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Pacaembu (bairro de São Paulo)

bairro do São Paulo
Disambig grey.svg Nota: Se procura outros significados de Pacaembu, veja Pacaembu.

O Pacaembu é um bairro nobre dos distritos da Consolação (administrado pela Prefeitura Regional da Sé) e de Perdizes (administrado pela Prefeitura Regional da Lapa), nas Zonas Oeste e Central do município de São Paulo, no Brasil.[1]

Pacaembu
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Pacaembu view.jpg
Área 1,39 km²
Dia Oficial Mês de março
Fundação 1925
Habitantes 11 000
Distrito Consolação e
Perdizes
Subprefeitura e
Lapa
Região Administrativa Centro e
Oeste

Limita-se com os bairros da Barra Funda, Perdizes, Sumaré, Higienópolis e Cerqueira César.

Tem como principal via a Avenida Pacaembu, a qual faz a ligação do bairro com a região da Barra Funda e Marginal Tietê, e também com a região da Avenida Paulista.

É servido pela Linha 2 na Estação Clínicas

HistóriaEditar

 
Propaganda veiculada em 1937 no jornal O Estado de S. Paulo

Sua história remonta ao século XVI, quando a Sesmaria do Pacaembu foi doada aos jesuítas por Martim Afonso de Sousa. Na época, os jesuítas a subdividiram em Pacaembu de Cima, Pacaembu do Meio e Pacaembu de Baixo. Os religiosos resolveram catequizar os índios da região. Para tal fim, estabeleceram-se em várias aldeias da região. Uma delas situava-se próxima dum riacho que sofria inundações frequentemente. Era o paã-nga-he-nb-bu, ou seja, Pacaembu, que, na língua indígena tupi-guarani, significa "atoleiro" ou "terras alagadas".[carece de fontes?]

Outra interpretação etimológica do termo, no entanto, aponta para o significado "rio dos pacamãos (Lophiosilurus alexandri)", através da junção dos termos tupis paka'mu (pacamão)[2] e 'y (rio).[3]

Segundo o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, no entanto, "Pacaembu" é oriundo da língua tupi antiga, com o significado de "córrego das pacas", através da junção de paka (paca) e 'yemby (córrego).[4]

Como a maioria dos bairros paulistanos, formou-se do loteamento de diversas propriedades rurais originadas com os jesuítas. Uma delas era o Sítio do Pacaembu. Com o passar dos anos, o sítio isolado coberto por vegetação foi subdividido em pequenas chácaras majoritariamente cultivadoras de chá.[5]

Entre o bairro de Pinheiros e do futuro Pacaembu, foi criado, em 1887, o Cemitério do Araçá, importante necrópole do município, que abriga os mausoléus da elite paulistana.

No ano de 1912, a empresa inglesa City of São Paulo Improvements and Freehold Company Limited adquiriu terrenos na cidade. Uma dessas áreas seria o futuro bairro do Pacaembu. A empresa anunciava a criação de bairros baseados nos princípios básicos da garden-city, causando alvoroço entre os paulistanos. Pelo fato de o bairro se situar em um vale, a City enfrentou diversos desafios, como o terreno acidentado e dificuldades de logística e transportes, onde eram utilizados burros de carga.[5]

 
Residências do bairro. Há uma baixa taxa de densidade populacional devido à horizontalidade do bairro.

Pelo fato de ser um plano arquitetônico ambicioso, nunca visto na cidade[6] e bem maior do que o pioneiro Jardim América, foi embargado de início pela Câmara Municipal. Com a aprovação dos órgãos municipais, o projeto foi retomado em 1925, quando a Cia. City começou o loteamento e a urbanização da região. As primeiras modificações na região foram a canalização do ribeirão Pacaembu, a formação da primeira via do bairro, a Avenida Pacaembu, além da drenagem e aterramento de grandes áreas.[5]

O bairro foi projetado de acordo com o modelo cidade-jardim, através de ruas de traçado sinuoso, grandes terrenos e áreas ajardinadas. Houve, também, melhorias em eletricidade, rede de água e esgoto. Dez anos mais tarde, houve uma intensa divulgação para a venda de terrenos recém-criados. Vale ressaltar que o poder público colaborou com algumas dessas benfeitorias. Assim como o Jardim América, o bairro atraiu ricos comerciantes, industriais e barões de café, e começaram a surgir casarões construídos por sob a supervisão da companhia.[5]

Em 1935, a empresa inglesa doou, ao poder público, um terreno 75 000 metros quadrados para a construção do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (mais conhecido por seu nome antigo, Estádio Municipal do Pacaembu). Projetada pela Companhia Severo e Villares, a obra foi concluída em 1938, sendo inaugurada em 27 de abril de 1940, com a presença do então presidente da república, Getúlio Vargas, o qual foi recebido por estrondosa vaia pelos paulistas. Na época, era o maior estádio da América Latina. Quatro anos mais tarde, uma parte significativa dos terrenos do bairro fora comprada, tornando-se um dos endereços preferidos da alta sociedade paulistana.[5]

A partir da década de 1970, algumas de suas vias ganharam caráter comercial e de serviços, caso da Avenida Pacaembu.[7] No ano de 1991, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, devido à intensa arborização das ruas e praças públicas, à grande área de solo permeável e a sua baixa taxa de densidade populacional. Este decreto evitou alterações em suas vias e modificações na estrutura das edificações, dentre outras minuciosas especificações.[8]

AtualidadeEditar

 
A possível verticalização do bairro preocupa os "pacaembuenses"

O Pacaembu é um dos bairros mais valorizados da capital paulista, e residência de moradores das classes média-alta e alta. Os preços dos imóveis variam de 600 000 a 6 000 000 de reais.[9] É classificado pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis como "Zona de Valor A", tal como outros bairros nobres da cidade, exemplo de: Higienópolis, Jardim América e Moema.[10]

Possui uma população bairrista, representada pela "Associação Viva Pacaembu por São Paulo"[11] e pela "Associação dos Moradores e Amigos do Pacaembu, Perdizes e Higienópolis", que defendem os interesses de seus moradores. Estas organizações não governamentaiss já lutaram contra: mudanças na resolução do tombamento histórico do bairro, construção de estabelecimentos educacionais,[12] verticalização do bairro,[13] poluição visual,[14] eventos no estádio do Pacaembu,[15] e até quiseram influir no destino do mesmo estádio.[16]

Apresenta diversos centros culturais, como: a Casa Modernista da rua Itápolis, a FAAP, possuidora do Museu de Arte Brasileira, a Casa Guilherme de Almeida, a Casa Buarque de Holanda e o Museu do Futebol, encontrado no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho. Abriga o movimento Pró Monarquia.[17] Na Rua Angatuba, se localiza o Nacional Clube, na mansão do antigo banqueiro Orozimbo Octavio Roxo Loureiro, bem em frente à antiga fazenda de chá Wanderley (hoje, Fundação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).[18][19]

No bairro, foi criado um dos quitutes mais apreciados pelos brasileiros: o brigadeiro.[20][21]

Personalidades conhecidas na capital constam como seus habitantes: Ruy Mesquita (1925 - 2013), jurista, jornalista; Antônio Sílvio da Cunha Bueno (1918 - 1981), advogado, político, empresário; Cássio Egídio de Queirós Aranha (1899 - 1976), jurista, político; Guilherme de Almeida (1890 - 1969), jurista, poeta, jornalista; Dener Pamplona de Abreu (1936 - 1978), estilista;[22] Sergio Buarque de Holanda (1902-1982), historiador [23] e os ex-governadores do Estado de São Paulo:o empresário Laudo Natel (1920) [24] e o promotor público Luís Antônio Fleury Filho (1949).

Fotografia panorâmica do bairro a partir da Praça Charles Miller.

Ver tambémEditar

Referências

  1. «VivaPacaembu». Consultado em 29 de abril de 2012. Arquivado do original em 10 de novembro de 2009 
  2. FERREIRA, A. B. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 243.
  3. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p.
  4. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 590.
  5. a b c d e Site da Cia. City
  6. ILHAS DE TRANQÜILIDADE
  7. AVENIDA PACAEMBU - HIGIENÓPOLIS
  8. CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico
  9. Uma ameaça sobre o Pacaembu
  10. «Pesquisa CRECI» (PDF). 11 de julho de 2009. Consultado em 2 de agosto de 2009. Arquivado do original (PDF) em 6 de julho de 2011 
  11. Site da Associação Viva Pacaembu por São Paulo
  12. Prefeitura diz que não muda normas do tombamento na região da Faap
  13. Uma ameaça sobre o Pacaembu
  14. Não à sujeira
  15. Pacaembu diz que evento gospel no estádio descumpre liminar em SP
  16. Comissão de Estudos debate com sociedade civil destinação do Estádio do Pacaembu
  17. Site do movimento Pró Monarquico
  18. [1]
  19. Site do Nacional Club
  20. História do brigadeiro
  21. humm... brigadeiro
  22. Jogo do Domingo- Reminiscências, Kaká e Big Brothers da Vida
  23. Sergio Buarque de Holanda
  24. Laudo Natel

BibliografiaEditar

  • Ponciano, Levino (2001). Bairros paulistanos de A a Z. São Paulo: SENAC. pp. 107–108. ISBN 8573592230 

Ligações externasEditar

  Media relacionados com Pacaembu no Wikimedia Commons