Olímpio Mourão Filho

militar brasileiro

Olímpio Mourão Filho (Diamantina, 9 de maio de 1900 - Rio de Janeiro, 28 de maio de 1972) foi um militar brasileiro conhecido como o autor do Plano Cohen, documento utilizado para justificar o golpe do Estado Novo em 1937, e o precipitador do golpe de Estado de 1964.[1][2][3][4][5] Atingiu a patente de general-de-exército.

Olímpio Mourão Filho
Nascimento 9 de maio de 1900
Diamantina, Minas Gerais
Morte 28 de maio de 1972 (72 anos)
Rio de Janeiro, Guanabara
Nacionalidade brasileira
Progenitores Mãe: Mariana Correia Rabelo Mourão
Pai: Olímpio Júlio de Oliveira Mourão
Cônjuge Almira Linhares Mourão v. 1955), Maria Tavares Bastos
Educação
Profissão militar
Filiação
Serviço militar
Serviço Coat of arms of the Brazilian Army.svgExército Brasileiro
Anos de serviço 19211964[nota 1]
Patente General do Exército.gif General de exército
Comando
Conflitos

Enquanto chefe do serviço secreto da Ação Integralista Brasileira, redigiu sob ordem de Plínio Salgado o roteiro de uma tomada de poder pelos comunistas. Nas mãos do governo, o texto foi divulgado e falsamente atribuído à Internacional Comunista como plano real de insurreição, justificando então a adoção de poderes ditatoriais por Getúlio Vargas. As acusações de ter servido à implantação da ditadura pesaram nos anos seguintes,[6] mas foi absolvido num Conselho de Justificação do Exército em 1955.

Serviu na logística da Força Expedicionária Brasileira e trabalhou nas telecomunicações no governo de Juscelino Kubitschek. Após defender a posse de João Goulart em 1961,[7] conspirou nos anos seguintes pela sua derrubada, que concretizou ao, antes da data prevista pelos outros conspiradores, deslocar sua 4.ª Região Militar, dando início ao golpe.[8][9] Escanteado das posições de poder pelos demais golpistas,[10][11] terminou a carreira presidindo o Superior Tribunal Militar.

Vida pessoalEditar

Filho de Olímpio Júlio de Oliveira Mourão, deputado e senador estadual, e Mariana Correia Rebelo Mourão, professora catedrática da Escola Normal de Diamantina, cursou o Colégio Diocesano da cidade até ser expulso. Abandonou o estudo da engenharia em Belo Horizonte para se matricular na Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro em abril de 1918.

Teve duas filhas com Almira Linhares Mourão, falecida em 6 de julho de 1955[12], e depois se casou com Maria Tavares Bastos, com quem teve três filhos.

Seu hábito de fumar o cachimbo refletiu no nome da Operação Popeye.[13]

Sua filha Laurita Mourão (nascida em 1926)[14] trabalhou no Ministério das Relações Exteriores e publicou vários livros, entre eles Mourão, o General do Pijama Vermelho (2002) sobre o pai. Chama-o de incompreendido em 1937 ("serviu de bode expiatório e foi enganado") e 1964 ("nunca foi a favor do fechamento do Congresso").[2]

Carreira político-militarEditar

Anos 20 e 30Editar

Na Escola Militar era da "turma da alfafa", a mesma de Castelo Branco, Costa e Silva, Amaury Kruel, Octacílio Terra Ururahy e Macedo Soares. Em 1963 chamou-a de "cursinho para débeis mentais" – todos, inclusive os reprovados, passaram ao segundo período para preencher as vagas tornadas ociosas pela gripe espanhola, e as matérias difíceis foram retiradas pelo Congresso – e notou que produziu um número de Ministros da Guerra, interventores e outros ilustres. Ao terceiro ano foi o oitavo classificado de 98 cadetes de infantaria.[15][16][17] Em abril de 1921 era aspirante-a-oficial, em maio segundo-tenente, em setembro primeiro-tenente, em 1931 capitão e em 1937 major. Até 1936 seu desempenho foi elogiado por seus superiores e mesmo pelo próprio Ministro da Guerra.

Enquanto servia no 14º Batalhão de Caçadores de Florianópolis combateu os rebeldes que se apossaram de São Paulo na Revolução de 1924. Cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e a Escola de Estado-Maior, necessária à ascensão de carreira, dado o esforço em curso de qualificação da oficialidade. Em seguida estagiou no Estado-Maior da 1ª Região Militar. Enquanto cursava a EEM no Rio tomou o partido da Aliança Liberal e dos revolucionários de 1930, participando da conspiração que lançou o golpe de 24 de outubro na capital. A junta militar resultante enviou Mourão a Minas Gerais para avisar seu Presidente Olegário Maciel da transferência do poder a Getúlio Vargas.

Provavelmente nesse período assumiu seu lado político, adormecido em 1924; em 1932 esteve novamente do lado de Vargas, combatendo a Revolução Constitucionalista desde 19 de julho no Vale do Paraíba. Como recompensa foi até 1936 comissário de ligação entre os Ministérios da Guerra e da Viação na Estrada de Ferro Central do Brasil. Era um cargo de caráter mais civil e ampliou seus contatos na sociedade.[18][9]

IntegralismoEditar

 
A milícia: Mourão chefiava o Estado-Maior

MilitânciaEditar

Motivado menos pela doutrina e mais pelo sentimento contra o comunismo,[19] que via infiltrado no Exército desde Santa Catarina, em 1932 entrou na Ação Integralista Brasileira. No ano seguinte fez propaganda do movimento em Minas Gerais junto a Plínio Salgado, Olbiano de Melo e Gustavo Barroso. Este último tornou-se em 1934 chefe do departamento nacional da milícia, na qual Mourão foi chefe de Estado-Maior, organizando-a em moldes militares com seu conhecimento da EEM. Em Santa Catarina (retornou ao 14º BC como subcomandante, de 1936 a abril de 1937) teve contato com muitos integralistas – 39 dos 43 municípios tinham um núcleo. Em 1937 entrou na Câmara dos Quatrocentos, órgão consultivo da chefia nacional da AIB.[20][21]

Na sua "Instrução da Milícia" explicou os conceitos de Nação, Estado, Forma de Governo e Regime; dedicou-se a explanar e distinguir, em princípios fundamentais, bases filosóficas, bases políticas e bases econômicas, a liberal-democracia (liberalismo), o marxismo e o integralismo. Por fim, disserta sobre a função das Forças Armadas em um Estado Integralista, afirmando que seriam os dois lados do triângulo sobre o qual repousaria o Estado e a Nação: Exército, Marinha, e Milícia Nacional. "O triângulo é a base da pirâmide, que é o Estado e cujo vértice é Deus".[22] Em "Do liberalismo ao Integralismo" declarou que a liberal-democracia, "sistema absolutamente falido", deveria dar lugar à Democracia Integral, e a ordem econômica deveria ser sujeita à moral e promotora da justiça social, traços ausentes na economia liberal.[23] Seu pensamento à época transparece também em “Rumos do Estado moderno”’, publicado em A Defesa Nacional: sufrágio econômico ou profissional (uma ditadura seria inviável) e intervenção estatal na economia e, para repelir o comunismo, na educação.[24]

Quando a AIB foi sucedida pelo Partido de Representação Popular no pós-guerra, já havia deixado o integralismo. Para não deixar dúvida de sua distância do PRP, filiou-se ao Partido Orientador Trabalhista, "partideco" "que existia apenas na imaginação", elegeu um vereador no Distrito Federal e teve a legenda cassada.[25] Refere-se nas suas memórias ao integralismo como "coisa muito superada".[26] Logo após o golpe ainda teve contato com Plínio Salgado, que agiu em seu favor no Congresso.[27]

Plano CohenEditar

Chefe do serviço secreto da AIB e chamado de Santa Catarina ao Estado-Maior do Exército no Rio, em agosto de 1937 Plínio Salgado solicitou-o que escrevesse o "Boletim de Informações nº4" sobre táticas de guerrilha e revolucionárias comunistas, de forma a concentrar as atenções dos integralistas no anticomunismo e não na disputa presidencial de 1938. O texto resultante começava com um preâmbulo esclarecendo tratar-se de material para debate e não um plano real do Komintern. Em seguida, baseado num artigo sobre a tomada de poder pelos comunistas na Hungria em 1919, descrevia como seria feita uma revolução comunista no Brasil e a reação integralista.

Plínio Salgado reprovou o texto, com seus "massacres, incêndios, sequestros, confisco de propriedades privadas, ataques ao clero, apelo à sexualidade", como exagerado e irreal. Mourão era subordinado de Gustavo Barroso na milícia e Salgado possivelmente associou o conteúdo ao antissemitismo de Barroso, ponto de contenção entre os dois.[nota 2] Desapontado, Mourão levou o plano ao general Álvaro Guilherme Mariante, ministro do Supremo Tribunal Militar, que sugeriu que o mostrasse a Góis Monteiro, chefe do EME, mas Mourão não queria mostrá-lo a quem não fosse integralista. Mas Mariante ficou com o documento por vários dias até devolvê-lo.

Enquanto em setembro Vargas armava seu golpe, o plano entrou em circulação nos círculos do poder e pouco depois os jornais anunciaram a descoberta, confirmada pelas autoridades (especialmente o EME), do plano de um iminente golpe comunista. O preâmbulo explicativo não foi exposto ao público. Em 1º de outubro Vargas solicitou o estado de guerra. O falso plano comunista criou aceitação a seu golpe, efetuado em 10 de novembro e seguido da institucionalização da ditadura.

O golpe já era preparado desde muito antes e não necessariamente precisaria do Plano Cohen para ocorrer. Como outros golpistas, Eurico Gaspar Dutra posteriormente não deu valor ao documento como fator histórico. Mas os integralistas não desmentiram o plano, criando a impressão de que ajudaram a implantar o Estado Novo, e de fato Plínio Salgado havia dado seu apoio em setembro. Suspeitou que o plano divulgado fosse aquele que solicitara, mas não quis desmoralizar o Exército pois era necessário contra o comunismo. Já Mourão confrontou Góis, que o mandou ficar calado. Como visto adiante, a questão do Plano Cohen teve sérias implicações na sua carreira nos vinte anos seguintes. Após o golpe do Estado Novo saiu da cena política.[28][29][30][31] Vargas proibiu a AIB em dezembro de 1937, e o Levante Integralista em reação foi sufocado.[32] Mourão não participou da revolta.[9]

Anos 40 e 50Editar

Tornou-se tenente-coronel em 1943 e em fevereiro de 1945 foi à Itália servir na Força Expedicionária Brasileira como chefe da 3ª Seção do Depósito de Pessoal em Staffoli, unidade logística de preparação do pessoal e substituição de baixas.[33]

Era um dos oficiais de opinião conservadora acerca da qualificação e elevação do nível intelecutal dos sargentos, em curso a partir dos anos 30 e 40; preferia o sargento ‘’formado no corpo de tropa, sargentão rude’’, mas incapaz de se envolver na política.[34] Em artigos publicados em A Defesa Nacional nos anos 40 participou do debate sobre a mecanização do Exército. Notou a importância das forças mecanizadas na Segunda Guerra Mundial.[35][36] Argumentou que no Brasil elas deveriam distinguir-se da arma de cavalaria, com a qual pouco tinham em comum, em contraposição à linha de raciocínio que prevaleceu: a continuidade das forças hipomóveis e mecanizadas.[37]

Sua promoção a tenente-coronel ainda foi por merecimento, mas a mácula do Plano Cohen retardou sua progressão de carreira; pesava também sua personalidade dura.[nota 3]Dizia-se inocente de ter trabalhado em prol de Vargas mas era malvisto na oficialidade. Chegou a coronel em 1948 por antiguidade, quando seus colegas de turma já eram coronéis e apesar de ser oficial de estado-maior e ter servido na FEB. A partir dali já queria ir para a reserva, mas foi convencido a ser o primeiro comandante do 19º Regimento de Infantaria. Quando seus colegas chegaram ao generalato em 1953, continuou coronel. Costa e Silva e Castelo Branco chegariam então a general-de-divisão em 1958 e general-de-exército em 1961.

Em 1945 Góis Monteiro denunciou a falsidade do Plano Cohen e apontou "um oficial integralista" como a fonte, isentando-se, porém, de toda culpa; o documento teria chegado ao EME e vazado enquanto investigações sobre sua veracidade estavam em curso. Em 1955 diretamente acusou Mourão no livro "O general Góis depõe". Querendo limpar seu nome e virar general-de-brigada, Mourão contestou o caso em Conselho de Justificação do Exército. Insistia que escreveu o Plano Cohen somente para uso interno na AIB. Góis era ministro do STM e muito mais influente que o acusado, mas seus relatos e de suas testemunhas, os generais Caiado de Castro e Tinoco, tinham contradições; ele acabou desdizendo sua acusação e Mourão foi absolvido.[28][6][31][38][29]

Concedeu entrevista ao historiador Hélio Silva sobre o tema para seu livro "1937 – Todos os golpes se parecem", de 1970.[39] Sua defesa no julgamento e seu contexto são apresentados em "A Ameaça Vermelha – O Plano Cohen" publicado em 1980, do mesmo autor.[40]

Governo JKEditar

 
Em trajes civis (1957)

Visando agora o generalato, almejou cursar a Escola Superior de Guerra, novidade no pós-guerra e, como a Escola de Estado-Maior, vantagem na promoção. Não pôde, porém, por enfermidade própria e da esposa Almira, que faleceu.[41] Julgou não haver risco real de impedimento da posse de Juscelino Kubitschek, e assim desnecessário o contragolpe de Lott para garanti-la.[42] Mas tinha boas relações com o novo Presidente, conterrâneo seu de Diamantina, garantindo sua promoção a general-de-brigada em 1956 numa das duas vagas de livre escolha presidencial.[43]

Ganhou também a chefia da Comissão Técnica de Rádio, subordinada ao Ministério da Viação e Obras, cargo mais político que técnico, mas trabalhoso. Ganhou contatos como Assis Chateaubriand. Era um órgão poderoso, controlando as concessões de rádio e televisão e as faixas de transmissão aéreas, navais e militares. Executou a proibição do acesso ao rádio e televisão ao oposicionista Carlos Lacerda e presidiu a delegação brasileira na Comissão de Rádio-Comunicações em Genebra, Suíça em 1959, onde discutia-se a padronização das frequências mundiais. Queria para o Brasil a faixa de 525/535 Kc/s, permitindo a existência de muitas rádios municipais de baixa potência (10 watts). Considerava a potência de ~5 quilowatts pretendida por Assis Chateaubriand e outros concentradora dos meios de comunicação nas mãos de poucos. A faixa poderia interferir na navegação argentina, mas não incomodaria graças à baixa potência. Conseguiu assim essa faixa de frequência para as emissoras locais brasileiras. Saiu da Comissão com o fim do mandato de JK.

Não gostou da construção de Brasília e avaliou o governo JK como "confuso e faraônico".[8][44]

Posse de GoulartEditar

Em 1961 teve nova oportunidade de cursar a ESG mas recusou, julgando a Doutrina de Segurança Nacional totalitária, uma das "burrices filosóficas importadas do Pentágono".[45] Era contra Cordeiro de Farias, seu fundador, e outros associados como Golbery do Couto e Silva. Distanciava-se da facção dos oficiais "modernizadores" diplomados na escola, figurando então entre os "tradicionalistas". Mas enquanto os diplomados da ESG ganhavam influência política e contatos no empresariado, Mourão ficou isolado, agindo fora de qualquer grupo poderoso.[41][46][47]

Interpretou a queda de Jânio Quadros em agosto como possivelmente causada por seu ministro da Guerra Odílio Denys, que implantaria uma ditadura. Encontrou-se com o marechal Lott, que se declararia publicamente em favor da posse legal do vice-presidente Goulart, impedida por Denys a pretexto dele ser comunista. Não se satisfez, querendo um movimento armado contra o veto de Denys, mas não encontrou respaldo, seja em Lott, no chefe do Estado-Maior do I Exército, Aurélio de Lyra Tavares, no comandante do GUEs na Vila Militar, Ladário Pereira Teles, ou no ex-comandante da 1ª Divisão de Infantaria, Jair Dantas Ribeiro. O general Osvino não queria acompanhá-lo ao Rio Grande do Sul, onde se montava oposição a Denys. Também sondou o comandante do I Exército, Nestor Couto de Oliveira. Não conseguiu prosseguir com a ideia de levar a atitude do Estado-Maior, I Exército e Vila Militar a Denys.[46][48]

Apesar do fracasso de seu esforço legalista, Goulart foi empossado e para enfraquecê-lo estabeleceu-se o sistema parlamentar de governo, cuja continuação seria decidida num plebiscito previsto para perto do fim de seu mandato. Mourão apreciou o parlamentarismo. Tinha baixa opinião dos presidentes do Brasil, especialmente os da República Velha, e do sistema presidencial, raiz dos males nacionais; "mais cedo ou mais tarde o eleitorado não seria capaz de fazer milagre na escolha do presidente".[49][50]

Com a resolução da crise política os comandos foram rearranjados e ele ganhou a 3ª Divisão de Infantaria em Santa Maria, a princípio interinamente. Em março de 1962 tornou-se general-de-divisão.

Apoiou a posse de Goulart não por gostar dele mas em nome da Constituição. Detestava o getulismo e temia seu cunhado, o governador Leonel Brizola por querer o retorno do presidencialismo. Inicialmente ocupado com o péssimo estado de sua divisão, alarmou-se num jantar com Brizola e o general Osvino quando ocorria o congresso da FARSUL em 7 de janeiro de 1962. Julgando que Mourão, defensor da posse de Goulart, estivesse do seu lado, expuseram suas ambições pelas reformas de base, incluindo a reforma da Constituição para implantar a reforma agrária, e a antecipação do plebiscito para restaurar o presidencialismo. Seria a quebra do acordo de 1961. Junto com sua visão do que ocorria na cidade – a memória de guarnições divididas e sargentos esquerdistas durante a crise sucessória do ano anterior, ânimos exaltados deixados pela mesma e agitação sindical e comunista, especialmente nas ferrovias – concluiu haver uma conspiração contra o regime.[51][52][53] Acreditava que Goulart e Brizola não eram comunistas, mas seriam eliminados para abrir caminho a Luís Carlos Prestes.[54]

Assim, em 7 de janeiro de 1962 começou sua conspiração. Inicialmente contra Brizola, em fevereiro já era para derrubar Goulart. Temia um golpe do Presidente apoiado nos seus generais.[55]

1962-64Editar

Por dois anos, dois meses e vinte e três dias foi "bom articulador, considerado corajoso e impetuoso" nos meios civil e militar e níveis estadual e nacional. Julgou-se o protagonista da "maior conspiração das Américas". Entretanto não foi sua origem e nem seu dono. Movimentações contra Goulart já existiam no complexo formado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e a Escola Superior de Guerra, representando os oficiais "modernizadores" e seus aliados na elite nacional. Mesmo agindo quase sozinho os avanços de Mourão foram paralelos aos desse complexo, que buscou controlá-lo e empregá-lo. Era "isca", desviando as atenções do governo, e insuflava o espírito das guarnições contra Goulart, mas era também temido por sua impetuosidade, que tentavam neutralizar para seus esforços não serem perdidos num movimento brusco.

Sua precipitação do movimento foi alternativamente interpretada entre outros militares como necessária para romper a inércia ou fator de atraso na adesão de outras forças. De acordo com um de seus oficiais de Estado-Maior,[nota 4] o movimento não foi precipitado pois Mourão "não conhecia qualquer hora pré-determinada".[56][57][58]

Confirmou a Hélio Silva saber da existência de contatos da conspiração com norte-americanos e da possibilidade da aproximação de uma esquadra ao litoral brasileiro.[59]

Em Santa MariaEditar

O seu primeiro contato foi com seu chefe de Estado-Maior, Ramão de Menna Barreto. Verificou a lealdade de seus subordinados e dentro do Estado firmou contatos. Garantiu a maior parte do III Exército – a 2ª e 3ª Divisões de Cavalaria, 5ª e 6ª Divisões de Cavalaria e a Artilharia Divisionária da 6ª. Não encostou na 1ª Divisão de Cavalaria de Oromar Osório, a seu oeste em Santiago, pois ele era "inteiramente dedicado ao Presidente".[60] Em junho já tinha o general Penha Brasil, do próprio III Exército, e Nélson de Melo, do II, mas não atingiu o Ministério da Guerra (João Segadas Viana), I Exército (Osvino), IV (Costa e Silva) e Gabinete Militar (Amaury Kruel). Além dos emissários e encontros no Sul fez várias viagens a São Paulo e Rio. Buscou financiamento para a oposição na campanha eleitoral e no Rio alistou à sua causa o almirante Sílvio Heck, capaz de captar outros altos oficiais incluindo o marechal Denys. O IPESUL, braço do IPES no Rio Grande do Sul, estava no controle: Menna Barreto era membro e Penha Brasil, ligado ao IBAD.

Em julho, porém, o III Exército passou a Jair Dantas Ribeiro, leal ao governo, que passou a ter garantidos os dois exércitos mais fortes (I e III). Mourão temia um golpe de Goulart se a Câmara não antecipasse o plebiscito, mas ela o concedeu e logo restauraria os poderes presidenciais. Pregou à tropa, então, que "com tais poderes vai dar seu golpe". Em novembro, porém, o Ministro da Guerra Kruel o informou que assumiria a 2ª Região Militar em São Paulo. Saiu em março de 1963, deixando pronto o "Plano Junção" para marchar sobre Porto Alegre. Jair Dantas percebeu o trabalho conspiratório, considerando-o "estudos de segurança nacional".

Em São PauloEditar

Em consulta com um cardiologista ouviu que era a "última esperança nossa": seu nome já era conhecido na alta sociedade paulista como força anti-Goulart. São Paulo não tinha guarnição tão forte mas era bom ambiente para a mobilização civil. Esta foi delegada ao general da reserva Sebastião Dalísio Menna Barreto e um Estado-Maior civil, pois a conspiração era maior, chegando ao conhecimento da CIA. A articulação civil era suficiente para prever a constituição de forças paramilitares. O IPES era mais forte e exercia um controle maior. Trabalhava-se ideologicamente a população a longo prazo.

Mourão trouxe a seu lado muitas guarnições paulistas e fez contato com a 6ª Região Militar, na Bahia. Traçou novos planos militares: o QG do II Exército seria tomado, e seu comandante Peri Constant Bevilacqua ou aceitaria o comando da operação ou seria deposto. O chefe revolucionário seria um general-de-exército como Cordeiro de Faria ou Nélson de Melo. Na frente interna, "censura de todos os telefones", "ocupação de todos os sindicatos e prisão de líderes comunistas e sindicais" e a prevenção da sabotagem. Uma força-tarefa reforçada pela PMSP desceria a Via Dutra o mais rápido possível contra a Guanabara, enquanto atrás o III Exército, já trabalhado, rumaria a norte ao seu reforço. Seu objetivo final era:

O movimento, se for vitorioso, como infalivelmente deverá sê-lo, elegerá um Presidente civil para completar o quinquênio, ao passo que Conselho Civil-Militar, por mim presidido, estudará e apresentará as reformas à Constituição com a mudança da forma de Governo.

Em julho, reunido com Carlos Lacerda (agora governador da Guanabara), Júlio de Mesquita Filho, proprietário de O Estado de S. Paulo, e Adhemar de Barros, governador paulista, sugeriram que Mourão sucedesse Goulart dentro do quinquênio de Jânio. Em reunião com Mourão, o desembargador Antônio Neder e o almirante Heck, o marechal Denys foi mais longe e viu-o futuro ditador, mas Mourão se insistiu democrata.

Naquele mesmo mês descobriu que seria retirado de São Paulo por conspirar contra o governo. Seu novo destino, a 4ª Região Militar/Divisão de Infantaria em Minas Gerais, era militarmente menos perigoso. Para dispersar as suspeitas saiu indignado de uma solenidade na qual o secretário de Justiça do Estado declarava haver "um movimento comunista chefiado do Palácio da Alvorada, pelo próprio Presidente da República". O ato não convenceu. E nesses meses finais em São Paulo já perdia força, com a conspiração militar fluindo ao general Agostinho Cortes, ligado a Golbery e ao IPES.

Em Juiz de ForaEditar

Assumiu na cidade em 28 de agosto de 1963. Encontrou ali uma guarnição fraca e pouca conversa sobre marchar contra o poder central, mas estava mais próximo da Guanabara e era a mais alta autoridade militar no Estado. O cenário social era o mesmo e assim também a forte estrutura do IPES. A CIA notou que sua chegada poderia interferir no jogo sucessório. No seu estado natal tinha contato com dois presidenciáveis: JK e o governador Magalhães Pinto (UDN), este último uma das três grandes figuras do golpe em Minas Gerais. A terceira era o general Carlos Luís Guedes, subordinado de Mourão, com a Infantaria Divisionária em Belo Horizonte. Logo ao chegar Mourão explicitou suas intenções aos dois e trabalharam juntos. Guedes contribuiu com a PMMG, incorporada aos planos golpistas. Mas seus interesses não eram os mesmos: Magalhães e Guedes eram alinhados ao IPES e Guedes em especial atuou para restringir Mourão, que dele escreveu – "Quanto mais o analiso, menos o estimo".[61]

Visitou várias vezes o Rio de Janeiro; recebia passagens aéreas particulares sem conhecimento do governo. Dentro de sua força sondou quem poderia confiar e encontrou o tenente-coronel Everaldo José da Silva. Com suas indicações Mourão montou seu Estado-Maior revolucionário. Everaldo e Mourão ainda tinham contato com o Estado-Maior civil em São Paulo. Julgando o governo um "castelo de cartas", Mourão tinha pressa de agir. Queria a "Operação Popeye", um ataque surpresa ao Rio de Janeiro, atravessando as fronteiras à noite. Como Guedes preferia proclamar a rebelião e defender o Estado, o que julgou impossível com a força existente e as vastas fronteiras,[62] recrutou em dezembro o general Antônio Carlos Murici para liderar a operação.

Março de 1964Editar

Os eventos do mês – o comício da Central no Rio e os de Brizola e Miguel Arraes em Belo Horizonte em Juiz de Fora – reforçaram sua convicção no avanço do comunismo e chegaram ao ápice com a Revolta dos marinheiros na Semana Santa. No dia 27, sexta-feira, foi chamado a Belo Horizonte com a repercussão da revolta. Magalhães Pinto, líder civil da "revolução", prometeu entregar um manifesto exigindo a deposição do Presidente, dando o respaldo político necessário ao deslocamento militar já na noite do sábado, irrompendo no Rio de Janeiro ao amanhecer do domingo. Surgiu, porém, uma disputa pelo protagonismo dentro do movimento, com Magalhães buscando maximizar seu ganho eleitoral em 1965.

No dia seguinte o governador visitou Juiz de Fora de mãos vazias e não houve arrancada. Mourão insistia em receber o manifesto para que pudesse mover as tropas; em vez disso, no dia 30, Magalhães publicou um manifesto em Belo Horizonte, sem pedir a deposição, e Mourão soube por um telefonema de Guedes. Indignou-se com Guedes e Magalhães. Em Belo Horizonte ambos já estavam em revolta, pondo-se em perigo, pois Mourão poderia esmagá-los apoiado pelo I Exército.

Finalmente, recebendo o manifesto na madrugada do dia 31 pelos emissários do governador e vendo-o sem a demanda da deposição, deflagrou ele mesmo o golpe lançando telefonemas às 05:00. O que permitiu que tomasse a decisão final independente de Magalhães e Guedes foi ter em mãos a tropa graças ao proselitismo anticomunista realizado nos meses anteriores. Além disso cuidou de não agir sozinho: no dia 28 enviou o tenente-coronel Everaldo a São Paulo para verificar se poderia contar com o comandante do II Exército, Amaury Kruel. Na ausência de uma resposta, havia descido ao Rio de Janeiro para encontrar-se com seu irmão, Riograndino Kruel, que deu o aval.[63]

No golpeEditar

 
O Destacamento Tiradentes em Areal

Com a PMMG e o Exército federal em Minas Gerais sob seu comando executou as operações "Silêncio", controlando as telecomunicações, "Gaiola", prendendo os "elementos suspeitos" já monitorados pela polícia, e "Popeye", deslocando as tropas contra o Rio de Janeiro e Brasília.[64] Tal movimento foi demorado: o grosso do "Destacamento Tiradentes" formado para invadir o Rio e posto sob o comando de Murici só chegou ao rio Paraibuna, na fronteira fluminense, às 17:00. O comandante do 10º Regimento de Infantaria não aderiu e teve que ser substituído. Um batalhão do 12º Regimento de Infantaria enviado de Belo Horizonte por Guedes só chegou em Juiz de Fora às 22:00 e desfalcado.

Desmentiu que estivesse em rebelião, mas assim que o Destacamento chegou à fronteira, de Juiz de Fora emitiu seu manifesto: o Presidente "há de ser afastado do Poder de que abusa, para, de acordo com a Lei, operar-se a sua sucessão, mantida a Ordem Jurídica". O governo federal, por sua vez, anunciou sua exoneração e o envio de forças do I Exército para sufocá-lo; eram mais fortes que as da 4ª Divisão e PMMG. A primeira, o 1º Batalhão de Caçadores de Petrópolis, montou uma linha de frente face ao Destacamento Tiradentes naquela noite.[65][66][67]

 
Rota das forças de Mourão

Informado que o tenente-coronel Kerensky, comandante do batalhão legalista, pretendia parlamentar, seguiu ao posto de comando de Murici às margens do Paraibuna. Ali encontrou também um tenente do 1º BC que prometeu retornar com seu pelotão. As defecções enfraqueceram o batalhão de Kerensky, que recuou. "Que brigasse ou aderisse". Retornou no início da madrugada do dia 1 a Juiz de Fora, onde foi informado da adesão do II Exército. Depois descobriria que Kruel ofereceu a Goulart para esmagar a 4ª Divisão de Infantaria, mas julgou que seu passado em São Paulo impediria a tropa paulista de enfrentá-lo. Exultou com a notícia, ao raiar da manhã, da adesão do escalão legalista seguinte, o 1º Regimento de Infantaria. Por fim Goulart fugiu do Rio e às 15:00 o general Milton, chefe do EM do I Exército, pediu-lhe rendição. Quando Murici avisou que a estrada estava livre, saiu do QG e encontrou-o à altura do Belvedere do Grinfo. Preocupava-se com a possibilidade de Kruel tomar o governo – "Seria o fim".

Ao seu lado estavam Neder e sua esposa Maria. Havia arranjado para que ela se refugiasse em Teresópolis, mas ela preferiu correr os riscos de permanecer no território revoltado.[68][69] No rádio do carro ouviram que Costa e Silva havia assumido o Ministério da Guerra vazio e nomeado o general Ururahy para o I Exército. "Estão tomando meus lugares! Esse lugar era meu! Eu que devia ser o comandante do I Exército!" Mas a hierarquia só lhe permitia agora ir ao Rio protestar diretamente ao novo dono do Ministério. Murici seguiu atrás para também arguir com Costa e Silva, sob a insistência de Maria ("porque vão embrulhá-lo"), que definiu como "ambiciosíssima".[70]

Mourão acordou Costa e Silva, mas não conseguiu convencê-lo de que o I Exército o pertencia. Foi-lhe oferecida a Petrobras, mas não chegou a assumi-la.[71] Permaneceu no Rio de Janeiro por mais alguns dias. JK o consultou se deveria apoiar a candidatura de Castelo Branco à Presidência. "Apoia Castello; garanto que você não será candidato a 1965". Alguns deputados queriam lançar seu nome à Presidência, mas recusou; seu candidato militar preferido seria o marechal Dutra.[72]

Retornou a Juiz de Fora cercado de celebração, mas de mãos vazias, "praticamente vencido". Só não aposentou por limite de idade, o que ocorreria a 9 de maio, pela pressão de seus aliados no Congresso, que o promoveu a general-de-exército. Guedes e Magalhães Pinto condenaram sua decisão de não invadir o QG do Exército e viram nos acontecimentos uma usurpação do prestígio por Costa e Silva e Castelo Branco em detrimento dos que originaram o movimento, opinião partilhada por Murici.[73] Segundo o brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, Costa e Silva não confiava em deixar o I Exército nas mãos de Mourão pela sua impetuosidade ao dar a largada no golpe.[74]

Últimos anosEditar

Declarou ao Correio da Manhã em maio: "Em matéria de política, não entendo nada. Sou uma vaca fardada."[75]

O que declarava seu objetivo político, que um civil completasse o quinquênio de Jânio Quadros até a eleição de 1965, não se concretizou, firmando-se a ditadura militar. Teve pouco ganho pessoal com o golpe, sendo empurrado para fora da cena.[11] Queria um exército e tinha as possibilidades do II ou III. Costa e Silva, porém, recusou o III em favor de Poppe de Figueiredo, pois "não posso desfeitear o rapaz que entrou em Porto Alegre em operação de guerra!"[76] Ficou então com o IV Exército no Recife, mas só de agosto até setembro, quando tornou-se ministro do Superior Tribunal Militar, afastado assim da política por discordar de Castelo Branco.

Criticou os governos Castelo Branco e Costa e Silva. Em 1965 declarou-se publicamente contra a prorrogação dos mandatos dos governadores e a favor das eleições de 1965, que chegaram a ocorrer e resultaram em vitórias oposicionistas nos governos estaduais da Guanabara e Minas Gerais. Em resposta o governo federal editou o Ato Institucional n.º 2, que Mourão julgou "liberticida e desmoralizador do Poder Judiciário". Em 1966 deu entrevista a favor da anistia aos prejudicados pelo golpe.

Dentro do STM atingiu sua Presidência em 1967, com a posse de Costa e Silva, mas desentenderam-se com os rumos dos processos. Elaborou um novo Código da Justiça Militar para fortalecer sua independência do Presidente.[8][74]

Aposentou-se em 5 de maio de 1969.

BibliografiaEditar

Publicada em vidaEditar

  • Instrução da Milícia – Noções Elementares da Doutrina (para uso dos Milicianos) (1934). Em: Barroso, Gustavo. O que o Integralista deve saber (1935)
  • Do Liberalismo ao Integralismo (1935)[77]
  • Um ano de instrução num corpo de tropa de infantaria (1938)[78]
  • Elementos de teoria de tráfego urbano e sua aplicação na cidade do Rio de Janeiro[8]
  • Março 64: mobilização da audácia (1965) Com José Stacchini e Odílio Denys
  • Reforma para o Brasil (1969)

MemóriasEditar

Em 1971, próximo à sua morte, entregou a Hélio Silva o livro "A verdade de um revolucionário", conseguindo dele a promessa que o publicaria. Alguns trechos foram usados em "1964 – golpe ou contragolpe?", de 1974,[39][52] e em 1978 a publicação inteira foi anunciada. Trechos mostrados na imprensa causaram grande controvérsia e o general Muniz de Aragão concluiu que Mourão estava louco, ressentido ou o texto era falso. O livro relata o sequestro de seu sobrinho-neto pelas forças de repressão, a existência da tortura[79] e a intenção do brigadeiro Burnier de usar o PARA-SAR contra a população, pouco antes do AI-5.[80] Laurita Mourão tentou impedir a publicação na Justiça e ela só ocorreu no ano seguinte,[40] e somente em Porto Alegre, pois nenhum editor no Rio ou São Paulo o aceitava. Duro com a elite militar, o livro foi apreendido, último no país por motivos políticos, e só liberado após batalha judicial. [81]

Denominado "Memórias: a verdade de um revolucionário", cobre os anos 60, com capítulos sobre o Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e os governos Castelo Branco e Costa e Silva, mas inclui também um prefácio, seu diário de 1955 a 1964, uma correspondência com Auro de Moura Andrade em 1970 sobre a conjuntura de 1962, uma análise da conjuntura feita em janeiro, um relatório do Estado-Maior civil paulista após sua saída do Estado e uma carta recebida de Raul Pilla em junho de 1964 sobre o parlamentarismo.

Refere-se a Guedes como "falastrão e irreverente", "indisciplinado e traidor"[82][nota 5], Castelo Branco como "homem de grandes virtudes, mas sem nenhuma competência para governar o país"[17] e Costa e Silva como tendo "traços dominantes (...) ignorância e fanfarronice"[83]

O marechal José Machado Lopes definiu o livro como "a apologia de seu autor como chefe revolucionário, grande liberal-democrata e abnegado patriota", que injustamente rebaixa a imagem de seus colegas militares para beneficiar a própria. Contestou a narrativa das memórias sobre a Campanha da Legalidade.[84]

Notas

  1. Pinto (2015) p. 133: Quarenta e oito anos, três meses e oito dias a serviço do Exército Brasileiro e quatro anos, sete meses e nove dias[1964-1969] a serviço do Poder Judiciário.
  2. O traço mais facilmente antissemita do plano seria seu título; vide Motta, Rodrigo Patto Sá (1998). «O mito da conspiração judaico-comunista». Revista de História (138): 93-105. Originalmente era assinado por "Bela Kun", líder da revolução húngara, mas lembrando a grafia preferida por Barroso, Mourão rabiscou "Kun" e escreveu "Cohen" (nome judeu comum, significando "sacerdote"). Um datilógrafo não entendeu e deixou a assinatura somente como "Cohen".
  3. Pinto (2015) p. 59: "Era homem de palavras duras, tidas por alguns como louco."
  4. José Antônio Barbosa de Moraes.
  5. O mesmo trecho também não poupa acusações de incompetência ou sabotagem contra o comandante do 12º RI, Dióscoro do Vale, cujo batalhão chegou a Juiz de Fora atrasado e desfalcado.

ReferênciasEditar

CitaçõesEditar

  1. Arquivos da Ditadura – Os poderes do general Olympio Mourão Filho. Consultado em 7 de janeiro de 2021.
  2. a b Pinheiro, Daniela (Fevereiro de 2009). A amiga do hipotálamo. Piauí n. 29. Consultado em 31 de dezembro de 2020.
  3. Laque 2010, p. 93.
  4. Leite Filho 2008, pp. 263-264.
  5. Kern 2007, p. 74.
  6. a b Pinto 2015, p. 35.
  7. Pinto 2015, p. 69.
  8. a b c d MOURÃO FILHO, Olímpio. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Centro de Pesquisa e Documentação da História Contemporânea do Brasil. Consultado em 2 de janeiro de 2021.
  9. a b c Olímpio Mourão Filho. CPDOC. Consultado em 7 de janeiro de 2021.
  10. Silva 2014b, p. 228.
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  12. Mourão Filho 2011, p. 57.
  13. Gomes 1964, p. 106.
  14. Livronautas – Laurita Mourão. Consultado em 31 de dezembro de 2020.
  15. Neto 2004, "Cabeça de papel".
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  19. Gomes 2011, p. 10.
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FontesEditar