Almoço Nchola[10]
- (1995-2000) Aires Ali[11]
- (2000-2005) David Simango[12]
- (2005-2010) Arnaldo Bimbe[13]
- (2010-2014) David Ngoane Malizane[14]
- (2015-2018) Arlindo da Costa Chilundo[15]
- (2018-) Francisca Domingos Tomás[16]
EconomiaEditar
A província tem uma abundância de recursos minerais ainda não devidamente explorados, especialmente ouro, carvão, mármores, granitos vermelhos e pedras semipreciosas.[17]
Na vertente da natureza, destaca-se a costa mais alcantilada do Lago Niassa onde, neste momento, se está a tentar desenvolver o turismo.[18]
Principais produtosEditar
Subdivisões da provínciaEditar
DistritosEditar
A província do Niassa está dividida em 16, os 15 distritos já existentes quando foi realizado o censo de 2007,[19] mais o distrito de Lichinga, estabelecido em 2013 para administrar as competências do governo central, e que coincide territorialmente com o município do mesmo nome, e o distrito de Chimbonila, que é o novo nome do antigo distrito de Lichinga:[20]
- Chimbonila
- Cuamba
- Lago
- Lichinga
- Majune
- Mandimba
- Marrupa
- Maúa
- Mavago
- Mecanhelas
- Mecula
- Metarica
- Muembe
- N'gauma
- Nipepe
- Sanga
MunicípiosEditar
Esta província possui, desde 2013, 5 municípios:[21][22]
De notar que a vila de Marrupa se tornou município em 2008, e a de Mandimba em 2013.
Ver tambémEditar
Ligações externasEditar
Referências
- ↑ «Lago Niassa». Consultado em 19 de Setembro de 2014
- ↑ Instituo Nacional de Estatística, Recenseamento Geral da População e Habituação 2007, Indicadores Socio-Demográficos, Província de Niassa, página 31
- ↑ a b c «DIVULGAÇÃO OS RESULTADOS PRELIMINARES IV RGPH 2017». Instituto Nacional de Estatística. 29 de dezembro de 2017. Consultado em 31 de dezembro de 2017
- ↑ Instituo Nacional de Estatística, Recenseamento Geral da População e Habituação 2007, Indicadores Socio-Demográficos, Província de Niassa, página 6
- ↑ Quadro da provincia. Instituto Nacional de Estatística. Ano 2007. Acesso 2011 setembro 29
- ↑ Medeiros, Eduardo da Conceição (1997), Maputo — História de Cabo Delgado e do Niassa C. 1836-1929). Central Impressora, Maputo, p. 139
- ↑ Decreto-lei nº 6/75 de 18 de Janeiro.
- ↑ «Operação Produção forçou milhares de pessoas às "machambas" em Moçambique». 7 de Setembro de 2013. Consultado em 2 de Janeiro de 2016
- ↑ «Os "Boers" virão em Janeiro; a União Europeia paga, Noticias de Mocambique 70». 17 de Dezembro de 1995. Consultado em 2 de Janeiro de 2016
- ↑ [1] Acesso 2012 novembro 28
- ↑ "Guebuza aposta em Aires Ali para primeiro-ministro " in O País online. 18 de Janeiro de 2010 Acesso Acesso 2012 novembro 28
- ↑ [2] Acesso 2012 novembro 28
- ↑ "Guebuza concluiu nomeação do seu governo" in Noticias Lusófonas. 11 de Fevereiro de 2005. Acesso 2011 outubro 16
- ↑ "Eis a composição ministerial do novo governo" in O País online. 18 de Janeiro de 2010 Acesso 2011 outubro 16
- ↑ «Novos Governadores provinciais nomeados por Filipe Nyusi». 19 de Janeiro de 2015. Consultado em 2 de Janeiro de 2016
- ↑ «PR nomeia governadores para Sofala, Manica e Niassa». Rádio Moçambique. 8 de agosto de 2018. Consultado em 12 de agosto de 2018
- ↑ Rural Consult, Lda., Plano Estratégico Provincial Niassa 2017, Janeiro 2008, página 5
- ↑ «Dados gerais sobre o Turismo». Consultado em 16 de Dezembro de 2016
- ↑ Instituto Nacional de Estatística Acesso 2011 outubro 5
- ↑ Lei nº 26/2013, publicada no Boletim da República nº 101, I Série, de 18 de Dezembro de 2013, pág. 1059-1061 (3)
- ↑ "Resolução n.º 7/87, de 25 de Abril publicado no Boletim da República (BR), I Série, Nº 16 de 1987" in Estudo "Desenvolvimento Municipal em Moçambique: As Lições da Primeira Década". pp. 24 e 25. Banco Mundial. Maio 2009. Acesso 2011 outubro 5
- ↑ «Parlamento Aprova Criação de 10 Novos Municípios». SapoNotícias. Consultado em 1 de Janeiro de 2015. Arquivado do original em 1 de janeiro de 2015
Código Postal nos Correios de Moçambique Acesso 2011 outubro 4