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A Estranha Passageira

(Redirecionado de Now, Voyager)
A Estranha Passageira
Now, Voyager
Bette Davis em cena do trailer
 Estados Unidos
1942 •  pb •  117 min 
Direção Irving Rapper
Roteiro Casey Robinson
Baseado em
  • Now, Voyager, de
  • Olive Higgins Prouty
Elenco
Género drama romântico
Música Max Steiner
Idioma língua inglesa
Página no IMDb (em inglês)

Now, Voyager (prt: A Estranha Passageira[1]; bra: A Estranha Passageira[2], ou Estranha Passageira[3]) é um filme estadunidense de 1942 do gênero drama romântico, dirigido por Irving Rapper com roteiro de Casey Robinson baseado no romance homônimo de Olive Higgins Prouty.[2]

O título original foi retirado por Prouty de um verso de Walt Whitman, do poema "The Untold Want".[carece de fontes?]

Em 2007, Now, Voyager foi selecionado para preservação pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. O filme ficou classificado em 23º entre os 100 maiores filmes românticos de uma lista da AFI.[4]

SinopseEditar

Charlotte Vale é a solteirona, pouco atraente, reprimida e acima do peso filha caçula de 30 anos de uma mãe dominadora, uma idosa aristocrata de Boston. Com as agressões verbais e emocionais da mãe, Charlotte perde totalmente a autoconfiança e sua irmã Lisa, prevendo um ataque dos nervos, chama o psiquiatra Dr. Jaquith para que esse lhe faça uma visita. Ao perceber a situação, o dr. Jaquith recrimina a mãe mas logo em seguida Charlotte entra em crise e ele recomenda a internação em seu sanatório.

Longe da mãe repressora, Charlotte se recupera. Ela deixa o sanatório e parte para um cruzeiro de navio à América do Sul. A bordo do navio, ela conhece por acaso o arquiteto casado Jeremiah Duvaux Durrance, que viaja a negócios para o Rio de Janeiro, acompanhado dos amigos Deb e Frank McIntyre. Deb conta a Charlotte sobre a vida familiar complicada de Durrance e o problema de sua filha de 12 anos, Christine ("Tina"), que não se dá bem com a mãe. Depois de um acidente automobilistico no Rio de Janeiro, causado por um motorista italiano desastrado, Charlotte perde o navio e é obrigada a ficar uns dias na cidade com Durrance e os dois se apaixonam. Depois ela pega um avião sozinha e volta ao navio que estava estacionado em Buenos Aires.

Ao retornar à Boston, Charlotte consegue se livrar da dominação da mãe mas, apesar de cortejada por um viuvo de boa família, ela não esquece Durrance. E, ao passar por uma nova crise familiar ela retorna ao sanatório do Dr. Jaquith, onde conhece Tina, internada ali pelo pai Durrance, por indicação dela.

Charlotte passa a cuidar da menina, não só porque ela a lembra de si própria, mas também como uma forma de continuar ligada ao homem por quem é apaixonada.

ElencoEditar

ProduçãoEditar

 
Cena do famoso gesto com os cigarros
  • O produtor Hal B. Wallis quando realizou Now, Voyager, teve a sua primeira produção independente da Warner Bros., firmando um novo acordo com aquele estúdio. Ele assumiu um papel ativo na produção, inclusive escolhendo o elenco.[5] As opções iniciais com um custo menor para a interpretação de Charlotte foram Irene Dunne, Norma Shearer e Ginger Rogers.[6] Contudo, quando Bette Davis soube do projeto, ela insistiu e conseguiu o papel. Mais do que em qualquer outro filme anterior, Davis esteve totalmente absorvida pela personagem, não apenas lendo o livro original mas também cuidando de detalhes tais como as roupas que usaria. Conversando com o designer Orry-Kelly, ela escolheu o feio vestido de Charlotte usado no início do filme, contrastando com as criações de moda "atemporal" que vestiu nas cenas da viagem e que marcaram a "transformação" da personagem em uma mulher sofisticada.[6]
  • Davis também interferiu na escolha do protagonista masculino. Ela não gostou das roupas do primeiro teste usada pelo ator austríaco Paul Henreid; achava que seu cabelo penteado para trás o fazia parecer um gigolo [7] com um visual de "Rodolfo Valentino". Henreid também estava desconfortável com o cabelo com brilhantina e quando Davis insistiu em outro teste com um penteado mais natural, ele finalmente foi aceito.[8]
  • A produção inicial da novela de Prouty previa cenas na Europa, o que não foi possivel devido a Segunda Guerra Mundial. O autor insistia que a Itália deveria ser o principal cenário da viagem da protagonista.[6] As locações foram feitas nos arredores da Califórnia, incluindo a Floresta Nacional de San Bernardino. As cenas europeias acabaram sendo substituídas por filmagens no Brasil (em destaque as do Pão de Açúcar e Cristo Redentor).[8]
  • Davis havia trabalhado antes com o diretor Irving Rapper, quando ele era diretor de diálogos e a gratidão dele pelo apoio da atriz contribuiu para que ela controlasse o filme.[5] Apesar de procurar ser conciliatório, os atrasos na produção pelas interferências da atriz o faziam com que "voltasse ao lar toda a noite furioso e exausto".[8] As críticas contudo, foram benéficas ao desempenho de Davis, com reconhecimento ao auge da sua forma.[6]
  • Por anos, Davis e Paul Henreid disputaram de quem seria a autoria do famoso gesto de Jerry, de ascender dois cigarros e passar um para Charlotte. Henreid dizia que esse hábito ele já tinha com sua esposa, mas os rascunhos do roteiro de Casey Robinson, arquivados na Universidade do Sul da Califórnia, indicam que isso estava ali previsto.[10] A cena permaneceu como uma "marca registrada" de Davis que mais tarde a assumiu como um gesto "seu".[11]

PremiaçãoEditar

  • Oscar de melhor atriz (Bette Davis, indicada)
  • Oscar de melhor atriz coadjuvante (Gladys Cooper, indicada)
  • Oscar de Melhor Trilha Sonora Original (Max Steiner, ganhador)

BibliografiaEditar

  • Davis, Bette, with Herskowitz, Michael, This 'N That. Nova York: G.P Putnam's Sons 1987. ISBN 0-399-13246-5
  • Leaming, Barbara, Bette Davis: A Biography. Nova York: Simon & Schuster 1992. ISBN 0-671-70955-0
  • Higham, Charles, Bette: The Life of Bette Davis. Nova York: Dell Publishing 1981. ISBN 0-440-10662-1
  • Moseley, Roy, Bette Davis: An Intimate Memoir. Nova York: Donald I. Fine 1990. ISBN 1-55611-218-1
  • Quirk, Lawrence J., Fasten Your Seat Belts: The Passionate Life of Bette Davis. Nova York: William Morrow and Company 1990. ISBN 0-688-08427-3
  • Schneider, Steven Jay, 1001 Movies You Must See Before You Die. Hauppauge, Nova York: Barron's Educational Series 2005. ISBN 0-76415-907-0
  • Spada, James, More Than a Woman: An Intimate Biography of Bette Davis. Nova York: Bantam Books 1993. ISBN 0-553-09512-9


Referências

  1. A Estranha Passageira (em português) no CineCartaz (Portugal)
  2. a b A Estranha Passageira no CinePlayers (Brasil)
  3. Estranha Passageira (em português) no AdoroCinema (Brasil)
  4. Schneider, p. 183
  5. a b Leaming, pags. 204-205
  6. a b c d Higham, pags. 159-167
  7. Quirk, p. 248
  8. a b c Spada, pp. 189-190
  9. Davis and Herskowitz, p. 26
  10. Now, Voyager at Turner Classic Movies
  11. Moseley, p. 70
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