Abrir menu principal

O Trabalho é o um dos mais antigos jornais da imprensa operária ainda em circulação no Brasil. É o órgão de imprensa da corrente O Trabalho do PT e da Seção Brasileira da Quarta Internacional, formada por militantes trotskistas que rejeitaram a política do "entrismo sui generis" aplicada por Michel Pablo a partir de 1953 nas seções da IV Internacional.[1][2]

Índice

AntecedentesEditar

No final dos anos 70, várias organizações que reivindicavam o legado trotskismo no Brasil uniram-se ao Comitê Internacional pela Reconstrução da Quarta Internacional - CORQUI, que tinha como um de seus principais dirigentes Pierre Lambert. Da unificação desses grupos surgiu a Organização Socialista Internacionalista - OSI, que em 1981 ingressou no Partido dos Trabalhadores. A Organização Socialista Internacionalista - OSI então tornou-se uma corrente interna ao PT, adotando o nome do seu periódico, O Trabalho[2].

O jornal circulou pela primeira vez no dia 1º de maio de 1978, durante o período da ditadura militar brasileira. Grande parte de seu relativo prestígio na esquerda brasileira dava-se por suas ligações com a corrente estudantil "Liberdade e Luta", conhecida como "Libelu", que ficou muito conhecida por ser uma das primeiras organizações a levantar a palavra de ordem "Abaixo a Ditadura"[2].

Durante a Ditadura Militar o jornal foi perseguido pelo Serviço Nacional de Informações por seu posicionamento anti-racista[3].

Unificação com a Convergência SocialistaEditar

No início dos anos 80, logo depois que a OSI ingressou no PT (após um curto período de vacilação), houve uma tentativa frustrada de unificação com a Convergência Socialista, atualmente PSTU. O fracasso dessa tentativa é até hoje motivo de polêmica entre os dois grupos; os "morenistas" (como se intitulam os membros do PSTU) afirmam que a organização francesa ligada a O Trabalho (OCI), havia "capitulado" ao recém eleito governo de François Mitterrand na França, da coalizão PS/PCF. Já os partidários de Pierre Lambert negam qualquer "capitulação", afirmando que os "morenistas" têm uma compreensão equivocada da política de Frente Única, elaborada por Lênin e Trotsky no terceiro Congresso da Internacional Comunista[4]. Essas diferenças afastaram os dois grupos até os dias de hoje, como expressam a permanência de O Trabalho na Central Única dos Trabalhadores e no Partido dos Trabalhadores e a criação da CONLUTAS pelo PSTU.

Dissolução no Partido dos TrabalhadoresEditar

Em 1986 uma forte crise atingiu O Trabalho. A maioria de sua direção à época, que tinha como seu principal expoente Luis Favre (político franco-argentino que permanece no PT), contrariando as orientações internacionais, decidiu se dissolver no interior da tendência Articulação do PT (da qual faziam parte Lula, José Dirceu e as principais lideranças do PT e da CUT) e não mais editar o jornal. Um importante grupo, particularmente em São Paulo, conseguiu manter a continuidade do jornal e da organização, que perdeu muitos militantes[4].

Arquivo históricoEditar

Parte do arquivo histórico do grupo encontra-se disponível para pesquisa no Centro Sérgio Buarque de Holanda da Fundação Perseu Abramo.

Ver tambémEditar

Referências

  1. O Trabalho do PT, seção brasileira da 4ª Internacional - PT-DF
  2. a b c O Trabalho (OT) - Corrente Interna do Partido dos Trabalhadores - Revista Espaço Acadêmico
  3. Carlos Madeiro. «Repressão aos negros: Documentos mostram como a ditadura espionou movimento contra o racismo, com agentes infiltrados e perseguições». UOL Notícias. Consultado em 31 de março de 2019 
  4. a b DA SILVA, Antônio Ozaí. História das tendéncias no Brasil: origens, cisões e propostas. Proposta Editorial. São Paulo, 1986.

Ligações externasEditar

  Este artigo sobre meios de comunicação é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.