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Operação Outono

filme de 2012 dirigido por Bruno de Almeida
Operação Outono
Operação Outono
Portugal Portugal
2012 •  cor e p/b •  92 min 
Realização Bruno de Almeida
Argumento Bruno de Almeida
Frederico Delgado Rosa
John Frey
Género thriller político
Distribuição Alfama Filmes
Idioma português
Página no IMDb (em inglês)

Operação Outono (2012) é um filme português, de longa-metragem, de Bruno de Almeida. Trata-se de um thriller que descreve e desmonta a intriga que envolve o assassínio do General Humberto Delgado, crime cometido pela PIDE em fevereiro de 1965. Baseia-se no livro "Humberto Delgado, Biografia do General Sem Medo" de Frederico Delgado Rosa, neto do general.

O filme tem antestreia em Lisboa no cinema São Jorge a 18 de novembro de 2012.

Estreia em novembro de 2012 em Lisboa, Porto, Almada, Aveiro, Viseu, Vila Real, Coimbra, Braga, Castelo Branco, Vila Nova de Gaia, Gondomar [1].

SinopseEditar

Uma cilada é concebida pela PIDE por ordem de Oliveira Salazar para assassinar o General Humberto Delgado. Tem como nome de código «Operação Outono». O crime consuma-se a 13 de fevereiro de 1965, em Los Almerines, território espanhol, perto da fronteira portuguesa.

Iniciada em Badajoz, a cilada desenrola-se entre 1964 e 1981, em Portugal, Espanha, Argélia, Marrocos, França e Itália. Indiciados os culpados por iniciativa do regime franquista, que recusa envolver-se no escândalo, o julgamento dos implicados terá lugar no Tribunal de Santa Clara, em Lisboa, já depois da Revolução dos Cravos.

Enquadramento históricoEditar

O filme baseia-se em factos verídicos. Em 1958, Humberto Delgado, o "General Sem Medo", candidata-se à Presidência da República juntamente com o Almirante Américo Tomás, escolhido pelo regime salazarista. É grande a adesão popular à figura carismática de Humberto Delgado, o que faz estremecer a ditadura, embora as eleições estejam viciadas desde o início, dando a vitória a Américo Tomás.

Humberto Delgado exila-se primeiro no Brasil e depois na Argélia, colónia francesa tornada independente, onde é recebido pelo então presidente Ahmed Ben Bella com honras de estado. Um agente da PIDE, Mário de Carvalho, fazendo-se passar um exilado político em Roma, conquista a confiança de Humberto Delgado. A conspiração estende-se a outros locais de encontro. Outros agentes intervêm no processo, fazendo-se passar por antifascistas no seio do exército português, que o general pretende sublevar.

A 27 de dezembro de 1964, em Paris, é apresentado ao general o "Dr. Castro e Sousa", Ernesto Lopes Ramos, subinspetor da PIDE, que se diz advogado com ligações ao exército português. Durante essa reunião, é combinado novo local de encontro e uma data: Badajoz, 13 de fevereiro de 1965.

Os corpos de Humberto Delgado e Arajaryr Campos, sua fiel secretária, serão enterrados nesse dia a cerca de 30 km do lugar do crime, perto da aldeia fronteiriça de Villanueva del Fresno, a 65 km a sul de Badajoz. Chuvadas intensas, raposas, lobos ou cães terão exumado e mutilado os cadáveres, que acabam por ser identificados pelos investigadores espanhóis.

O processo judicial português, que terá lugar depois do 25 de abril de 1974, entre 9 de outubro de 1978 e 27 de Julho de 1981 no Tribunal de Santa Clara, em Lisboa, será denunciado como vergonhosa «farsa» pelo neto de Humberto Delgado. Consideram os juízes que o objetivo da «Operação Outono» seria raptar e não matar o general. São ilibados todos os acusados, com exceção do autor material do crime, Casimiro Monteiro, que se escapa para a África do Sul. [2][3][4][5][6][7][8].

AnáliseEditar

O filme faz alguma analogia entre o mau julgamento do caso e igual impunidade e lentidão da justiça em casos de Justiça mediáticos mais recentes. Assim pode discutir-se se o filme não é sobre heranças institucionais corporativas do regime no meio judicial ou ingerências da política hoje democrática no poder judicial.

Ficha artísticaEditar

Ficha técnicaEditar

FestivaisEditar

Referências

  1. Filme A1: Operação Outono
  2. História – Operação Outono[ligação inativa] na página oficial do produtor
  3. Iva Delgado, Carlos Pacheco, Telmo Faria (coord.), Humberto Delgado. As Eleições de 58, 1998, Lisboa, Veja
  4. F. Delgado Rosa 2008; Humberto Delgado, The Memoirs of General Delgado, 1964, Londres, Cassell; Arajaryr Campos, Uma Brasileira contra Salazar, 2005, Lisboa, Livros Horizonte
  5. F. Delgado Rosa 2008; Manuel Garcia, Lourdes Maurício, O Caso Delgado. Autópsia da “Operação Outono”, 1977, Lisboa, Edições Jornal Expresso; Valério Ochetto, Em Prol da Verdade, 1978, Lisboa, Bertrand
  6. Patrícia McGowan Pinheiro, Misérias do exílio. Os últimos meses de Humberto Delgado, [1979], 1998, Lisboa, Contra-Regra
  7. Juan Carlos Jiménez Redondo,Caso Humberto Delgado. Sumario del proceso penal español, 2001, Mérida, Junta de Extremadura; El Otro caso Humberto Delgado. Archivos policiales y de información, 2003, Mérida, Junta de Extremadura, Editora Regional de Extremadura.
  8. Manuel Geraldo, Memória de um processo. A Segunda morte do General Delgado, 1982, Lisboa, Edições Caso

Ligações ExternasEditar

Ver tambémEditar