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O Marajá é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Manchete que estrearia em 26 de julho de 1993, porém teve sua exibição proibida pela justiça em decorrência de uma ação movida pelo ex-presidente Fernando Collor. Escrita por José Louzeiro, Regina Braga, Eloy Santos e Alexandre Lydia, com direção de Marcos Schechtman.

SinopseEditar

A trama conta a vida de Fernando Collor de Mello enquanto presidente do Brasil, em uma sátira que mostra o protagonista, Elle, um presidente de um país fictício que arma um esquema para se manter no poder por trinta anos. Apesar da história, que é contada por um repentista, uma fofoqueira e um narrador, ser centrada em Elle, a protagonista da novela é a jornalista Mariana, que acompanha de perto todos os bastidores do poder.

ProduçãoEditar

A novela começou a ser produzida após a saída de Collor do poder, no final de 1992. Na época em que foi produzida, Collor não havia sido julgado e seria absolvido em 2014, por falta de provas.[1] Além disso, a Rede Manchete apostava na produção como uma forma de sair da crise, já que Adolpho Bloch retomou o controle da emissora, após a fracassada venda para o Grupo IBF, pertencente ao empresário Hamilton Lucas de Oliveira. De acordo com um dos autores da novela, José Louzeiro, a novela trazia um "conceito revolucionário" ao misturar jornalismo com teledramaturgia: "Apresentávamos uma cena inacreditável e depois provávamos a veracidade com um depoimento”, disse Louzeiro na época.[2]

A novela teve suas filmagens com apenas uma câmera e reaproveitava vários figurinos e cenários de outras produções da emissora. Um automóvel Mercedes-Benz, modelo de 1975, pertencente a Adolpho Bloch, foi emprestado para ser usado como o carro de um assessor do presidente.[3] Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a produção foi considerada como uma produção "digna de TV artesanal".[4] Dos 80 capítulos previstos, 15 já estavam gravados e cinco já estavam editados para ir ao ar.[5] Prevendo que haveria processos por parte de Collor, Adolpho Bloch, o proprietário e presidente da emissora, contratou uma advogada para auxiliar os autores da novela, na tarefa de escrever a história, evitando complicações com a Justiça, fazendo com que os nomes dos personagens fossem alterados mas, aludindo aos fatos reais.[6]

ProibiçãoEditar

A Rede Manchete começou a divulgar a novela, em chamadas veiculadas ao longo de sua programação, quando o ex-presidente Fernando Collor de Mello sentiu-se ofendido e entrou com um recurso na justiça para impedir a estreia, alegando que sua honra seria arranhada pela trama que iria ao ar e que "havia risco de danos irreparáveis". Após vários meses e uma disputa de liminares, uma decisão judicial favoreceu o então presidente cassado por impeachment e a novela foi proibida de ir ao ar. A decisão judicial saiu no sábado, 24 de julho, mas a emissora só foi informada ás 18h do dia da estreia.[7]

Os advogados do canal tentaram cassar a liminar para tentar exibir a novela, e o Jornal da Manchete chegou a ser prolongado por mais 20 minutos de seu horário habitual, mas não tiveram sucesso. Com isso, uma minissérie , A Chave para Rebeca, foi ao ar no horário em que O Marajá seria exibida. Caso fosse liberada, O Marajá só poderia ir ao ar depois do julgamento da ação judicial, o que demoraria mais de 60 dias.[8]

No início de 1994, a novela teve a exibição liberada pela Justiça, mas com cortes. Porém, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a novela foi vetada por Adolpho Bloch antes da ação chegar ao Supremo Tribunal Federal, por receio de entrar em mais disputas com a família Collor.[9] Em 2 de maio de 1999, a Folha de S.Paulo veiculou uma matéria alegando que as fitas da novela foram escondidas de tal modo que nunca mais soube-se do seu paradeiro, principalmente após a morte de Adolpho Bloch.[10][11] O ex-diretor da Rede Manchete, Fernando Barbosa Lima, afirma que o próprio Adolpho Bloch decidiu guardar as fitas, com medo de que fossem roubadas, e a Manchete, prejudicada.[12]

ElencoEditar

Ligações externasEditar

Referências