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Painel dos Cavaleiros (Painéis de São Vicente de Fora)

O Painel dos Cavaleiros, no políptico de S. Vicente, que se pensa representar os quatro filhos mais novos de D. João I.

O Painel dos Cavaleiros (Políptico de São Vicente de Fora) é o quinto painel (a contar da esquerda), e representa quatro imagens de branco no fundo, e quatro cavaleiros coloridos na frente. Cada cavaleiro é representado com uma cor diferente, e possui símbolos identificativos que permitem suspeitar da sua identidade. Suspeita-se que representam os quatro filhos mais novos d'El-Rei D. João I.

Índice

O Cavaleiro NegroEditar

De capacete mouro, longa barba e cabelos, e face emagrecida, pensa-se que represente o Infante D. Fernando, o Infante Santo, falecido em Fez, após se oferecer por refém em troca do seu irmão, o Infante D. Henrique, na derrota militar de Tânger. O reflexo no seu capacete assemelha-se, ora a uma janela moura, ora à letra "M" floreada como na ponta da cruz de Aviz, ordem militar de que era Mestre.

O Cavaleiro VermelhoEditar

De espada cruzada no peito, símbolo da Ordem de Santiago, está o mestre da dita ordem, o Infante D. João, apaixonado defensor da causa de Aviz nas revoltas populares que levaram à proclamação do seu irmão, o Infante D. Pedro, como regente na menoridade do Rei D. Afonso V, contra as pretensões da Casa de Bragança. Faleceria antes da Alfarrobeira.

O Cavaleiro VerdeEditar

De cinto cruzado no peito, símbolo da Ordem da Jarreteira, está o Infante D. Pedro das "quatro partidas". O verde de que veste aparece também em outras imagens doutros paineis, nomeadamente na imagem da sua filha Rainha, casada com D. Afonso V, e do seu neto, o futuro D. João II. Abaixo do cinto da Jarreteira, está um símbolo ligado à Casa de Bragança, um sinete (talvez um martelo?, uma roldana?), mostrando ser superior à dita Casa adversária da de Aviz nas pretensões ao trono.

Cavaleiro RoxoEditar

O cavaleiro de roxo, ajoelhado na frente, destoa dos demais por ser o único sem cobertura nem luvas; o pomo da sua espada está torto, o cinto que trás ao peito (Ordem da Jarreteira) está desapertado e os furos desalinhados; um misterioso símbolo (um martelo? uma roldana?) que se pensa estar associado à Casa de Bragança, aparece sobre o cinto, subalternizando-o à Casa de Bragança. Os cabelos brancos denunciam a sua idade avançada (era o único vivo à altura da pintura dos paineis) e a descrição coincide com a do Infante D. Henrique, Infante de Sagres e Duque de Viseu. O roxo, cor da vergonha, e a imperfeição dos símbolos, denunciam a desgraça que caiu sobre ele após ter alinhado na Batalha de Alfarrobeira pela Casa de Bragança, contra o seu irmão, o Infante D. Pedro, Duque de Coimbra.

A mensagemEditar

Sendo o autor dos painéis um artista treinado na Flandres, sob a égide da "Sibila" Infanta Isabel, irmã mais velha dos Infantes retratados, pensa-se que o objectivo do quadro é denunciar a traição do Infante D. Henrique à causa que uniu a restante Casa de Aviz com a Casa de Bragança, após o falecimento de D. Duarte, traição essa consumada na Batalha de Alfarrobeira em que o Infante D. Henrique alinhou pelo Rei contra o seu irmão. De recordar que o casamento da Infanta Isabel com Filipe "O Bom", foi conseguido por intervenção do Infante D. Pedro durante as suas viagens pela Europa, e que a relação da Infanta Isabel com os pintores flamengos começou logo com a pintura do seu retrato por Van Eyck, e prosseguiria por muitos anos com a protecção das artes pela Infanta e a sua recorrente utilização como modelo por Van Eyck.