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Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
Categoria II da IUCN (Parque Nacional)
Vale do rio Preto
Localização
País  Brasil
Estado  Goiás
Mesorregião Norte Goiano
Microrregião Chapada dos Veadeiros
Localidade mais próxima Alto Paraíso de Goiás e Cavalcante
Dados
Área &0000000000240586.560000240 586,56 hectares (2 405 9 km2)[1]
Criação 17 de novembro de 1961 (57 anos)[2]
Visitantes 20 607[3] (em 2011)
Gestão ICMBio[4]
Coordenadas 14° 10' S 47° 30' O
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros está localizado em: Brasil
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
Nome oficial: Áreas Protegidas do Cerrado: Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas
Tipo: Natural
Critérios: ix, x
Data de registro: 2001 (25ª sessão)
Referência: 1035
País: Brasil
Região: Américas

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral à natureza localizada na região centro-oeste do estado de Goiás, na Chapada dos Veadeiros. Até o final de maio de 2017, o parque abrangia uma área de 65 514 ha de cerrado de altitude, dos quais aproximadamente 60 % ficam em Cavalcante e os demais 40 % em Alto Paraíso de Goiás.[2]

O parque foi criado através do Decreto Nº 49.875, emitido pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitschek, em 11 de janeiro de 1961.[5]

Em dezembro de 2001 o parque foi incluído na lista do Patrimônio Mundial pela UNESCO.[6] Atualmente sua administração está a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[4] Apesar de ter sido criado com 625 mil hectares, ele teve seu tamanho diminuído até atingir 65 mil hectares. Em 2017, no entanto, o parque foi ampliado por meio de um decreto no Dia Mundial do Meio Ambiente para os atuais 240 mil hectares.[7]

HistóriaEditar

O povoamento da região começou em torno de 1750, com a implantação da propriedade do Sr. Francisco de Almeida, chamada de Fazenda Veadeiros, onde atividades de pecuária e do cultivo de trigo e café se aglomeraram em pequena escala.[8]

Em 1892, a Comissão Exploradora do Planalto Central, comandada pelo astrônomo Luís Cruls, expedicionou pela chapada e região, com a finalidade de delimitar e fazer levantamento da área que deveria receber a futura capital do Brasil;[9]

Século XXEditar

Antes disso, em 1912, foi descoberta a primeira jazida de cristal de rocha da região, o que originou um surto de atividade garimpeira, incluindo a fundação do Povoado de São Jorge.[8] Tal atividade foi se tornando menos interessante ao longo da segunda metade do século XX, especialmente depois da criação do parque nacional.[carece de fontes?]

Em 1931, a serviço do correio aéreo nacional, o brigadeiro Lysias Rodrigues passa por Veadeiros, vindo de São Paulo em direção a Belém. Seus diários foram publicados no livro O roteiro do Tocantins.[10] Em 1926, a chapada foi atravessada pela Coluna Prestes.[carece de fontes?]

Em 11 de novembro de 1961, o então Presidente da República, Juscelino Kubitschek, através do Decreto n° 49.875, cria o parque, com o nome de Parque Nacional do Tocantins.[11] Sua área original era de 625 mil ha. Com o tempo, parte das terras foi sendo perdida por disputas judiciais. Em 1972, perdendo as terras às margens do rio Tocantins, o parque adotou o nome atual.[12]

Século XXIEditar

 
Saltos do Rio Preto, a partir do Mirante da Janela.
 
Jardim de Maytrea.
 
Cordilheiras que cercam o parque.
 
Cachoeira da Santa Bárbara.

A partir de junho de 2017, com a assinatura do Decreto de 5 de junho de 2017, Dia Mundial do Meio Ambiente,[13] pelo Processo nº 02070.000116/2011-10 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes, a UC passou a proteger 240 mil hectares.[14] De acordo com notas técnicas do ICMBio, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, a expansão passará a proteger 17 espécies de flora e 32 espécies de fauna ameaçadas de extinção, como o lobo-guará, a onça-pintada e o pato-mergulhão. Também seriam protegidas 466 nascentes na região, que é conhecida como “a caixa d'água do Planalto Central”, com influência em bacias hidrográficas como a Amazônica e a do São Francisco.[15]

Incêndio em 2017Editar

Em 18 de outubro de 2017, um incêndio destruiu cerca de 35 mil hectares de vegetação do cerrado no parque.[16][17] O fogo teve início à margem da rodovia GO-239, que liga a cidade de Alto Paraíso de Goiás ao vilarejo São Jorge. Incêndios ocorrem naturalmente no cerrado na estação chuvosa, em consequência dos raios, e não na estação seca, quando ocorrem incêndios somente pela ação humana.[18]

O incêndio durou cerca de oito dias e teve origem criminosa.[19] O fogo extrapolou a área do parque e atualmente também atinge fazendas, vilarejos e reservas ambientais particulares ao redor.[20] Especula-se que o incêndio tenha sido uma contraofensiva de fazendeiros devido a expansão da área do parque, ocorrida em julho desse ano.[21]

GeografiaEditar

HidrografiaEditar

A Chapada dos Veadeiros é um importante centro dispersor de drenagem, com a maioria de seus rios escavando vales em forma de "V". O principal é o rio Preto, um afluente do rio Tocantins, que forma várias cachoeiras ao longo de seu curso, com destaque para dois saltos respectivamente 80 e 120 m de altura.[11][22]

Fauna e FloraEditar

Entre as espécies da fauna que habitam o parque, cerca de 50 são classificadas como raras, endêmicas ou sob risco de extinção na área. No tocante à flora, já foram identificadas 1 476 espécies de plantas no parque, das 6 429 que existem no bioma do cerrado.

No cerrado aberto, as espécies vegetais mais proeminentes são o pau-terra-vermelho (Qualea multiflora), a cajueiro-bravo-do-campo (Curatella americana), o murici-rói-rói (Byrsonima cocaldsifolia), o caju-do-cerrado (Anacardium humile) e as mandioqueiras (Qualea spp). Nas matas de galeria, destacam-se o pau d'arco roxo (Tabebuia ipe), copaíba, aroeira e tamanqueira (Stryphnodendron sp). Há ainda a ocorrência de jerivá e viuvinha (Jacaranda brasiliana) e, nos baixios, de buriti e babaçu.[11]

Entre os mamíferos, podemos destacar quatro ameaçados de extinção: o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), o veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus), seu predador natural, onça-pintada, e o maior canídeo americano, o lobo guará.[11] As aves mais destacadas a ema, o urubu-rei, e o gavião.

EconomiaEditar

TurismoEditar

O acesso ao parque se dá pelo Povoado de São Jorge, que está ligado à cidade de Alto Paraíso de Goiás por uma estrada asfaltada de 36 km. Guias para o acompanhamento dos visitantes do parque podem ser encontrados no povoado próximo à entrada do parque, no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) de São Jorge. A visitação do parque, acompanhada por guias é, contudo, opcional.[23][24] Entre as principais atrações do parque estão os dois saltos do rio Preto, com respectivamente 80 e 120 m de altura, os canyons do rio Preto, quedas d'agua em paredes rochosas de um estreitamento do rio, e as cachoeiras carioquinhas, uma formação de piscinas naturais ideal para banhos leves e hidromassagem.[22][25]

Além das trilhas do próprio parque, há diversas atrações turísticas em terras particulares, no entorno do parque. Elas incluem:

  • Vale da Lua: formações rochosas cinzentas esculpidas pelo rio São Miguel, que possuem um aspecto "lunar".
  • Cachoeiras Almécegas: Duas cachoeiras, uma de 50 e outra de 15 metros, em que a água escorre por rochas íngremes. Próximo ao centro de Alto Paraíso.[26]
  • Raizama: conjunto de cachoeiras ideal para a prática de canyoning e rapel.[27][28]
  • Águas termais: piscinas naturais com água a cerca 38 graus de temperatura[29]
  • Cachoeira do Abismo e Mirante da Janela: cachoeira com vista para um vale e um mirante com formação rochosa que se assemelha a uma janela, com vista para os Saltos I e II.[30]

Cultura popularEditar

MisticismoEditar

A Chapada dos Veadeiros, especialmente na região de Alto Paraíso possui um forte turismo místico. Dentre os motivos, pode-se citar as exuberantes paisagens, a abundância de aflorações de quartzo (o que faz a chapada ser vista como um centro de concentração de energia) e o fato de ela ser cortada pelo Paralelo 14 S, o mesmo que passa por Machu Picchu.[31][28]

A ocupação mística da região começou pouco antes da criação do parque. Em 1957, chega uma missão espiritual vinda de Recife, que funda a Fazenda Bona Espero, uma instituição filantrópica que ensina o esperanto. [32]

Vista panorâmica do parque.

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros». Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Consultado em 23 de Outubro de 2017 
  2. a b «PARNA da Chapada dos Veadeiros». Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Consultado em 10 de maio de 2012 
  3. «Ranking Visitação» (PDF). Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2011 
  4. a b «PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DOS VEADEIROS (Relatório Completo)». Cadastro Nacional de Unidades de Conservacão da Natureza. 10 de maio de 2012. Consultado em 10 de maio de 2012 
  5. «DECRETO No 49.875, DE 11 DE JANEIRO DE 1961». Presidência da República - Casa Civil- Subchefia para Assuntos Jurídicos. 11 de janeiro de 1961. Consultado em 10 de maio de 2012 
  6. «Cerrado Protected Areas: Chapada dos Veadeiros and Emas National Parks». UNESCO. 2001 
  7. «Dsn14471». www.planalto.gov.br. Consultado em 14 de janeiro de 2019 
  8. a b «História da Chapada dos Veadeiros» (PDF). Chapada dos Veadeiros. Consultado em 13 de Janeiro de 2012 
  9. «Relatório da 1ª Missão Cruls. Reconhecimento da chapada dos Veadeiros». www.brazilia.jor.br. 1894. Consultado em 13 de Janeiro de 2012 
  10. «Entronização do Ten Brig Ar Paulo Roberto Cardoso Vilarinho no Conselho Superior do INCAER» (PDF). Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. Noticiário INCAER (59). 2010 
  11. a b c d «Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros». Portal São Francisco. Consultado em 13 de Janeiro de 2012 
  12. «História do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros». Encantos do Cerrado. Consultado em 10 de fevereiro de 2012 
  13. «Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é ampliado para 240 mil hectares». Agência Brasil - Últimas notícias do Brasil e do mundo 
  14. «Decreto/17 | Decreto de 5 de junho de 2017, Presidência da Republica». Jusbrasil. Consultado em 7 de junho de 2017 
  15. «Temer assina decreto que triplica área do parque da Chapada dos Veadeiros». O Globo. 5 de junho de 2017 
  16. «Incêndio destruiu 31 mil hectares da Chapada dos Veadeiros em Goiás». Folha de S.Paulo 
  17. Brasília, Agência. «Zoológico envia equipe à Chapada dos Veadeiros para tratar animais feridos em incêndio». Agência Brasília 
  18. «Incêndio que já destruiu 26% da Chapada dos Veadeiros 'foi causado por ação humana', diz chefe do parque - BBC - Meio Ambiente». Meio Ambiente 
  19. https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/bbc/2017/10/24/incendio-que-ja-destruiu-26-da-chapada-dos-veadeiros-foi-causado-por-acao-humana-diz-chefe-do-parque.htm
  20. Braziliense, Correio (24 de outubro de 2017). «Fogo extrapola Parque da Chapada e destrói fazendas e reservas particulares». Correio Braziliense 
  21. «Para instituto ambiental, 'não há a menor dúvida' que incêndio que já consumiu 22% da Chapada dos Veadeiros é criminoso - Sul21». Sul21. 24 de outubro de 2017 
  22. a b «Saltos do Rio Preto». Guia de Cachoeiras. Consultado em 15 de janeiro de 2012 
  23. «Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - Dados Gerais». Guia de Cachoeiras. Consultado em 14 de janeiro de 2012 
  24. «Chapada dos Veadeiros permite visitas sem guias». Consultado em 24 de fevereiro de 2013 
  25. «Canyon 2 e Cachoeiras Cariocas». Guia de Cachoeiras. Consultado em 16 de Janeiro de 2012 
  26. «Cachoeiras Almécegas 1 e 2». Guia de Cachoeiras. Consultado em 14 de Janeiro de 2012 
  27. «Raizama». Guia de Cachoeiras. Consultado em 14 de Janeiro de 2012 
  28. a b «Alto Paraíso / GO». Revista Turismo. Consultado em 14 de Janeiro de 2012 
  29. «Aguas Termais». Guia de Cachoeiras. Consultado em 16 de Janeiro de 2012 
  30. «Chapada dos Veadeiros renasce após maior incêndio da história do parque». Globo Repórter. 2 de março de 2018 
  31. «Cercada por misticismo e beleza natural, Chapada dos Veadeiros é o patrimônio geológico mais antigo da América do Sul». UOL Viagens. Consultado em 14 de Janeiro de 2012. Arquivado do original em 23 de março de 2012 
  32. «Os misticismos da Chapada dos Veadeiros». Overmundo. Consultado em 15 de janeiro de 2012 

Ligações externasEditar

 
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