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Palácio Boa Vista

Fachada do Palácio Boa Vista.

O Palácio Boa Vista é a residência oficial de inverno do governador do Estado de São Paulo. Localiza-se no Alto da Boa Vista, na cidade de Campos do Jordão. Sua construção se iniciou em 1938, a pedido do interventor federal Adhemar de Barros, para servir então de residência oficial de veraneio, sendo concluída somente em 1964. Em 1970, o palácio seria declarado “monumento de visitação pública” e transformado em um centro de arte, sem prejuízo de sua finalidade precípua de sede de inverno do governo estadual.

O palácio abriga um precioso acervo artístico, constituído por obras de importantes nomes da arte brasileira, além de uma coleção de itens de artes aplicadas e artesanato. Anexa ao palácio encontra-se a Capela de São Pedro Apóstolo, projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que abriga um acervo de arte sacra do período colonial e de artistas contemporâneos. O acervo do Palácio da Boa Vista é aberto à visitação pública e integra, em conjunto com as coleções dos palácios dos Bandeirantes e do Horto, o Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo de São Paulo.[1]

Índice

HistóricoEditar

 
Pátio interno do Palácio Boa Vista

Nomeado interventor federal no Estado de São Paulo por Getúlio Vargas, em 1938, Adhemar de Barros, admirador de Campos do Jordão, decidiu construir uma residência de veraneio nessa cidade, para uso do governador. Encomendou ao arquiteto polonês Georg Przyrembel o projeto da residência “nos moldes dos castelos europeus”.[2] O local escolhido seria o Alto da Boa Vista, que permitia uma visão panorâmica dos principais bairros da cidade. O projeto da casa de veraneio evoluiu para um palácio e, ainda em 1938, iniciou-se a construção, em terreno doado por particulares.

Em pouco tempo, no entanto, a obra tomaria um ritmo lento, permanecendo praticamente paralisada por 25 anos, período em que foi alvo de críticas dos opositores de Adhemar. Quando assumiu o cargo de governador do estado pela segunda vez, em 1963, Adhemar de Barros mandou retomar as obras em ritmo acelerado, e o palácio foi finalmente inaugurado a 21 de julho do ano seguinte.

Eleito indiretamente governador do estado em 1967, Abreu Sodré considerou o uso do Palácio Boa Vista como residência de veraneio muito restrito, incumbindo o seu secretário da fazenda, Luís Arrobas Martins, de estudar melhor uso do edifício. Martins decidiu-se por transformar a residência em centro cultural: empreendeu pequenas reformas e adaptações e adquiriu obras de arte, mobiliário e objetos de arte aplicada para decorar o palácio. Em 1970, o edifício foi declarado “Monumento de Visitação Pública” do estado, abrindo as portas à população.[2]

 
Interior da Capela de São Pedro Apóstolo, projetada por Paulo Mendes da Rocha e anexa ao Palácio
 
Nu no Cabide. Pintura de Ismael Nery no acervo do Palácio Boa Vista.

Desde então, o Palácio da Boa Vista possui a dupla atribuição de servir de sede de inverno do governo do estado e de centro cultural. Em julho de 1970, o palácio abrigou os primeiros "Concertos de Inverno", transformados no ano seguinte em Festival de Inverno de Campos do Jordão. Em 1989, em comemoração ao jubileu de prata de inauguração do Palácio Boa Vista, o governador Orestes Quércia determinou a construção da Capela de São Pedro Apóstolo, projetada por Paulo Mendes da Rocha e inaugurada em julho deste mesmo ano.[2]

O palácioEditar

Projetado por Georg Przyrembel em estilo “Maria Tudor” por sugestão de Adhemar de Barros, o Palácio da Boa Vista localiza-se no alto de uma colina, o que permite que seja avistado de diversos bairros de Campos do Jordão. O palácio impressiona pela suntuosidade e pela decoração interna – são mais de 1800 obras de arte expostas em 105 cômodos. Insere-se em um terreno de mais de 95 mil metros quadrados, a maior parte disposta na forma de amplo jardim, circundando a residência.

Anexo ao palácio, há a Capela de São Pedro Apóstolo. Erguida em concreto armado sobre um único pilar, com paredes de vidro e circundada por espelhos d’água, a capela é assinado por Paulo Mendes da Rocha, que teve a incumbência de projetá-la de forma que não interferisse negativamente no seu entorno.

AcervoEditar

O Palácio Boa Vista abriga uma representativa coleção de arte brasileira, do modernismo à arte abstrata, destacando-se um amplo conjunto de pinturas de Tarsila do Amaral (oito telas, dentre elas, Operários), bem como obras de Anita Malfatti, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Alfredo Volpi, Ismael Nery e Vicente do Rego Monteiro, entre outros. Há ainda uma coleção de pinturas cusquenhas dos séculos XVII e XVIII, além de mobiliário, tapeçarias, louçaria e prataria artística. Na Capela de São Pedro Apóstolo são conservadas obras religiosas do período colonial brasileiro e criações contemporâneas. O acervo é aberto à visitação pública.[2]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Valladares, 1998, pp. 9-18.
  2. a b c d Silva, 1994, pp. 233-235.

BibliografiaEditar

  • Comissão de Patrimônio Cultural da Universidade de São Paulo (2000). Guia de Museus Brasileiros. São Paulo: Edusp. 417 páginas 
  • Silva, Heloísa Barbosa; et al. (1994). Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo 
  • Valladares, Clarival do Prado (1998). Acervo Palácio Bandeirantes. São Paulo: Serasa 

Ligações externasEditar