O Primeiro de Janeiro

O Primeiro de Janeiro foi um jornal diário que se publicou na cidade do Porto pela primeira vez em 1 de Dezembro de 1868. A publicação deve o seu título às manifestações da Janeirinha, que em 1 de Janeiro de 1868 iniciaram o processo que levou ao fim da Regeneração. No cabeçalho indicava tratar-se do órgão do Centro Eleitoral Portuense.

O Primeiro de Janeiro
O Primeiro de Janeiro.jpg
Periodicidade Diário
Sede Rua de Santa Catarina, 489, 4000-452 Porto
País Portugal
Fundação 1 de janeiro de 1868
Fundador(es) António Augusto Leal
Idioma Português
Término de publicação 2015 (em versão impressa)

HistóriaEditar

António Augusto Leal era proprietário de uma tipografia, tendo decidido criar um novo jornal na cidade do Porto. O jornal não teve grande sucesso na altura, apenas sobrevivendo com o auxílio de um comerciante regressado do Brasil, Gaspar Baltar, o qual, em 1869 se tornou administrador daquela publicação, ficando o seu filho homónimo com a direcção editorial. Com uma visão empresarial mais moderna e uma preocupação de realizar bom jornalismo, pai e filho não apenas salvaram o jornal, como o mesmo se tornou numa referência no sector.

Em 1870 dá-se o grande salto, passando a dispor de boas instalações na rua de Santa Catarina. Com o deflagrar da Guerra Franco-Prussiana em 1870 o Primeiro de Janeiro consegue o seu primeiro grande sucesso, ao aceitar um proposta de receber os telegramas de correspondentes alemães. É que a concorrência, de tendência afrancesada, recusou tal ideia e apenas transmitia informações, muito controladas, por parte dos franceses. Assim, quando os alemães entraram em Paris foi uma surpresa para os leitores dos outros jornais, enquanto os de O Primeiro de Janeiro acompanhavam muito mais realisticamente o desenrolar da guerra. Com esse prestígio a tiragem passou de 3 mil exemplares em 1870 para 15 mil no final da mesma década.

Contou entre os seus colaboradores dos mais prestigiados intelectuais da época: Camilo Castelo Branco, Alberto Pimentel, Guilherme de Azevedo, Guerra Junqueiro, Latino Coelho, Ramalho Ortigão, Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Gomes Leal ou António Nobre.

Com a morte de Gaspar Baltar (pai) em 1899, o seu filho, juntamente com Joaquim França de Oliveira Pacheco dão continuidade ao jornal, até que em 1919, fruto de dificuldades financeiras, o jornal é vendido a um grupo de investidores de Lisboa, passando a ter jornalista Jorge de Abreu vindo de O Século como novo director.

Em 1923 é novamente adquirido por um conjunto de empresários, liderados por Manuel Pinto de Azevedo e Adriano Pimenta. Manuel Pinto de Azevedo Júnior, assume a direcção do jornal em 1936, dirigindo-o nos 40 anos seguintes, tornando-o numa referência nacional. A aposta que fez no noticiário internacional (único jornal a abrir com tal secção), bem como o pendor fortemente favorável aos Aliados durante a II Guerra mundial granjearam-lhe grande prestígio e popularidade.

Com a morte de Manuel Pinto de Azevedo Junior em 1978 o jornal entra numa espiral de instabilidade a nível de direcção, perda de leitores e publicidade, passando em 1991 a jornal de cariz regional sob a direcção de Nassalete Miranda.

Em 30 de Julho de 2008, os cerca de 30 jornalistas da redacção do jornal foram informados de que o título encerraria em Agosto para uma reformulação gráfica, voltando em Setembro numa nova empresa.

Em editorial, a directora Nassalete Miranda anunciou a interrupção da sua publicação pelo período de uma semana.

No dia 3 de Agosto de 2008 surge novamente nas bancas com um novo director, Rui Alas Pereira (jornalista que assim passou a dirigir para além do jornal "O Primeiro de Janeiro", o jornal Motor e o jornal "O Norte Desportivo"), tendo fechado definitivamente sete anos depois, em 2015.

DirectoresEditar

  • Até 25 de Abril de 1907: Gaspar Baltar e Joaquim França de Oliveira Pacheco;
  • De 26 de Abril de 1907 a 15 de Outubro de 1910: Tomás Garcia;
  • De 30 de Outubro de 1910 a 29 de Junho de 1919: Gaspar Baltar e Joaquim França de Oliveira Pacheco;
  • De 1 de Julho a 11 de Setembro de 1919: Gaspar Baltar;
  • De 2 de Outubro de 1919 a 14 de Abril de 1923: Jorge de Abreu;
  • De 15 de Abril de 1923 a 12 de Dezembro de 1926: Adriano Gomes Pimenta;
  • De 1 de Janeiro de 1917 a 10 de Junho de 1932: Jorge de Abreu e Armando Manuel Marques Guedes;
  • De 11 de Junho de 1932 a 4 de Julho de 1936: Armando Manuel Marques Guedes;
  • De 19 de Junho de 1937 a 25 de Novembro de 1976: Manuel Pinto de Azevedo Júnior;
  • De 26 de Novembro de 1976 a 27 de Setembro de 1978: Alberto Uva;
  • De 28 de Setembro de 1978 a 1 de Abril de 1981: António Freitas Cruz;
  • De 16 de Junho de 1981 a 23 de Maio de 1984: Pedro Feytor Pinto;
  • De 5 de Maio de 1985 a 14 de Junho de 1986: Alberto Carvalho;
  • De 15 de Junho de 1986 a 25 de Novembro de 1987: Agustina Bessa Luís;
  • De 26 de Novembro de 1987 a 1 de Dezembro de 1991: José Manuel Barroso;
  • De 3 de Agosto de 1992 a 7 de Fevereiro de 1995: Miguel Ângelo Pinto;
  • De 23 de Maio a 24 de Novembro de 1995: Fernando Santos;
  • De 1 de Janeiro de 1996 a 2 de Junho de 2000: Carlos Moura;
  • De 3 de Junho de 2000 a 30 de Julho de 2008: Nassalete Miranda;
  • De 3 de Agosto de 2008: Rui Alas Pereira

Cadernos e suplementosEditar

«O Primeiro de Janeiro» teve os seguintes sete cadernos:

  • «O Primeiro de Janeiro»;
  • «O Primeiro de Janeiro Regiões»;
  • «O Primeiro de Janeiro Dossier»;
  • «O Primeiro de Janeiro Empresas de Sucesso»;
  • «O Janeirinho» (caderno infantil);
  • «Das Artes Das Letras» (caderno de literatura);
  • «Justiça e Cidadania» (caderno de direitos);
  • «Se7e» (cinematografia).

O caderno «O Primeiro de Janeiro Regiões» estava dividido pelas seguintes edições semanais:

  • «O Primeiro de Janeiro Concelho do Porto»;
  • «O Primeiro de Janeiro Concelho de Vila Nova de Gaia»;
  • «O Primeiro de Janeiro Concelho de Matosinhos»;
  • «O Primeiro de Janeiro Concelho de Vila do Conde»;
  • «O Primeiro de Janeiro Concelhos Entre Douro e Vouga» (excluem-se os municípios portugueses de Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos e Vila do Conde).

Ligações externasEditar