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Palácio do Governador de Macau, a residência oficial do Chefe do Executivo de Macau.

O Palácio do Governador (também chamado Palácio de Santa Sancha) é um edifício histórico de Macau a sede oficial do Chefe do Executivo de Macau e do seu Governo desde 1999.

O nome deve-se ao facto de ter sido a sede oficial do Governador de Macau no período da administração portuguesa do território.

Construído em 1849 por Tomás de Aquino, barão do Cercal, o edifício de dois andares, localizado na Avenida da Praia Grande, Freguesia de São Lourenço, é uma das marcas históricas da presença portuguesa em Macau.

Índice

Breve História de MacauEditar

Macau, actualmente parte da República Popular da China, foi colonizada por Portugal em meados do século XVI e administrada pelo governo português durante mais de 400 anos, tendo hoje cerca de 583000 habitantes. Aquando da chegada, “ilegal e provisória”, dos portugueses entre 1553 e 1554, Macau era habitada por várias povoações de pescadores e alguns camponeses chineses, tendo sido depois transformada num importante entreposto comercial entre a China, a Europa e o Japão. Poucos anos depois da chegada dos colonizadores, as autoridades chinesas concederam autorização para o estabelecimento permanente dos portugueses na região, dando-lhes um considerável grau de auto-governação.

Em 1583, antes da presença de um governador português, foi criado o Leal Senado, considerado a primeira câmara municipal de Macau, órgão representante do poder do governo local, principalmente constituído por comerciantes locais, com o objectivo de estabelecer a ordem e a segurança na cidade. Só em 1623 Macau passou a ter uma sede de poder portuguesa, dirigida por um Governador português, apesar do Leal Senado, até à primeira metade do século XIX ter continuado a exercer um papel importante na administração da cidade.

Surge então o Palácio do Governador de Macau (também conhecido por Palácio de Santa Sancha), que, como o nome indica, foi a sede do Governo de Macau, onde residia o Governador português.

LocalizaçãoEditar

O Palácio do Governador de Macau ou Santa Sancha, como é conhecido, encontra-se situado no lado sudeste, num local de encontro entre as Colinas da Penha e da Barra, numa parte da Península de Macau ainda livre da massificação construtiva que se reflecte no resto da cidade, sendo possível um tipo de construção mais livre e isolada e que se relaciona com os jardins e todas as zonas verdes que cobrem o topo da Colina da Barra. Ocupando uma área de cerca de 8 mil metros quadrados e sendo implantado num local com um total de 10 mil metros quadrados, a propriedade está delimitada pela Calçada da Praia, Estrada de Santa Sancha e pela Estrada da Penha.

No século XIX esta zona era conhecida como Tanque do Mainato, assim apelidada por no local haver um tanque onde os mainatos lavavam a roupa, significando mainato “aquele que lava roupas”. O nome estendeu-se a toda a propriedade e apenas mais tarde adoptou o nome de Chácara de Santa Sancha.

Actualmente, o relevo do terreno ainda se encontra muito parecido com aquele que possuía originalmente, o que é possível perceber por quem observa da parte sudeste e noroeste esse ponto da cidade, quer do mar ou da Taipa, quer da ponte quando é atravessada nessa direcção.

HistóriaEditar

Em Macau, antes dos meados do século XIX, os governadores não tinham uma residência permanente e condigna da importância que este cargo veio a adquirir nos últimos séculos. O Palácio do Governador de Macau, ou Casa de Santa Sancha, tem tido, desde os anos 30, uma representatividade que transcede o seu valor arquitectónico, sendo um edifício representativo da presença portuguesa além mar.   

No século XX Santa Sancha foi comprada com o intuito de servir de residência para os governadores, sendo uma casa com influências do estilo de vida macaense praticado pelas famílias mais abastadas, na época de oitocentos. Este edifício tornou-se residência exclusiva dos Governadores de Macau em 1937, porém a sua história começa num passado bastante mais longínquo, repleto de curiosos e variados episódios relacionados com os seus proprietários.

A origem do edifício e a sua data de construção, bem como o seu primeiro proprietário fazem parte dos mistérios de Santa Sancha. O proprietário mais antigo de que se tem conhecimento foi o Senhor Manuel Duarte Bernardino, que em 1830 se tornou membro da Confeitaria de Nossa Senhora dos Remédios e em 1841 seu presidente. Em 1855, o Visconde do Cercal torna-se dono da propriedade, e é no seio da sua família que se passa um dos episódios acima referidos. Após a morte do Visconde, que não deixara testamento escrito, a família passa por uma atribulada fase de discussões e questões sobre o destino do palácio. Só em 1882 é que a propriedade é inscrita no nome da Viscondessa do Cercal e assim D. Carlota Josefa de Melo torna-se proprietária de Santa Sancha. Em 1892, após a morte da Viscondessa, a casa é entregue à sua neta, Pamela Francisca de Melo. No ano de 1893 é assinada a escritura da venda da propriedade ao senhor Herbert Fullarton Dent, com quem se passa outro dos variados episódios. Em 1896 é criado um processo entre a Administração e o proprietário, Herbert Dent, processo esse que envolveu a Direcção Geral das Obras Públicas, que não cedia que o proprietário murasse a propriedade.

São desconhecidas as utilizações dadas ao edifício até 1937, quando se tornou, exclusivamente, residência dos Governadores de Macau. A história da Chácara de Santa Sancha, a partir do momento em que passa a ser propriedade do estado, toma um rumo diferente. No período que se seguiu à realização das obras, Santa Sancha funcionava como residência alternativa ao Palácio da Praia Grande, tornando-se somente residência permanente dos governador com a tomada de posse de Tamagnini Barbosa.

ArquitecturaEditar

História e ActualidadeEditar

A história da utilização da casa de Santa Sancha não é muito precisa e completa pois não existem muitos elementos que a permitam reconstituir com a devida exactidão. A reconstituição da história arquitectónica do edifício, por sua vez, é também ela de difícil realização devido à escassez de elementos relativos às obras realizadas.

Segundo o Padre Manuel Teixeira, o projecto inicial terá sido do arquitecto macaense José Agostinho Tomás de Aquino, formado em matemática, desenho e comércio em Lisboa, também barão do Cercal. A construção do palácio pensa situar-se em meados do século XIX. A Casa é descrita predialmente numa carta datada de 1878 como sendo uma casa de um andar com uma loja, localizada no terreno da chácara de Santa Sancha. A casa apresentava três arcadas viradas a sul para o mar, uma porta e seis janelas no alçado frontal da casa e um terraço por cimas das ditas arcadas.

Em Maio de 1924, o edifício é consolidado e sofre uma reconstrução da cobertura, que tinha ficado danificada devido a um tufão. Meses mais tarde ocorrem novas intervenções. Já posteriormente, na década de 40, o edifício possui uma fisionomia distinta da apresentada em 1925, revelando assim a ocorrência de intervenções no seu exterior. A partir desta altura as obras realizadas são sobretudo obras de conservação, restauro e decoração de interiores, não tendo as suas fachadas sofrido alterações significativas. A única excepção é a construção nas traseiras do palácio de um edifício onde passaram a encontrar-se os gabinetes dos secretários adjuntos.

Pedro Dias refere: "O edifício actual é em forma de U, com dois corpos extremos salientes dotados de varandas e uma outra varanda ao longo de toda a frontaria antiga, plana. Ficou com maior dignidade, nomeadamente com a construção de outro corpo avançado na entrada, com acesso por uma escadaria que é apenas de aparato. O arquitecto utilizou também aqui a gramática neoclássica, então em voga em Macau, e que era símbolo de dignidade das construções, vincando sobretudo os frontões triangulares das janelas e das varandas do andar superior. Na decoração do interior, igualmente neoclássica, destacam-se a escadaria e o salão nobre."

Trata-se então de um edifício de dois pisos, inserido num estilo tipicamente do final do séc. XIX e início do séc. XX, sendo construído em alvenaria de tijolo, rebocado e pintado de rosa pombalino, uma cor tradicional que caracterizam tanto esta obra como o Palácio da Praia grande, que é hoje a sede do Governo de Macau, mas que outrora pertenceu, juntamente com o Palácio do Governador, ao Visconde do Cercal.

Este tom rosado utilizado é depois salpicado por pequenos elementos brancos presentes nas janelas, cornijas, pilastras, balaustradas e outros elementos arquitectónicos e que lhe conferem um corte acentuado nos espaços e nos volumes que por eles são definidos. A fachada principal é simétrica e coroada por um frontão curvo suportado por pequenas aletas e onde estão adossadas as armas portuguesas. De ambos os lados da casa é possível observar dois volumes salientes que lembram antigos torreões, que servem também para enquadrar esta fachada e salienta-la das demais, ocupando assim inegavelmente o topo da hierarquia das restantes fachadas. A marcar a entrada encontra-se um grande pórtico que por cima possuiu uma balaustrada, o parapeito do terraço que se estende depois pelos quartos principais da casa.

Este Palácio foi implantado num relevo natural, e encontra-se bem estruturada para essa situação, possuindo para o efeito muros de suporte em granito, coroados de muretes que tanto têm balaustrada de feição como reticulado de cerâmica chinesa de Sheak Wan.

Jardins e EnvolventeEditar

Os jardins possuem marcas fortemente ocidentais e estendem-se por toda a propriedade de onde ressaltam elementos como o miradouro circular que se encontra assente sobre um grande afloramento rochoso, encontrando-se agora rodeado por grandes raízes de uma árvore nativa da china, uma figueira, (Chinese Banyan) que proporciona locais de sombra, tornando o local num sítio apetecível para tardes mais quentes de Verão.[[File:Fachada Principal do Palácio do Governador, vista do mirante a sudeste.jpg|thumb|Fachada Principal do Palácio do Governador, vista do miradouro a sudeste.]]

Também deste miradouro é possível vislumbrar uma incrível panorâmica sobre a Baía da Praia Grande (ou o que resta dela), da ponte e das ilhas que se encontram próximas (da Taipa, João e Montanha) e ao mesmo tempo proporciona também uma magnifica vista sobre a fachada principal da casa. Mesmo numa área relativamente reduzida foi possível a criação de um jardim possuidor de interessantes perspectivas da casa. Este jardim conjuntamente com o miradouro define um eixo dos dois grandes enfiamentos visuais tanto arquitectónicos como paisagísticos.

DecoraçãoEditar

Na decoração pode-se encontrar um estilo marcadamente ocidental no entanto com outros pontos relativos a outras culturas mas que se relacionam entre si e que criam no todo uma simbiose bastante agradável que denuncia o Extremo Oriente, onde a casa se situa. Nas balaustradas encontram-se vasos com flores numa maneira tipicamente mediterrânica que revelam as cerâmicas de Sheak Wan. Possui também bonsais e alguns arbustos cuidadosamente podados ao estilo do Palácio Real de Bangueconque, uma marca única do orientalismo que é encontrado em toda a casa e seus jardins. Contudo, e conforme toda esta amalgama estilística, o interior da habitação é decorado na maior parte por peças portuguesas e chinesas ao longo de uma continuidade de salas de grande dimensão, pontuadas com recantos acolhedores. 

No primeiro andar estava instalado o gabinete do governador, a Sala dos Retratos (retratos de 41 governadores desde meados do século passado) e a Sala Azul (decorada com azulejos portugueses, mobília no estilo D. João V e tapeçarias a partir de duas pinturas de Almada Negreiros e de uma de João Botelho).