Othon Luiz Pinheiro da Silva

Othon Pinheiro da Silva
Nome completo Othon Luiz Pinheiro da Silva
Conhecido(a) por Desenvolvimento do programa nuclear paralelo brasileiro
Nascimento 25 de fevereiro de 1939 (80 anos)
Sumidouro, Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Engenharia Naval, Engenharia Mecânica, Engenharia Nuclear
Cargo Vice-almirante do Corpo de Engenheiros e Técnicos Navais da Marinha do Brasil, Responsável pelo Programa Nuclear Paralelo do Brasil, ex-Presidente da Eletronuclear
Othon Luiz Pinheiro da Silva
Crime(s) Corrupção, lavagem de dinheiro, embaraço a investigações, evasão de divisas e organização criminosa[1]
Pena 43 anos de reclusão[1]
Situação Em liberdade após habeas corpus

Othon Luiz Pinheiro da Silva (Sumidouro, 25 de fevereiro de 1939) é um engenheiro naval, mecânico e engenheiro nuclear brasileiro, vice-almirante do Corpo de Engenheiros e Técnicos Navais da Marinha do Brasil.

A biografia de Othon está intimamente relacionada ao programa nuclear brasileiro. Ele é reconhecido e recebeu inúmeras homenagens por ter sido um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de uma tecnologia para enriquecimento de urânio denominada ultracentrifugação. Isso permitiu que o país se tornasse independente por dominar toda a cadeia produtiva da energia nuclear, garantindo a construção do submarino de propulsão nuclear SN Álvaro Alberto (SN-10) e o abastecimento das usinas nucleares do país.[2][3]

O vice-almirante foi preso pela primeira vez na Operação Radiotividade, 16ª fase da Operação Lava Jato desencadeada pelas delações de Dalton Avancini, um ex-executivo da empreiteira Camargo Corrêa. Posteriormente voltou a ser preso na Operação Pripyat, desdobramento da anterior que investigou denúncias de corrupção na Eletronuclear.

Othon foi condenado em primeira instância pelo juiz Marcelo Bretas a uma pena de 43 anos e ficou preso na Base de Fuzileiros Navais do Rio Meriti, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.[4] Ele foi libertado por um habeas corpus concedido em outubro de 2017 pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.[5][6]

BiografiaEditar

Othon se graduou em 1960 na Escola Naval e em Engenharia Naval pela Escola Politécnica de São Paulo em 1966, com mestrado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em 1978, concomitantemente com uma graduação em engenharia nuclear.[7][8]

Retornado ao Brasil, foi incumbido de iniciar os primeiros estudos para um submarino nuclear brasileiro e liderou o Programa Nuclear Paralelo entre 1979 e 1994.[4] Executado sigilosamente pela Marinha, o projeto resultou no desenvolvimento de uma tecnologia nacional para enriquecimento de urânio através do método de ultracentrifugação, que atualmente produz parte do combustível das usinas nucleares de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.[9]

Othon foi diretor de pesquisas de reatores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) entre 1982 e 1984.[8] Durante esta época foi ativamente vigiado pela CIA que mantinha um agente, Ray H. Allar, morando no apartamento ao lado daquele do almirante em São Paulo.[7] Junto com Marcos Honauser, Othon controlava contas secretas pela qual eram aplicadas verbas em programas nucleares paralelos.[10] Descoberto pela jornalista Tânia Malheiros, que publicou o livro "Brasil, a Bomba Oculta", o caso foi alvo de inquérito, arquivado em 1988 pelo procurador Sepúlveda Pertence.[10]

Em 1994, se aposentou como vice-almirante e abriu uma empresa de consultoria para projetos na área de energia.[9]

HomenagensEditar

Em 1994, recebeu do então presidente da República Itamar Franco a grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.[8] Em 2011, por iniciativa do deputado Gilberto Palmares, recebeu o título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro.[11]

Também recebeu a Ordem do Mérito Naval no grau de comendador, a Ordem do Mérito Militar como comendador, Ordem do Mérito Aeronáutico como comendador, a Ordem do Mérito das Forças Armadas como comendador, a Medalha do Mérito Tamandaré, Medalha do Pacificador, Medalha do Mérito Santos-Dumont e Medalha Militar de Ouro.[11]

Prisões e condenaçãoEditar

 Ver artigos principais: Operação Radiotividade e Operação Pripyat

Em 2005, durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu a presidência da Eletronuclear, convidado pelo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau.[12] Em sua gestão as obras da usina de Angra 3, paradas por 23 anos, foram retomadas.[9] Em abril de 2015 foi afastado do cargo, depois que surgiram denúncias de pagamento de subornos a dirigentes da empresa.[9] Foi preso em 28 de julho do mesmo ano, durante investigações no contexto da Operação Lava Jato, quando foram encontrados indícios de pagamentos de 4,5 milhões de reais em propina feitos por um consórcio de empreiteiras.[9] Preso no Rio de Janeiro na Operação Radiotividade, foi levado para a Superintendência da PF em Curitiba.[13]

Em 6 de julho de 2016, voltou a ser preso pela PF, em uma operação desdobramento da Lava Jato, batizada de Pripyat, que apura corrupção na Eletrobras.[14][15][16] Em agosto do mesmo ano, o juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, condenou o vice-almirante Othon a 43 anos de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, embaraço a investigações, evasão de divisas e organização criminosa durante as obras da usina nuclear de Angra 3.[1][4]

Em outubro de 2017,[5] Othon foi libertado por um habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 2ªRegião.[5]

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. a b c Mariana Sallowicz (3 de agosto de 2016). «Justiça condena ex-presidente da Eletronuclear a 43 anos de prisão». Estadão. Consultado em 4 de agosto de 2016 
  2. «Quem é o militar que recebeu a maior pena da Lava Jato até agora». Nexo Jornal 
  3. Dominguez, Jorge I.; Covarrubias, Ana (17 de outubro de 2014). Routledge Handbook of Latin America in the World (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781317621850 
  4. a b c Juliana Castro (24 de janeiro de 2017). «Condenado a 43 anos de prisão na Lava-Jato, ex-presidente da Eletronuclear tentou suicídio». O Globo. Consultado em 30 de março de 2017 
  5. a b c «Mônica Bergamo: Justiça manda soltar almirante Othon, ex-presidente da Eletronuclear». Folha de S.Paulo 
  6. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome :1
  7. a b Contreiras, Hélio (5 de maio de 1999). «Espionagem à brasileira». Istoé. Consultado em 1 de junho de 2015 
  8. a b c «Saiba quem é o presidente licenciado da Eletronuclear preso na Lava-Jato». ZH Notícias. Consultado em 1 de junho de 2015 
  9. a b c d e Salomão, Lucas (julho de 2015). «Executivo preso na Lava Jato é vice-almirante da Marinha». G1 - Política. Consultado em 1 de junho de 2015 
  10. a b «Presidente da Eletronuclear controlou conta secreta de programa nos anos 80». Folha de S.Paulo. 29 de julho de 2015. Consultado em 1 de junho de 2015 
  11. a b «Projeto de Resolução Num. 160/20111». 18 de maio de 2011. Consultado em 1 de junho de 2015 
  12. Freitas, Cláudia (28 de julho de 2015). «STM: se condenado, Othon Pinheiro pode perder patente, salário e cumprir pena em penitenciária». Jornal do Brasil. Consultado em 1 de junho de 2015 
  13. «Empreiteiras pagaram propina a dirigentes da Eletronuclear». G1. 28 de julho de 2015. Consultado em 28 de julho de 2015 
  14. «Ex-presidente da Eletronuclear é alvo de operação da PF». Uol. 6 de julho de 2016. Consultado em 6 de julho de 2016 
  15. Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo e Fabio Serapião (6 de julho de 2016). «Polícia Federal abre Operação Pripyat e mira em setor elétrico». Estadão. Consultado em 6 de julho de 2016 
  16. «PF cumpre mandados de prisão da Lava Jato no Rio e Porto Alegre». G1. Globo. 6 de julho de 2016. Consultado em 6 de julho de 2016 

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar