Operação Valquíria

Disambig grey.svg Nota: Para o filme com Tom Cruise, veja Valkyrie.

A Operação Valquíria (em alemão: Unternehmen Walküre) era um plano alemão criado durante a Segunda Guerra Mundial com o propósito de manter o governo do país funcionando em caso de uma emergência, através da mobilização do exército reserva da Alemanha para assumir o controle da situação caso houvesse algum tipo de levante entre a população civil alemã ou uma revolta de trabalhadores estrangeiros (a esmagadora maioria escravos trazidos dos territórios ocupados) em fábricas dentro do país.

O Wolfsschanze depois da explosão.

Os generais do exército alemão (Heer) Friedrich Olbricht, Henning von Tresckow e o coronel Claus von Stauffenberg modificaram o plano com a intenção de usar a força de reserva alemã para tomar o controle das cidades do país, desarmar a SS e prender a liderança nazista após o assassinato do ditador Adolf Hitler no Atentado de 20 de Julho. A morte de Hitler (ao invés de simplesmente detê-lo) era necessária para desprender os soldados e oficiais alemães do seu juramento de lealdade pessoal a ele (Führereid). Em julho de 1944, a operação foi executada mas terminou em fracasso, com os conspiradores sendo presos e muitos deles executados.

O PlanoEditar

 
Stauffenberg (à esquerda) em Rastenburg em 15 de Julho de 1944. No centro Adolf Hitler. Stauffenberg já levava as bombas consigo. Mas decidiu não detoná-las naquele momento.

O plano original, criado para lidar com distúrbios internos em situações emergenciais, foi criado pela equipe do general Friedrich Olbricht em sua capacidade de chefe do Escritório do Exército. O plano foi aprovado por Hitler.[1] A ideia de usar o exército reserva para dar um Golpe de Estado já existia antes, mas o problema para os conspiradores estava na falta de cooperação do coronel-general Friedrich Fromm, Chefe do Exército Reserva, o único que, além de Hitler, podia iniciar Valquíria. Ainda assim, após as lições aprendidas no fracassado atentado de 13 de março de 1943, Olbricht achava que o plano original era inadequado e que o exército reserva teria que ser mobilizado para o golpe sem a cooperação de Fromm.

O plano original da Operação Valquíria lidava apenas com a estratégia de garantir a prontidão de combate das escassas unidades de reservas do exército. Olbricht adicionou uma segunda parte ao plano, o 'Valquíria II', que iria aprovar as mudanças no agrupamento de unidades prontas para ação.[2]

Em agosto e setembro de 1943, o general Henning von Tresckow achou que as revisões de Olbricht eram inadequadas, e assim expandiu o plano e fez várias revisões. A declaração secreta inicial seria: "O Führer Adolf Hitler está morto! Um grupo traiçoeiro de líderes do partido tentaram explorar a situação ao atacar nossos preparados soldados por trás para tomar o poder para eles mesmos." Instruções com detalhes foram escritos para ocupação de ministérios governamentais em Berlim, o quartel-general de Heinrich Himmler na Prússia Oriental, estações de rádio, centrais telefônicas, infraestruturas militares nazistas em vários distritos e os campos de concentração.[1] Todos os documentos eram manuseados pela esposa de Tresckow, Erika, e por Margarete von Oven, a sua secretária. Ambas as mulheres usavam luvas para não deixarem impressões digitais.[3]

Em essência, o plano era enganar o exército reserva para tomar o poder e remover o governo civil da Alemanha Nazista em guerra sob pretensões falsas de que a própria SS estava tentando dar um golpe de estado e tinham assassinado Hitler. O principal requisito era que soldados comuns e oficiais menores deveriam seguir com o plano motivados por alegações falsas de que a liderança civil nazista fora desleal e traíram o Estado e então deveriam derruba-los. Os conspiradores contavam com os soldados obedecendo suas novas ordens e para tal elas tinham que vir direto de canais oficiais, como o Alto Comando do Exército Reserva.[4]

Além de Hitler, apenas o general Friedrich Fromm, comandante do Exército Reserva, poderia dar início a Operação Valquíria. Assim, para que o plano funcionasse, Fromm deveria ser persuadido pelos conspiradores a participar do plano ou ele deveria ser neutralizado. O general Fromm, como muitos oficiais superiores do exército alemão, sabia a respeito da conspiração contra Hitler, mas ou não apoiavam os conspiradores ou simplesmente os ignoravam e não reportavam suas atividades a Gestapo.[2]

Em 1944, o plano final foi implementado no Atentado de 20 de julho. Apesar da mobilização da reserva do exército através da Operação Valquíria ter visto um sucesso inicial, Hitler sobreviveu e outros oficiais nazistas suplantaram a ordem dos conspiradores e voltaram o exército reserva contra eles. No final, o coronel Claus von Stauffenberg (o mentor do atentado de 1944), os generais Tresckow e Olbricht e o marechal Erwin von Witzleben foram executados pelos nazistas, enquanto Ludwig Beck cometeu suicídio. Milhares de alemães foram presos e pelo menos 5 mil membros da resistência foram também mortos nas represálias.[5][6]

Na mídiaEditar

Em 2008, Tom Cruise estrelou Valkyrie (br: Operação Valquíria), filme baseado na operação mostrando o atentado do ponto de vista de Stauffenberg.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b Joachim Fest, Plotting Hitler's Death: The German Resistance to Hitler, 1933–1945, 1996, p219
  2. a b Nigel Jones, Countdown to Valkyrie: The July Plot to Assassinate Hitler. Frontline, 2008 (ISBN 9781848325081)
  3. Joachim Fest, Plotting Hitler's Death: The German Resistance to Hitler, 1933–1945, 1996, p220
  4. Philipp von Boeselager, "Valkyrie: The Plot to Kill Hitler, trans. Steven Rendall, Phoenix (Weidenfeld and Nicolson), 2009 (ISBN 978-0-7538-2566-2)
  5. Hoffmann, Peter. The History of the German Resistance, 1933–1945. McGill-Queen's University Press. ISBN 0-7735-1531-3
  6. Jones, Nigel. Countdown to Valkyrie: The July Plot to Assassinate Hitler. Frontline, 2008. ISBN 9781848325081

BibliografiaEditar

  • Berben Paul - O Atentado contra Hitler. Coleção Blitzkrieg, Nova Fronteira, 1962

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