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Controvérsias envolvendo a Operação Lava Jato

(Redirecionado de Operação Abafa)
Manifestantes penduraram efígie do Sérgio Moro, como “traidor”, em frente ao prédio da 13.ª Vara da Justiça Federal em São Paulo

Este artigo contém uma coletânea de controvérsias envolvendo a Operação Lava Jato da Polícia Federal do Brasil, que vão desde as primeiras tentativas de obstrução das investigações até acusações de parcialidade.

Índice

Tentativas de obstrução das investigaçõesEditar

Delcídio do AmaralEditar

 
Delcídio do Amaral no Conselho de Ética do Senado.

O senador Delcídio do Amaral, líder do governo no Senado e filiado ao PT, foi preso na manhã de 25 de novembro de 2015 por atrapalhar as apurações da Operação Lava Jato. Prendeu-se também o chefe de gabinete de Delcídio do Amaral, Diogo Ferreira.[1] O banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, foi preso no Rio de Janeiro no mesmo dia. Decretou-se sua prisão temporariamente após a divulgação de gravação obtida pelo MPF em que o senador Delcídio do Amaral afirmou que André Esteves teria financiado a fuga de Nestor Cerveró para a Espanha.[2][3] O banqueiro ainda teria oferecido 4 milhões de reais a Cerveró e o manteria com um suborno mensal de 50 mil reais, na intenção de prejudicar o acordo de delação premiada entre Cerveró e o MPF, impedindo que o seu nome e o do senador fossem citados nas investigações.[4][5] O advogado que defendeu Nestor Cerveró, Édson Ribeiro, teve o mandado de prisão expedido pela justiça mas não foi preso, por estar nos EUA; incluiu-se seu nome na lista da Interpol e ele foi preso em 27 de novembro, ao desembarcar no aeroporto do Galeão.[5][6] A Procuradoria Geral da República pediu as prisões e o STF as autorizou. As prisões de Delcídio e de Ribeiro eram preventivas (sem data determinada para terminar); as demais foram temporárias.[1]

Em 29 de novembro, o STF acatou o pedido da PGR para que a prisão de André Esteves e Diogo Ferreira fossem convertidas para preventiva. A procuradoria citou ainda, no pedido de prisão preventiva, que os objetos apreendidos em 25 de novembro e depoimentos prestados por investigados demostram "evolução em desfavor de André Esteves". "Além disso, a petição de Janot argumenta que Esteves tem claro interesse em que não venham à tona colaborações premiadas que o vinculassem a fatos criminosos apurados na Operação Lava Jato. No pedido de prisão temporária, feito na semana passada, Esteves foi apontado como o agente financeiro a oferecer apoio material à família de Nestor Cerveró em troca de ver seu nome preservado em eventual acordo de colaboração premiada", informou a PGR.[7]

Em 17 de dezembro de 2015, o ministro Teori Zavascki decidiu monocraticamente manter a prisão de Delcídio do Amaral e soltar o banqueiro André Esteves, que passou para prisão domiciliar. Ao liberar Esteves da prisão e permitir que ficasse preso em casa com restrições, o ministro argumentou que Esteves não participou da reunião na qual Delcídio propôs fuga do país a Cerveró, e que não se colheram provas que demonstrassem a necessidade de manter o banqueiro na prisão.[8]

Lula e DilmaEditar

Em março de 2016, segundo a revista IstoÉ, o senador Delcídio do Amaral alegou em depoimentos em acordo de delação premiada que Dilma e o ex-presidente Lula tentaram interferir na Operação Lava Jato. De acordo com a revista, a presidente conversou com auxiliares e nomeou ministros para tribunais superiores favoráveis a tese das defesas de acusados.[9][10][11] Em Portugal, Dilma teria conversado informalmente com o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e Ricardo Lewandowski; Zavascki não participou do encontro. Segundo o senador, Dilma teria tentado convencer Lewandowski a aderir, mas fracassou. Em 15 de março, Zavascki homologou a delação de Delcídio.[12] Um dia antes, o deputado Pedro Corrêa fechara acordo de colaboração premiada.[13]

 
Aloizio Mercadante, flagrado em áudio tentando interferir na Operação Lava Jato

Em 6 de setembro de 2017, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci, afirmou que ele e o ex-presidente Lula atuaram em conjunto para tentar barrar as investigações da Lava-Jato.[14][15][16][17]

Em 4 de maio de 2016, Janot enviou ao STF pedido de abertura de inquérito para investigar a presidente Dilma Rouseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Cardozo por obstrução à justiça em tentativa de atrapalhar as investigações da Lava Jato. No pedido de abertura do inquérito, Janot mencionou a nomeação do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça em 2015, além da nomeação de Lula para ministro da Casa Civil em 2016.[18] Em delação premiada, Delcídio e seu ex-chefe de gabinete Diogo Ferreira disseram que Navarro foi nomeado para o STJ sob o compromisso de conceder liberdade a donos de empreiteiras presos na operação.[18] Em dezembro de 2015, Navarro votou pela libertação de Marcelo Odebrecht, mas foi vencido, por 4 votos a 1.[19][20] Navarro negou tais acusações.[18]

Aloizio MercadanteEditar

Em 15 de março de 2016, após a homologação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral, documentos liberados pelo Supremo Tribunal Federal citaram Aloizio Mercadante como o homem do governo que buscaria impedir a delação de Delcídio: "Mercadante prometeu usar a influência política do governo junto ao Senado e ao Supremo Tribunal Federal para tentar evitar a cassação do petista e conseguir sua libertação."[21] Além disso, uma gravação confirmou que Mercadante tentou atuar para livrar Delcídio.[22] No áudio, Mercadante afirmou que "política pode tudo".[23]

Romero JucáEditar

Em 23 de maio de 2016, a Folha de S. Paulo divulgou a gravação de uma conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado, da Transpetro em março passado. O ministro do Planejamento suspenso e senador licenciado Romero Jucá sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investigava ambos.[24]

Eduardo CunhaEditar

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi acusado por delatores da Odebrecht de obstruir os trabalhos dos investigadores através de uma empresa britânica que foi contratada por um milhão e cem mil reais sob a justificativa de que iria ajudar a "buscar dinheiro desviado da Petrobras no exterior". Em julho do ano da contratação, Eduardo Cunha determinou que os detalhes do contrato e os resultados das investigações da empresa fossem mantidos sob sigilo pelo período de cinco anos.[25]

Aécio NevesEditar

Em junho de 2017, o Procurador-Geral da República denunciou Aécio Neves por corrupção e tentativa de obstrução de justiça, acusando-o de pedir e receber 2 milhões de reais do delator Joesley Batista, do Grupo J&F, e também de obstrução da Justiça por ter atuado para tentar impedir as investigações da Operação Lava Jato.[26]

"Operação Abafa"Editar

 
Luis Roberto Barroso em 2014

"Operação Abafa" foi o nome dado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso à diversas tentativas de paralisar a operação. Ele já havia alertado em maio de 2017 que as críticas a delações premiadas da Operação Lava Jato são parte de uma "operação abafa" para desacreditar os delatores. Acreditava que as críticas ao instrumento servem para intimidar os colaboradores e impedir que contem o que sabem sobre crimes.[27] No inicio de agosto de 2017, em participação em um simpósio de direito, o ministro afirmou que "A operação abafa é uma realidade visível e ostensiva no Brasil de hoje. Há muita resistência às mudanças que precisam ser feitas".[28][29] Ainda no mesmo mês, em entrevista ao programa Conversa com Bial do apresentador Pedro Bial, o ministro reafirmou sua tese. Barroso disse ainda que "a Lava-Jato sobreviveu pela sociedade e pela imprensa. Há uma semente plantada, nunca mais será como antes". Barroso ainda destacou a coragem do país em não "empurrar a poeira para debaixo do tapete" e em avançar com as investigações. "Talvez nenhum país no mundo tenha tido a coragem de fazer o que o Brasil está fazendo. Temos que aproveitar essa oportunidade com determinação. Vamos criar um país em que a integridade é o ponto de partida."[30][31]

Em discussão na sessão plenária do dia 26 de outubro de 2017, acusou o também ministro Gilmar Mendes de ser "leniente com os crimes de colarinho branco" e de "mudar de jurisprudência de acordo com o réu", em referência ao fato de Mendes haver concedido a soltura de vários presos na Operação Lava Jato.[32] Em abril de 2018 o ministro reafirmou a ideia de tentativa para desmobilizar o combate à corrupção. Segundo o ministro, o primeiro passo dessa operação foi contra a possibilidade de restrição do foro privilegiado. O ministro, assim como a maioria dos ministros da Corte, são contrários ao foro privilegiado. Ainda segundo o ministro, como "isso se tornou uma tendência irreversível", a estratégia da operação mudou para tentar acabar com a execução da pena após a condenação em segunda instância. Barroso defende o cumprimento da pena depois da condenação em segunda instância. "O processo vai começar no primeiro grau e não vai acabar nunca", disse ao participar do painel sobre corrupção na Brazil Conference, conferência organizada por alunos brasileiros das universidades de Harvard e do MIT em Cambridge.[33][34][35][36]

Condução coercitiva de LulaEditar

 Ver artigo principal: Operação Aletheia
 
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No dia 4 de março de 2016, perto das 8h40, Luiz Inácio Lula da Silva foi levado para o Aeroporto de Congonhas, em um carro descaracterizado, para depor à Polícia Federal. Às 8 h 51, ele prestou depoimento dentro do aeroporto.[37]

Em nota o Partido dos Trabalhadores declarou que "A condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa um ataque à democracia e à Constituição.Trata-se de novo e indigno capítulo na escalada golpista que busca desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff, criminalizar o Partido dos Trabalhadores e combater o principal líder do povo brasileiro", escreveu Rui Falcão, então presidente da sigla.[38]

Sérgio Moro e o grampo telefônicoEditar

 
A Justiça Federal do Paraná autorizou em 2016 a quebra de sigilo telefônico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato

Os críticos de Moro o acusam de conduzir a Operação Lava Jato com decisões controversas,[39][40] como a de supostamente ter grampeado o telefone da Presidente da República.

A própria presidente Dilma Rousseff afirmou que é ilegal grampear um Presidente da República, e que "‘quem grampear presidente sem ordem do Supremo é preso lá fora [isto é, em outros países]".[41] Porém, rumores de que seria a Presidente da República que teria sido grampeada, e não Lula, foram descartados por peritos.[42]

O conteúdo da conversa seria uma suposta tentativa de evitar a prisão do Lula. Dilma iria nomear Lula para o cargo de ministro da Casa Civil, dando-o, portanto, foro especial por prerrogativa de função, de forma que ele ficaria fora do alcançe de Sérgio Moro, que era juíz de primeira instância.[42]

A corregedora do Conselho Nacional de Justiça arquivou oito representações, de um total de quatorze,[43] e a Procuradoria Geral da República, em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), considerou as gravações legais.[44]

Divulgação da conversa de Lula com DilmaEditar

Em 16 de março de 2016, o juiz federal Sérgio Moro retirou o sigilo do grampo telefônico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As conversas gravadas pela Polícia Federal incluíam diálogo no mesmo dia com a presidente Dilma Rousseff, que o nomeou Ministro Chefe da Casa Civil. Contudo, Moro declarou que Lula já tinha pelo menos a suspeita das gravações, o que comprometeria a espontaneidade e a credibilidade de diversos diálogos. O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse que a divulgação do áudio da conversa entre a presidente Dilma Rousseff com Lula era uma "arbitrariedade" e estimulava uma "convulsão social".[45][46]

A conversa telefônica referiu-se especialmente à oferta do cargo de ministro a Lula; ele diz que talvez aceitasse o cargo para ser útil ao governo, não para se proteger politicamente. Moro afirmou que havia indícios de tentativa de influenciar ou de obter auxílio de autoridades do Ministério Público ou da Magistratura em favor do ex-presidente, mas sem provas da participação das pessoas mencionadas. Referiu-se ainda à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, "provavelmente para obtenção de decisão favorável ao ex-presidente na ACO 2822". Weber negou um pedido apresentado pela defesa do ex-presidente para suspender duas investigações sobre um triplex em Guarujá, SP e um sítio em Atibaia, SP ligados a ele, no que recebeu elogios de Moro no seu relatório.[47]

Lula, numa conversa gravada com o Ministro Chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, solicitou que conversasse com Dilma a respeito "de negócio da Rosa Weber". Lewandowski também apareceu nos diálogos: "Há diálogo que sugere tentativa de se obter alguma intervenção do Exmo. Ministro Ricardo Lewandowski contra imaginária prisão do ex-presidente, mas sequer o interlocutor logrou obter do referido Magistrado qualquer acesso nesse sentido", disse o juiz. E ainda se fala do Ministro da Justiça Eugênio Aragão, que Lula reputou como amigo, embora "ainda não tivesse prestado qualquer auxílio". O juiz Moro enfatizou que "houve tentativa pelos interlocutores em obter auxílio ou influenciar membro do Ministério Público ou da Magistratura não significa que esses últimos tenham qualquer participação nos ilícitos". Para Moro, porém, isso "não torna menos reprovável a intenção ou as tentativas de solicitação".[48][49]

As interceptações telefônicas foram numerosas e referiam-se a muitos outros nomes do processo de impedimento e do cenário político nacional. Moro explicou que "[o] levantamento [do sigilo] propiciará assim não só o exercício da ampla defesa pelos investigados, mas também o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal". E acrescentou: "A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras".[50]

O ministro do STF Teori Zavascki criticou a decisão do juiz Sergio Moro de divulgar o conteúdo das interceptações telefônicas que envolviam o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff. Relator da Lava Jato no STF, Zavascki discordou da "imediata" divulgação das conversas e apontou a falta de "contraditório". Para Zavascki, "a divulgação pública das conversações telefônicas interceptadas, nas circunstâncias em que ocorreram, comprometeu o direito fundamental à garantia de sigilo, que tem assento constitucional." Em 22 de março de 2016, Zavascki determinou que Moro enviasse ao STF os processos que tramitavam na 13ª Vara Federal de Curitiba e envolviam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.[51]

Reações à divulgaçãoEditar

 
Protesto espontâneo contra a nomeação do ex-presidente Lula como Ministro da Casa Civil, em 16 de março de 2016.

Para o professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores da ação pedindo o impedimento do então presidente Fernando Collor de Mello,[52] Dalmo Dallari, a divulgação das gravações foi ilegal. "Em se tratando de uma comunicação da presidente da República, o juiz só poderia ter gravado com autorização do Supremo Tribunal Federal. E mesmo assim, jamais poderia tê-las divulgado. Cometeu dupla ilegalidade e deveria ser punido por isso", disse o jurista. A divulgação das gravações gerou diferentes opiniões entre juristas. Já o jurista Miguel Reale Jr. defendeu que a retirada do sigilo das gravações é "totalmente legal" e que o teor das conversas mostra "claras intenções de obstruir a Justiça".[53]

Em abril de 2016, o ministro do STF Marco Aurélio Mello criticou a divulgação dos áudios de grampos da Lava Jato que envolveram o ex-presidente Lula e Dilma Rousseff, dizendo que "são condenáveis a todos os títulos" e que "Temos lei que impõe sigilo".[54][55] Em meados de junho, o ministro do STF Teori Zavascki invalidou parte das gravações em que Dilma avisa Lula que está mandando o termo de posse como ministro, e enviou para Moro os processos envolvendo Lula.[56] Em julho, o então presidente do STF, Ricardo Lewandowski determinou que os grampos permaneçam preservados sob guarda do juiz federal Sérgio Moro e indeferiu pedido liminar da defesa do ex-presidente Lula para que as gravações de conversas entre ele e autoridades com foro no STF não sejam utilizadas nas investigações e em eventual ação penal perante a 13.ª Vara Federal de Curitiba.[57]

Rodrigo Tacla DuranEditar

Em dezembro de 2017, em depoimento dado durante a CPI da JBS, o advogado Rodrigo Tacla Duran, acusado de ser operador de propinas da Odebrecht no exterior, alegou ter recebido oferta de benefícios indevidos por parte de Carlos Zucolotto Júnior, advogado e ex-sócio da esposa de Moro e também padrinho de casamento do casal. Duran chegou a ter um mandado de prisão preventiva expedido contra si, mas refugiou-se na Espanha e não foi detido. De acordo com Tacla Duran, a oferta de Zucolotto incluía a redução da multa e garantia de prisão domiciliar, mediante pagamento ilegal de cinco milhões de reais. Por fim, afirmou que a força tarefa fazia uso de documentos adulterados e falsificados, apontando supostas incongruências de nomes e datas. Em resposta, Moro negou veementemente as acusações e afirmou ser "lamentável que a palavra de um foragido da justiça brasileira seja utilizada para levantar suspeitas infundadas."[58][59]

A defesa do ex-presidente Lula tentou incluir Duran na lista de testemunhas no processo relativo ao terreno do Instituto Lula, supostamente obtido como propina da Odebrecht, mas Moro recusou por duas vezes a inclusão, posicionamento também mantido em julgamento ulterior pelo TRF-4. Em agosto de 2018, a Interpol acusou Moro de possível violação de seu regramento internacional e retirou Duran de sua lista internacional de procurados. A atitude da Interpol foi embasada por dúvidas quanto à lisura do processo legal decorrentes de possível parcialidade do então magistrado.[60][61]

Vazamento de conversas pelo The InterceptEditar

 
Glenn Greenwald, um dos jornalistas do The Intercept.

Em junho de 2019, o periódico virtual The Intercept publicou matéria com vazamento, de fonte anônima, de conversas no aplicativo Telegram entre o ex-juiz Sérgio Moro e o promotor Deltan Dallagnol no âmbito da Operação Lava Jato com evidências de "discussões internas e atitudes altamente controversas, politizadas e legalmente duvidosas da força-tarefa da Lava Jato". As transcrições sugerem que Moro cedeu informação privilegiada à acusação, auxiliando o Ministério Público a construir casos, além de orientar a promotoria, sugerindo modificação nas fases da operação Lava Jato. Também mostram cobrança de agilidade em novas operações, conselhos estratégicos, e antecipação de pelo menos uma decisão. Moro teria ainda fornecido pistas informais e sugestões de recursos ao Ministério Público. Segundo juristas, tal prática viola o código de ética da magistratura e a Constituição brasileira, por desrespeitar os princípios da imparcialidade, independência e equidistância entre defesa e acusação. As transcrições demonstrariam ainda que a promotoria teria receio da fragilidade das acusações feitas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que teria buscado combinar previamente elementos do caso.[62][63][64]

Os arquivos contêm também discussões sobre formas de inviabilizar uma entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que tinha sido autorizada pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, pelo receio de que a aparição do ex-presidente na mídia poderia "eleger o Haddad ou permitir a volta do PT ao poder", o que indicaria partidarização e politização da conduta da promotoria.[64] Leando Demori, diretor executivo do Intercept Brasil, disse que o arquivo é maior do que o revelado por Edward Snowden para Glenn Greenwald, que coescreveu os artigos.[65] Glenn confirmou esse fato e diz acreditar que é uma das reportagens mais importantes que ele fez em sua carreira.[66]

A Lava Jato foi acusada no passado de operar com motivações políticas, partidárias e ideológicas, e não jurídicas. A força-tarefa, no entanto, nega tais acusações de forma veemente. Em nota, afirmou que a divulgação de conversas de Dallagnol com Moro é fruto de ação de um hacker "que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes" e que "há a tranquilidade de que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial, em mais de cinco anos de Operação".[67] O Ministério Público Federal também confirmou o vazamento de mensagens de procuradores, mas alega que as mensagens não mostram nenhuma ilegalidade.[68] Em nota, Moro classificou as conversas como "supostas mensagens", disse que as falas foram "retiradas de contexto" e afirmou que "não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado".[69] O jornal Duplo Expresso em junho de 2018 revelou a difamação da Rússia no caso do escândalo da Lava Jato, fato esse confirmado pelo Telegram.[70][71]

A Segunda Turma do STF deve analisar o caso e decidir se Moro agiu ou não com parcialidade ao julgar o ex-presidente Lula. Caso o colegiado acolha o pedido da defesa do petista para considerar Moro suspeito, todas as decisões tomadas por ele em processos contra Lula podem ser anuladas, inclusive a condenação no caso do tríplex do Guarujá.[72] O Conselho Nacional de Justiça arquivou o pedido do PDT sobre a investigação contra o atual Ministro da Justiça, por ele já estar exonerado como juiz.[73]

Conivência da Rede GloboEditar

Em entrevista para a Agência Pública, após as primeiras revelações do The Intercept sobre as ações do ex-juiz Sérgio Moro na Lava Jato, Glenn Greenwald falou que a Rede Globo e a "grande mídia", com exceção do jornal O Estado de S. Paulo e jornalistas independentes, trabalharam com a Lava Jato "publicando o que a força-tarefa queria que eles publicassem."[74]

A emissora rebateu as críticas de Greenwald em nota, ao dizer que Gleen de fato havia entrado em contato com eles para propor uma nova parceria jornalística, por conta do trabalho que havia sido feito sobre as revelações da vigilância global de Edward Snowden. A Globo afirmou que, apesar de ter oferecido o material, o jornalista não quis disponibilizar informações sobre o conteúdo das revelações e sobre a origem dos dados. Por conta disto, a emissora teria recusado a oferta. Na sexta, dia 7 de junho, Greenwald mandou um email afirmando que não recebeu nenhuma resposta da Globo e que devia supor que a emissora não estava interessada em reportar este material. Não houve contatos posteriores entre as partes.[75]

Profissionais da Operação Lava Jato no governo Jair BolsonaroEditar

Dezenove integrantes com histórico profissional ligado à Operação Lava Jato estão no governo Jair Bolsonaro. Além do ex-juiz federal Sergio Moro, há delegados da Polícia Federal, auditores da Receita Federal, servidores da Justiça Federal do Paraná e uma ex-subprocuradora-geral da República. Como o Congresso Nacional decidiu transferir o comando do Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Justiça e Segurança Pública para o Ministério da Economia, três auditores da Receita que haviam sido nomeados pelo ministro Sérgio Moro para trabalhar no conselho agora estão subordinados ao ministro Paulo Guedes.[76]

A ida de integrantes da Operação para o governo gerou questionamentos quanto a neutralidade dela. A decisão do presidente Jair Bolsonaro de nomear o então juiz para o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, por exemplo, provocou reação negativa da imprensa internacional, pois o mesmo havia condenado Lula, o principal adversário do presidente na eleição.[77] Moro foi responsável por ter emplacado 18 ligados à Operação Lava Jato para exercer cargos de confiança vinculados a sua pasta no governo.[76]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b «Líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral é preso pela Polícia Federal». G1 Política. Globo. 25 de novembro de 2015. Consultado em 25 de novembro de 2015 
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  3. Justi, Adriana; Dionísio, Bibiana (25 de novembro de 2015). «Banqueiro André Esteves é preso pela Polícia Federal no Rio de Janeiro». G1 Paraná. Globo. Consultado em 25 de novembro de 2015 
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  7. «STF determina prisão preventiva para André Esteves e Diogo Ferreira». G1 Política. Globo. 29 de novembro de 2015. Consultado em 1 de dezembro de 2015 
  8. Passarinho, Nathalia; Ramalho, Renan (17 de dezembro de 2015). «Teori mantém prisão de Delcídio e concede prisão domiciliar a Esteves». G1 Política. Globo. Consultado em 18 de dezembro de 2015 
  9. Rizério, Lara (3 de março de 2016). «Dilma e Lula tentaram interferir na Operação Lava Jato, diz Delcídio, segundo Isto É». InfoMoney. Consultado em 3 de março de 2016 
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