Ode Triunfal

Poema de Álvaro de Campos

Ode Triunfal é um poema escrito por Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa.

Análise do poemaEditar

Recordemos, em primeiro lugar, que foi com esta “ode” (canto de louvor) que “nasceu” Álvaro de Campos, poeta futurista/sensacionista. Ou seja: um Campos entusiasta do seu tempo, da modernidade, discípulo confesso de Walt Whitman e Caeiro.

A “Ode Triunfal” está escrita em verso livre e amplo (num total de 240 versos) e num estilo profundamente inovador – ao contrário do que sucederia no “Opiário” (fase decadentista) – marcado pela: grandiloquência (visível, nomeadamente, nas exclamações e interjeições), exaltação épica ( Eia! Há-lá! ), ritmo esfuziante, torrencial; anáforas, apóstrofes repetidas, enumerações, exclamações, interjeições, onomatopeias (verso 24), neologismos (ferreando), fonemas substantivados (verso 5), estrangeirismos, grafismos inovadores, frases nominais e infinitivas, oximoros; misturas semânticas ousadas: máquinas/ filósofos/ termos técnicos/ referências míticas; expressões populares/ expressões eruditas.

EstruturaEditar

Podemos considerar nesta ode três momentos:

1. Introdução (vv. 1 – 4)

Marcada pela vontade de “cantar”, mas confessadamente em situação de “não canto” – “tenho febre e escrevo”.

2. Desenvolvimento (vv. 5 – 238)

Marcado pela busca de identificação com tudo – máquinas, pessoas, tempos; abertura para o exterior e anulação do Eu pelo excesso das sensações; cosmopolitismo – cidade, luzes, modernidade, Europa; canto de todas as actividades contemporâneas – comércio, indústria, agricultura, política, imprensa, bordéis, gente reles; à mistura com uma vontade de identificação com o moderno que vai até à perversão sexual (vv. 72, 86-108 e 116-117). Este canto de triunfo vai em crescendo até ao final, mas com “quebras”: referência a escândalos e à corrupção (coexistentes com a modernidade exaltada) e, sobretudo, o discurso parentético dos versos 182 a 190, com a evocação nostálgica da infância e do mundo rural em desapropriação. Estas quebras, à mistura com a referência à febre, do primeiro verso, ao canto também do Passado (vv. 17-22) e à impotência manifestada na Conclusão, afastam o poema dos preceitos estritos do Futurismo à Marinetti.

3. Conclusão (o último verso)

Um verso de conclusão, espécie de “finda”: “Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!” – que representa uma confissão de fracasso e um retorno ao ponto inicial, à febre.»

Ligações internasEditar