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Olivette Otele
Conhecido(a) por primeira mulher negra a ser indicada para a cadeira de História em uma universidade do Reino Unido
Nascimento 1970 (49 anos)
Camarões
Residência Inglaterra
Nacionalidade francesa
Alma mater Universidade Paris-Sorbonne
Instituições Universidade de Paris
Bath Spa University
Campo(s) História
Tese L'histoire de l'esclavage transatlantique britannique: des origines de la traite transatlantique aux prémisses de la colonisation (2008)[1]

Olivette Otele (Camarões, 1970) é uma historiadora e pesquisadora francesa, nascida nos Camarões. Sua pesquisa foca nas ligações entre história, memória e geopolítica em relação ao passado colonial francês e britânico. Olivette é professora da Universidade Bath Spa, em Bath, Inglaterra, sendo a primeira mulher negra a ser indicada para a cadeira de História em uma universidade do Reino Unido.[2][3][4] É autora do livro Afro-Europeans: A Short History.[5]

Índice

BiografiaEditar

Olivette nasceu nos Camarões em 1970, sendo criada em Paris.[6][7] Estudou na Universidade Paris-Sorbonne, trabalhando desde a graduação com a Europa Colonial e a história pós-colonial.[8] Obteve o bacharelado em Literatura em 1998 e o mestrado em 2000. Seu doutorado foi obtido em 2005, com a tese Mémoire et politique: l'enrichissement de Bristol par le commerce triangulaire, objet de polémique, focando no papel da cidade de Bristol no comércio e escravidão negra transatlântica.[1]

A grande influência na pesquisa de Olivette é o historiador congolês Elikia M'Bokolo.[9] Além de falar inglês, francês e alemão fluentemente, Olivette também fala três dialetos camaroneses, euondo, eton e bulu.[9]

CarreiraEditar

Após o doutorado, Olivette se tornou professora associada da Universidade de Paris.[10][11] Nesta época, trabalhou com identidade britânica em Gales e o que significa ser negro, britânico e galês.[12] Em 2018, aos 48 anos, tornou-se a primeira mulher negra a chefiar a cadeira de história de uma universidade britânica.[2][3] Sua promoção e reconhecimento no meio universitário foi atrasada por ser mãe de duas crianças e por ser uma mulher negra.[13] Segundo o relatório Race, Ethnicity & Equality Report da Royal Historical Society, publicado em outubro de 2018, apenas 0.5% dos historiadores que trabalham em universidades do Reino Unido são negros.[14]

Até a promoção catedrática de Olivette, nenhuma mulher negra trabalhava como professora universitária em uma universidade britânica.[15] Ela espera que sua indicação abra as portas para mais mulheres, especialmente as negras, no meio acadêmico.[16] Na época de sua promoção, Olivette comentou que qualquer sucesso que seja usado apenas para melhorar sua própria vida, era um desperdício de possibilidades e que seu sucesso de nada significaria se isso não trouxe oportunidades para outras pessoas.[7] Ela também ressaltou as dificuldades para se tornar professora e pesquisadora:

A vice-reitora da Universidade Bath Spa, professora Susan Rigby, descreve Olivette como uma pesquisadora de primeira linha e mundialmente respeitada.[18]

Olivette participou de vários eventos e simpósios relacionados à Diáspora Africana.[19][20] Seus estudos analisam o modo como as sociedades britânica e francesa definem cidadania, além de ter estudado o tráfico transatlântico de escravos.[21][22]

Olivette é membro da Royal Historical Society e membro da diretoria da associação dos Historias Against Slavery (Historiadores Contra a Escravidão).[23] É membro executivo da Sociedade Britânica para Estudos do Século XVIII, membro da Associação Britânica de Estudos Culturais e membro do Centro Internacional de Pesquisa sobre Escravidão.[24] Publicou artigos em vários meios da mídia, como a BBC e Times Higher Education.[25] Escreveu e contribuiu em diversos livros. Seu livro Afro-Europeans: a Short History foi publicado em 2008.[26][27][28] Seu segundo livro, Post-Conflict Memorialization: Missing Memorials, Absent Bodies, está programado para ser publicado em 2019.[29][30]

ReconhecimentoEditar

Olivette foi nomeada pela lista da BBC de 100 grandes mulheres de 2018, que celebra mulheres inspiradoras e influentes ao redor do mundo; ela está na posição de número 69, junto de Abisoye Ajayi-Akinfolarin, Nimco Ali e Uma Devi Badi.[31] Olivette acredita que sua indicação, sua carreira e reconhecimento influenciará outras pessoas e espera que elas busquem carreira acadêmica a partir de seu exemplo.[4]

Referências

  1. a b Système Universitaire de Documentation (ed.). «Mémoire et politi que : l'enrichissement de Bristol par le commerce triangulaire, objet de polémique». Olivette Otele. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  2. a b Abdur Rahman Alfa Shaban (ed.). «UK's first black female history prof, Olivette Otele, has Cameroon origins». Africa News. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  3. a b «The Slave's Cause: A History of Abolition, by Manisha Sinha». Times Higher Education (THE). Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  4. a b c «Como é chegar ao topo acadêmico no Reino Unido, onde negros são menos de 1% dos professores universitários de história». BBC Brasil. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  5. «Hurst to publish history on Afro-Europeans from Olivette Otele». The Bookseller. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  6. «On the Spot: Olivette Otele History Today». History Today. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  7. a b «Interview with Olivette Otele». Times Higher Education (THE). Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  8. «Olivette Otele». Bath Spa Univesrity. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  9. a b «Première femme noire professeure d'histoire au Royaume-Uni». BBC News Afrique. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  10. «Dr Olivette Otele». Historians Against Slavery. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  11. «Olivette Otele | Université Paris 13 - Academia.edu». univ-paris13.academia.edu. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  12. Otele, Olivette (1 de fevereiro de 2008). «Multiculturalisme et régionalisme : les apories d'une identité britannique au pays de Galles». Observatoire de la société britannique. 5: 49–64. ISSN 1957-3383. doi:10.4000/osb.619 
  13. «Meet Britain's First Black Female History Professor: 'Racism Is Alive And Kicking In Academia'». HuffPost UK. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  14. «Race, Ethnicity & Equality in UK History: A Report and Resource for Change» (PDF). Royal Historical Society. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  15. «Congratulations Professor Otele». The Social History Society. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  16. «Première femme noire professeure d'histoire au Royaume-Uni». BBC News Afrique. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  17. «The UK's only black female history professor». BBC News. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  18. Petherick, Sam. «Bath Spa appoints UK's first black woman history professor». Somerset Live. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  19. «Olivette Otele - UKRI». UKRI. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  20. «Historicising Afro-European experiences: Heritage and Politics of Memory». Universidade College London. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  21. «Dr. Olivette Otele». History On-line. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  22. «International Migration Institute». University of Oxford Podcasts. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  23. «Dr Olivette Otele». Historians Against Slavery. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  24. Sam Petherick (ed.). «Bath Spa appoints UK's first black woman history professor». Somerset Live. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  25. «Olivette Otele». The Conversation. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  26. «The big question: Has the European Union been a success?». History Extra. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  27. Olivette Otele (ed.). «Afro-Europeans: a short history». Research Space Bath Spa University. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  28. «Five minutes with… Olivette Otele». The History Vault. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  29. «Telling Their Stories: Celebrating Black History Month». University Church of St Mary the Virgin. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  30. Olivette Otele (ed.). «Mourning in reluctant sites of memory: from Afrophobia to cultural productivity». researchspace.bathspa.ac.uk. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  31. «BBC 100 Women 2018: Who is on the list?». BBC News. Consultado em 12 de dezembro de 2018