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Na época da República Romana, nobilis (pl. nobiles) era um termo que designava um status social, geralmente indicativo de um membro de uma família de status consular. Os que pertenciam às famílias patrícias hereditárias eram nobres, assim como os plebeus cujos ancestrais foram cônsules. A transição para a "nobreza" (em latim: "nobilitas") requeria, portanto, a ascensão de um indivíduo considerado excepcional, chamado de "homem novo" (em latim: "novus homo"). Dois dos mais famosos exemplos são Caio Mário, que foi cônsul sete vezes, e Cícero, historiador e cônsul em 63 a.C.

HistóriaEditar

A Segunda Guerra Samnita (326-304 a.C.) foi um período formativo no qual a criação de uma elite governante, formada tanto por patrícios quanto por plebeus que haviam ascendido ao poder[1]. A partir de meados do século IV até o início do século III a.C., diversas "chapas "patrício-plebeias" para o par de cônsules sugerem uma deliberada estratégia de cooperação política[2].

Tentativas acadêmicas de definir a "nobilitas" resultaram em inúmeros debates sobre a utilização do termo nas fontes antigas. Fergus Millar lembra que "nobilis" era uma palavra descritiva utilizada no final do período republicano e não um termo técnico para definir um grupo social restrito no sentido de um "pariato" moderno. Matthias Gelzer[3] defende que o termo era reservado aos descendentes de cônsules e, portanto, reconhece que Lúcio Munácio Planco, cônsul em 42 a.C., teria sido o último homem a se qualificar como ancestral para um "nobilis"[4]. P.A. Brunt[5], baseando-se em Theodor Mommsen, juntou evidências de um uso mais amplo do termo que sugere que qualquer cargo curul concederia a "aura" de "nobilitas". O termo não aparece na literatura do período intermediário da República e só apareceu depois que as mudanças sociais e políticas permitiram a existência de "nobres plebeus"[6].

Na época de Augusto, um "nobilis" tinha acesso facilitado ao consulado, como uma idade mínima reduzida (possivelmente 32 anos). Mulheres descendentes de cônsules augustanos também eram consideradas como membros da nobreza romana[7]. No jargão de Tácito e Plínio, o Jovem[8], um "nobilis" é um descendente da aristocracia republicana.

Referências

  1. E.T. Salmon, Samnium and the Samnites (Cambridge University Press, 1967), p. 217.
  2. Gary Forsythe, A Critical History of Early Rome: From Prehistory to the First Punic War (University of California Press, 2005), p. 269.
  3. Matthias Gelzer, Die Nobilität der römischen Republik (1912).
  4. Matthias Gelzer, in Hermes 50 (1915) 395ff., cf. Syme, The Augustan Aristocracy p. 51, que observou que "esta noção é peculiar e vulnerável"
  5. P.A. Brunt, "Nobilitas and novitas," Journal of Roman Studies 72 (1982) 1–17.
  6. Fergus Millar, "The Political Character of the Classical Roman Republic, 200–151 B.C.," cf. Rome, the Greek World, and the East (University of North Carolina Press, 2002), p. 126 online, originalmente publicado em Journal of Roman Studies 74 (1984) 1–19.
  7. Ronald Syme, The Augustan Aristocracy (Oxford University Press, 1989, 2nd ed.), pp. 50–52 online.
  8. Plínio, o Jovem, Panegyricus Traiani 69.5: illos ingentium virorum nepotes, illos posteros libertatis ("aos netos de gigantes, aos descendentes da liberdade")

BibliografiaEditar

  • Barnes, T.D. "Who Were the Nobility of the Roman Empire?" Phoenix 28 (1974) 444–449. On usage of the term in the 4th century. (em inglês)
  • Hölkeskamp, Karl-J. "Conquest, Competition and Consensus: Roman Expansion in Italy and the Rise of the nobilitas." Historia: Zeitschrift für Alte Geschichte 42 (1993) 12–39.(em alemão)
  • Ridley, R. T. "The Genesis of a Turning-Point: Gelzer's Nobilität." Historia: Zeitschrift für Alte Geschichte 35.4 (1986) 474-502. (em alemão)