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Parque Estadual Serra do Brigadeiro

Parque Estadual Serra do Brigadeiro
Categoria II da IUCN (Parque Nacional)
Vista do Pico do Boné, Serra do Brigadeiro
Localização  Minas Gerais,  Brasil.
Dados
Área 14.984 hectares
Criação 27 de setembro de 1996
Coordenadas 20° 42' 55" S 42° 26' 51" O
Parque Estadual Serra do Brigadeiro está localizado em: Brasil
Parque Estadual Serra do Brigadeiro

O Parque Estadual Serra do Brigadeiro[1] está localizado na região da Zona da Mata, Minas Gerais, Brasil.

Índice

HistóriaEditar

Criado em 27 de setembro de 1996 pelo Decreto Estadual n.º 38.319.

GeografiaEditar

Distante cerca de 290 km de Belo Horizonte, esta unidade de conservação tem 14.984 hectares de matas nativas e uma paisagem dominada por montanhas, vales, chapadas e encostas e diversos cursos d’água que integram as bacias dos rios Paraíba do Sul e Doce.

O Parque Estadual Serra do Brigadeiro ocupa terrenos dos municípios de Araponga, Fervedouro, Miradouro, Ervália, Sericita, Pedra Bonita, Muriaé e Divino, na Serra da Mantiqueira, e tem vários Picos: o do Soares (1.985 metros de altitude), o Campestre (1.908 m), o Grama (1.899 m) e o Boné (1.870 m). A altitude e o relevo amenizam a temperatura local e a neblina cobre os picos durante quase todo o ano, formando uma das mais belas imagens do Parque.

A Mata Atlântica, principal formação vegetal da área, está intercalada com os Campos de Altitude e afloramentos rochosos, formando um belo cenário. Considerado um paraíso botânico, o Parque constitui um ecossistema rico em espécies vegetais como bromélia, orquídea, cedro, candeia e palmito doce.

A unidade de conservação também é refúgio de espécies da fauna ameaçadas de extinção, como o sauá, o mono-carvoeiro ou muriqui, a onça-pintada, a jaguatirica, o sapo-boi. Também podem ser observadas diversas espécies de aves, como o pavó, o papagaio-do-peito-roxo e a araponga.

Acesso e infra-estruturaEditar

A infra-estrutura do Parque foi construída em parceria com o Programa de Proteção da Mata Atlântica de Minas Gerais (Promata) com recursos da Cooperação Financeira Internacional Brasil-Alemanha, repassados através do Banco Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW). Foram investidos R$ 1,25 milhão na construção de um centro de pesquisa, posto da polícia ambiental, laboratório, alojamento para pesquisadores, centro administrativo e de educação ambiental, residências para funcionários e administrador e reforma de antiga construção colonial, transformada em casa de hóspede.

O Parque foi aberto à visitação em março de 2005. O Parque não possui área de camping e a visitação deve ser feita no período diurno. Horário de Funcionamento: 8 às 17 horas

Geologia do ParqueEditar

Conforme observado por Benites (1997), estudando a região do Pico do Boné, a paisagem da Serra do Brigadeiro experimenta um processo de rejuvenescimento condicionado pelo contínuo soerguimento das serras, desmonte e re-deposição de materiais pré-intemperizados. O mesmo ocorre em diversas áreas elevadas da Mantiqueira, corroborando a existência pretérita de uma grande superfície intemperizada.

Complexo Rupestre de AltitudeEditar

Nas áreas mais elevadas, acima de 1600 metros, sobre os pontões e cristas estruturais em migmatitos, ocorrem manchas disjuntas da formação campestre altomontanas, com elevada biodiversidade florística e com graus variáveis de preservação, em função da acessibilidade. Os solos das partes mais elevadas são Neossolos Litólicos, com 10–20 cm de horizonte A hístico em áreas mais úmidas como brejos e grotas de altitude (Perfis 4, 7 e 10) ou húmico nas partes mais secas. O horizonte A repousa sobre um saprolito altamente intemperizado (horizonte Cr) ou sobre o substrato rochoso pouco alterado (horizonte CR ou R), especialmente quando este se apresenta mais quartzoso. Apesar da elevada exposição aos ventos, do isolamento, e do extremo climático, com elevada insolação e ambiente nebular, tais ambientes mostram-se riquíssimos em espécies altamente adaptadas, com seus diversos micro-ambientes, desde ruderais até hidrófilos (brejos), com plantas pioneiras e uma sucessão notável das linhas de drenagem aos topos mais expostos. Tais campos são formações edafo-climáticas e denotam características reliquiares. Mostram certa similaridade aos ambientes altimontanos de Caparaó e Ibitipoca, mas são particularmente distintos dos campos rupestres quartzíticos do Espinhaço (Ouro Branco, Cipó), tanto em termos florístico quanto fisionômico.[2] Em parte, tal diferença pode ser atribuível ao fato dos migmatitos e charnorquitos que embasam geologicamente a Serra do Brigadeiro serem rochas quimicamente bem mais ricas que os quartzitos e metapelíticos proterozóicas, dominantes no Espinhaço.[2] Em comum, mostram-se sempre substratos muito rasos, e fracamente pedogenizados. Os solos possuem, tanto no horizonte A quanto em sub-superfície, teores fito-tóxicos de Al, sendo invariavelmente ácido e pobre em nutrientes.

A Serra do Brigadeiro encontra-se inserida nas áreas cristalinas dobradas e falhadas da faixa móvel Atlântica, localizada ao longo de uma zona de sutura de direção aproximadamente N/S, entre dois grupos geológicos complexos (Grupo Juiz de Fora e Piedade). A parte montanhosa da Serra é formada por migmatitos e gnaisses charnoquíticos do Grupo Juiz de Fora, sendo as rochas mais intensamente falhadas da região.[3] Constitui-se em continuação da Serra da Mantiqueira ao sul, e do Caparó a nordeste, sendo caracterizada por um conjunto de serras alinhadas no sentido Norte/Sul e Nordeste/Sudoeste separando inúmeros vales estruturais montanos e altimontanos. Observa-se um forte controle estrutural sobre as formas de modelado, influenciando a distribuição dos solos e da vegetação. Atribui-se o relevo atual a reativação de falhas no sentido N/S formadas pela colisão entre as placas do São Francisco e do Congo durante o ciclo orogenético Brasiliano, no pré-Cambriano (600 milhões de anos atrás). Durante a separação entre a América do Sul e África iniciada pelo rifteamento Juro-Cretácico (200 milhões a.c.), houve a reativação destas falhas e fraturas.[4] A presença de falhas de pequeno rejeito preenchidas por materiais latossólicos, de níveis erosivos, superfícies escalonadas e escarpas alcantiladas preservadas indicam ainda reativações neo-tectônicas ocorridas durante o cenozóico (últimos 12 milhões de anos).[2]

Geologia e Geotectônica do PESBEditar

Após o desenvolvimento das atividades de campo da avaliação ecológica rápida do PESB, foram identificadas e mapeadas as unidades geológicas abaixo, já descritas na literatura referente à geologia do leste de Minas Gerais.[5]

Gnaisse PiedadeEditar

Ocorre fora dos limites do PESB, nas regiões de relevos de dissecação homogênea, de mar de morros, menos montanhosos.O domínio Piedade corresponde a uma das fácies da Série Barbacena de Barbosa (1954), segundo divisão proposta por Ebert e colaboradores. A denominação Piedade é devida ao fato destes gnaisses terem sido inicialmente descritos no município de Piedade de Ponte Nova, no Estado de Minas Gerais. No PESB, ocorrem rochas referidas ao Gnaisse Piedade na borda oeste, já em seu entorno. Este domínio é constituído, segundo estes autores, por rochas que mostram foliação bem desenvolvida, bandamento gnáissico marcante, definido pela disposição seguindo bandas máficas e félsicas, com espessura variando de deci- a centimétrica. A porção máfica destes gnaisses é caracterizada pela presença de biotita e/ou hornblenda, com ou sem granada (biotita e/ou hornblenda gnaisses).

Na região da Serra do Brigadeiro, em sua porção oeste, ocorrem níveis de anfibolitos e rochas charnoquíticas, além de milonitos de composição tonalítica. Já a porção félsica deste domínio é descrita como sendo constituída por gnaisses quartzo-feldspáticos de composição granítica a granodiorítica, ocorrendo eventualmente intercalações de calcissilicáticas e raros quartzitos. A transição entre o Gnaisse Piedade e os migmatitos do Grupo Juiz de Fora é de difícil definição, pela gradativa migmatização sofrida pelos paragnaisses na direção da Serra. Mas há uma nítida separação entre os dois domínios do ponto de vista geomorfológico: os migmatitos e charnoquitos mostram sempre um relevo escarpado e montanhoso, que é a base da própria Serra do Brigadeiro.

No campo foram identificados tipos gnáissicos bem foliados, com bandeamento gnáissico marcante, com uma alternância de bandas máficas e félsicas e espessuras variando de deci- a centimétrica, até migmatitos. Dentre os tipos encontrados, observa-se uma predominância dos tipos biotíticos, de granulação variando de fina a média. Tipos leuco- a mesocráticos, com presença de microclina e quartzo, indicativo de formação provavelmente a partir de grauvacas, foram encontrados. Intercalações calcissilicáticas foram observadas.

Bandas granadíferas alternam-se com bandas ricas em piroxênio (diopsídio). Com frequência observa-se a presença de diques preenchidos por material granitóide ou às vezes apenas por material quartzoso. Rochas leucocráticas, quartzosas e quartzo-feldspáticas sustentam muitos dos pontões mais elevados do PESB, com evidente controle estrutural. Faixas Kinzigíticas ocorrem em alinhamento com as falhas de direções Brasilianas, e parecem marcar os limites entre o Gnaisse Piedade e os Migmatitos e Charnoquitos do Grupo Juiz de Fora.

Pico do SoaresEditar

Pico do Soares: É o mais alto do parque com seus 1.985 metros de altitude, possui 3 elevações uma com 1.950 metros e outra com 1.920 metros sendo que esta apresenta melhor visão da região; sua trilha 7 km de extensão se inicia na Fazenda do Brigadeiro, a 20 km da cidade de Araponga, no município de Fervedouro. Há também um acesso com trilha mais difícil na Região de São Bento ou pela Fazenda da Pirraça, a 20 km da cidade de Fervedouro; a trilha fervedouro é de nível severo.

Pico do Boné: É o principal atrativo do parque sendo o mais visitado fica 18 km de Araponga na região do Estouro, com seus 1.860 metros acima do mar, tem 360 graus de visão de toda região, com base de 15 metros quadrados, sua trilha é a mais fácil do parque, são 4 km de trilha em estrada de uma antiga carvoaria da Belgo Mineira dos anos 1960 em mata atlântica, nível de dificuldade médio.

Pedra Campestre: Segundo maior pico do parque também chamada de Pedra do Pato ou Serra da Grama com 1.908 metros de altitude sua trilha é bem perigosa; fica próxima à portaria Pedra do Pato município de Fervedouro, a 24 km da cidade de Fervedouro, a trilha tem uma escalada a mão livre, mas com devido cuidado, em meio as bromélias, com vista panorâmica para o Pico do Boné e Soares e a Serra do Caparaó a mais de 80 km de distância, nos seus 1.600 metros tem se um lago natural de 1 metro de profundidade, logo acima do lago se sobe mais 400 metros para chegar ao cume maior; o cume menor fica a 2 km do maior e se chama Pico do Grama, com 1.899 metros, nível de dificuldade difícil.

Pico do Itajuru: Localizado no extremo sul da Serra do Brigadeiro com 1590 metros, na região norte de Muriaé, a 15 km da vila do Belisário, a estrada só passa gente e cavalo chamada de trilha do Careço, são 4 km de distancia, é bem sinalizada é o segundo pico mais visitado do parque, só atrás do Pico do Boné, o nível de dificuldade é difícil.

Serra das Cabeças: Com seus 1854 metros próxima a Araponga possui uma pousada chamada Serra D'Água, são 4 km de trilha, é o atrativo mais próxima da cidade de Araponga, rumo a estrada Araponga/Fervedouro.

Pico do Matipozinho: Elevação com 1860 metros, próximo a Fazenda do Brigadeiro, vista magnífica do Pico do Soares, Pico do Ararica, Pico do Matipo Grande, e toda a região do Pico do Boné, o pico se localiza na região de Sericita, onde há belas cachoeiras e outras elevações.

 
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Referências

  1. Parque Estadual Serra do Brigadeiro Arquivado em 4 de junho de 2008, no Wayback Machine. Acessado em 14 de setembro de 2008.
  2. a b c SCHAEFER, 1996
  3. Almeida, 1967; Brasil, 1983
  4. Almeida Abreu, 1995; Benites, 1997
  5. Barbosa 1954; Grossi Sad 1968; Silva et al. 1987; Oliveira et al. 1997

Ligações externasEditar

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