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Aristides Ferreira da Cruz

Aristides Ferreira da Cruz
Nascimento 1872
Morte 1926
Ocupação padre

Aristides Ferreira da Cruz (Pombal, Paraíba, maio de 1872 - 1926) foi um padre católico brasileiro.

BiografiaEditar

Filho de Jorge Ferreira da Cruz e D. Joana Ferreira da Cruz, padre Aristides foi uma figura marcante da história política dos legalistas da Paraíba, no semi-árido Vale do Piancó. Sua marca registrada na história é fruto não só de sua carreira política mas também de sua trágica morte, sendo ele trucidado por integrantes da Coluna Prestes em um barreiro.

Esse artigo tem base em pesquisa, livros e Literatura de cordel, seus fatos na narração, feita na mesma semana na imprensa Estadual, pelo senhor Sebastião Dantas, testemunha ocular.

  • Deu início ao primário no Colégio de Antônio Gomes de Arruda Barreto. Segundo Padre Otaviano, não era um bom aluno, pois não demonstrava interesse pelo Português e Latin. Sendo ele um pouco abstrato, tinha um vocabulário exíguo, soltando por várias vezes, verdadeiros disparates, durante a conversação. Nunca havia lido uma poesia, e não lhe agradava a literatura.
  • Recebeu, no dia 1 de Novembro de 1901, das mãos de Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Diocese da Paraíba, a coroa de Sacerdote.
  • Em 25 de Agosto de 1902 passou a ocupar a função de novo vigário da Freguesia na Vila de Piancó, onde entrou triunfantemente.
  • Em Julho de 1912 foi afastado do comando da Igreja, por não obedecer ordens emanadas da Diocese da Capital.

Apesar de afastado, não manifestava sentimentos de rebeldia contra a igreja. Amargamente, queixava-se da falsidade de outras figuras políticas de Piancó. Dizia que homem sem liberdade não era homem.

Assim fincando raízes não só em suas coerentes posições, mas também na cidade.

  • Em 1915, foi eleito Deputado. Agora as rédeas da política piancoense, anteriormente comandada pela Família Leite, estava em suas mãos. Foi reeleito por mais duas legislaturas consecutivas.

Foi homem que comandou os legalistas de Piancó contra os comandados de Luís Carlos Prestes.

O conflitoEditar

Região situada no Oeste do estado brasileiro da Paraíba, o Vale do Piancó foi um dos locais por onde a Coluna Prestes esteve em sua incursão. Para muitos seriam os "Cavaleiros da Esperança", mas para outros, essa corrente de cunho militar, liderada por Prestes e com idéias comunistas, era mais um grupo que abalaria a região com suas idéias más, quando com o poder em suas mãos, não faria nada para ajudar realmente a população pobre da região [carece de fontes?].

É provável que uma certa "rivalidade", que pode ser notada no Brasil, entre Nordestinos e Sulistas tenha também alimentado esse foco de resistência na cidade de Piancó, aos pés da Serra de Santo Antônio [carece de fontes?]. Contudo não pode ser explicado a real motivação dos "heróis do Piancó", mas essa batalha esta listada como uma das grandes resistências à Coluna [carece de fontes?].

Como supor que essa incursão de revoltosos no território paraibano teria como epílogo uma tragédia na Vila de Piancó [carece de fontes?].

De evidente, temos apenas o fato de não discutirmos - pois não há dúvidas - o trucidamento frio e requintado do Padre, chefe da política local, e de mais 16 pessoas, entre as quais estão o Prefeito Municipal, funcionários públicos e pessoas humildes [carece de fontes?].

Sendo assim, esta lógica nos leva a crer que nem tudo que lemos sobre Prestes é verdade, e que o fato de sua passagem pelo sertão agrediu a população, pois para muitos nordestinos o nome Coluna Prestes é clara referência a má conduta militar e um tempo de medo e crueldades que por muitas vezes, como é o caso de Piancó, faziam uma cidade inteira fugir, aguardar e retornar para suas casas e lojas, agora saqueadas pelos rebeldes [carece de fontes?].

Início dos fatosEditar

A notícia da ocupação de Coremas, que fica a 28 km de Piancó, foi divulgada na tarde de segunda-feira dia 8 de fevereiro de 1926, e durante a noite iniciou a retirada das famílias que, pelo vexame em que saiam, abandonaram residências, muitas roupas e utensílios, ficando a Vila quase despovoada. Permaneceram exclusivamente as famílias de Manoel Cândido, Ten. Antônio Benício e seu destacamento policial composto por 15 praças, o alfaiate Isidoro, Padre Aristides e amigos, civis armados do Sr. João Galdino, e outras pessoas que se ofereceram.

9 de fevereiro de 1926Editar

Às 06:30 da manhã chegara a Piancó o Ten. Manuel Marinho, vindo de Patos em um caminhão, conduzindo armas, munição e cinco praças, somando assim um total de 20 soldados.

Quando Sargento Arruda fazia a distribuição do armamento e munição, e Ten. Benício organizava os quatro piquetes a Coluna penetrava na vila pela rua do Conselho Municipal.

Segundo Sr. Dantas os primeiros disparos foram da Coluna, já Pe. Otaviano, em seu livro "Os mártires de Piancó", afirma que o primeiro tiro fora dos piancoenses. Histórias populares dizem que o primeiro oficial vinha montado, vestindo culotes, paletó azul-marinho e portando uma bandeira branca.

Mas não há certeza.

Sargento Arruda e outros resistiram na casa do Juiz Dr. Abdon Assis em frente ao Conselho. A Coluna recuou, retornando vinte minutos depois procurando envolver a Vila pelo nascente e poente. Do lado Sul havia dois piquetes, um comandado pelo alfaiate Isidoro e Francisco Lima, e outro por amigos de Pe. Aristides na casa do Sr. Mario Leite.

Foi possível manter resistência até às 14:00 horas, sendo feita uma retirada dos piancoenses, uma vez verificada a impossibilidade material de prolongar a luta. Entretanto, o pessoal do Padre continuou resistindo ainda por meia hora quando, para facilitar o ataque, os rebeldes jogaram uma granada numa das janelas e tomaram as salas da frente, havendo ainda alguma resistência brevemente cessada, com recuo dos sitiados para o interior da casa onde estava o padre. Em fuga foram atingidos José Lourenço e João Monteiro. Esse último, embora ferido, conseguiu escapar.

Também escaparam uma criada e duas crianças que se evadiram às 13:00 horas.

Sangue no BarreiroEditar

Havia poucos vestígios de sangue na casa. O padre e seus amigos foram conduzidos ainda com vida para o barreiro. É com comoção que pessoas mais antigas da cidade contam que o barreiro estava completamente tinto de vermelho. Veja agora as palavras de um dos rebeldes, em Santana dos Garrotes, que ajudaram a trucidar o Padre.

"Perdemos um oficial, que todo o Piancó queimado não pagaria, mas, também o chefe, Padre Aristides, foi para a sepultura, num barreiro, com seus próprios pés"

14 de fevereiro 1926Editar

Integrantes do Jornal O Combate, editado em Cajazeiras adentraram na cidade nesse dia e localizaram a mulher que fugiu por ordem do Padre. A mesma narrou o fato: o Padre sentindo-se cercado mandou ao muro Rufino, seu guarda de confiança, a ver o que era possível fazer. Rufino, deparando-se com o ataque, voltou e disse ao Padre que, se saíssem morreriam e se ficassem dentro de casa haviam de morrer. Nesse momento enormes estampidos se fizeram ouvir: eram granadas e bombas de gás. O pessoal que brigava sentiu forte dor de cabeça, não havendo remédio o Padre aconselhou o uso de açúcar. Sendo a casa invadida o pessoal resistia no corredor.

Pediu o padre para todos garantia de vida, solicitação que teve o consentimento dos rebeldes sob a condição de deporem armas. Pegado o Padre em às mãos, para logo começarem os ultrajes.

Texto AnexoEditar

Carta de Suspensão do Pe. Aristides

"Ao Remº Padre Aristides Ferreira da Cruz.

Tendo chegado ao nosso conhecimento a falta de obediência as nossas paternas admoestações, feitas pessoalmente a Vosso irmão, para fatos que desabona inteiramente a dignidade sacerdotal e até mesmo do homem de bem, o que infelizmente vemos comprovado e ao domínio de todos, com pesar retiramos de Vosso irmão, o exercício de todas as sagradas ordens, até que tenhamos a obediência que sempre temos recebido do nosso clero.

Prezo ao Sagrado coração de Jesus que o irmão, bem se compenetre da gravíssima responsabilidade que tem diante de Deus, servindo de escândalo a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo."

Paço Episcopal da Paraíba. Em 16 de Julho de 1912. Adauto, Bispo Diocesano.

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