Abrir menu principal
Wikitext.svg
Esta página ou seção precisa ser wikificada (desde fevereiro de 2017).
Por favor ajude a formatar esta página de acordo com as diretrizes estabelecidas.

A experiência dos padres operários tem com precedente a Juventude Operária Católica (JOC), fundada, na França, em 1927. A JOC foi o primeiro movimento católico na França a perceber que a maioria da classe trabalhadora estava longe da Igreja e que precisava de novas formas de evangelização. Em 1941, o dominicano Jacques Loew foi enviado para trabalhar nas nas docas de Marselha para estudar a condição das classes trabalhadoras[1]. Em 12 de setembro de 1943, foi publicado o livro: "France, pays de mission?", no qual os abades Henri Godin e Yves Daniel, que quando jovens foram lideranças da JOC, abordaram o problema do afastamento dos trabalhadores franceses do cristianismo. Foram vendidos 100.000 exemplares dessa obra em 4 anos[2]. Naquele ano, o Cardeal Emmanuel Celestin Suhard, arcebispo de Paris, criou a "Mission de Paris", que tinha como meta a formação de sacerdotes para evangelizar a classe operária parisiense[3].

Nesse contexto, foi fundado em Liseux, (França), um seminário para a formação de padres operários. Esse seminário também fornecia formação para padres já ordenados que quisessem tornar-se missionários para o mundo do trabalho, além de alguns teólogos, como o dominicano Marie-Dominique Chenu. Nesse seminário, chegaram a estudar em torno de 150 seminaristas. Alguns eram jovens de pouco mais de 18 anos, outros tinham vivido o horror da Segunda Guerra Mundial, inclusive como prisioneiros de guerra ou membros da Resistência Francesa.

Durante o conflito, mais de 4.000 padres franceses, sem contar os seminaristas, foram presos na Alemanha por cinco anos. Outros padres foram acompanhar os 700.000 franceses requisitados para trabalhar na Alemanha durante a guerra.

A partir da morte do Cardeal Emmanuel Suhard, em 30 de maio de 1949, ganhou força uma contestação contra a existência dos padres operários. Aqueles que contestavam a experiência entendiam que o sacerdote seria um homem sagrado que devia viver separado dos leigos, enquanto que os padres operários iam até aos pobres, inclusive participavam de sua vida, de seu trabalho, nas mais distintas profissões: cozinheiros, motoristas, operadores de máquinas, enfermeiros, operários da construção civil, etc. Outro fator contrário ao movimento, foi a publicação, em 1º de julho de 1949, pelo Vaticano, de uma ordem que proibia qualquer colaboração entre católicos e partidos comunistas[4] [2].

Em 1952, foi publicado o romance "Les saints vont en enfer" (Os Santos vão ao Inferno), de Gilbert Cesbron, que enaltecia a experiência dos padres operários. Esses padres contavam com o apoio de leigos de ambos os sexos, participaram das lutas dos trabalhadores e se aproximaram do Partido Comunista Francês (PCF).

Em 1º de março de 1954[5], existia uma centena de padres operários em atividade, a maior parte deles trabalhando em fábricas, quando o Papa Pio XII, temendo a sua "contaminação" pelo PCF, decidiu encerrar a experiência, ordenando que os padres pedissem demissão das fábricas e passassem a exercer outras atividades. Apenas uma minoria desses padres não acatou a ordem do Papa e continuou a trabalhar nas fábricas[3]. Foi uma decisão polêmica, que contou com a oposição de três dos cinco cardeais franceses[2].

O Papa João XXIII, se encontrou com pessoas que pediam a reabilitação da experiência dos padres operários.

O Concílio Vaticano II, influenciado pelos signatários do Pacto das Catacumbas de Santa Domitila (1965), criou condições para reabilitar a experiência, ao defender uma evangelização que fosse testemunho da vida de Jesus, razão pela qual o evangelizador deveria viver no meio dos pobres, como pobre e sofredor[4].

Em 23 de outubro de 1965, o Papa Paulo VI reabilitou a experiência e 52 sacerdotes voltaram à condição de padres operários. As novas gerações de padres operários, atuaram principalmente no setor terciário.

Em 1976, existiam mais de 800 padres operários na França. Em 1987, esse número foi reduzido para 550, em meio à crise de vocações. Entre 1993 e 2000, apenas 6 sacerdotes e 9 diáconos foram enviados para a missão no meio operário. Em 2005, o número de padres operários era inferior a 400, muitos deles já aposentados do trabalho assalariado e apenas 80 ainda trabalhando como assalariados[3].

Segundo Michel Löwy e Gerd-Rainer Horn, o movimento dos padres operários teria contribuindo para o nascimento e desenvolvimento da teologia da libertação[6] [7].

Referências

  1. Fr. Jacques Loew: Spawned the Worker-Priest Movement Arquivado em 17 de maio de 2007, no Wayback Machine., em inglês, acesso em 05 de março de 2016.
  2. a b c Nouvelles perspectives historiographiques sur les prêtres-ouvriers (1943-1954), em francês, acesso em 05 de março de 2016.
  3. a b c Les prêtres-ouvriers, em francês, acesso em 05 de março de 2016.
  4. a b Resumo do documentário intitulado “Mission de France” (sobre a experiência dos padres operários, na França), acesso em 04 de março de 2015.
  5. Qui a peur des curés rouges ?, acesso em 05 de março de 2015, em francês.
  6. Teologia da Libertação: Construção e história, acesso em 06 de março de 2016.
  7. “Os católicos de esquerda exerceram um papel importante no Maio de 68”. Entrevista com Gerd-Rainer Horn, acesso em 06 de março de 2016.