O Leste é Vermelho (canção)

Disambig grey.svg Nota: Não confundir com O Leste é Vermelho (filme).

"O Leste é Vermelho" (chinês tradicional: 東方紅, chinês simplificado: 东方红, pinyin: Dōngfāng Hóng) é uma canção revolucionária chinesa que foi o hino nacional de facto da República Popular da China durante o período da Grande Revolução Cultural Proletária na década de 1960. A letra da música foi atribuída a Li Youyuan (chinês: 李有源), um fazendeiro do norte de Xianxim, e a melodia foi derivada de uma canção folclórica local. Li supostamente teve sua inspiração ao ver o sol nascer na manhã de um dia ensolarado.

Letra da músicaEditar

Versão comunistaEditar

 
Chinês simplificado Chinês tradicional Pinyin Português
东方红,太阳升,

中国出了个毛泽东。

他为人民谋幸福,

呼尔嗨哟,他是人民大救星!

毛主席,爱人民,

他是我们的带路人,

为了建设新中国,

呼尔嗨哟,领导我们向前进!

共产党,像太阳,

照到哪里哪里亮。

哪里有了共产党,

呼尔嗨哟,哪里人民得解放!

東方紅,太陽升。

中國出了個毛澤東。

他為人民謀幸福,

呼爾嗨喲,他是人民大救星!

毛主席,愛人民,

他是我們的帶路人,

為了建設新中國,

呼爾嗨喲,領導我們向前進!

共產黨,像太陽,

照到哪裡哪裡亮,

哪裡有了共產黨,

呼爾嗨喲,哪裡人民得解放!

Dōngfāng hóng, tàiyáng shēng,

Zhōngguó chū liǎo ge Máo Zédōng,

Tā wèi rénmín móu xìngfú,

Hū'ěr-hai-yo, tā shì rénmín dà jiùxīng!

(repetir as últimas duas linhas)


Máo zhǔxí, ài rénmín,

Tā shì wǒmen de dàilùrén

Wèi liǎo jiànshè xīn Zhōngguó,

Hū’ěr-hāi-yo, lǐngdǎo wǒmen xiàng qiánjìn!

(repetir as últimas duas linhas)


Gòngchǎndǎng, xiàng tàiyáng,

Zhàodào nǎlǐ nǎlǐ liàng,

Nǎlǐ yǒu liǎo Gòngchǎndǎng,

Hū‘ěr-hāi-yo, nǎlǐ rénmín dé jiěfàng!(repetir as últimas duas linhas)

(repetir o primeiro verso)

O Leste está Vermelho, o sol está nascendo.
Da China, vem Mao Zedong.
Ele luta pela felicidade do povo,
Viva! Ele é o grande salvador do povo!
(repetir as últimas duas linhas)

O Presidente Mao ama o povo,
Ele é nosso guia
Para construir uma Nova China
Viva! Nos guia adiante!
(repetir as últimas duas linhas)

O Partido Comunista é como o sol,
Onde quer que ele brilhe, é resplandecente
Onde quer que o Partido Comunista esteja
Viva! O povo é libertado!
(repetir as últimas duas linhas) (repetir o primeiro verso)

Versão originalEditar

Simplificado Tradicional Pinyin Português
芝麻油,白菜心,
要吃豆角嘛抽筋筋。
三天不见想死个人,
呼儿嗨哟,
哎呀我的三哥哥
芝麻油,白菜心,
要吃豆角嘛抽筋筋。
三天不見想死個人,
呼兒嗨喲,
哎呀我的三哥哥。
Zhīmayóu, báicài xīn,
Yào chī dòujiǎo ma chōu jīnjīn.
Sān tiān bùjiàn xiǎng sǐ gèrén,
Hū er hāi yō,
Āiyā wǒ de sān gēgē.
Óleo de gergelim, corações de repolho,
Quer comer vagem, quebrar as pontas,
Fico realmente apaixonado se eu não te ver por três dias,
Hu-er-hai-yo,
Ó querido, meu terceiro irmão.

HistóriaEditar

Guerra Civil ChinesaEditar

A letra de "O Leste é Vermelho" foi adaptada de uma antigacanção folclórica de Xianxim que falava sobre o amor. As letras da canção eram frequentemente alteradas dependendo do cantor.[1] As letras modernas foram produzidas em 1942, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, e são atribuídas a um fazendeiro que vivia no norte de Xianxim, Li Youyuan. É possível que tenha havido uma versão anterior que homenageava Liu Zhidan, um herói comunista local, morto em Xianxim em 1936. Mais tarde, o nome de Mao Zedong substituiu o de Liu na letra.[2] A música era bastante popular na área da base comunista de Yan'an, mas perdeu sua popularidade após o Partido Comunista da China se consagrar vitorioso na Guerra Civil Chinesa e estabelecer a República Popular da China em 1949. Essa diminuição de sua popularidade possivelmente se deu porque alguns importantes líderes do Partido discordavam de sua representação de Mao como sendo o "salvador da China".[3]

China maoístaEditar

A letra de "O Leste é Vermelho" idealiza Mao Zedong, e a representação de Mao na música foi um de seus primeiros esforços para promover sua imagem como um herói perfeito na cultura popular chinesa após a Guerra da Coreia. Em 1956, um comissário político sugeriu ao então Ministro da Defesa da China, Peng Dehuai, que a música fosse ensinada às tropas chinesas, mas Peng se opôs à propaganda de Mao alegando que "Isso é um culto à personalidade! Isso é idealismo! " A oposição de Peng a "O Leste é Vermelho" e ao incipiente culto à personalidade de Mao em geral contribuíram para que Mao o expurgasse em 1959. Após Peng ser expurgado, Mao acelerou os esforços para construir seu culto à personalidade e, em 1966, obteve sucesso em ter "O Leste é Vermelho" cantada de forma não oficial no lugar do hino nacional da China.[4]

Em 1964, Zhou Enlai usou "O Leste é Vermelho" como o coro central de uma peça que ele havia criado para promover o culto à personalidade de Mao, com "Marchar Adiante sob a Bandeira do Pensamento Mao Zedong" como título original. Zhou também foi coprodutor, redator principal e diretor da peça. O tema central da peça falava sobre Mao ser a única pessoa capaz de liderar o Partido Comunista da China à vitória. A peça foi encenada por 2.000 artistas e acompanhada por um coro e orquestra de 1.000 pessoas. Foi encenada diversas vezes em Pequim, no Grande Salão do Povo, a fim de garantir que todos os residentes pudessem vê-la a tempo para o 15º Dia Nacional da República Popular da China. Mais tarde foi adaptada para um filme que foi exibido em todo o país também com o título "O Leste é Vermelho".[5] Foi nesta peça que se ouviu pela primeira vez a versão definitiva da canção, versão esta que seria utilizada nos eventos durante os anos da Revolução Cultural até o ano de 1969.

Durante a Revolução Cultural (1966-1976), Tian Han, o autor do hino nacional oficial da China, "A Marcha dos Voluntários", foi expurgado, então sua música raramente era usada. "O Leste é Vermelho" foi usada como o hino nacional não oficial da China nessa época.[3] A música era tocada nos sistemas de comunicação pública em cidades e vilas por toda a China ao amanhecer e ao anoitecer.[6] A Casa da Alfândega de Xangai no Bund ainda a reproduz no lugar dos Quartos de Westminster que eram originalmente tocados pelos britânicos, e a Estação de Transmissão Popular Central começa todos os dias tocando a canção em um conjunto de sinos de bronze construídos mais de 2.000 anos atrás, durante o período dos Reinos Combatentes. As transmissões de rádio e televisão em todo o país geralmente começavam com "O Leste é Vermelho" pela manhã ou no início da noite e terminavam com a canção comunista " A Internacional".

Alguns argumentam que a letra dessas duas canções cria um paradoxo: "O Leste é Vermelho" elogia Mao como sendo um "grande salvador do povo", enquanto que "A Internacional" declara que "não há salvadores supremos".[7]

Os alunos eram deviam cantar a música em uníssono todas as manhãs no início da primeira aula do dia. Em 1969, a melodia foi usada no "Concerto para Piano do Rio Amarelo". O Concerto foi produzido por Jiang Qing e adaptado da "Cantata do Rio Amarelo" de Xian Xinghai. Quando adaptou a Cantata, Jiang acrescentou a melodia de "O Leste é Vermelho" para conectar o Concerto com os temas da Revolução Cultural.[8] Depois que a China lançou seu primeiro satélite, em 1970, "O Leste é Vermelho" foi o primeiro sinal que a nave enviou de volta à Terra.[6]

Seu lugar como hino nacional não oficial foi encerrado nesse mesmo ano. Em comemoração ao 21º aniversário da fundação da República Popular da China, a "Marcha dos Voluntários" voltou a ser tocada, ainda que apenas na sua versão instrumental, em todos os eventos oficiais nacionais.

China modernaEditar

"O Leste é Vermelho" sendo tocada no Edifício de Telégrafo de Pequim

Por causa de suas associações com a Revolução Cultural, a música raramente foi ouvida após a ascensão de Deng Xiaoping no final dos anos 1970. Hoje a canção é considerada por alguns como um lembrete um tanto impróprio do culto à personalidade associado a Mao. Seu uso oficial foi amplamente substituído pela "Marcha dos Voluntários", cujas letras não mencionam nem o Partido Comunista nem Mao. "O Leste é Vermelho" também é comumente ouvida em gravações tocadas em aparelhos eletrônicos bastante populares entre os turistas.[9]

A melodia da canção continua sendo popular na cultura popular chinesa. Em 2009, foi eleita como a canção patriótica mais popular em uma pesquisa do governo chinês feita pela internet.[6] Tem sido usada como a melodia dos sinos de importantes relógios, como na Estação Ferroviária de Pequim, Edifício Telegráfico de Pequim, Torre do Tambor de Xiam e em prédios históricos de Xangai.

Algumas estações de rádio na China usam a música como um sinal de intervalo, incluindo a Rádio Internacional da China e a Estação de Rádio Popular de Xinjiang.

Ver tambémEditar

Referências

  1. "Transformation of a Love Song", http://www.morningsun.org/east/song.swf, accessed 2010-09-19
  2. Sun, Shuyun (2006). The Long March: The True History of Communist China's Founding Myth. [S.l.: s.n.] ISBN 9780385520249 
  3. a b Kraus, Curt. Pianos and Politics in China: Middle-Class Ambitions and the Struggle over Western Music . New York: Oxford University Press, 1989. Retrieved June 28, 2014.
  4. Domes, Jurgen. Peng Te-huai: The Man and the Image, London: C. Hurst & Company. 1985. ISBN 0-905838-99-8. p. 72
  5. Barnouin, Barbara, and Yu Changgan. Zhou Enlai: A Political Life. Hong Kong: Chinese University of Hong Kong, 2006. ISBN 962-996-280-2. p.217. Retrieved June 28, 2014.
  6. a b c Foster, Peter. "East is Red is the siren song of China's new generation". The Telegraph. May 10, 2009. Retrieved June 28, 2014.
  7. 戴晴:《东方红》始末.
  8. Charlton, Alan. "Xian Xinghai Yellow River Piano Concerto". June 2012. Retrieved June 28, 2014.
  9. "Embalming Mao", http://www.theage.com.au/articles/2004/10/22/1098316847424.html, accessed 2008-05-04

Ligações externasEditar

NotasEditar