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Pabllo Vittar

Cantor, compositor e drag queen brasileiro
Pabllo Vittar
Vittar durante entrevista em 2018
Nascimento Phabullo Rodrigues da Silva
1 de novembro de 1994 (24 anos)
São Luís, Maranhão, Brasil
Residência Uberlândia, Minas Gerais[1]
Estatura 1,87 m[1]
Ocupação
Período de atividade 2015–presente
Carreira musical
Gênero(s)
Instrumento(s) Vocal
Gravadora(s)
Página oficial
pabllovittar.com.br

Phabullo Rodrigues da Silva (São Luís, 1 de novembro de 1994?[4]), conhecido por seu nome artístico Pabllo Vittar, é um cantor e drag queen brasileiro.[nota 1] Vittar começou a se apresentar numa casa noturna de Uberlândia, Minas Gerais, e ganhou atenção na internet após o lançamento do videoclipe da canção "Open Bar", em outubro de 2015. Em dezembro do mesmo ano, foi lançado seu primeiro extended play (EP), também intitulado Open Bar. No ano seguinte, passou a integrar o elenco do programa Amor & Sexo, da Rede Globo, fazendo números musicais na atração durante duas temporadas. Em 2017, Vittar conseguiu maior reconhecimento ao lançar seu álbum de estreia Vai Passar Mal, que foi certificado com platina pela Pro-Música Brasil (PMB) e gerou singles como "Todo Dia", "K.O." e "Corpo Sensual". Em 2018, lançou seu segundo álbum de estúdio, Não Para Não, certificado com ouro pela PMB.

Vittar é conhecido por sua indiferença em relação aos pronomes específicos de gênero usados ​​para se dirigir a ele e faz aparições públicas com e sem a sua caracterização artística. Ele é reconhecido como um ícone gay e tem sido creditado por influenciar o interesse do público sobre outros artistas musicais que também são drag queens. Sua música é geralmente uma mistura de pop com gêneros variados, incluindo estilos musicais que ele cresceu ouvindo, como tecnomelody, arrocha e forró. Durante sua carreira, Vittar venceu um Prêmio Multishow de Música Brasileira, um Troféu APCA, um Melhores do Ano, um Capricho Awards, um MTV Millennial Awards Brasil e foi indicado ao Grammy Latino e MTV Europe Music Awards.

Índice

Início da vida e carreira

Phabullo Rodrigues da Silva nasceu em São Luís, Maranhão, em 1 de novembro de 1994. Ele é filho da técnica de enfermagem Verônica Rodrigues e tem duas irmãs, sendo que uma delas, Phamella, é sua gêmea. Vittar nunca conheceu seu pai biológico, que abandonou Verônica ainda grávida.[8][9] Ele passou parte da infância vivendo em cidades do interior do Maranhão, como Santa Inês, depois passou a infância toda na cidade de Santa Izabel do Pará, no Pará.[10][11] Vittar frequentou aulas de balé clássico durante a infância e alega ter sido vítima de bullying em seus anos escolares, devido a seus gestos delicados e sua voz aguda, que frequentemente eram motivo de humilhação e até agressões físicas.[1][12] Ao relembrar sua infância, ele disse que sempre teve a "noção de que era diferente e que não ia seguir os caminhos que um homem que nasceu com genitália masculina tinha que seguir: casar, ter filhos [...] Sabia que ia fazer alguma coisa no mundo para deixar minha marca."[13]

No início da adolescência, Vittar voltou para o Maranhão, vivendo na cidade de Caxias. Na época, começou a cantar em festas e junto ao coral de uma Igreja Presbiteriana, além de se apresentar no Pop, um programa regional de Caxias, onde fez covers de canções de diversos artistas.[14][15][16] Com 16 anos de idade, Vittar mudou-se para Indaiatuba, São Paulo, para tentar começar uma carreira artística. Porém, não obteve sucesso e acabou trabalhando em lanchonetes de fast food, salões de beleza e como operador de telemarketing.[17][18] Foi com essa idade que Vittar se assumiu homossexual para sua mãe, mas "nem surpresa ela ficou. Sempre me apoiou – aliás, a família inteira, minhas irmãs também", relatou o cantor em entrevista à Marie Claire.[17] Dois anos depois, mudou-se com sua família para Uberlândia, Minas Gerais.[17] Lá, Vittar passou no vestibular para o curso de Design de Interiores da Universidade Federal de Uberlândia, que posteriormente trancou, devido a sua agenda de shows, que havia aumentado.[19][20] No final de 2011, ele começou a publicar covers em um canal pessoal no YouTube.[21]

Vittar disse que sempre foi fascinado pelo "universo feminino" e passou a se interessar pela arte das drag queens quando foi apresentado ao reality show RuPaul's Drag Race por um namorado. Ele se "montou" pela primeira vez aos 17 anos para divulgar a festa de uma amiga, entregando panfletos na porta de uma boate em Uberlândia;[12] "...fui na farmácia, comprei um lápis, um batom e umas extensões tão baratas que acabaram virando um dread só".[22] Vittar aprendeu a se maquiar assistindo a tutoriais no YouTube.[15] Ele também participou de concursos de beleza e venceu alguns antes de iniciar sua carreira musical.[6] Vittar começou a atuar como drag queen e cantor na casa noturna Belgrano, dos produtores Ian Hayashi e Leocádio Rezende, localizada em Uberlândia.[15][23]

Carreira

2015–17: Open Bar, Amor & Sexo e Vai Passar Mal

 
Vittar em show da Open Bar Tour em Brasília, junho de 2016.

Vittar estava mantendo contato através das redes sociais com Pedro D'Eyrot, um dos integrantes do Bonde do Rolê, que apresentou seus vídeos ao produtor Rodrigo Gorky, também integrante do grupo.[20] Em uma visita à Belgrano, Gorky pediu a Hayashi e Rezende para que o apresentassem a Pabllo, que conhecia apenas pela internet.[23][24] Gorky sugeriu a Vittar que gravassem uma releitura em português da canção "Lean On", do grupo Major Lazer, que foi intitulada "Open Bar" e lançada em outubro de 2015.[9][12] O videoclipe da canção, gravado na casa de um amigo de Vittar com um orçamento de 600 reais, atingiu a marca de um milhão de visualizações no YouTube em menos de quatro meses.[12][23] Em dezembro, lançou o extended play (EP) Open Bar. Além da faixa-título, o EP apresenta outras quatro faixas que são versões em português de canções gravadas por artistas como Beyoncé e Rihanna.[25] Com exceção de "Open Bar", que foi autorizada por um dos autores de "Lean On", Diplo, todas as canções do EP e seus videoclipes foram posteriormente retirados das plataformas digitais por questões de direitos autorais.[26] Um remix de "Open Bar" foi posteriormente incluído em seu álbum Vai Passar Mal: Remixes (2017).[27] Logo após o lançamento do EP, Vittar deu início à sua primeira série de shows, Open Bar Tour, que se estendeu por 2016 e totalizou 120 apresentações.[20][23] Vittar acabou chamando a atenção dos produtores do programa Amor & Sexo, da Rede Globo, que o convidaram para integrar a banda do programa em 2016.[12] Ele esteve no elenco da atração durante a nona e décima temporada e deixou o programa para se dedicar a seus projetos musicais.[28]

Em janeiro de 2017, Vittar lançou seu álbum de estreia, Vai Passar Mal. O disco possui uma sonoridade diversificada, incorporando elementos de música pop, eletrônica e gêneros brasileiros, como tecnomelody, arrocha e funk carioca.[29][30] Luccas Oliveira, do jornal O Globo, escreveu sobre o álbum; "...em geral, suas faixas curtas e bem produzidas, com letras que exalam a autoestima e a afirmação de Pabllo, fazem do disco de estreia da drag queen um belo cartão de visitas — feito sob medida para o público que ela atinge."[30] Em 2019, Vai Passar Mal foi certificado com platina pela Pro-Música Brasil (PMB).[31] "Nêga" foi lançada como carro-chefe do disco,[32] seguida por "Todo Dia", uma colaboração com o rapper Rico Dalasam lançada em 20 de janeiro de 2017.[33] A última ganhou atenção durante o Carnaval daquele ano,[9][12] o que levou Pabllo a se apresentar no Carnaval de Salvador.[19] Seis meses após o lançamento, "Todo Dia" e seu videoclipe foram retirados das plataformas digitais devido a uma notificação extrajudicial de Dalasam para questionar acordo de direitos autorais.[34]

 
Vittar em show da turnê Vai Passar Mal, dezembro de 2017

O terceiro e quarto singles do álbum, respectivamente "K.O." e "Corpo Sensual", alcançaram o top 70 da parada Hot 100 Airplay, da Billboard Brasil,[35] e tiveram êxito nas plataformas de streaming; "K.O." atingiu o topo do ranking do Deezer e "Corpo Sensual" culminou a tabela do Spotify no Brasil.[9][36] Em janeiro de 2018, o videoclipe de ambas as faixas havia ultrapassado a marca de 200 milhões de visualizações no YouTube.[37] "Então Vai" e "Indestrutível" também foram lançadas como singles de Vai Passar Mal.[38] O figurino usado pelo artista no videoclipe de "Indestrutível" foi leiloado com o intuito de arrecadar fundos para a Casa 1, projeto em São Paulo que acolhe pessoas LGBT em situação de risco.[39] Em fevereiro de 2017, Vittar deu início à sua segunda série de shows, Vai Passar Mal Tour.[40]

Em maio de 2017, Lia Clark lançou um remix de sua canção "Tome Curtindo" numa colaboração com Vittar.[41] Em junho, ele se juntou a outros artistas para lançar a canção "Filhos do Arco-Íris", cujos lucros beneficiaram as pesquisas da amfAR.[42] A canção "Sua Cara", que apresenta vocais de Anitta e Vittar, foi lançada como segundo single do extended play (EP) Know No Better, do grupo norte-americano Major Lazer, em julho.[43] "Sua Cara" atingiu o pico de número 49 no Hot 100 Airplay da Billboard Brasil,[44] chegou ao top dez em Portugal[45] e apareceu no top 30 de charts da Billboard norte-americana, como o Dance/Electronic Songs e World Digital Songs.[46][47] Seu videoclipe foi filmado na parte Marroquina do Deserto do Saara e se tornou um sucesso instantâneo; na época de seu lançamento, ele foi o sexto videoclipe mais visto em suas primeiras 24 horas e também o mais rápido a atingir um milhão de likes no YouTube.[48][49] Em agosto, Vittar assinou um contrato de dois álbuns com a gravadora Sony Music e lançou uma colaboração com a cantora Preta Gil, intitulada "Decote".[50][51] Em setembro, apresentou-se no palco Sunset da sétima edição do festival Rock in Rio, além de ter participado do show da cantora norte-americana Fergie no palco principal.[29] Em dezembro, Vittar lançou Vai Passar Mal: Remixes, uma compilação que contém novas versões das canções de seu álbum de estreia.[27] No mesmo mês, a cantora britânica Charli XCX lançou a canção "I Got It" numa colaboração com Vittar, Brooke Candy e CupcakKe.[52] A MTV Portugal citou Vittar como uma das principais "revelações musicais" de 2017.[53]

2018–presente: Não Para Não e 111

 
Vittar em apresentação da Não Para Não Tour, novembro de 2018

Em janeiro de 2018, Vittar apareceu como artista convidado em três canções: "Paraíso", de Lucas Lucco,[54] "Joga Bunda", de Aretuza Lovi,[55] e "Eu Te Avisei", de Alice Caymmi.[56] No mesmo mês, Vittar lançou um documentário sobre sua vida e carreira em parceria com o serviço de streaming da Apple Music.[57][58] O documentário também gerou um extended play (EP) que contém três canções lançadas anteriormente em versões ao vivo.[59] Em abril, Vittar lançou a canção "Hasta la Vista" em colaboração com Luan Santana e Simone & Simaria, resultado da campanha Coca-Cola Fan Feat..[60] No dia 1 de maio, estreou seu programa Prazer, Pabllo Vittar no Multishow. Além de performances musicais, a atração também apresentou entrevistas feitas por Vittar, durante um total de cinco episódios.[61] O programa foi indicado ao Rose d'Or Awards e ao PromaxBDA Latin America Awards nas categorias Entretenimento e Promoção Entretenimento/Música/Variedade, respectivamente.[62][63] O programa perdeu na categoria do Rose d'Or e ganhou um troféu de prata na do PromaxBDA.[64][65] Entre junho e setembro, Vittar apareceu como artista convidado numa série de parcerias, incluindo "Não Esqueço", do projeto Niara,[66] "Come e Baza", da cantora angolana Titica,[67] "Caliente", da cantora argentina Lali,[68] e "Energia (Parte 2)", do duo norte-americano Sofi Tukker.[69]

No dia 4 de outubro, Vittar lançou seu segundo álbum de estúdio, Não Para Não. O crítico musical Mauro Ferreira, do G1, disse que "O que era espontâneo em Vai passar Mal parece estrategicamente calculado em Não Para Não", mas acrescentou que isso "jamais tira os méritos do álbum, bem produzido e hábil na confecção de um pop brasileiro com conexões com a cena internacional. Vittar oferece o que se esperava dela neste segundo álbum: um punhado de hits em potencial fabricados com matéria-prima rítmica vinda sobretudo do Nordeste."[70] No entanto, outros críticos sentiram que Não Para Não não tem a mesma "espontaneidade" de seu álbum de estreia.[71] O álbum provou ser um sucesso comercial; Ele foi certificado com ouro pela Pro-Música Brasil (PMB)[31] e Vittar bateu um recorde no Spotify Brasil quando todas as faixas do álbum se incluíram no top 50 das canções mais populares da plataforma, incluindo quatro no top dez.[72] "Problema Seu" foi lançada como carro-chefe do álbum, seguida por "Disk Me", "Seu Crime" e "Buzina".[73][74][75]

Para divulgar o álbum, no dia 1 de novembro, Pabllo deu início à sua terceira turnê, Não Para Não Tour, com um show em São Paulo.[76] Posteriormente, outras datas foram confirmadas em outros países, como México e Inglaterra. No dia 7 de novembro, Vittar lançou o videoclipe de "Highlight", música-tema da série de animação da Netflix, Super Drags, que foi lançada na plataforma de streaming no dia 9 de novembro. A série traz a participação de Vittar, dublando a personagem Goldiva.[77] A série foi cancelada pela Netflix após apenas uma temporada e cinco episódios exibidos.[78] Em dezembro, Vittar foi o vencedor da categoria Música do prêmio Brasileiros do Ano, criado pela revista IstoÉ.[79]

Em abril de 2019, Vittar atingiu a marca de 1 bilhão de visualizações em seu canal no YouTube, somando todos os vídeos publicados.[80] Nos dias 13 e 14 de abril, Vittar participou dos shows de Major Lazer e Sofi Tukker, respectivamente, cantando "Sua Cara", "I Got It" e "Energia (Parte 2)" no festival de música estadunidense Coachella.[81] No dia 10 de maio, Vittar lançou a sua segunda coletânea Não Para Não: Remixes, contendo dez faixas em versão remix de seu segundo álbum de estúdio.[82] No mesmo mês, Vittar anunciou que irá lançar seu terceiro álbum de estúdio, intitulado 111, fazendo referência a sua data de nascimento, 1 de novembro. O álbum será trílingue (interpretado em português, espanhol e inglês) e irá contar com várias participações de outros artistas. O álbum será dividido em duas partes que serão lançadas em datas diferentes. A banda Psirico é a única participação confirmada a estar presente no álbum até então.[83][84][85] "Flash Pose" foi anunciada como o primeiro single do 111, com a participação de Charli XCX. Esta é a primeira canção de Vittar interpretada inteiramente em outro idioma.[86][87]

Em junho, Vittar apareceu como artista convidado nos singles "Garupa", da cantora Luísa Sonza,[88] e "Amarelo", do rapper Emicida.[89] No dia 8 de junho, Vittar iniciou a sua quarta turnê NPN Pride Tour, com datas em paradas do orgulho LGBTQ dos Estados Unidos e Canadá.[90] A NPN Pride Tour é uma extensão da Não Para Não Tour. Em 18 de junho, Vittar se apresentou na festa em homenagem ao aniversário da Rainha Elizabeth II do Reino Unido na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, cujo tema foi "igualdade e inclusão" em comemoração ao mês do orgulho LGBT e em memória à Rebelião de Stonewall.[91][92]

Características artísticas

Estilo musical e voz

Principalmente um artista pop, Pabllo transita entre diversos estilos.[2][3] Seu álbum de estreia, Vai Passar Mal mistura o pop com elementos de música eletrônica e gêneros brasileiros como tecnomelody, arrocha, funk carioca e forró.[29][30] Os críticos de música notaram que seu segundo álbum de estúdio, Não Para Não, seguiu a mesma fórmula de Vai Passar Mal. O álbum também explora a música pop com influências de diversos gêneros musicais, tanto brasileiros como mundiais.[70][93] Pabllo comentou sobre o álbum dizendo, "[...] eu morava em Santa Izabel do Pará e ouvia cúmbia, carimbó, tecnobrega e guitarrada. No Maranhão, ouvia o axé e os pagodes baianos. [...] A Pabllo Vittar está todinha nesse álbum, não tenho como ir contra as minhas origens."[94] Em geral, sua música explora temas como o amor, autoestima e festas.[30][93]

Vittar possui um tipo vocal classificado como contratenor.[29][95] Sérgio Anders, professor de canto da Universidade do Estado de Minas Gerais, analisou a voz de Pabllo: "É uma voz infantilizada num homem adulto, e isso ocorre por questões hormonais." Anders considera Pabllo um bom cantor, mas afirmou que sua técnica não é muito desenvolvida: "Pabllo tem dois tipos como cantora. Nas músicas dela mesma, vai muito além de sua tessitura. Já as músicas mais graves, geralmente covers, me agradam mais. Quando a vi cantar Whitney Houston foi maravilhoso."[95] O jornal The New York Times descreveu sua voz como um "soprano nasal".[96]

Influências

Rihanna (esquerda), RuPaul (centro) e Beyoncé (direita) são três das principais influências do artista.

Por influência de sua mãe, Vittar cresceu ouvindo artistas como Aretha Franklin, Donna Summer e Whitney Houston. Ele imitava essas cantoras na infância, "quando nem sonhava em ser drag ainda".[97] A música de Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Elis Regina, Alcione e Caetano Veloso também foi apresentada a ele na infância.[97][15] Vittar passou a se interessar pela arte das drag queens quando conheceu o reality show RuPaul's Drag Race e cita o artista norte-americano RuPaul como uma influência importante; "todas as drags desse mundo têm que agradecer a RuPaul pela visibilidade que temos hoje."[12][98] Alguns participantes do reality show RuPaul's Drag Race também são referência para Pabllo, que citou April Carrion e Naomi Smalls como algumas das competidoras que o inspiram.[98][99]

No início de sua carreira, usava o sobrenome Knowles como parte de seu nome artístico, uma referência à cantora Beyoncé.[14] Outra referência relevante em sua carreira é Rihanna.[100] Em seu álbum de estreia, Vai Passar Mal, o artista teve influência direta de Lana Del Rey, Allie X e dos álbuns Anti, de Rihanna, e Lemonade, de Beyoncé.[5] Vittar disse se inspirar no grupo Major Lazer e na cantora Anitta, artistas com os quais gravou a canção "Sua Cara".[100] Vittar também citou Kanye West e Britney Spears como fontes de inspiração.[15] A música e performances de Pabllo também sofreram grande influência de grupos como Banda Batidão e Companhia do Calypso.[98][101][102] Vittar disse que estava ouvindo a diversos artistas para se "inspirar" quando produzia seu álbum de estreia, citando como exemplos Liniker e Elza Soares.[6] A modelo Bella Hadid o influencia visualmente, principalmente sua maquiagem e estilo.[103]

Imagem pública

Vittar é considerado um ícone gay[104] e foi citado pelo The New York Times como um "emblema de fluidez de gênero",[96] enquanto o The Guardian, comentando sobre seu posicionamento político, se referiu a Vittar como um "símbolo de resistência".[3] Vittar falou sobre sua percepção pública declarando que "Acho que sou um exemplo sim. Quando era pequeno não tinha ninguém para me espelhar. Não tinha alguém na TV que eu olhava e falava: ‘Eu posso ser isso’. Tinha o Ney [Matogrosso], mas ele era uma divindade, muito distante de mim."[97] Sérgio Martins, da Veja, notou que Vittar "faz as poses de Madonna em Vogue, dá os trinados agudos de Beyoncé e Whitney Houston e rebola como dançarina de funk. [...] É uma catártica liberação para todos os que a veem no palco — adultos e adolescentes, gays e héteros."[105] A revista Paper descreveu Vittar como "uma das figuras queer mais emblemáticas do mundo".[104]

Vittar não é uma mulher transexual.[7] Em entrevista ao jornal O Globo, disse: "Só me sinto mulher quando estou montada!".[23] Para a Glamour, Pabllo se autodescreveu como "um menino gay que faz drag."[106] O nome Pabllo é uma "versão artística" de seu nome de batismo, Phabullo, enquanto Vittar é uma "criação própria".[107][108] Vittar não pensou em adotar um nome artístico considerado feminino e até mesmo questionou o por que de 'Pabllo' ser considerado um nome exclusivamente masculino.[109] O cantor falou sobre a questão:

"Nunca senti a necessidade de optar por um nome feminino porque, quando decidi fazer drag, queria passar verdade através da minha arte, música, do que acho que sou. Pabllo me representa de uma forma que você não tem noção. Acho que, se eu tivesse um nome feminino, não ia passar tanta verdade. Não gosto de me trancar em uma caixa. Gosto de ser afeminada, de ser isso aqui, de sair na rua às vezes de boné. Gosto de ser o que quiser ser".[13]

Vittar prefere ser chamado no feminino quando está "de drag" e também afirmou não se importar com os pronomes específicos de gênero que as pessoas usam para se dirigir a ele,[7][17][104] dizendo:

"Eu acho que gênero não importa, pra mim. Se você escrever "ele", vou achar incrível, se escrever "ela", também vou achar demais. Mas, quando estou de drag… eu não fico na frente do espelho duas horas me maquiando para a pessoa me chamar de ele, né? Fica chamando de “ela”! Ela é bonita, ela é cantora, ela é draaaaaag! Eu gosto de ser chamada no feminino."[5]

Vittar afirmou que se sente mais confiante e desinibido quando está com a maquiagem, peruca e figurinos que usa para se apresentar, e se considera mais "tímido" sem a caracterização de drag queen, que descreveu como "a extensão do que eu tenho dentro de mim."[110][111] Ele leva até três horas para "virar Pabllo Vittar" e, fora do palco, não costuma usar maquiagem ou peruca.[1][9][112] Vittar, que tem 1,87m de altura, geralmente veste botas de salto alto que o deixam com mais de 2 metros no palco.[105] A moda tem um papel importante em seu trabalho.[113] Vittar descreveu seu estilo como "street" ("urbano") e disse que "o importante, pra mim, é minhas roupas serem confortáveis."[114] A colunista de moda Lilian Pacce o chamou de "fashionista".[115][116]

Vittar é consistentemente creditado por impulsionar a inclusão de artistas drag queen, transexuais e travestis no cenário da música popular do Brasil.[117][118][119][120] O site G1 chamou o fenômeno de "Efeito Pabllo Vittar".[118] Em março de 2018, a Billboard disse que "um coletivo de drag queens - com Vittar na vanguarda - está ajudando a mudar a aceitação da comunidade LGBTQ no Brasil, usando música e performance como seus meios. [...] Com seu trabalho revolucionário, sensibilidade camp e estética drag feroz, esta nova geração de artistas está usando sua visibilidade sem precedentes para confrontar o machismo profundamente enraizado do Brasil."[117] Tony Goes, da Folha de S.Paulo, sugeriu que Vittar deixou de ser um artista de nicho e atingiu o mercado mainstream por seguir "à risca a fórmula consagrada por divas internacionais como Britney Spears ou Rihanna: entregou-se nas mãos de produtores experientes, que compõem sucessos de refrões pegajosos para ela." Goes também disse que "Sua mensagem política está em sua própria imagem, não tanto nas músicas", acrescentando ainda que Vittar é "o mais popular artista queer brasileiro desde Ney Matogrosso."[121]

Em 2017, a revista Joyce Pascowitch elegeu Vittar "A Pessoa do Ano".[97][122] No mesmo ano, foi a quinta personalidade mais buscada no Google Brasil.[123] Em 2018, Pabllo se tornou a segunda celebridade mais buscada no Google Brasil.[124] Vittar não só é o artista drag queen mais influente do mundo nas redes sociais[125][126] como também figurou no ranking Social 50, da Billboard, onde atingiu a trigésima terceira colocação em outubro de 2017.[127][128] À Vice, ele falou sobre sua função política enquanto um artista com grande reconhecimento entre o público LGBTQ e feminino, "Acho que é necessário [se posicionar] [...] Não é só subir no palco, rebolar e ir embora. O buraco é mais embaixo."[129] Após atingir o estrelato, Vittar se tornou um alvo constante de notícias falsas que são disseminadas nas redes sociais. Emiliano Urbim, do jornal O Globo, se referiu ao cantor como "um ímã de fake news na cultura pop" e sugeriu que a intolerância é um dos principais motivos pelos quais as notícias falsas envolvendo Vittar viralizam com facilidade.[130] Uma das notícias falsas dizia que Vittar teria seu rosto estampado nas cédulas de cinquenta reais.[131] Ele ironizou essa notícia no videoclipe de "Seu Crime", que mostra notas de "100 Vittars" sendo jogadas ao ar.[131]

Em 2018, a revista IstoÉ Gente colocou Vittar em sua lista de votação para eleger as Mulheres mais Sexy do Ano.[132] O ocorrido levantou algumas discussões, uma vez que Pabllo não é uma mulher transexual e diz "passear entre o universo masculino e o feminino".[7][133] Vittar se inspirou na personagem de desenho animado Jessica Rabbit em seu ensaio para a edição de abril/2019 da revista Gay Times, que se tornou a mais vendida da história da publicação.[134]

Pabllo tem sido criticado por sua "inabilidade em manter o fôlego" para cantar durante performances ao vivo. Em sua coluna no Universo Online, Chico Barney disse que "O legado da importância de Pabllo como figura pública tão representativa e bem-sucedida não pode ser obliterado por detalhes técnicos tão pedestres."[135]

Produtos e publicidade

Vittar costuma associar sua imagem à marcas e empresas que estejam abertas a causas e à diversidade, além de serem marcas que ele pessoalmente consome e aprova.[136] Em 2016, estrelou a campanha de esmaltes e batons Louca Por Cores, da marca de cosméticos Avon.[137] Em setembro de 2017, Vittar promoveu as marcas Avon e Trident em seu videoclipe de "Corpo Sensual", além do Ministério da Saúde, com o intuito de aumentar a conscientização acerca do uso de preservativos.[138] Em dezembro de 2017, a Coca-Cola lançou a campanha Coca-Cola Fan Feat. e passou a estampar o rosto de diversos artistas nas latas do refrigerante.[139] A campanha gerou uma votação através de seu site e Vittar foi um dos três artistas mais votados, gravando uma canção com os outros dois escolhidos.[60] Vittar também associou sua imagem à marcas e empresas como Itaú, TNT Energy Drink, Niely Cosméticos, Chilli Beans, Adidas, Apple Music e C&A.[136][140][141] Em abril de 2018, foi um dos artistas a estrelar a campanha da coleção primavera/verão 2019 da Coca-Cola Jeans.[142] Em 2019, Vittar promoveu a marca de biscoitos Club Social no videoclipe de "Buzina"[143] e se tornou embaixador da Calvin Klein.[144]

Discografia

 Ver artigo principal: Discografia de Pabllo Vittar

Filmografia

Televisão
Ano Título Função / Papel Notas
2016–17 Amor & Sexo Vocalista da banda
2017 A Força do Querer Ele mesmo Episódio: "5 de outubro de 2017"[146]
Vai que Cola Ele mesmo Episódio: "Você Decide"[147]
2018 Prazer, Pabllo Vittar Apresentador
O Outro Lado do Paraíso Ele mesmo Episódio: "11 de maio de 2018"[148]
Super Drags Goldiva (voz) 5 episódios
Vai Anitta Ele mesmo Episódio: "Episódio 6"
Cinema
Ano Título Papel Notas
2017 Oitavo Ele mesmo Curta-metragem[149]
2018 Crô em Família Ele mesmo[150]
Internet
Ano Título Papel Notas
2016–17 Vlog da Pabllo Ele mesmo Web-documentário[151]
2018 Up Next: Pabllo Vittar Ele mesmo Web-documentário[152]

Turnês

Prêmios e indicações

Notas

  1. Em diversas ocasiões, Vittar afirmou não se importar com os pronomes específicos de gênero (ele/ela) que as pessoas usam para se dirigir a ele.[5][6] Em uma entrevista ao portal Imirante, Vittar afirmou não ser uma mulher transexual quando respondeu sobre sua decisão em se tornar drag queen: "Sou um menino gay afeminado! [...] foi super fácil [me transformar em drag], sempre gostei de passear entre o universo masculino e o feminino, nunca vi uma barreira entre os dois, então até hoje tenho isso comigo, não tenho uma linha entre um e outro, passeio pelos dois lados sempre."[7] Ver mais detalhes na seção "Imagem pública".

Referências

  1. a b c d Astuto, Bruno (1 de agosto de 2017). «Pabllo Vittar evita rótulos sobre sua sexualidade e diz: "Meu negócio é transitar"». Época. Consultado em 12 de agosto de 2017 
  2. a b Codinha, Alessandra (27 de novembro de 2018). «What Pabllo Vittar, Pop Superstar, Means to Brazil (and the Rest of Us) Right Now». Vogue. Condé Nast. Consultado em 3 de dezembro de 2018. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2018 
  3. a b c Phillips, Dom (21 de outubro de 2017). «Brazil's LGBT pop sensation: 'I want to give them strength'» (em inglês). The Guardian. Consultado em 24 de janeiro de 2018. Cópia arquivada em 21 de outubro de 2017 
  4. «IDADE REAL DE PABLLO VITTAR É REVELADA APÓS PROCESSO NO CONAR». Cenapop. 18 de abril de 2019. Consultado em 10 de maio de 2019 
  5. a b c Torres, Leonardo (12 de janeiro de 2017). «Pabllo Vittar fala sobre álbum novo, parceria com Diplo, clipes e início da produção do próximo disco». POPLine. Consultado em 12 de dezembro de 2018. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2018 
  6. a b c Laranja, Ricardo (22 de dezembro de 2015). «Pabllo Vittar: "Estou aqui para desconstruir gêneros"». medium.com. Consultado em 3 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2018 
  7. a b c d Cutrim, Liliane (8 de março de 2017). «"Sempre fui extremamente feminina", declara Pabllo Vittar». Imirante. Consultado em 25 de junho de 2017. Cópia arquivada em 8 de março de 2017 
  8. «Pabllo Vittar - AdoroCinema». AdoroCinema. Consultado em 6 de dezembro de 2018 
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