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Os parecis ou paresí (autodenominados Halíti ou Arití )[3] são um grupo indígena que habita as Áreas Indígenas Capitão Marcos/Uirapuru, Estação Parecis, Estivadinho, Figueiras, Juininha, Rio Formoso, Umutina, Utiariti e Reserva Indígena Pareci, no oeste do estado de Mato Grosso, no Brasil. Sua língua, a língua pareci, pertence ao tronco linguístico aruaque[4].

Parecis
Pareci haliti 1837a.JPG
População total

2 138 (Siasi, Sesai/2014)[1]

Regiões com população significativa
Mato Grosso, no Brasil
Línguas
pareci (dialetos Wáymare, Kozárene, Kaxínti ou Kazíniti, Warére e Káwali)
língua portuguesa[2]
Religiões

Índice

HistóriaEditar

Os primeiros contatos dos parecis com os não índios datam do século XVII. Desde então, esses contatos vêm se intensificando, o que redundou, muitas vezes, em destruição material e cultural para os parecis. Autodenominados "Halíti" (termo que significa, na língua pareci, "gente, povo"), eles foram denominados como "pareci" (termo que não pertence à língua pareci) pelo bandeirante Antônio Pires de Campos na década de 1720.[5]

No início do século XIX, os parecis forneceram mão de obra para o ciclo da borracha. Em 1908, Cândido Rondon, que supervisionava a implantação da linha telegráfica na região, entrou em contato com os parecis.[6] Em 1930, foi criada a Missão de Utiariti. Atualmente, a etnia luta para preservar sua cultura, bem como procura preservar suas terras e criar novas formas de geração de renda, como o artesanato voltado para a venda externa, por exemplo.[1]

CulturaEditar

Os parecis celebram regularmente as "festas da chicha", nas quais é consumido o olóniti, uma bebida alcoólica feita a partir de polvilho torrado da mandioca-brava, e nas quais se dança e se cantam os mitos parecis.[7] A principal cultura agrícola dos parecis é a mandioca-brava. Também se praticam a pesca, a caça e a coleta. Já antes do contato com os não índios, os parecis já haviam domesticado as abelhas: eles as guardavam em um pote com dois furos, sendo que um dos furos era reservado à entrada e saída das abelhas, e o outro furo, mantido vedado com cera, era utilizado somente para a retirada dos favos. Atualmente, os parecis criam cães, galinhas, porcos e patos.[8]

Antigamente, na "casa dos homens", local reservado aos parecis adultos, estes consumiam chicha e carne para, simbolicamente, apaziguar a sede e a fome de uma serpente mitológica.[9] Antigamente, os homens parecis se vestiam apenas com um protetor para o pênis, enquanto que as mulheres parecis usavam uma saia curta de algodão, um avental e uma touca.[10] Os parecis praticam o zikonahiti, um jogo de apostas com uma bola feita de mangaba.[11]

Influência na toponímiaEditar

Os parecis influenciaram muitos topônimos atuais no seu território tradicional, como serra dos Parecis, Parecis e Campo Novo do Parecis.

Referências

  1. a b Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/paresi. Acesso em 25 de fevereiro de 2017.
  2. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/paresi/2032. Acesso em 25 de fevereiro de 2017.
  3. Paresí - Nome. Instituto Socioambiental. Povos Indígenas no Brasil
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 270.
  5. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/paresi/2030. Acesso em 25 de fevereiro de 2017.
  6. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/paresi/2033. Acesso em 25 de fevereiro de 2017.
  7. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/paresi/2042. Acesso em 25 de fevereiro de 2017.
  8. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/paresi/2041. Acesso em 25 de fevereiro de 2017.
  9. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/paresi/2034. Acesso em 25 de fevereiro de 2017.
  10. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/paresi/2044. Acesso em 25 de fevereiro de 2017.
  11. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/paresi/2043. Acesso em 25 de fevereiro de 2017.

Ligações externasEditar