Noite das Garrafadas

A Noite das Garrafadas foi como ficou conhecido um episódio da história do Brasil Império, que envolvia portugueses que apoiavam D. Pedro I e brasileiros que faziam oposição ao imperador - foi um dos principais acontecimentos do período imediatamente anterior à abdicação do monarca, em 7 de abril de 1831.

Noite das Garrafadas
Parte da(o) Abdicação de Pedro I do Brasil
Período 13 de Março - 15 de Março de 1831
Local Rio de Janeiro
Resultado Tensões entre os brasileiros e portugueses agravada.
Participantes do conflito
Flag of Portugal (1830–1910).svg Portugueses da Corte de Maria II de Portugal Flag of Brazil (1870–1889).svg Brasileiros Liberais e Nativistas
Baixas
Preso(s)Jovens Oficiais Brasileiros

Contexto HistóricoEditar

Durante os últimos anos, o absolutista Miguel I de Portugal tomou o trono de sua sobrinha Maria II de Portugal, filha do Imperador Pedro I do Brasil. Pedro tomou para si os assuntos da corte portuguesa. Vários movimentos nativistas e nacionalistas brasileiros se incomodaram com a posição de Dom Pedro I, a qual de acordo com os liberais - que se aliaram ao movimento nativista - estava dando mais atenção aos assuntos de Portugal do que aos brasileiros, chamando o mesmo de Dom Pedro IV de Portugal, em vez de Dom Pedro I.[1]

HistóriaEditar

No dia 20 de novembro de 1830, o jornalista Líbero Badaró,[2] que denunciava o autoritarismo do imperador D. Pedro I, é assassinado - e supõe-se que foi a mando do próprio governante. Os assassinos eram aliados políticos do imperador e esse episódio desencadeou uma onda de manifestações contrárias ao seu governo.

Em março de 1831, D. Pedro I viaja para Minas Gerais, buscando conter agitações federalistas locais. Nova onda de boatos espalhou a notícia de que ele preparava um golpe absolutista, planejando dissolver o Congresso.[3][4] Por isso, no dia 11 de março ele retorna ao Rio de Janeiro,[5] onde volta a encontrar oposição aberta nas ruas da cidade. O conflito culminou na noite do dia 13, quando os comerciantes portugueses, partidários de d. Pedro, prepararam uma grande festa para celebrar o retorno, com fogueiras, iluminações, girândolas e lençóis com as cores nacionais. Já os liberais brasileiros entenderam os festejos como uma ofensa à dignidade nacional.E assim se iniciava o confito conhecido como Noite das Garrafadas — por conta dos objetos atirados. Este confronto se sucedeu de tensões já altas entre os dois grupos. O Rio de Janeiro passava por uma onda oposicionista e xenofóbica, que atacava em especial os portugueses.[6] O que havia começado como simples insultos pelos dois grupos, os nativistas e os portugueses, culminou na agressão física. A briga culminou com a expulsão dos brasileiros da Rua Quitanda, devido a garrafas jogadas pelos portugueses do alto de suas casas.[5] O conflito durou três dias até que no dia 15, forças policiais chegaram ao local. Entre os presos da briga, se encontravam oficias jovens brasileiros, agravando mais ainda a tensão entre os grupos.[5] Estes oficiais brasileiros seriam libertos por Francisco de Lima e Silva, que fora recolocado no posto de Comandante das Armas da Corte.[7] Esse episódio teve importância primordial na crise política que resultaria na abdicação de D. Pedro I em 7 de abril.

A "Noite das Garrafadas" é um dos exemplos de muitas revoltas que aconteceram durante o primeiro reinado, por causa das instabilidades do governo de D. Pedro I.

Referências

  1. Rezzutti, Paulo (2015). D. Pedro: A História Não Contada: O Homem Revelado por Cartas e Documentos Inéditos. [S.l.]: Grupo LeYa. p. 271 
  2. Vitor Amorim de Angelo. «Noite das garrafadas». UOL - Educação. Consultado em 19 de setembro de 2012 
  3. Rezzutti, Paulo (2015). D. Pedro: A História Não Contada. [S.l.]: Grupo LeYa. p. 267 
  4. Brasil: Uma Biografia. [S.l.: s.n.] 
  5. a b c Rezzutti, Paulo (2015). D. Pedro: A História Não Contada. [S.l.]: Grupo LeYa. p. 269 
  6. Rezzutti, Paulo (2015). D. Pedro: A História Não Contada. [S.l.]: Grupo LeYa. p. 265 
  7. Rezzutti, Paulo (2015). D. Pedro: A História Não Contada. [S.l.]: Grupo LeYa. pp. 270–217