Os Justos


Os Justos é uma peça de teatro em cinco atos escrita por Albert Camus. Sua primeira representação ocorreu no Teatro Hébertor, em 15 de dezembro de 1949, sob a direção de Paul Œttly.

Les Justes
Os Justos
Os Justos
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Autor Albert Camus
País borda|class=noviewer|20x20px|Bandeira da frança França
Gênero Peça teatral
Date de publicação 1949
Data de encenação
Diretor Paul Œttly
Lugar de encenação Théâtre Hébertot

EnredoEditar

Em Moscou, no ano de 1905, um grupo de socialistas revolucionários tramam o assassinato do grão-duque Serge, que governa a cidade despoticamente. Kaliáiev, o mais jovem e idealista do grupo revolucionário, é o encarregado de lançar a bomba no carro do grão-duque. Nesse planejamento e em suas consequências, os diferentes caracteres dos terroristas entrem em confronto, e nas discussões emanam temas como o da Revolução, das causas pelas quais se vive e morre e do romantismo individualista contrastado com o espírito revolucionário, sempre coletivo.

A peça é baseada em fatos históricos, pois no dia 17 de fevereiro de 1905 um grupo de socialistas revolucionários (Organisation de combat des SR), do qual fazia parte Ivan Kaliáiev, cometeu um atentado contra o referido grão-duque[1].

Primeiro atoEditar

Em um apartamento moscovita, Annenkov, Stepan, Dora, Voinov e Kaliáiev planejam a morte do grão-duque em nome de uma organização socialista, em uma série de lutas contra a tirania, tema recorrente na peça. Kaliáiev deve lançar a primeira bomba e Voinov a segunda, em uma ação de emboscada. Ocorre, no entanto, uma disputa entre o revolucionário apaixonado Kaliayev e o já calejado Stepan, encarnando a disputa ideológica de Albert Camus (Kaliáiev) com Jean-Paul Sartre (Stepan).

Segundo atoEditar

Dora et Annenkov assistem ao atentado da janela do apartamento. Após algum tempo Kaliáiev volta, sem ter jogado a bomba na caleche. Ele se justifica dizendo que acompanhava o grão-duque seus sobrinhos (os príncipes Demétrio e Maria Pavlovna), e que não seria digno de um revolucionário, que em teoria luta por um mundo livre da tirania, assassinar crianças.


Stepan fica furioso com o fracasso, e diz que: "Porque Yanek não matou duas crianças, milhares delas ainda morrerão de fome na Rússia durante os anos vindouros".


Em consenso, eles decidem adiar a missão para o próximo dia. Uma segunda chance é concedida a Kaliáiev, ainda encarregado de lançar a bomba.

Terceiro atoEditar

Dois dias mais tarde, Kaliáiev tenta mais uma vez assassinar o grão-duque, desta vez com sucesso. Ele é preso e prontamente levado à prisão.


Antes de sua missão, há um grande diálogo entre ele e Dora, no qual eles tratam de temas tão vários quanto o amor, a coragem e a revolução. Ansiosos e inseguros, eles se emaranham em dúvidas quanto aos fins que eles visam, destrinchando a parte humana, sensível e incerta do trabalho revolucionário. Há uma tentativa de conciliação entre o amor individual, romântico, dos namorados, e o amor coletivo, ao povo, próprio do revolucionário asceta compromissado que Stepan, em parte, encarna.

Quarto atoEditar

Kaliáiev é encarcerado e discute com Foka, um prisioneiro que trabalha enforcando outros presos a fim de diminuir sua pena (cada enforcamento lhe garante um ano a menos). Depois Skouratov, o diretor do departamento de polícia, entra e começa a falar sobre o atentado.


Em seguida entra a grã-duquesa Élisabeth, que na sua viuvez tenta convencer o terrorista do custo humano de sua operação, desejando que ele confesse o assassinato. Ele, no entanto, se mantém firme a seu ideal de justiça, recusando a confissão.


Skouratov então propõe outra solução: a vida de Kaliáiev seria salva se ele traísse os demais membros da organização. Publicaria, porém, uma notícia anunciando sua delação.


A cabo dessas ofertas, Kaliáiev nada aceita. Ruma para o cadafalso sem considerá-las.

Quinto atoEditar

É a noite da execução de Kaliáiev. Annekon e Dora aguardam notícia. Embora alguns deles quisessem que ele os traísse para se salvar, Dora sabe que o seu compromisso com o ideal não o permitiria. Isso se confirma pouco depois da notícia de sua execução. Dora, enfim, deseja lançar-se de vez ao terrorismo, oferecendo sua vida também.

ObraEditar

A peça é uma resposta à obra As mãos sujas de Jean-Paul Sartre, em que um grupo de revolucionários socialistas tentam eliminar um traidor do Partido. Como disse o próprio Camus, seu texto foi inspirado em fatos reais, os quais decorreram no ano de1905. Sua fonte foi o livro de Boris Savinkov, Lembranças de um terrorista.

Um primeiro rascunho aparece no seu caderno em 1947. Em 1948, Camus escreveu um artigo, "Os Assassinos Delicados", acerca de heróis de sua peça (artigo corrigido e que se tornaria capítulo de O homem revoltado). Em 1949, um primeiro manuscrito é redigido sob o nome A Corda, depois revisado sob o nome Os Inocentes antes de assumir seu título definitivo.

  1. «Notice biographique d'Ivan Kaliaïev». socialist.memo.ru (em russo). Consultado em 11 mai 2018  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)