Paraquedistas militares

Paraquedistas militares
USMC Paratrooper.jpg
Paraquedista dos Marines
com um paraquedas militar.

Paraquedistas militares, quase sempre referidos simplesmente por Paraquedistas, são militares treinados especialmente para serem lançados de aeronaves, aterrarem com a ajuda de um paraquedas e, a partir daí, executar missões militares, muitas vezes consideradas dentro do forro de operações especiais.

Esta força militar é usada devido à vantagem táctica que advém do seu modo de actuar: pode ser lançada directamente no campo de batalha através do ar, conferindo-lhes a oportunidade de se posicionar onde as tropas terrestres não podem ou não conseguem. Esta componente estratégica de "entrada forçada" é uma de três que existem, sendo as restantes duas a entrada forçada por terra e por mar. O facto de ser permitido aos paraquedistas serem lançados a partir de qualquer espaço no céu (desde que, claro, a aeronave que os transporte consiga leva-los ao objectivo do qual podem ser lançados) faz com que possam tomar ao inimigo determinadas posições, edifícios, fortificações, ou simplesmente para sabotar as posições inimigas a partir da sua retaguarda.

HistóriaEditar

 
Fallschirmjägers saltando de aviões Junkers Ju 52, em maio de 1941, durante a batalha de Creta.

Esta doutrina/técnica de condução de operações militares foi aplicada pela primeira vez por italianos e soviéticos. Porém, durante a Segunda Guerra Mundial, o uso em larga escala de tropas paraquedistas foi realizada pelos paraquedistas alemães Fallschirmjäger, na Operação Weserübung.[1]

Numa fase mais tardia do conflito, o mesmo foi feito pelos norte-americanos, pelos britânicos (Serviço Aéreo Especial) e pelos soviéticos.[1] Nesta guerra mundial, a esmagadora maioria dos paraquedistas usaram paraquedas circulares. Contudo, na actualidade, apesar de os paraquedistas ainda usarem estes paraquedas de formato circular, estes são muito mais manobráveis que os dos seus antecessores. Parte da pouca manobrabilidade destes paraquedas advém do facto de, quando imensas unidades paraquedistas são lançadas de uma só vez, impedir que haja condições para estas chocarem umas contra as outras.

Algumas forças paraquedistas especializadas fazem uso de paraquedas manobráveis, porém estas são quem decidem quando o paraquedas se abre, ao contrario do paraquedas tradicional que era automaticamente aberto ao saltar da aeronave através de uma linha estática.[2]

PortugalEditar

 Ver artigo principal: Tropas Paraquedistas de Portugal

Em Portugal, os paraquedistas militares são conhecidos por Tropas Paraquedistas ou Boinas Verdes, designação genérica das tropas portuguesas especializadas em operações militares aerotransportadas, especialmente, naquelas que envolvem saltos de paraquedas, assaltos aéreos ou lançamento de cargas.[3][4][5][6]

Criadas originalmente em 1956, na Força Aérea Portuguesa (FAP), as principais unidades paraquedistas estão atualmente integradas na Brigada de Reação Rápida (BRR) do Exército Português, embora existam militares com esta qualificação em unidades pertencentes a outras organizações do Exército e mesmo nos restantes ramos das Forças Armadas.[3][4][7]

Com características e capacidades únicas em Portugal, as Tropas Paraquedistas possuem uma longa história operacional, tendo sido projetadas para várias partes do mundo, como Angola,[8] Moçambique,[9] Guiné,[9] Bósnia,[10] Kosovo,[11][12] Timor,[13][14] Afeganistão,[15][16][17][18][19] Iraque,[20][21] Mali[22][23][24][25] e República Centro-Africana.[26][27][28]

BrasilEditar

 Ver artigo principal: Brigada de Infantaria Paraquedista
 
Paraquedistas brasileiros sendo lançados a partir de uma aeronave.

No Brasil, os paraquedistas encontram-se organizados na Brigada de Infantaria Paraquedista (Bda Inf Pqd), uma das Brigadas do Exército Brasileiro. Sua sede localiza-se no bairro Vila Militar, na cidade do Rio de Janeiro. É subordinada ao Comando Militar do Leste, com sede no Rio de Janeiro, em conjunto com o Comando de Operações Terrestres, com sede em Brasília.[29][30][31]

A Brigada de Infantaria paraquedista é uma das tropas de elite do Exército Brasileiro. Preparada para saltar e operar atrás das linhas inimigas. Está preparada para atuar em no máximo 48 horas em qualquer parte do território nacional, seja em ambiente de selva, caatinga, montanha e pantanal, e permanecer sem apoio logístico por até 72 horas. Após o cumprimento da missão, entrega o território a outra unidade convencional para manter a posição conquistada, de acordo com a doutrina de treinamentos do Exército Brasileiro, geralmente uma unidade ou uma brigada de infantaria blindada fica encarregada de substituir a Brigada paraquedista no terreno, após o repasse do território a outra unidade da Força Terrestre, a Brigada paraquedista é lançada novamente atrás das linhas inimigas para abrir caminho as tropas aliadas.

Além da integração obvia com a Força Aérea Brasileira, devido a natureza de suas atividades, a Brigada de Infantaria paraquedista, também mantêm vínculos com a Marinha do Brasil, mais especificamente com o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (BOpFN), que enviam todos os anos, fuzileiros navais formados, porém iniciantes do Curso de Guerra Anfíbia (Comandos Anfíbios), elite do Corpo de Fuzileiros Navais, para se formarem no curso de paraquedista militar, sendo este último a primeira fase para se concluir o curso de comandos anfíbios, assim como acontece com o curso de ações de comandos do Exército. Também enviam seus efetivos o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR), tropa de elite da Infantaria da Aeronáutica, para formar recursos humanos aptos a se lançarem de paraquedas e consequentemente poderem realizar operações especiais de comandos e resgates em ambientes de difícil acesso. Também são ministrados outros cursos essenciais a natureza das atividades destas instituições, como o curso de Precursor paraquedista, Mestre de Salto e Dobragem e Manutenção de Paraquedas e Suprimentos pelo Ar.

Referências

  1. a b «Sky Soldiers – History's First Airborne Units | militaryhistorynow.com». Consultado em 1 de maio de 2016 
  2. «HISTORY OF MILITARY PARACHUTING » Pathfinder Ireland - Pathfinder Parachute Group - Ireland». www.pathfinderireland.com. Consultado em 1 de maio de 2016 
  3. a b «Tropas paraquedistas. 25 anos no Exército - DN». www.dn.pt. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  4. a b «NOTAS SOBRE A TRANSFERÊNCIA DOS PARAQUEDISTAS DA FORÇA AÉREA PARA O EXÉRCITO EM 1993 | Operacional». Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  5. ««23 DE MAIO»: DIA DA ESCOLA DE TROPAS PÁRA-QUEDISTAS | Operacional». Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  6. ENQUADRAMENTO DAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS NO SEIO DO EXÉRCITO PORTUGUÊS - FRANCO, Aspirante Jacinto Gabriel Henriques Rodrigues, Academia Militar, Consultado em 16 de dezembro de 2019.
  7. «DEMONSTRAÇÃO DE CAPACIDADES DA BRIGADA DE REAÇÃO RÁPIDA - 2019 | Operacional». Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  8. Observador. «Paraquedistas: a força especial que entrou na guerra de Angola pelo ar». Observador. Consultado em 19 de dezembro de 2019 
  9. a b «PÁRA-QUEDISTAS EM COMBATE 1961-1975 | Operacional». Consultado em 23 de dezembro de 2019 
  10. «PORTUGAL E OS PÁRA-QUEDISTAS MORTOS NA BÓSNIA HOMENAGEADOS EM DOBOJ | Operacional». Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  11. Ferreira, Ana Gomes. «Kfor com ordem para avançar». PÚBLICO. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  12. SAPO. «18 anos depois, Portugal termina missão militar no Kosovo». SAPO 24. Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  13. «Militares Portugueses na UNTAET- PKF | | Caleida Sitio». www.caleida.pt. Consultado em 23 de dezembro de 2019 
  14. «SILÊNCIO EM KOMORO | Operacional». Consultado em 23 de dezembro de 2019 
  15. Dinis, Rita. «Chegou ao fim. Histórias de Cabul». Observador. Consultado em 7 de janeiro de 2020 
  16. Portugal, Rádio e Televisão de. «Soldado português morre num acidente no Afeganistão». Soldado português morre num acidente no Afeganistão. Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  17. leitor@destak.pt, Destak. «Afeganistão: Pára-quedistas rendem comandos portugueses a partir de amanhã». Destak.pt. Consultado em 7 de janeiro de 2020 
  18. «Substitutos de militares portugueses partem hoje para o Afeganistão». TVI24. Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  19. «Pára-quedistas marcham para o Afeganistão - JN». www.jn.pt. Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  20. «3.º CONTINGENTE NACIONAL DE PARTIDA PARA O IRAQUE | Operacional». Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  21. Pincha, João Pedro. «Militares portugueses na aliança contra o Estado Islâmico: "Não é um bando de selvagens"». Observador. Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  22. «FORÇA AÉREA PORTUGUESA NO MALI E NA LITUÂNIA | Operacional». Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  23. «Militares portugueses partiram em missão para o Mali». www.cmjornal.pt. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  24. «Militar morto no Mali é 20.ª baixa em missões no estrangeiro desde 1992». TSF Rádio Notícias. 19 de junho de 2017. Consultado em 23 de dezembro de 2019 
  25. Lusa, Agência. «Portugal poderá reforçar missão de paz no Mali com seis militares e avião em 2020». Observador. Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  26. «MINUSCA e EUTM RCA». www.exercito.pt. Exército Português. Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  27. «MISSÃO NA RCA - REPÚBLICA CENTRO AFRICANA | Operacional». Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  28. «FORÇA PORTUGUESA NA REPÚBLICA CENTRO AFRICANA | Operacional». Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  29. «Brigada de Infantaria Paraquedista – 68º Aniversário de criação - O Exército». Exército Brasileiro. Consultado em 13 de janeiro de 2020 
  30. «MEMÓRIA HISTÓRICA DA BRIGADA DE INFANTARIA PÁRA-QUEDISTA (Volume 1) | Operacional». Consultado em 13 de janeiro de 2020 
  31. «DefesaNet - Terrestre - Brigada de Infantaria Paraquedista prepara militares recém-chegados em técnicas de assalto aeroterrestre». DefesaNet. Consultado em 13 de janeiro de 2020