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A Nova Hollywood, também chamada de Hollywood pós-clássica e, às vezes, American New Wave, refere-se a um movimento cinematográfico estadunidense que renovou significativamente a produção técnica e estética da indústria de cinema dos Estados Unidos na década de 1970, após vivenciar uma profunda crise econômica e de paradigmas na primeira metade dos anos 1960.[1]

Distinto das propostas estéticas e das condições de produção de estúdio estabelecidas nas gerações anteriores da chamada "era de ouro de Hollywood", embora também tivesse sido influenciado por esse, o cinema autoral da Nova Hollywood procurou se inspirar no cinema de vanguarda europeu da década de 1960 e dialogar direta ou indiretamente com contexto político de sua época, cujas temáticas principais eram a defesa da contracultura, da igualdade racial, da liberalização de costumes e do pacifismo, produzindo uma geração de cineastas libertos do controle dos grandes estúdios e com um olhar mais crítico e incisivo sobre a sociedade estadunidense.[2]

Influenciados por John Cassavetes, Robert Mulligan, Arthur Penn, Robert Aldrich, Sam Peckinpah e Don Siegel, a nova geração formada por jovens cineastas como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Peter Bogdanovich, Michael Cimino, Paul Schrader, George Lucas, Steven Spielberg e Brian De Palma ganhou notoriedade, ao assumir um protagonismo como diretores autorais e influenciar os tipos de filmes realizados, a sua produção e distribuição e seu relacionamento com os grandes estúdios.

Embora não haja consenso entre a crítica especializada sobre a periodização da Nova Hollywood [nota 1], costuma-se atribuir o ano de 1967 como o início do movimento, quando foi lançado o aclamado Bonnie e Clyde, de Arthur Penn, e o seu ocaso em 1980, com o fracassado Heaven's Gate, de Michael Cimino, que provocou a falência da United Artists.[3] Já o seu ápice teria ocorrido em 1972, quando foram lançados The Godfather e What's Up, Doc?, dois dos mais populares títulos do movimento.[4]

Notas

  1. O professor Sérgio Alpenfre organizou a seguinte lista de críticos e historiadores: para Todd Berliner, a Nova Hollywood começa em 1970 e termina em 1977; Thomas Elsaesser sugere o início em 1967 e o fim em 1975; Robin Wood delimita o período entre 1970 a 1984; Peter Biskind estabelece algo entre 1967 e 1980 (embora catalogue filmes realizados até 1982); Noel King indica uma fase entre 1967 e 1977; John Belton aponta para o início mais ou menos em 1969 e o término em meados dos anos 1980; Mark Harris considera 1967 como o ano-chave para as mudanças; Geoff King cita genericamente algo "do meio para o fim dos anos 1960 ao meio para o fim dos anos 1970"; David Cook vai de 1969 - ano de Easy Rider e Midnight Cowboy - a 1975 - ano de Jaws; e Alexander Horwath estabelece Bonnie e Clyde como a inauguração do movimento e Taxi Driver (de 1976) como fim.[3]

Referências

  1. Francis Vogner dos Reis e Paulo Santos Lima (janeiro de 2015). «Nova Hollywood (In: Easy Riders – O Cinema da Nova Hollywood (PDF). Centro Cultural Banco do Brasil. p. 7. 144 páginas. Consultado em 17 de abril de 2015 
  2. «Easy Riders – O Cinema da Nova Hollywood» (PDF). Centro Cultural Banco do Brasil. Janeiro de 2015. p. 2. 144 páginas. Consultado em 17 de abril de 2015 
  3. a b Sérgio Alpendre (janeiro de 2015). «O nascimento da Nova Hollywood (In: Easy Riders – O Cinema da Nova Hollywood (PDF). Centro Cultural Banco do Brasil. p. 69. 144 páginas. Consultado em 17 de abril de 2015 
  4. Filipe Furtado (janeiro de 2015). «Sobre cowboys solitários e mitos revisitados (In: Easy Riders – O Cinema da Nova Hollywood (PDF). Centro Cultural Banco do Brasil. p. 54. 144 páginas. Consultado em 17 de abril de 2015 
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